Lixo que vale ouro
Quarta-feira, 28/10/2009

A fabricação de aparelhos eletrônicos utiliza uma variedade impressionante de materiais, muitos deles de alto valor comercial. Em uma tonelada de celulares velhos encontramos 340 g de ouro, 3,5 kg de prata, 140 gramas de paládio (que vale mais do que ouro) e 130 kg de cobre. Se esses metais forem recuperados podem render cerca de 15.000 dólares. Bem, aqui começa o problema. Primeiro é preciso reunir os celulares descartados em um mesmo lugar. Depois, vem o desmanche e um processo sofisticado de reciclagem que extrai os metais preciosos do meio da sucata. Não é uma tarefa para amadores. Se esse lixo for simplesmente incinerado, por exemplo, serão liberadas toxinas para a atmosfera. A reciclagem do lixo está se tornando um problema bem complexo, mas que pode ser muito lucrativo.
No Brasil existem mais de 150 milhões de linhas de celular. Em um cálculo conservador 20% dos aparelhos são trocados por novos a cada ano. Mais de 30 milhões de aparelhos são desativados anualmente no Brasil. Se todos fossem reciclados pelas melhores práticas renderiam 1.700 kg de ouro, 17,5 toneladas de prata, 700 kg de paládio e 650 toneladas de cobre. Para onde vai toda essa fortuna? Uma boa parte certamente está esquecida na casa dos donos, outra acaba no meio ambiente, onde polui o solo e contamina a água. Somente uma pequena quantidade é reciclada. As quantidades aumentariam bastante se levássemos em conta outros aparelhos eletrônicos presentes em nosso cotidiano e que também têm vida útil muito curta.
Os números mostram que a reciclagem do lixo eletrônico é promissora e precisa se fortalecer. É uma questão ambiental e de dim-dim, mas calma! Não se entusiasme ao olhar para o monte de celulares velhos guardados no fundo da sua gaveta. A reciclagem é uma indústria frágil que ainda engatinha e todos nós temos que ajudar no seu fortalecimento. Coletar o lixo eletrônico, classificá-lo, desmanchá-lo, processá-lo, tudo isso custa dinheiro e exige investimento. Além dos metais, a reciclagem dos celulares do Brasil também geraria mais de quatro mil toneladas de sucata de baixo valor que precisa ser corretamente destinada, por isso, nada de avareza. Entregue gratuitamente seus aparelhos velhos em um posto de coleta.
Crédito de imagem: www.theinquirer.net
Quem precisa de carro flex?
Quarta-feira, 23/09/2009

