
Eu estava aqui dialogando com meus botões em busca de um motivo para tanta badalação em torno do Twitter. Afinal, porque esse serviço de microblog com posts de 140 caracteres tem crescido explosivamente? Concluimos que o segredo está na possibilidade de seguir e ser seguido sem reciprocidade. Esse recurso de lifestreaming é o que distingue o Twitter de outras redes sociais.
Nas redes sociais estabelecidas como Orkut a relação entre usuários é de mão dupla. Você convida alguém para ser seu amigo e o outro deve aceitar o convite, assim cada um computa um amigo a mais e isso rende prestígio no universo paralelo das redes sociais. No Twitter, o seguido não precisa retribuir a gentileza. Você pode ter muitos seguidores sem precisar seguir ninguém e vice-versa. Graças a essa lógica, algumas celebridades como a apresentadora Oprah Winfrey alcançaram mais de um milhão de seguidores. Embora você possa ler os microblog sem compromisso, o Twitter incentiva seus usuários a seguirem outros usuários. Aí surge aquela vontade de seguir e ser seguido mais e mais.
Redes sociais como Orkut, Plaxo e Live Messenger também entraram na onda de seguir e ser seguido, mas por outro caminho. Nessas redes, cada vez que você faz alguma ação como editar o perfil ou publicar uma foto, seus contatos são alertados. É como eles fossem seus seguidores e vice-versa. O que meus botões não souberam responderam é como o público do Twitter vai se organizar para chegar a um ecossistema equilibrado de seguidores e seguidos. Consigo imaginar três tipos notáveis de twitteiros:
- Profeta. Tem uma legião de seguidores e segue poucos.
- Equilibrado. Segue pessoas na mesma proporção em que é seguido.
- Ovelha. Segue muitos e é seguido por poucos.
Decididamente, já ultrapassamos a era da Web 2.0, a da Internet participativa com conteúdo gerado pelo usuário. Entramos na era da Internet das redes sociais. Seria de se comemorar se tivéssemos alcançado a comunicação franca em que as pessoas se articulam por belas causas, mas o que predomina, infelizmente, é muito marketing pessoal, exibicionismo e uma desesperada vontade de se destacar na multidão mesmo quando não se tem algo a dizer.