
Está em vigor na cidade do Rio de Janeiro desde 19/05/2009 lei que exige tradução das palavras estrangeiras em peças publicitárias. Sale tem que vir traduzida para liquidação, delivery como entrega em domicílo e por aí vai. O projeto é do vereador Roberto Monteiro (PCdoB). Não é de hoje que o PCdoB se envolve na defesa do idioma pátrio. Faz alguns anos, o então deputado federal Aldo Rebelo propôs projeto de lei proibindo o uso de estrangeirismos em território nacional sempre que houvesse vocabulário nacional equivalente. A proposta não aprovada do deputado Rebelo era mais radical do que a de seu colega carioca. O vereador Monteiro alega que a lei ajuda os brasileiros que não dominam outros idiomas além do português. Quem conhece um pouco a cabeça comunas do PCdoB, porém, sabe que a implicância deles é com as palavras-americanas-imperialistas que trazem o american-way-of-life aos povos-oprimidos-da-América-Latina. Exageros à parte, nesse caso, sou obrigado a concordar com o vereador. Tem marketeiro que perdeu a noção do ridículo e quer deixar a vitrine da loja igualzinha àquela que viu na sua última viagem a NewYork. Só que o marketeiro não faz isso por acaso. Se o faz é porque o público alvo da loja adora uma imitação deslavada de NY e LA. Ou Frisco, para os mais descolados.
No mundo globalizado, é ingenuidade supor que os idiomas podem se manter estanques. O intercâmbio é necessário, saudável e bem-vindo. Não dispomos de vocábulo local para palavras como blog ou wiki. Nesse caso, usamos as palavras estrangeiras e não há risco algum para nosso idioma ou cultura. Risco haveria se nos fechássemos às novas tecnologias.
O problema, como sempre, está nos extremos. Proibir os estrangeirismos como queria o deputado Rebelo seria lamentável. Imitar as vitrines americanas usando palavras como sale, off ou delivery é para dondocas de cabeça colonizada. Ah, se algum político viesse com uma lei mais abrangente. Parágrafo único: É proibido ser ridículo ao se expressar em língua portuguesa.