Em um mundo ecologicamente perfeito não haveria carros flex. Pensando bem, nesse mundo não haveria automóveis, mas vamos manter o pé na realidade e entender os prós e contras do carro flex. No Brasil, flex é o carro bicombustível que roda com álcool hidratado, com a gasolina nacional (que tem 25% de álcool) ou com a mistura em qualquer proporção desses dois combustíveis. Álcool e gasolina têm propriedades diferentes e cada um precisa de uma regulagem própria do motor para alcançar o melhor rendimento. Os carros flex fazem algumas regulagens automaticamente para se adaptar à mistura presente no tanque. A diferença mais importante em termos de regulagem, porém, é a taxa de compressão. Ela deve ser mais alta para o álcool, mas os carros flex não têm regulagem dinâmica da taxa de compressão do motor. Em vez disso, usam uma taxa intermediária fixa. A conseqüência é que o motor flex não fica na regulagem ideal nem para álcool, nem para gasolina e rende menos do que carros com motores mono combustível equivalentes. Só para exemplificar: a Saveiro total flex 1.6 faz 8,7 km/l com álcool. A Saveiro 1.6 a álcool de 1986 fazia 10,67 km/l. Parece piada, mas no Brasil tem carro velho rendendo mais do que carro novo cheio de tecnologia.
Se o carro monocombustível é melhor em consumo e potência, por que os carros flex, vendidos desde 2003, fazem tanto sucesso? Quando o consumidor adquire um carro flex está pensando em duas coisas: abastecer sempre com álcool e ficar calçado caso haja um rebuliço no mercado e o álcool fique muito caro ou venha a faltar nas bombas. O motorista quer usar apenas álcool em seu carro flex, pois acha que vai economizar uma boa grana. Na maioria dos casos a economia acontece mesmo, mas não dá para ter certeza antes de fazer as contas. Nem sempre a diferença de preço entre álcool e gasolina está favorável. Além disso, é preciso considerar que um carro monocombustível renderia bem mais. Em alguns momentos, abastecer um flex com álcool sai mais caro do que abastecer um carro a gasolina equivalente, mas o consumidor nem percebe porque o cálculo é enjoado de fazer. Enfim, os brasileiros querem sempre abastecer com o combustível mais barato. Lei de Gerson. A indústria automobilística tem interesse no carro flex porque dessa forma oferece duas opções ao consumidor e investe em apenas um projeto. O país sai prejudicado, pois o consumo geral de combustíveis poderia cair mais de 10% caso a frota fosse apenas de carros mono combustíveis eficientes.
Os carros flex se justificam em um país que está diversificando a sua matriz energética e ainda não conseguiu montar uma cadeia produtiva estável para seus combustíveis. Nos EUA, por exemplo, dos 170.000 postos existentes, em torno de 2.000 apenas oferecem álcool combustível. Lá, os carros flex fazem sentido, não para o consumidor economizar dinheiro, mas simplesmente para que consiga abastecer o carro. Nossa realidade é outra. Estamos evoluídos na questão dos bio combustíveis, produzimos mais álcool do que gasolina. Nossa aposta no álcool começou há mais de trinta anos. Aqui, combustível alternativo é a gasolina, o álcool está disponível em quase todos os postos e a indústria desse combustível é sólida. O mercado oscila, é verdade, mas será que nós que produzimos petróleo e álcool, precisamos do carro flex para regular os preços? Eu, que já tive vários carros 100% a álcool e nunca fiquei na mão mesmo nas manhãs frias de Curitiba, gostaria de vê-los novamente a venda. São mais econômicos, mais ecológicos, mais brasileiros.
Vilões do consumo de energia elétrica em casa
Sábado, 19/09/2009

Economizar energia elétrica é bom para o bolso e para o meio ambiente. O problema é que as residências de hoje estão repletas de aparelhos elétricos, mesmo as mais modestas. Saber quais são os vilões do consumo não é muito simples. Existem aparelhos de consumo alto, mas que são pouco usados durante o mês. Por outro lado, existem aparelhos de baixo consumo, mas que ficam ligados ininterruptamente, por isso, só fazendo o cálculo na ponta do lápis para saber onde estão os ralos de consumo de energia elétrica em uma residência. Baixe a planilha a seguir para fazer um cálculo mais preciso do consumo em sua casa.
Planilha de consumo de energia elétrica residencial
Para ilustrar como pode variar o consumo de uma casa para outra, vamos calcular o consumo mensal de três residências com diferentes padrões de consumo, onde moram famílias de quatro pessoas. Nenhuma delas adota soluções ecológicas como aquecimento solar ou células fotovoltaicas. Read the rest of this entry »
Quem precisa de smartphone?
Sábado, 29/08/2009

