A maioria das pessoas circula em uma área restrita com diâmetro inferior a 10km. Só eventualmente elas saem de seus territórios fazendo deslocamentos mais longos (férias, viagens, etc.). Essa é a conclusão de uma pesquisa sobre a mobilidade de pessoas publicada na revista Nature. Albert-Laszló Barabási e sua equipe da Northeastern University (EUA) rastrearam os deslocamentos de um grupo de 10.000 pessoas a partir das ligações que fazem pelo celular.
O resultado da pesquisa me intrigou porque contrasta com o que vejo quando saio na rua. Carros para todo lado, engarrafamentos e ônibus lotados me dão a impressão que as pessoas se deslocam demais. Fico pensando: áreas de ação de diâmetro inferior a 10km são suficientes para gerar o caos urbano. Imagine o que pode acontecer se as pessoas ampliarem seus deslocamentos.
Antes de essa pesquisa sair eu já tinha uma meta para a minha vida: viver em uma área com diâmetro inferior a 1km. O exemplo que me guia é o do meu pai. Seu José passou a maior parte de sua vida circulando pelo bairro Santa Felicidade, em Curitiba, onde nasceu e vive até hoje. Quase tudo que ele precisa está a menos de 100m de sua casa: mercado, farmácia, panificadora, clube, vídeo locadora, amigos, parentes. Oxalá um dia eu volte para a aldeia do tamanho do mundo onde vive meu pai.
