
O jornal impresso está na lista de artefatos ameaçados de extinção por conta do crescimento da Internet. Se ele vai ser extinto mesmo, teremos que esperar para ver, pois o jornal impresso já passou por outra crise no passado quando passou a enfrentar a concorrência dos telejornais e sobreviveu. Há vários sinais de que a crise atual é mais séria, mas vamos esclarecer que a ameaça não recai sobre as redações ou sobre o conteúdo do jornal, mas sobre o seu suporte, que são aquelas grandes folhas de papel de embrulhar peixe. A cada dia, surgem alternativas novas ao tijolão de pasta mecânica que aparece diariamente na frente da casa do assinante. O Kindle, leitor digital da Amazon, permite ler jornais assinados on-line por conexão sem fio. Grandes jornais como The Wall Street Journal já são fortes em assinatura digital. Rupert Murdoch, da News Corporation, articula um acordo entre os grandes jornais americanos para viabilizar um modelo de super assinatura digital, em que o internauta assina um jornal e leva vários. Resumindo, as soluções que estão surgindo privilegiam o meio digital. Paralelamente, as edições impressas acumulam quedas nas vendas.
Alguém vai chorar o fim do jornal impresso? Se concordarmos que as mulheres choram mais, serão poucas as lágrimas. Especialistas dizem que mulheres não gostam de folhear jornal porque suja as mãos. Do ponto de vista ecológico, o fim do jornal impresso é uma benção. O jornal impresso, provavelmente, é a maior fonte de lixo na casa dos assinantes. O papel jornal é reciclável, mas de baixa qualidade. Em sua composição há muita pasta mecânica, o que o torna de pouco valor para o reuso.
A preservação do meio ambiente, às vezes, acontece por caminhos tortuosos. Quem diria que Rupert Murdoch, um magnata da velha guarda, trabalharia para livrar o mundo das grandes pilhas de informação perecível.