O fim do jornal impresso está próximo?
Sábado, 31/10/2009

O jornal impresso está na lista de artefatos ameaçados de extinção por conta do crescimento da Internet. Se ele vai ser extinto mesmo, teremos que esperar para ver, pois o jornal impresso já passou por outra crise no passado quando passou a enfrentar a concorrência dos telejornais e sobreviveu. Há vários sinais de que a crise atual é mais séria, mas vamos esclarecer que a ameaça não recai sobre as redações ou sobre o conteúdo do jornal, mas sobre o seu suporte, que são aquelas grandes folhas de papel de embrulhar peixe. A cada dia, surgem alternativas novas ao tijolão de pasta mecânica que aparece diariamente na frente da casa do assinante. O Kindle, leitor digital da Amazon, permite ler jornais assinados on-line por conexão sem fio. Grandes jornais como The Wall Street Journal já são fortes em assinatura digital. Rupert Murdoch, da News Corporation, articula um acordo entre os grandes jornais americanos para viabilizar um modelo de super assinatura digital, em que o internauta assina um jornal e leva vários. Resumindo, as soluções que estão surgindo privilegiam o meio digital. Paralelamente, as edições impressas acumulam quedas nas vendas.
Alguém vai chorar o fim do jornal impresso? Se concordarmos que as mulheres choram mais, serão poucas as lágrimas. Especialistas dizem que mulheres não gostam de folhear jornal porque suja as mãos. Do ponto de vista ecológico, o fim do jornal impresso é uma benção. O jornal impresso, provavelmente, é a maior fonte de lixo na casa dos assinantes. O papel jornal é reciclável, mas de baixa qualidade. Em sua composição há muita pasta mecânica, o que o torna de pouco valor para o reuso.
A preservação do meio ambiente, às vezes, acontece por caminhos tortuosos. Quem diria que Rupert Murdoch, um magnata da velha guarda, trabalharia para livrar o mundo das grandes pilhas de informação perecível.
Lixo que vale ouro
Quarta-feira, 28/10/2009

A fabricação de aparelhos eletrônicos utiliza uma variedade impressionante de materiais, muitos deles de alto valor comercial. Em uma tonelada de celulares velhos encontramos 340 g de ouro, 3,5 kg de prata, 140 gramas de paládio (que vale mais do que ouro) e 130 kg de cobre. Se esses metais forem recuperados podem render cerca de 15.000 dólares. Bem, aqui começa o problema. Primeiro é preciso reunir os celulares descartados em um mesmo lugar. Depois, vem o desmanche e um processo sofisticado de reciclagem que extrai os metais preciosos do meio da sucata. Não é uma tarefa para amadores. Se esse lixo for simplesmente incinerado, por exemplo, serão liberadas toxinas para a atmosfera. A reciclagem do lixo está se tornando um problema bem complexo, mas que pode ser muito lucrativo.
No Brasil existem mais de 150 milhões de linhas de celular. Em um cálculo conservador 20% dos aparelhos são trocados por novos a cada ano. Mais de 30 milhões de aparelhos são desativados anualmente no Brasil. Se todos fossem reciclados pelas melhores práticas renderiam 1.700 kg de ouro, 17,5 toneladas de prata, 700 kg de paládio e 650 toneladas de cobre. Para onde vai toda essa fortuna? Uma boa parte certamente está esquecida na casa dos donos, outra acaba no meio ambiente, onde polui o solo e contamina a água. Somente uma pequena quantidade é reciclada. As quantidades aumentariam bastante se levássemos em conta outros aparelhos eletrônicos presentes em nosso cotidiano e que também têm vida útil muito curta.
Os números mostram que a reciclagem do lixo eletrônico é promissora e precisa se fortalecer. É uma questão ambiental e de dim-dim, mas calma! Não se entusiasme ao olhar para o monte de celulares velhos guardados no fundo da sua gaveta. A reciclagem é uma indústria frágil que ainda engatinha e todos nós temos que ajudar no seu fortalecimento. Coletar o lixo eletrônico, classificá-lo, desmanchá-lo, processá-lo, tudo isso custa dinheiro e exige investimento. Além dos metais, a reciclagem dos celulares do Brasil também geraria mais de quatro mil toneladas de sucata de baixo valor que precisa ser corretamente destinada, por isso, nada de avareza. Entregue gratuitamente seus aparelhos velhos em um posto de coleta.
Crédito de imagem: www.theinquirer.net
Dieta ecológica
Sábado, 03/10/2009

