Alô, freguesia! É o carro do alumínio que está passando
Sábado, 11/04/2009

Lá em casa, toda semana é a mesma coisa. O alto-falante na rua anuncia:
— É o carro do churro que vai passando, freguesia. Churros fresquinhos.
Em seguida, minha mulher reclama:
— Sempre perto do meio dia. Só para estragar o almoço das crianças.
Semana passada foi diferente. Quem passou foi a kombi do alumínio. O alto-falante avisava a compra de peças de alumínio pelo melhor preço. Vale panela velha, esquadria e trilho de cortina. Quem diria, a indústria da reciclagem está inovando no marketing. Eu sempre achei que o carro dos churros era só poluição sonora, mas agora me obrigo a rever meus conceitos. Pelo bem do meio ambiente vale até a kombi do alumínio, freguesia. Realmente, para a reciclagem acontecer tem que capilarizar a coleta. Seria ótimo se em uma hora dessas passasse lá na frente de casa a kombi do lixo eletrônico. E quem sabe, ainda aparece algum marqueteiro inspirado com uma promoção imperdível: Dona Maria, traga sua panela velha de alumínio e ganhe uma pamonha fresquinha.
Crédito de imagem: Castelinho da pamonha
Uma palavra de 150 mil dólares
Quarta-feira, 21/01/2009
Você pagaria 150 mil dólares por uma única palavra? Esse é o valor que a empresa americana Lexicon Branding pode cobrar pela criação de um nome comercial. Taí uma prova de que as palavras têm valor. Os clientes da empresa são grandes corporações que querem nomes poderosos para seus produtos. BlackBerry, Zune e Pentium são exemplos de nomes criados pelo escritório.
O processo de criação da Lexicon Branding, chamado naming, leva em conta muitos fatores como sonoridade, facilidade de pronúncia, valores evocados e conotações associadas ao nome. Para produtos globais, eles fazem uma pesquisa ampla de sentidos que o nome possa ter nos principais idiomas do mundo. Assim evitam que o nome soe ridículo em algum mercado importante.
As palavras são mágicas e somente pessoas ingênuas acreditarim que o nome do produto não influi em seu desempenho comercial. Basta lembrar o caso do português muito devoto que quase foi à falência depois de construir um empreendimento chamado Motel Nossa Senhora de Fátima.
Dar nome às coisas e aos seres é uma arte que eu, pelo menos, levo a sério. Ainda lembro das longas listas que fiz quando meus dois filhos estavam para nascer. Pesquisei a origem, o significado, a sonoridade, a grafia de inúmeros nomes. Não sei se o resultado ficou melhor do que uma escolha direta e intuitiva, mas eu gosto. Eles se chamam Letícia e Otávio.
Como tudo neste mundo pode virar negócio, talvez um dia alguém passe a oferecer serviços para escolha profissional de nomes de pessoas e bichos. Vai ter um filho e não sabe qual seria o nome ideal para a criança? Comprou um gato e quer um nome que combine com o bichinho? Contrate um personal namer.
Coffee break com networking
Sábado, 15/03/2008

Recentemente, fui a um simpósio em São Paulo e no programa constava o item: cofee break e networking. A maioria deve concordar que o cofee break é uma das partes mais interessantes de todo evento. Primeiro, porque dá um break e depois porque tem coffee, aquela droga negra, quente e forte tão necessária. Mas agora tem o networking. Aquilo que era um momento de descontração para bater papo e relaxar tornou-se uma atividade estruturada e mensurável por métricas especializadas. Fez seu networking? Quantos cartões trocou? Algum contato promissor? Eu nunca fui bom em marketing pessoal e muito menos em networking. Como o nome diz, networking é um tipo de trabalho, um novo item a levar em conta em nossas vidas sobrecarregadas de regras e indicadores de desempenho. Nos bons tempos, a gente fazia contatos simplesmente porque é típico entre nós macacos sem pêlos nos relacionarmos com os pares da mesma espécie. O networking trouxe-nos a profissionalização interesseira do bom e velho bate-papo. Alguém conhece um livro de auto-ajuda com ênfase em networdking? Existem as 101 regras para o networking eficaz? Quem quiser fazer networking comigo, estou à disposição.
Planejamento plurianual de marketing
Quarta-feira, 06/06/2007
Fazer um book de fotos.
Fazer desfiles e comerciais.
Fazer bons contatos.
Namorar um esportista famoso.
Desmanchar o namoro.
Conceder entrevistas contando tudo sobre o namoro.
Aparecer em festas e eventos escolhidos cuidadosamente.
Posar nua para a Playboy.
Aparecer em talk shows e programas de auditório.
Namorar a sério um homem muito rico.
Casar com o homem muito rico em uma festa de arromba.
Publicar as fotos da lua de mel na revista Caras.
Conceder entrevistas contando como está feliz.
Abrir o apartamento de cobertura para a revista Caras.
Plantar rumores de desentendimento entre o casal.
Separar-se do homem muito rico.
Viajar para a Suiça tentando esquecer a separação.
Assinar contrato com uma emissora para estrelar programa de TV.
Namorar homens variados da moda.
Criar factóides diversos de manutenção.


