Fico incomodado quando vou a uma lanchonete e recebo os utensílios dentro de embalagens descartáveis seladas. Estou falando do guardanapo de papel, do canudinho e dos talheres de plástico envoltos em embalagens individuais. Essa prática “descolada” pode passar uma ilusória sensação de higiene ao cliente, mas só aumenta desnecessariamente o volume de lixo produzido pela lanchonete.

Agora o que realmente me deixa incomodado é que aqui no Paraná, onde moro, uma lei aprovada do deputado Reinhold Stephanes Jr.(PMDB) aguarda sanção do governador e obriga todo o comércio paranaense a adotar o canudinho e o guardanapo selados um a um. Até os ambulantes terão que aderir senão correm o risco de receber multas pesadas.

É triste ver que enquanto alguns lutam para reduzir nosso impacto ambiental, outros criam gambiarras como essa, de resultado sanitário pífio e ambientalmente equivocada. Não seria mais sensato propor o uso de porta canudos fechados que liberam um canudo por vez e impedem o toque por várias pessoas? Melhor seria se a Assembléia Legislativa tivesse aprovado a idéia oposta: proibir o uso de embalagem descartável para utensílios descartáveis.

Requeijão em copos de vidro forever

Terça-feira, 11/12/2007

Copos de requeijão 

Faz algum tempo escrevi um post sobre minha tristeza diante do iminente desaparecimento do requeijão em embalagens de vidro. O copo de vidro de requeijão pode ser reutilizado em casa para uso geral e, por isso, é um bem ecológico. Para meu consolo, não sou o único a pensar assim. A arquiteta Andrea Bandoni criou o Projeto Requeijão, que tem por objetivo a preservação das embalagens de vidro do produto. Quem quiser saber mais sobre o assunto visite o blog do projeto. Tomara que esse projeto seja o primeiro passo de uma proposta maior. Temos que lutar para que todos os produtos ganhem embalagens reutilizáveis e não só o requeijão. Em tempo: quando escrevi sobre o copo de requeijão uma internauta fez um comentário que merece comentário: usar copo de requeijão para tomar suco é sintoma de pobreza? Não sei. Creio que o requeijão é um produto da classe média e não saberia dizer se os pobres consomem requeijão. Prefiro dizer que o reaproveitamento dos copos é um sintoma de consciência ecológica.

Parece que os fabricantes de requeijão decidiram em bloco pôr fim aos copos de vidro, substituindo-os por antipáticos copos plásticos com tampas difíceis de encaixar. Todo mundo sabe que as embalagens de vidro de requeijão funcionavam muito bem como copos de uso geral em casa. Eram um caso bem sucedido de embalagem que se transformava em utilidade doméstica, ampliando consideravelmente o ciclo de vida do bem. A iniciativa da indústria de laticínios de acabar com os copos de vidro foi antiecológica, pois substituiu uma utilidade com ciclo longo por outra descartável e de impacto ambiental maior.

Comentei com uma colega de trabalho que a partir de agora o recurso do cidadão pão-duro e ecológico é apelar para os copos de Nutella. Ela me lembrou que Nutella não é barato e que deve ser pouco consumido por pessoas de baixa renda. Inconformado, fui ao supermercado conferir os preços e cheguei a uma conclusão bombástica: copos vazios de qualidade custam mais caro do que copos cheios com Nutella. Como os copos de Nutella são bonitinhos e reforçados, não tenho dúvida: lá em casa, de agora em diante, copos de uso geral só se for de Nutella. Além de mais baratos e ecológicos, vêm cheios com o delicioso creme de avelã.

Depois desta propaganda gratuita, bem que a Ferrero podia me presentear com 12 Nutellas para eu ter um jogo de copos completo lá em casa.

Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.

Faça uma pesquisa na Internet com a expressão “sintomas de pobreza”. Você vai encontrar a clássica e divertida lista que traz as ações típicas do pobre como tomar banho de sol na laje, comprar churrasquinho com vale transporte ou esquentar pilhas para ver se rendem um pouco mais. Confesso que pratico regularmente algumas ações citadas nessa bendita lista. A maioria delas são coisa de pão-duro e independem de ser pobre ou rico. É nesse ponto que eu queria chegar. Em muitos aspectos, o cidadão ambiental é um cara pão-duro. Com muito orgulho, diga-se. Lá em casa, nós comprávamos copos para pôr à mesa, mas o tempo passava e os copos iam quebrando e quebrando. Foi aí que percebemos que a salvação estava nos copos de requeijão. Hoje não compramos mais copos. Para quê? Existem os copos de requeijão, de nutella, de extrato de tomate, etc. Sim. Eu uso copo de requeijão para tomar cerveja. É coisa de pobre, de pão-duro, mas é ecológica. Em vez de jogar o copo no lixo, dou uma nova função a ele, que será utilizado dezenas de vezes. Um dia ele vai quebrar, mas aí já cumpriu a dupla função de acondicionar o requeijão e de evitar que nós precisemos comprar copos. O pobre, em muitos aspectos, é ecológico porque sabe viver na escassez. E o que é ser ecológico senão administrar a escassez de recursos naturais? Por isso, senhores designers de embalagens, inventem embalagens cada vez mais bonitas e muiti funcionais em vez de trocar os copos de requeijão de vidro pelos de plástico. Os pobres e os cidadãos ambientais agradecem.

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