Ontem fui até a banca de jornal para comprar mais um livro da coleção Folha grandes arquitetos publicada pela Editora Folha. Toda semana vou lá buscar o exemplar que o jornaleiro deixa reservado para mim. Retomei um hábito de consumo de décadas atrás que abandonei aos poucos por razões diversas. Uma delas certamente foi o advento da Internet, minha atual fonte primária de informação. Sou um entusiasta da era digital e dos livros eletrônicos, mas a coleção Folha grandes arquitetos me pareceu irresistível mesmo sendo produzida com árvores mortas. São obras ricamente ilustradas e ver belas fotos impressas com qualidade continua sendo uma experiência superior à visualização em tela. Além disso, a coleção é organizada, bem diagramada e rica em informações relevantes; tem cronologia, biografia, pensamento e análise da obra de arquitetos importantes. Clareza, organização, abrangência e síntese, infelizmente, ainda são virtudes difíceis de encontrar na exuberância fragmentada da Internet.
Não sei quantas pessoas atualmente compram coleções de livros na banca, nem se o número supera o de internautas que recorrem à Internet para tudo. Para mim, comprar livros na banca é um hábito quase perdido que lembra meus tempos de universitário, época em que eu colecionava Os pensadores da Editora Abril, Grandes clássicos da Literatura da Globo e Gigantes do Jazz da Salvat. Não sei se ainda precisamos dessas coleções considerando as possibilidades que a Internet oferece. O fato é que a web ainda fica devendo em soluções que transformem informação fragmentada em conhecimento peneirado, organizado, sintetizado, estruturado e polido. Nosso problema não é mais o acesso à informação, mas colocar ordem e relevância em um mundo transbordante de informação. Fiz algumas pesquisas na Internet com o nome de grandes arquitetos que constam na coleção da Folha. Em nenhum caso encontrei fontes com o nível de organização, síntese e comodidade oferecido pelas obras em mídia celulósica da coleção. É preocupante, pois abdicar do potencial da informação digital seria um retrocesso. O que nos falta é tratamento editorial de alto nível para a gigantesca massa de bits soltos pelo mundo digital. Será que teremos de esperar pela lenta formação de uma nova safra de editores que tenham fluência em mídia digital para unir o melhor dos dois mundos?