O smartphone é um aparelho de muitos recursos. Ouvi dizer que dá até para fazer ligações telefônicas com ele. Com tantas funções, parece idiotice perguntar quem precisa desse aparelho, mas vamos levar em conta que praticamente todas as funcionalidades disponíveis em smartphones são encontradas em outros dispositivos. Além disso, a experiência que os smarts propiciam costuma ser inferior à que encontramos em aparelhos dedicados. Vejamos alguns exemplos:
- Ligações e SMS. O smartphone faz ligações e envia torpedos como qualquer celular comum e baratinho.
- Acesso à Internet. O smart acessa a Internet, embora de forma mais limitada do que um computador.
- TV digital. Pode-se assistir TV digital com ele, embora a experiência não se compare com a de ver o programa em TV full HD tela grande.
- GPS. O smart pode funcionar como GPS e se integra a serviços on-line como o Google Maps. Não é o ideal para se embrenhar no mato ou para singrar os sete mares, mas para exploradores da selva urbana, ele dá conta do recado.
- Tocador e organizador de mídia. O smartphone é bom para organizar imagens, áudio e vídeo, embora não tenha tanto espaço de armazenagem como um media center, nem a potência de som de um home teather ou a área de tela de uma TV wide screen.
- Jogos. Há muitos jogos legais para smartphone. Obviamente, não detonam como os jogos para consoles de terceira geração.
- Lanterna. Pode-se até usá-lo como lanterna, embora, eu não aconselhe a ninguém explorar uma caverna com smartphone.
Você, caro leitor, já deve ter percebido onde quero chegar. O smartphone é um aparelho multifuncional que oferece soluções reduzidas para quem prioriza a mobilidade. Ele não substitui plenamente os aparelhos dedicados fixos, mas quebra o galho de quem está sempre com o pé na rua. Quem vai da casa para o escritório e volta pelo mesmo caminho, vive feliz sem smartphone, a não ser que o desejo de possuir esse sonho de consumo seja avassalador.
Sou entusiasta dos aparelhos multifuncionais porque eles são ecológicos, economizam recursos. O problema é que a sociedade consumista estimula as pessoas a terem vários aparelhos multifuncionais que se sobrepõem sem que elas deixem de adquirir também os mono função. No passado, as pessoas tinham um telefone fixo no escritório e outro em casa. Daí veio o celular, que não substituiu o fixo. A família típica agora continua com o fixo e mantém mais quatro celulares, um para cada membro. O smartphone, na maioria dos casos, não substitui o notebook, nem a TV digital, nem o home teather. Se um dia eu encontrar alguém que viva apenas com seu smartphone e nada mais, vou aplaudir esse cidadão descolado, desprendido e móvel.
P.S.: não tenho smartphone.
Classificação “A” pelo Inmetro não é tudo
Quarta-feira, 26/08/2009

Adquirir um produto com classificação A estampada na etiqueta Inmetro é garantia de compra consciente, certo? Sim, mas apenas se o consumidor escolher o produto na categoria ideal e com a capacidade correta para a sua necessidade. O Inmetro separa os produtos avaliados em categorias. Por exemplo: existem cinco categorias para aparelhos de refrigeração: frigobar, refrigerador, refrigerador frost-free, combinado(duas portas) e combinado frost-free. Para cada uma dessas categorias, existem vários modelos com diferentes capacidades.
A boa compra começa com a escolha da categoria de produto que melhor atende a necessidade do consumidor. Uma família de quatro pessoas, provavelmente, não será bem atendida por um frigobar, mas se eles moram na cidade, não precisam armazenar grandes volumes de alimento congelado, logo, adquirir um refrigerador duas portas não é obrigatório.
Depois de definir a categoria, vem a escolha da capacidade do aparelho. Existem refrigeradores de 460 l com classificação A pelo Inmetro, mas será que um casal sem filhos que mora na cidade precisaria de um refrigerador desse porte?
Se o Inmetro abandonasse a categorização de produtos e fizesse um ranking plano de modelos, colocaria em evidência os produtos mais econômicos em termos absolutos. O problema é que não estaria valorizando os investimentos em tecnologia das empresas para melhorar a eficiência energética de seus produtos. Cada consumidor tem uma necessidade. Quem mora no sítio talvez precise de um carro fora de estrada que consome mais do que um compacto urbano. Isso não quer dizer que o off-road seja ineficiente. Seu consumo maior está associado com a função que ele desempenha e não somente com o seu projeto.
Para resumir: quando for comprar produtos com selo Inmetro, leia a etiqueta por inteiro. Embora a classificação seja o item mais enfatizado, na etiqueta você encontra as informações necessárias para uma compra consciente.