Quantos livros de papel um Kindle substitui?
Quarta-feira, 18/11/2009

O Kindle, leitor de livros digitais da Amazon tem memória para armazenar 1.500 livros, logo este é o número de livros de papel que ele substitui, certo? Que bom se fosse simples assim. Vamos para o mundo real: são poucas as pessoas que leem 1.500 livros ao longo de uma vida. Basta fazer um cálculo simples: se o leitor conseguir ler um livro por quinzena, o que é uma média realista, vai levar 57 anos para dar conta da biblioteca contida em um Kindle. Ninguém sabe se o Kindle dura 57 anos, mas como trata-se de um aparelho eletrônico é sensato supor que sua vida útil média gira em torno de dez anos. Vamos levar em conta também que o Kindle é um bem de uso pessoal. As pessoas não compartilham seu leitor digital por aí, exceto bibliotecas que adquirem aparelhos para emprestar ao seu público. Como o uso normal do Kindle é pessoal e intransferível, durante sua vida útil uns 260 livros serão lidos em sua tela. É um número interessante e se levarmos em conta que as pessoas adquirem muitos livros que não leem, a economia de papel do Kindle é maior ainda. Além disso, muitos jornais e revistas podem passar por ele durante sua vida útil e talvez aí esteja a maior economia de papel que esse aparelho pode propiciar. Sim, o Kindle substitui um volume considerável de papel mesmo como bem de uso individual A natureza agradece. Se você pretende adquirir um leitor digital de livros, considere a possibilidade de compartilhá-lo com as pessoas próximas de você. Um e-book reader na mão de uma pessoa salva árvores, compartilhado entre várias pessoas, salva muito mais.
Todos os jornais pelo preço de um
Sábado, 24/10/2009

A revolução digital está chegando para todas as coisas que envolvem letras depositadas sobre papel. O Kindle, badalado leitor digital da Amazon, serve para ler livros em formato eletrônico, mas vale lembrar que através dele também é possível assinar jornais, revistas e até blogs. Detalhes como esse são a ponta do iceberg que ronda o Titanic da indústria editorial. Basta deixar o Kindle ligado durante a madrugada para que pontuais ondas eletromagnéticas o abasteçam com notícias fresquinhas para ler no café da manhã. O mais interessante na proposta da Amazon é que o usuário faz assinatura múltipla, ou seja, pelo preço de um, o assinante leva vários jornais. Uma ideia como essa só pode ser colocada em prática por um gigante como a Amazon que tem condições de reunir grandes jornais em torno de um modelo de negócios totalmente novo. Tudo bem que já existem experiências similares para música, em que o usuário assina um serviço e pode ouvir todas as músicas do acervo.
A esta altura alguns podem perguntar porque pagar por uma assinatura, mesmo que com ela eu possa ler vários jornais, se há formas gratuitas de acessar todo esse conteúdo? Realmente, os grandes jornais liberam grandes volumes de informação gratuitamente na Web e atualmente o leitor consegue se manter bem informado sem fazer assinaturas. A pergunta é por quanto tempo essa gratuidade vai se manter? Até pouco tempo atrás a liberação de conteúdos gratuitos pela Internet não trazia problemas para as redações, pois o negócio principal deles era a venda de assinaturas da versão impressa. Os hábitos estão mudando, porém, e a sustentação econômica das redações pode ficar comprometida em breve. Os grandes jornais americanos, por exemplo, estão se articulando para enfrentar a crise e para preservar seus negócios. Duas coisas são certas: informação de qualidade custa caro e o leitor prefere a opção grátis, sempre que disponível. Onde vai dar esse imbróglio? Não custa sonhar, né? Então, vamos imaginar um mundo em que autores recebem o justo pelo seu trabalho e onde o acesso à informação é o mais democrático possível. Só falta definir quem vai pagar a conta.
Cadê o livro que estava no meu Kindle?
Sábado, 25/07/2009

Imagine a cena: você compra um Kindle, o leitor digital de livros da Amazon e adquire alguns livros digitais, entre eles A revolução dos Bichos e 1984, ambos de George Orwell. Feliz, você começa a lê-los, mas de repente, na calada da noite e sem aviso, esses dois livros desaparecem misteriosamente de seu Kindle. Pois é, foi o que aconteceu. Parece coisa de Grande Irmão, mas esse “realinhamento informacional” foi praticado pela Amazon. Por causa de uma pendenga com a editora que publica os livros, a Amazon decidiu remover as duas obras do seu cátalogo, não só da loja como também remotamente dos aparelhos que tinham os livros instalados. Agora sabemos que a Amazon pode mexer no Kindle a distância e que a funcionalidade de comunicação sem fio do aparelho pode ser usada para o bem e para o mal.
A Amazon compensou os usuários de Kindle com créditos para aquisição de outros livros do acervo. Não é um prejuízo de perder cabelos, mas essa trapalhada da Amazon é um alerta sobre o potencial maligno das soluções automáticas de atualização a distância. Infelizmente, todas as software houses estão indo por esse caminho. Windows, Firefox, Adobe, Norton, todo mundo quer mexer na sua máquina sem pedir licença. É mais ou menos como se você estivesse em casa vendo um filme e de repente um cara da Warner entrasse na sua sala para recolher o DVD por causa de disputas judiciais que não lhe interessam. Muitos já devem ter enfrentado constrangimentos com atualizações invasivas. Imagine que você tem uma apresentação a fazer para uma plateia importante, clica no navegador e vem o aviso de que o Firefox resolveu se atualizar sozinho. Enquanto isso, você e a plateia podem tomar um cafezinho.
A Amazon poderia aproveitar a propaganda gratuita que conseguiu com essa gafe para explicar claramente aos seus clientes qual será sua política daqui para frente. Um portavoz da Amazon explicou que a empresa não vai mais apagar arquivos do cliente em circunstâncias similares. Para bom entendedor fica claro que eles se reservam o direito de limpar bits em outras circunstâncias dissimilares. Como sou um defensor dos leitores digitais, gostaria de saber se o usuário é dono do seu Kindle e do que está dentro dele, ou se ondas eletromagnéticas desmaterializantes podem invadi-lo a qualquer momento sem consentimento do proprietário?
O livro de papel dura mais que o livro digital (e-book)?
Sábado, 14/03/2009

