home-office

O trabalho em casa é um modelo muito antigo de produção que só na História recente deixou de ser predominante na economia. Meu avô Lourenço, por exemplo, era sapateiro e trabalha em uma oficina que ocupava o cômodo da sua casa voltado para a rua. O meu outro avô, Napoleão, era moleiro. As máquinas do moinho dele ficavam no pavimento inferior de sua casa. No pavimento superior, ficavam a venda e a área residencial da casa. Atualmente, o trabalho em casa é a opção de milhões de autônomos e micro empresários e mesmo grandes empresas adotam esse modelo com uma parte de seus funcionários. Até o presidente dos Estados Unidos trabalha em casa.

O ganho ecológico que salta aos olhos no trabalho em casa é a economia com transporte. Você não precisa enfrentar congestionamentos e queimar combustível para chegar ao serviço. Outro ganho evidente é a economia de infra-estrutura. Voltando ao exemplo do nôno Napoleão: ele usava apenas um telhado para cobrir sua casa e seu moinho.

Na maioria dos casos, a coexistência de trabalho e moradia em um mesmo local é interessante para o meio ambiente. No entanto, quando o assunto é ecologia só o balanço global é que importa. Imagine o caso hipotético da Dona Maria, que construiu um cômodo adicional em sua casa, pois costura para uma indústria de roupas. Diariamente ela vai até a sede da confecção para entregar peças prontas e pegar novos cortes. Nesse caso, a vantagem ficou apenas para a confecção que deixou os gastos por conta da Dona Maria. Pois é. Ambientalismo e trabalho em casa são para quem leva tudo na ponta do lápis.

Este é um post escrito em casa, por isso é mais ecológico que  similares produzidos em grandes redações.

Crédito de imagem: Home Office Snapshots

Índice Dow Jones

Quando uma crise econômica se instala o consumo de energia e de matérias primas diminui, o comércio vende menos, as pessoas viajam menos e reduzem o seu padrão de consumo. Todas essas mudanças são ótimas para o meio ambiente, certo? Quase certo. Em se tratando de meio ambiente, o que importa é o balanço global. Durante crises econômicas as prioridades mudam e as questões ambientais perdem relevância diante de problemas considerados mais urgentes como a manutenção do emprego e recuperação do faturamento das empresas. Durante as crises da economia fica mais difícil implantar práticas novas favoráveis ao meio ambiente e os governos hesitam em adotar restrições ambientais ao funcionamento da economia. Em tempos de crise, as pessoas costumam fazer vistas grossas aos impactos ambientais porque o crescimento econômico é o valor maior de nossa sociedade.

A essência do ambientalismo está em reduzir o nosso impacto ambiental e a essência da economia tem sido a busca do crescimento ao infinito e além. Essa contradição só será superada no dia em que nosso paradigma for o do crescimento sustentável.

Freeconomics

Chris Anderson, editor da revista Wired e autor de A cauda longa, está concluindo sua nova obra: Free. Nesse novo livro ele trata da tendência particularmente forte no mundo digital de oferecer produtos e serviços gratuitamente. Leia um trecho do livro (em inglês).

Bem, não é tudo grátis. Por exemplo: um site de jogos multiplayer dá acesso básico grátis, mas cobra pela conta premium. Ou então: a operadora dá o celular de brinde, mas cobra uma assinatura salgada. A mesma operadora mantém um provedor gratuito de Internet para usuários de conexão discada para que o cliente use mais o telefone. Essa tática não é nova. Chris Anderson cita o exemplo de King Gillette que distribuía aparelhos de barbear gratuitamente, pois o negócio do senhor Gillette era vender lâminas descartáveis. Traficantes de drogas também distribuem seu produto gratuitamente a clientes potenciais pensando numa fidelização futura.

Talvez eu seja o último neo-liberal (do bem, viu?), pois nunca vi com bons olhos as táticas maliciosas da economia free. Elas criam uma distorção em nossas mentes sobre o real valor das coisas. Não acredito em serviços grátis. Sei que pago a conta da TV aberta toda vez que abro uma Coca-Cola e que a escola pública e gratuita é paga com impostos. Mas a cultura da gratuidade faz sucesso na Internet. O Google é amado por legiões porque é free, ao contrário da Microsoft que é vista como Grande Satã porque cobra por licenças de uso. Alguém paga pelos serviços do Google: são os compradores de produtos anunciados pelo AdWords. O ecossistema da Internet está muito vinculado à gratuidade dos serviços e as novas gerações vão ficar viciadas nessa ilusão, assim como a TV aberta se estabeleceu em um modelo de negócio grátis no lado consumidor. Infelizmente, poucos percebem as estratégias marotas da gratuidade. Nem relógio trabalha de graça e a questão é simples: grátis para quem?

Cofres porquinhoÉ chato desmistificar velhas tradições, mas não resisti ao impulso de falar mal dos cofres porquinho. Eles são ícones arraigados no inconsciente coletivo e tidos como poderoso instrumento de educação financeira das crianças. Mas vejam bem:  o princípio básico do cofre porquinho é que para pegar o dinheiro que fica lá dentro você tem que quebrar o porquinho. É um bem descartável que não combina com a filosofia do reuso. Quando colocamos moedas no porquinho, nós as tiramos de circulação por um longo período. Se todo mundo usasse cofre porquinho, a Casa da Moeda teria que multiplicar sua produção por dez ou mais. Produzir moedas custa dinheiro, às vezes mais do que o valor impresso nelas. Prefiro ensinar aos meus filhos que pessoas econômicas usam bens reutilizáveis e que moeda foi feita para circular de mão em mão.