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Aqui no Brasil está tudo certo. Faz tempo que ninguém pergunta: Que país é este? Vamos sediar a Copa, as olimpíadas e, talvez, a Expo Mundial. Temos Bolsa Família, estamos no G20, somos emergentes, temos a primeira presidente mulher e o anterior era um operário de origem humilde. Tudo certo, tudo bem. Corruptos de alto escalão foram condenados no Supremo Tribunal; a inflação não está muito alta; os juros estão mais baixos e temos a matriz energética mais limpa do planeta.

Tudo certo, mas as pessoas querem mais e por incrível que pareça se acostumam com conquistas passadas e passam a querer novas conquistas. Na última sexta-feira passei pelo centro de Curitiba e vi alguns manifestantes protestando contra o aumento nas passagens de ônibus. Tá certo que aumentos de preço fazem parte do cotidiano, mas parece que tem uma tal de caixa preta que impede a população de saber qual é o custo real da passagem. Os manifestantes de Curitiba eram poucos e pacíficos e não foram hostilizados pela polícia, diferente de São Paulo, Rio e Brasília onde os protestos foram de maior intensidade. Na segunda-feira, quando acessei meu Facebook nada se falava sobre a vitória do Brasil na Copa das Confederações, mas havia muitos comentários sobre protestos de rua, queixas sobre gastos absurdos com estádios e falavam que um gigante estava acordando.

protestos

De fato, existe uma insatisfação difusa no ar que não foi captada nem capitalizada pela nossa oposição política inoperante. Enquanto termino este post novos protestos acontecem, maiores e alcançando mais cidades. Dizem que os manifestantes estão vagando por aí sem  liderança, sem causa e que daí só pode sair baderna. O anarquismo no bom sentido, como linha política, prospera na ausência de forças organizadas que representem as insatisfações populares. Em São Paulo, por exemplo, os manifestantes protestaram contra o aumento das passagens de ônibus concedido por um prefeito do PT e levaram porrada da polícia comandada por um governador do PSDB. Na teoria, o próximo presidente virá de um desses partidos. A grande imprensa chamou os manifestantes de arruaceiros  ao mesmo tempo que enaltecia os “arruaceiros” da Turquia que reagem contra lambanças e desmandos do governo local.

Não sei até onde os movimentos populares podem ir sem articulação, mas o fato é que eles rejeitam a tutela das organizações tradicionais. Sim, existe uma insatisfação latente no ar onde tudo se mistura. Além de insatisfeitos, os brasileiros estão mal representados. No governo e fora dele.

Opostos que se repelem


Segundo o ditado popular os opostos se atraem. Esse mito se baseia na falsa ideia de que as pessoas buscam no outro aquilo que lhes falta. Vamos admitir que a sabedoria popular se aplica a alguns casos de oposição complementar, aquela em que os comportamentos ficam em lados opostos da escala, mas se completam harmoniosamente. Para ser franco, não consigo imaginar muitos casos de oposição complementar; talvez seja o caso da relação entre o autoritário e o submisso ou entre o tagarela com o bom ouvinte. O que predomina, todavia, no mundo das relações são as oposições conflituosas como a do sonhador x prático, do místico x materialista, do ingênuo x malicioso ou do metódico x improvisador.

cargas-elétricas

Analisando em maior profundidade, porém, veremos que mesmo comportamentos opostos conflituosos podem conviver de forma produtiva desde que os envolvidos não estejam muito afastados na escala de oposição. Deixem-me explicar partindo da relação entre uma pessoa organizada com outra bagunçada. Imaginem uma escala da organização que vai de 0 a 5. Os extremos da escala podem ser considerados patológicos. Pessoas extremamente bagunçadas (nível zero) podem ter problemas de convívio social, assim como aquelas que perseguem a organização de forma obsessiva (nível 5). Duas pessoas que estejam nos extremos opostos dessa escala vão entrar em choque, pois a distância entre elas na escala é muito grande. A matemática da compatibilidade consiste em tirar a diferença entre os números que definem cada pessoa. Um organizado nível 5 não conseguirá conviver com um bagunçado nível zero, pois existe um grau de separação de 5 pontos entre ambos. Distâncias pequenas de um ou dois pontos na escala de oposição podem ser produtivas. É o caso do convívio entre um sonhador moderado e um prático moderado em que um pode influenciar o outro sem que ninguém se sinta ultrajado.

