Todos os jornais pelo preço de um
Sábado, 24/10/2009

A revolução digital está chegando para todas as coisas que envolvem letras depositadas sobre papel. O Kindle, badalado leitor digital da Amazon, serve para ler livros em formato eletrônico, mas vale lembrar que através dele também é possível assinar jornais, revistas e até blogs. Detalhes como esse são a ponta do iceberg que ronda o Titanic da indústria editorial. Basta deixar o Kindle ligado durante a madrugada para que pontuais ondas eletromagnéticas o abasteçam com notícias fresquinhas para ler no café da manhã. O mais interessante na proposta da Amazon é que o usuário faz assinatura múltipla, ou seja, pelo preço de um, o assinante leva vários jornais. Uma ideia como essa só pode ser colocada em prática por um gigante como a Amazon que tem condições de reunir grandes jornais em torno de um modelo de negócios totalmente novo. Tudo bem que já existem experiências similares para música, em que o usuário assina um serviço e pode ouvir todas as músicas do acervo.
A esta altura alguns podem perguntar porque pagar por uma assinatura, mesmo que com ela eu possa ler vários jornais, se há formas gratuitas de acessar todo esse conteúdo? Realmente, os grandes jornais liberam grandes volumes de informação gratuitamente na Web e atualmente o leitor consegue se manter bem informado sem fazer assinaturas. A pergunta é por quanto tempo essa gratuidade vai se manter? Até pouco tempo atrás a liberação de conteúdos gratuitos pela Internet não trazia problemas para as redações, pois o negócio principal deles era a venda de assinaturas da versão impressa. Os hábitos estão mudando, porém, e a sustentação econômica das redações pode ficar comprometida em breve. Os grandes jornais americanos, por exemplo, estão se articulando para enfrentar a crise e para preservar seus negócios. Duas coisas são certas: informação de qualidade custa caro e o leitor prefere a opção grátis, sempre que disponível. Onde vai dar esse imbróglio? Não custa sonhar, né? Então, vamos imaginar um mundo em que autores recebem o justo pelo seu trabalho e onde o acesso à informação é o mais democrático possível. Só falta definir quem vai pagar a conta.
Yes, nós temos Kindle
Quarta-feira, 21/10/2009

Desde 19 de outubro último, o Kindle 2, que é vendido nos EUA desde 2007, passou a ser comercializado no Brasil e em outros 99 países. O preço para o leitor digital de livros da Amazon em nosso país é estimado em torno de R$ 1.000,00. Ainda não se sabe quais operadoras de telefonia vão fornecer a conexão 3G que o aparelho precisa para fazer o download dos livros digitais e, por enquanto, não haverá obras em língua portuguesa no acervo do Kindle. No começo tudo é mais complicado, não é mesmo? mas acredito que essas limitações e incertezas rapidamente serão resolvidas e o Kindle vai fazer parte do dia a dia dos brasileiros tecnológicos que gostam de ler.
Faço essa propaganda espontânea e gratuita do Kindle 2 em nome da divulgação dos e-book readers, nos quais acredito há mais de dez anos e que só agora estão decolando. Algumas ideias precisam de tempo para vingar e o universo das pessoas dadas à leitura é conservador. Quem não quiser comprar um Kindle 2 pode optar pelo e-book reader da Sony, ou da Fujitsu que tem tela colorida, ou qualquer outro aparelho desse mercado florescente e promissor. Quem quiser esperar mais tempo para se decidir, sem problemas. Embora o mercado do livro digital tenha uma defasagem em relação às outras mídias da indústria cultural, uma coisa é certa: a reviravolta que o Kindle está fazendo na produção editorial só se compara com a revolução que o iPod fez na indústria da música. Obras digitiais para Kindle estão entre os itens mais vendidos na livraria da Amazon, o aparelho é foco das atenções da imprensa e vende cada vez mais. Não dá para ignorá-lo. Ele não é o único, mas é o ícone.
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O livro de papel dura mais que o livro digital (e-book)?
Sábado, 14/03/2009

O que dura mais: um livro de papel ou um e-book? Essa é uma pergunta que só o tempo vai responder. Nós já conhecemos o potencial do livro convencional para durar mais de cem anos. Quanto ao livro digital, há muitas dúvidas sobre a sua longevidade. Estranho, não é mesmo? O e-book é composto de bits o que o deixa imune a traças, umidade e mordidas do cachorro. Mas pense bem: imagine que você compra um Kindle 2, o badalado e-book reader da Amazon. Em seguida, você monta uma biblioteca digital de 1500 livros, todos comprados na loja virtual da Amazon, obviamente. Essa bela coleção digital vai durar tanto quanto uma biblioteca convencional? Para isso, acontecer, o seu Kindle precisa durar algumas décadas, ou então, será preciso trocá-lo por outro aparelho similar e compatível que venha a ser produzido no futuro. Se você trocar de leitor, terá que transferir os dados do aparelho antigo para o novo, o que só será possível se a Amazon existir como empresa daqui algumas décadas. Os e-books que você comprou são protegidos por um sistema antipirataria que só a Amazon destrava. É bem provável que a Informática evolua dramaticamente nas próximas décadas e, talvez, seus e-books tenham que passar por várias conversões de formato nesse período. Repare que essas dificuldades levantadas aqui são hipotéticas e rabugentas, mas os especialistas em gerenciamento da informação estão bem preocupados com a conservação da informação digital a longo prazo. A moral da história é que o trabalho de cuidar de seus e-books ao longo do tempo pode ser maior do que o esforço para proteger uma estante convencional contra traças, umidade, sol ou roubos. Para ser franco, preservar qualquer coisa contra a ação do tempo é uma tarefa inglória. Percebo isso quando olho no espelho.
O livro digital (e-book) vai devastar a indústria editorial?
Quarta-feira, 11/03/2009