O homo sapiens é o animal com a dieta mais variada do planeta. Essa espécie come tudo que se mexe e o que não se mexe também, mas é incrível como a sua alimentação é regulada por normas culturais. Os hábitos alimentares do ser humano são determinados por influências de todos os tipos, algumas remontam há séculos, outras são bem recentes, como a preocupação ecológica.
Vamos exemplificar a complexidade dos hábitos alimentares falando sobre o consumo de carne, talvez o alimento mais regulado culturalmente. Os vegetarianos, obviamente, desaconselham o consumo de qualquer tipo de carne e suas motivações têm raízes espirituais ou simplesmente vem do respeito às formas de vida animal. Embora ecologistas tenham preocupações quanto ao consumo de carne, não dá para fazer uma associação direta entre ecologistas e vegetarianos.
A carne de boi é vetada aos seguidores do hinduísmo; os gourmets, ao contrário, tem os bovinos em elevada estima; já as nutricionistas desaconselham o consumo sem controle desse alimento, pelos riscos que a carne vermelha apresenta à saúde. Os ecologistas também implicam com a carne bovina, pois sua produção consome muita área de pastagem e tem baixo rendimento se comparado com outros alimentos.
Quando o assunto é carne suína, sabemos que os seguidores do judaísmo e os muçulmanos não podem consumi-la. As nutricionistas torcem o nariz para ela por causa da obesidade dos porquinhos. Os ecologistas são menos resistentes a essa fonte de proteína porque os porcos são criados em confinamento, o que resulta em uma agroindústria de menor impacto.
Os peixes são os queridinhos das nutricionistas e, até onde eu sei, não são vetados por nenhuma religião, mas os ecologistas alertam que a maior parte do peixe vem da pesca extrativa predatória e isso vai acabar com os ecossistemas aquáticos.
A carne de frango, arre, não é vetada por quase ninguém, só não pode ser comida no Ano Novo, pois sabemos que a galinha cisca para trás e isso não é nada auspicioso.
Minha filha, que aderiu a hábitos alimentares saudáveis e ecológicos, me fez pensar melhor na alimentação da família, tanto que vou pôr lenha na fogueira, propondo uma dieta ecológica para se somar às milhares de dietas do mundo. Não é dieta radical e dá atenção ao consumo de carne. A dieta é simples e leva em conta os sete dias da semana. Veja o prato principal de cada dia.
- Segunda-feira vegetariana restrita. Dia de se recuperar dos excessos do final de semana. Uma refeição vegetariana sem nenhum derivado animal, de preferência, com vegetais orgânicos é ótima para o meio ambiente e para o organismo.
- Terça-feira do frango. Frango é proteína barata de impacto ambiental reduzido.
- Quarta-feira vegetariana. Um dia por semana, vai bem uma dieta vegetariana, mas sem restrição aos derivados animais. Valem leite, queijo, ovos, etc.
- Quinta-feira mais frango. Frango deve ser repetido na semana, pois é carne ecológica, além de ser saudável.
- Sexta-feira aquática. Os animais da água são bons para a saúde, mas dê preferência aos criados pelo homem em vez dos que vem de pesca predatória.
- Sábado gordo. A carne de porco deve ser consumida com moderação, para não estressar seu cardiologista, mas sábado é o dia internacional da feijoada.
- Domingo vermelho. Uma vez por semana vamos de carne de gado. Assim, evitamos o consumo excessivo de carne vermelha sem abrir mão do churrasco e contribuímos para a redução do rebanho bovino e seus puns cheios de metano.
Esse cardápio pode variar um pouco de acordo com as convicções e hábitos de cada um. Nada contra a inclusão no cardápio de alguma carne menos comum como carneiro, pato, peru, cabrito, avestruz, jacaré, rã, etc. O que não pode de jeito nenhum é carne de caça.
Quem precisa de carro flex?
Quarta-feira, 23/09/2009