Infelizmente, não há forma segura de medir a distância entre comportamentos opostos das pessoas para avaliar se elas são compatíveis entre si ou se as diferenças entre ambas podem ser interessantes para o desenvolvimento pessoal de ambas. Não há matemática suficiente para a quantidade de comportamentos opostos que as pessoas podem apresentar. Ingenuidade, porém, é desprezar a matemática e achar que os opostos sempre se atraem.


No princípio Steve Jobs criou o iPad. Para muitos nativos digitais esta é a história da tecnologia. Quem está há mais tempo na estrada sabe, porém, que antes de chegarmos aos tablets uma longa estrada foi percorrida. Fiz um rastreamento na minha memória relembrando os aparelhos que já usei e que hoje podem ser substituídos de alguma forma por um tablet. A lista ficou extensa e quem tiver curiosidade pode ve-la na minha linha do tempo pessoal de evolução tecnológica.

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A tecnologia não pára e faz com que os aparelhos vão se sobrepondo rapidamente. Avanços tecnológicos são bons para o meio ambiente, pois costumam ser mais eficientes e multifuncionais do que os antecessores, mas o obsoletismo rápido dos aparelhos gera pilhas de sucata. Pela minha contabilidade familiar já adquiri:

  • 1 tablet
  • 3 smartphones
  • 10 celulares
  • 3 notebooks
  • 4 desktops
  • 2 impressoras
  • 2 modens
  • 1 roteador
  • 3 televisores
  • 5 câmeras fotográficas
  • 2 mp3 players
  • 2 DVD players
  • 2 consoles de videogame
  • 2 aparelhos de som
  • 2 aparelhos de som automotivos
  • 4 aparelhos telefônicos
  • 2 rádios relógio
  • 1 agenda eletrônica
  • 4 relógios de pulso

São 55 aparelhos fora os que esqueci que ajudaram no progresso da indústria, dos quais 21 ainda estão na ativa. De qualquer forma parece muito para minha atual visão minimalista. O curioso é que o ritmo das minhas aquisições tem aumentado nos últimos anos, em parte por necessidade profissional e pelo crescimento da família, mas principalmente pela pressão social de se manter atualizado com a corrida tecnológica. Minha expectativa é que no futuro haja menos aparelhos  e mais recursos em cada um deles, mas não parece ser essa a tendência da indústria que se prepara para a era da computação vestível e onipresente.


Débito ou crédito? Já perdi a conta de quantas vezes respondi a esta pergunta. Muitos lojistas perguntam apenas: Débito? e isso indica a preferência de quem está do outro lado da maquininha. Por muito tempo minha resposta sempre foi: crédito. Atualmente, porém, estou repensando esse hábito e comecei a usar a palavra débito. Nas compras de valor baixo tenho pagado em dinheiro, mas afinal de contas, qual é a melhor forma de fazer pagamentos?

Já passei por apuros financeiros e, em certa fase da minha vida a opção de pagar com cartão de crédito foi mais do que uma escolha, foi necessidade, já que eu gastava hoje o que receberia amanhã. Atualmente, superadas as dificuldades, durmo mais tranquilo sabendo que ganhei hoje o que gastarei amanhã. Poder escolher o melhor meio de pagamento é privilégio de sortudos responsáveis. Não me considero um deles, mas digamos que estou em um momento que me permite pensar em alternativas e espero continuar podendo pagar em dinheiro, cartão ou outro meio de acordo com a conveniência. Desejo para você caro leitor a mesma oportunidade de escolha.

posso-te-falar-uma-coisa

Pagar custa dinheiro. Essa regra vale para todos os pagamento inclusive para aqueles feitos em dinheiro vivo. Tá certo que cédulas e moedas têm um custo meio exotérico para o cidadão que mantém a Casa da Moeda por meio dos impostos. Alguns meios por outro lado têm custo visível e direto como a emissão de um DOC ou a cobrança por folhas de cheque adicionais. O custo que mais custamos a perceber é aquele que fica do outro lado da transação, por conta de quem vende. Quando pagamos a conta com cartão de crédito, por exemplo, os custos são altos para quem faz a venda, valor que pode alcançar 5% do total da compra. Não vale dizer que esse custo é problema do comerciante, pois obviamente ele o repassa aos clientes no preço do produto. Entre as formas de fazer pagamentos qual seria a mais econômica? Antes de fazer as contas vamos lembrar que a escolha de um meio de pagamento é uma combinação de conveniência, segurança e custo. Não é apenas pelo custo da transação que escolhemos uma forma de pagar a conta. Vamos analisar caso a caso em ordem crescente de custo.