Os formatos digitais de áudio como o MP3 levaram a indústria da música a uma séria crise. O mercado de filmes também está indo pelo mesmo caminho, pois ficou fácil copiar filmes pela rede sem ter que pagar por isso. Com esses precedentes era de se esperar que a indústria do livro também estivesse mergulhada em crise por conta dos livros digitais. O livro de papel, no entanto, parece imune até agora ao problema da cópia digital. Esse mercado segue um ritmo próprio e tem um histórico de perdas com a cópia ilegal causadas não pelo computador, mas pelas máquinas xerox. É sabido que próximo de qualquer faculdade sempre tem uma fotocopiadora próspera.
Ainda é cedo para dizer se a revolução digital vai alcançar o livro de papel. E-books existem faz mais tempo do que os formatos digitais de áudio e vídeo, mas nunca decolaram como o MP3 e o DVD. Os editores precisam saber, porém, que fatos novos estão surgindo. Os novos e-book readears com tecnologia de papel eletrônico estão aí, vendem bem e são patrocinados por gigantes como Amazon e Sony, empresas dispostas a investir muito dinheiro para massificar o produto. O formato MP3 se popularizou graças aos pequenos e charmosos MP3-players. Já pensou se os e-book readers como o Kindle 2 da Amazon se tornarem populares também? Em um instante a infraestrutura do e-book ilegal vai proliferar exuberante e incontrolável como fogo morro acima. Ruim para autores, editores, livreiros e até para aquela fotocopiadora que funciona do lado da faculdade. Bom para o leitor? Bem, esse não ficará sem o que ler porque os bons autores são idealistas e continuarão escrevendo mesmo que não ganhem sequer um obrigado por seus textos.
O livro digital (e-book) é superior ao livro convencional?
Sábado, 07/03/2009

Antes de começar a polêmica, vamos lembrar que tanto o e-book como o livro de papel são apenas suportes diferentes para a obra. O romance Dom Quixote de Cervantes continua o mesmo não importa se fixado em celulose ou bits. Infelizmente, a discussão em torno dos e-books sempre envolve paixões. As pessoas adotam um furor bíblico ao tomarem partido do papel ou dos bits porque inserem a discussão no contexto maior da disputa entre tecnologias novas e tradicionais.
O que eu sugiro aqui é uma análise desapaixonada das características de cada formato. Na Wikipedia, encontramos no verbete e-book duas listas interessantes: uma com as vantagens do livro digital e outra com seu inconvenientes. As listas são extensas e aqui eu vou citar apenas alguns itens:
Vantagens do e-book
- A tecnologia de papel digital aproximou o e-book reader do livro convencional em termos de conforto de leitura.
- Um e-book reader substitui uma estante inteira com mais de 1.000 obras.
- Não existe edição esgotada de e-book.
- Os e-book readers têm melhor acessibilidade que o livro comum. O leitor pode mudar tamanho da fonte e alterar o contraste, entre outros recursos.
- A produção de um e-book não envolve a parte gráfica e seu custo fica mais baixo que o similar em papel.
Desvantagens do e-book
- Em um e-book reader cabem muitos livros, mas só é possível ler um de cada vez, o que não acontece com uma biblioteca tradicional.
- Os e-books readers são mais frágeis que o livro convencional. Uma queda, por exemplo, pode inutilizar o e-book reader. O mesmo acidente provavelmente não causaria dano ao livro comum.
- O roubo de um e-book reader causa um prejuízo grande se comparado ao roubo de um único livro.
- A falta de padrões abertos pode comprometer o uso do e-book reader em longo prazo.
A conclusão a que cheguei é que não existe vencedor nessa disputa. O e-book reader é superior em alguns usos e o livro de papel em outros. Uma mídia não exclui a outra e não há razão para se apegar com fanatismo a apenas uma delas. Eu ainda não tenho meu e-book reader, mas espero adquiri-lo assim que eles forem localizados para o mercado brasileiro. Quando eu adquirir o simpático aparelho terei que pensar seriamente no que fazer com a minha estante 2 x 3m.