O que dura mais: um livro de papel ou um e-book? Essa é uma pergunta que só o tempo vai responder. Nós já conhecemos o potencial do livro convencional para durar mais de cem anos. Quanto ao livro digital, há muitas dúvidas sobre a sua longevidade. Estranho, não é mesmo? O e-book é composto de bits o que o deixa imune a traças, umidade e mordidas do cachorro. Mas pense bem: imagine que você compra um Kindle 2, o badalado e-book reader da Amazon. Em seguida, você monta uma biblioteca digital de 1500 livros, todos comprados na loja virtual da Amazon, obviamente. Essa bela coleção digital vai durar tanto quanto uma biblioteca convencional? Para isso, acontecer, o seu Kindle precisa durar algumas décadas, ou então, será preciso trocá-lo por outro aparelho similar e compatível que venha a ser produzido no futuro. Se você trocar de leitor, terá que transferir os dados do aparelho antigo para o novo, o que só será possível se a Amazon existir como empresa daqui algumas décadas. Os e-books que você comprou são protegidos por um sistema antipirataria que só a Amazon destrava. É bem provável que a Informática evolua dramaticamente nas próximas décadas e, talvez, seus e-books tenham que passar por várias conversões de formato nesse período. Repare que essas dificuldades levantadas aqui são hipotéticas e rabugentas, mas os especialistas em gerenciamento da informação estão bem preocupados com a conservação da informação digital a longo prazo. A moral da história é que o trabalho de cuidar de seus e-books ao longo do tempo pode ser maior do que o esforço para proteger uma estante convencional contra traças, umidade, sol ou roubos. Para ser franco, preservar qualquer coisa contra a ação do tempo é uma tarefa inglória. Percebo isso quando olho no espelho.
Ah, se o Kindle fosse da Apple
Sábado, 14/02/2009

A Amazon lançou no dia 9 último a nova versão do seu leitor de livros digitais: o Kindle 2. O primeiro modelo, lançado em 2007, foi um sucesso de vendas. Esse novo e-book reader vem com mais recursos e ganhou um visual mais simpático, embora ainda esteja longe do charme de um produto Apple.
Talvez você se pergunte: por que comprar um e-book reader se encontra os livros na Internet e pode lê-los na tela do computador? Sim, pode, mas o e-book reader é um aparelho pensado para a leitura. Sua tela com tecnologia de papel eletrônico propicia um conforto visual próximo ao de um livro convencional. O e-book reader pode ser lido no sol e em ângulos rasos de quase 180 graus. Além do mais, ele é portátil como um livro comum e pode ser usado no metrô ou na cama, por exemplo.
Talvez a sua pergunta seja mais primitiva: por que comprar um e-book reader se pode ler os livros em papel como se faz há mais de mil anos? É interessante como esse aparelhinho discreto gera um emaranhado de polêmicas, tanto que falarei sobre algumas delas nos próximos posts. Por enquanto, deixo apenas umas perguntas no ar. O livro convencional é superior ao livro digital? O livro digital vai devastar a indústria editorial? Qual formato de livro é melhor para o meio ambiente? Livros em formatos proprietários protegidos são um problema? Livros digitais duram tanto quanto os de papel?
Voltemos ao lançamento do Kindle 2. O primeiro modelo tinha um design fraco que foi contornado em parte no Kindle 2, mas o preço continua o mesmo: elevados US$ 359. Como preço é uma coisa relativa vamos pensar com cabeça de investidor. Se você tiver um Kindle poderá comprar livros digitais na Amazon a um preço mais baixo do que o da versão impressa. Pouca coisa abaixo, para ser franco. Economizando em média US$ 3,00 por obra, seu investimento no Kindle estará recuperado quando você comprar o seu 120º livro digital. Isso sem falar que você não vai gastar com frete e estante. Portanto, não reclame do preço. Se o Kindle fosse produzido pela Apple seria mais caro. É claro que daí ele se tornaria um objeto de desejo, seria, digamos, uma jóia de ler.