Dinheiro vivo. Economistas com vocação para psicólogo recomendam o pagamento das compras de baixo valor com dinheiro vivo. Segundo eles, a visualização das notas saindo de carteira causa um desconforto que pode frear o impulso consumista do dono, o que não ocorre quando passamos o cartão pela máquina. O uso do dinheiro não é muito cômodo, pois nos obriga a idas frequentes ao banco para saque. Estou considerando que mesmo pessoas de baixa renda, hoje em dia, usam serviços bancários e que por razões de segurança não andam com o bolso cheio. Eu não saberia dizer se para a sociedade é melhor manter a circulação de cédulas e moedas ou substituí-las por um sistema bancário informatizado. Não sei também se um dia o dinheiro vivo vai acabar, porque para isso ocorrer precisaríamos de meios eletrônicos em todo lugar. Só o que posso dizer é que o uso do dinheiro em espécie está em declínio e que não se deve acumular moedas e cédulas. Faça as moedas circularem para melhor uso desse recurso que custa dinheiro para produzir.

Cheque. O cheque é seguro para quem emite, mas não para quem recebe. Todo banco deve conceder aos correntistas certo número de folhas de cheque por mês sem custo extra além do que é cobrado pela manutenção da conta corrente. Os bancos não gostam de cheques, pois o processamento deles tem custo alto. O uso do cheque está em declínio e quem sabe isso deixe as tarifas bancárias mais baixas. Por enquanto, é difícil abandonar o talão de cheques, em especial, pensando naqueles pagamentos de valor médio que não dá para fazer por meio eletrônico.

Transferências eletrônicas. Transferências eletrônicas são cômodas quando feitas pela Internet. As transferências entre contas do mesmo banco são de baixo custo. Transferências entre bancos via DOC ou TED podem ter custo razoável. O débito automático de contas é bem cômodo e o custo da operação é absorvido por quem recebe. Só é preciso acompanhar as cobranças para evitar surpresas desagradáveis.

Boleto. Pagar com boleto costuma ser sinônimo de desconto. Em geral, trata-se de um pagamento adiantado que requer confiança no vendedor. O boleto tem um custo baixo que costuma ser absorvido por quem vende.

Cartão de débito. Esse é o queridinho dos comerciantes pela comodidade e segurança. O dinheiro sai imediatamente da conta do cliente, mas pode demorar até chegar na conta do comerciante. A operação desse sistema é complexa e dominada por alguns gigantes. O débito com cartão é uma operação que não envolve financiamento da dívida e, na teoria, é mais barata que o crédito.

Cartão de crédito. Comprar com cartão de crédito é para pessoas disciplinadas. O cliente pode ficar com a impressão de que não há custos nesse financiamento de curto prazo que a operadora gentilmente lhe concede. Entretanto, convém lembrar que os préstimos da operadora são pagos pelo comerciante a preços salgados. E eu com isso? Diria o cliente. Se eu ganhar um prazo para pagar o cartão posso deixar o dinheiro rendendo no banco. De modo geral, se as pessoas evitassem o cartão de crédito haveria uma queda no preço dos produtos.

PayPal e PagSeguro. Essas operadoras de pagamentos que tem presença forte na Internet são cômodas e seguras, mas como são uma camada a mais na operação do pagamento tem taxas altas para o comerciante.

Pagamento parcelado. Seja no carnê ou no cartão de crédito, parcelar compras é furada. Os juros são abusivos e o bom pagador tem que cobrir o rombo dos caloteiros. A ironia é que muitas lojas oferecem aos clientes prazo em vez de desconto. A sedução do prazo só inflaciona os preços para todos inclusive para quem não precisa de prazo.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece algumas regras para pagamentos. Uma delas é que dinheiro tem que ser aceito em qualquer situação. O comerciante pode recusar pagamento em cheques, mas se aceitar não pode impor condições como exigir que a conta tenha mais de um ano ou que seja da praça. O comerciante pode selecionar quais cartões aceita, mas deve deixar claro para o cliente quais são esses cartões.