Em um mundo ecologicamente perfeito não haveria carros flex. Pensando bem, nesse mundo não haveria automóveis, mas vamos manter o pé na realidade e entender os prós e contras do carro flex. No Brasil, flex é o carro bicombustível que roda com álcool hidratado, com a gasolina nacional (que tem 25% de álcool) ou com a mistura em qualquer proporção desses dois combustíveis. Álcool e gasolina têm propriedades diferentes e cada um precisa de uma regulagem própria do motor para alcançar o melhor rendimento. Os carros flex fazem algumas regulagens automaticamente para se adaptar à mistura presente no tanque. A diferença mais importante em termos de regulagem, porém, é a taxa de compressão. Ela deve ser mais alta para o álcool, mas os carros flex não têm regulagem dinâmica da taxa de compressão do motor. Em vez disso, usam uma taxa intermediária fixa. A conseqüência é que o motor flex não fica na regulagem ideal nem para álcool, nem para gasolina e rende menos do que carros com motores mono combustível equivalentes. Só para exemplificar: a Saveiro total flex 1.6 faz 8,7 km/l com álcool. A Saveiro 1.6 a álcool de 1986 fazia 10,67 km/l. Parece piada, mas no Brasil tem carro velho rendendo mais do que carro novo cheio de tecnologia.
Se o carro monocombustível é melhor em consumo e potência, por que os carros flex, vendidos desde 2003, fazem tanto sucesso? Quando o consumidor adquire um carro flex está pensando em duas coisas: abastecer sempre com álcool e ficar calçado caso haja um rebuliço no mercado e o álcool fique muito caro ou venha a faltar nas bombas. O motorista quer usar apenas álcool em seu carro flex, pois acha que vai economizar uma boa grana. Na maioria dos casos a economia acontece mesmo, mas não dá para ter certeza antes de fazer as contas. Nem sempre a diferença de preço entre álcool e gasolina está favorável. Além disso, é preciso considerar que um carro monocombustível renderia bem mais. Em alguns momentos, abastecer um flex com álcool sai mais caro do que abastecer um carro a gasolina equivalente, mas o consumidor nem percebe porque o cálculo é enjoado de fazer. Enfim, os brasileiros querem sempre abastecer com o combustível mais barato. Lei de Gerson. A indústria automobilística tem interesse no carro flex porque dessa forma oferece duas opções ao consumidor e investe em apenas um projeto. O país sai prejudicado, pois o consumo geral de combustíveis poderia cair mais de 10% caso a frota fosse apenas de carros mono combustíveis eficientes.
Os carros flex se justificam em um país que está diversificando a sua matriz energética e ainda não conseguiu montar uma cadeia produtiva estável para seus combustíveis. Nos EUA, por exemplo, dos 170.000 postos existentes, em torno de 2.000 apenas oferecem álcool combustível. Lá, os carros flex fazem sentido, não para o consumidor economizar dinheiro, mas simplesmente para que consiga abastecer o carro. Nossa realidade é outra. Estamos evoluídos na questão dos bio combustíveis, produzimos mais álcool do que gasolina. Nossa aposta no álcool começou há mais de trinta anos. Aqui, combustível alternativo é a gasolina, o álcool está disponível em quase todos os postos e a indústria desse combustível é sólida. O mercado oscila, é verdade, mas será que nós que produzimos petróleo e álcool, precisamos do carro flex para regular os preços? Eu, que já tive vários carros 100% a álcool e nunca fiquei na mão mesmo nas manhãs frias de Curitiba, gostaria de vê-los novamente a venda. São mais econômicos, mais ecológicos, mais brasileiros.
Vilões do consumo de energia elétrica em casa
Sábado, 19/09/2009

Economizar energia elétrica é bom para o bolso e para o meio ambiente. O problema é que as residências de hoje estão repletas de aparelhos elétricos, mesmo as mais modestas. Saber quais são os vilões do consumo não é muito simples. Existem aparelhos de consumo alto, mas que são pouco usados durante o mês. Por outro lado, existem aparelhos de baixo consumo, mas que ficam ligados ininterruptamente, por isso, só fazendo o cálculo na ponta do lápis para saber onde estão os ralos de consumo de energia elétrica em uma residência. Baixe a planilha a seguir para fazer um cálculo mais preciso do consumo em sua casa.
Planilha de consumo de energia elétrica residencial
Para ilustrar como pode variar o consumo de uma casa para outra, vamos calcular o consumo mensal de três residências com diferentes padrões de consumo, onde moram famílias de quatro pessoas. Nenhuma delas adota soluções ecológicas como aquecimento solar ou células fotovoltaicas. Read the rest of this entry »