Uma regra polêmica do Código é exigir que cartão de crédito seja tratado como pagamento à vista, ou seja, não é permitido estabelecer preços diferentes para pagamento em dinheiro, cheque ou cartão de crédito. Como os meios de pagamento tem custos diferentes seria mais sensato permitir diferentes preços para premiar quem utiliza o meio de pagamento de menor custo. O resultado dessa uniformização é que acabamos incentivando formas de pagamento caras. O consumidor pode tentar reverter essa situação pedindo desconto sempre que utilizar uma forma de pagamento mais econômica. Por isso, sempre que ouvir a pergunta: Débito? devolva com outra: Tem desconto?


O governo paranaense planeja criar o Tudo Aqui, um programa para o cidadão resolver em um só local físico dezenas de assuntos com o poder público, tais como fazer carteira de identidade, abrir uma empresa ou quitar pendências com a justiça eleitoral. A iniciativa é interessante, mas está sob ataque da oposição e lendo as notícias sobre a proposta vieram à minha cabeça várias perguntas que lanço nas águas incertas do ciberespaço.

O Tudo Aqui lembra soluções similares como as Ruas da Cidadania da Prefeitura de Curitiba ou o Poupa Tempo do governo estadual de São Paulo. No Paraná, o governo pretende entregar a administração do novo serviço à iniciativa privada em regime de concessão por 25 anos. Minha primeira pergunta: daqui a 25 anos vão existir documentos como título de eleitor, CPF  ou atestado de antecedentes criminais? Ok, não vamos subestimar a força da burocracia brasileira, mas com auxílio da Informática e do bom senso quem sabe a vida do cidadão pode ficar mais simples em um quarto de século.

novo rg

A ideia de resolver todas as pendências em um lugar só é ótima, mas sinceramente eu gostaria que esse lugar fosse a tela do meu computador. Um Tudo Aqui digital seria o complemento ideal para o Tudo Aqui de alvenaria. Concordo que para muita gente o meio digital ainda não é acessível nem familiar e que em alguns poucos casos a presença do cidadão diante do servidor público é necessária. Para mim, a sede do Tudo Aqui é como agência de banco, ou seja, é local que me dá alergias e que prefiro passar longe.

Realmente é bacana poder fazer carteira de identidade, CPF, título de eleitor, carteira de motorista e de trabalho em um só local. Mas quando teremos a carteira de identidade com chip que viria para substituir toda essa tranqueira de documentos? O documento único é a solução matadora que deve se conectar a um banco de dados centralizado que mantenha o histórico do cidadão sempre atualizado. Indo além, talvez um dia o corpo seja o documento do cidadão. Para que apresentar documento se bastaria colocar a mão sobre um scanner para ser identificado com segurança?

Espero que o Tudo Aqui venha logo para melhorar o atendimento ao cidadão no curto prazo. A médio e longo prazo espero que tudo se resolva pela Internet e que muitos documentos deixem de existir, começando pelo sinistro atestado de antecedentes criminais.


Vou dar um pitaco na polêmica do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) mesmo correndo risco de garantir mais votos para ele nas eleições de 2014. No meu Facebook recebo diariamente mensagens questionando se o deputado Feliciano representa alguém como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. Certamente o deputado representa alguns setores fundamentalistas da nossa sociedade e seu maior objetivo na Comissão de Direitos Humanos é paralisá-la, meta que ele está cumprindo com galhardia. Se nenhum avanço for observado na questão dos direitos humanos e de minorias no mandato do deputado Feliciano ele vai se apresentar ao seu eleitorado como vitorioso por ter freado o avanço de setores “amaldiçoados”.

A Câmara Federal é uma casa de mandatos proporcionais, ou seja, os deputados representam setores da sociedade que não precisam ser maioria. Sabendo disso, o deputado Feliciano adota uma política de confronto e polarização, se apresentando como defensor dos bons costumes e levando algumas pessoas a crer que quem está contra ele está contra os evangélicos. Vários adversários do deputado mordem a isca lançada por ele e adotam um fundamentalismo às avessas se referindo a ele como Pastor Feliciano. Ora, não faz sentido eu sair por ai dizendo: “a lésbica fulana”, da mesma forma, não me parece boa ideia colar no deputado o adjetivo pastor, como se isso explicasse muita coisa sobre seu caráter. Estão apenas asfaltando o caminho para a reeleição do nobre deputado.

Marcos Feliciano

Quem está realmente incomodado com a presença do deputado Feliciano na Comissão de Direitos Humanos deveria questionar como ele chegou lá. O bom senso diz que ele não tem perfil para a coisa. Por que então uma raposa estaria a  cuidar do galinheiro? A Comissão de Direitos Humanos foi comandada no passado durante várias gestões por deputados de “esquerda”, principalmente petistas.Será que esses deputados militantes arrojados dos direitos humanos e que hoje apoiam o governo consideram a Comissão uma bananeira que já deu cacho? Os candidatos naturais à presidência da Comissão de Direitos humanos preferiram abdicar da candidatura por conta de interesses políticos maiores? Direitos humanos e de minorias são assunto resolvido no Brasil e não haveria problema em deixar a comissão sob o comando de um fundamentalista conservador? Tudo bem, ele representa setores da sociedade que têm interesse em certas questões encaminhadas pela comissão, que têm um projeto ambicioso de poder e que cobram espaço político. Muito cuidado, porque se o Feliciano cair, o sucessor talvez venha da mesma facção. Essa é a câmara que temos para o momento: um homofóbico na comissão de direitos de minorias e o maior produtor de soja do Brasil presidindo a Comissão de Meio Ambiente. Quem já foi combativo nessas áreas agora se ocupa de garantir a presidência em 2014.  Enquanto isso, na Comissão de Constituição e Justiça temos dois condenados pelo mensalão.

fora feliciano


Senhores motoristas, antes de dizerem que bicicletas atrapalham o trânsito lembrem dessa fórmula simples: uma bicicleta a mais é um carro a menos na rua. Alguns podem argumentar: “ah, duvido que ciclistas sejam ex-motoristas.” Bem, se não eram podem vir a ser futuros motoristas, caso continuemos a matar, mutilar e inviabilizar a circulação dos ciclistas.

Quem acompanha o noticiário deve ter percebido que as iniciativas para aumentar o uso da bicicleta estão acontecendo simultaneamente a um aumento da brutalidade contra os ciclistas. Quase diariamente vemos notícias de ciclistas mortos ou feridos pela imprudência de motoristas que se acham donos da rua. Já pensei em ir trabalhar de bicicleta, mas quando faço mentalmente o trajeto de casa até o serviço me vem à cabeça os riscos que terei que enfrentar diariamente. Se alguns motoristas não têm paciência comigo quando dirijo meu dentro dos limites de velocidade imagine como tratam quem está sobre duas rodas.

bicicleta

Ser ciclista hoje em dia não é apenas uma atitude ecológica, mas também um ato de bravura. A luta dos ciclistas por seu espaço pode ser comparada a outras campanhas do passado em que as pessoas tiveram que lutar por seus direitos e alguns pagaram alto preço por defender suas posições. As cidades não estão preparadas para que os ciclistas circulem com seguranças e entre os motoristas ainda é muito rasa a consciência de que o ciclista tem direito a circular e, mais que isso, deveria ter prioridade no trânsito já que a bicicleta é um meio de transporte ecológico, saudável, seguro e que descongestiona o trânsito.

A regra é simples, o pedestre vem antes do ciclista e este vem antes do motorista. Por que é assim? Por que a vida é o bem maior e a preferência é de quem está mais vulnerável. Com o tempo, os motoristas terão que ceder espaço às bicicletas. Essa convivência vai melhorar o transporte urbano. As bicicletas devem ir além das ciclovias e se elas “invadirem” as ruas dominadas por automóveis o trânsito tende a melhorar em todos os sentidos. Menos poluição, melhor forma física, menos tempo gasto nos deslocamentos. Para isso acontecer, o poder público tem que viabilizar as bicicletas, mesmo que elas rendam menos IPI e os motoristas têm que ceder espaço para as bikes, afinal, quem está no volante hoje pode estar pedalando amanhã.

carro x ônibus x bicicleta

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