Ninjas da web 2.0
Sábado, 26/09/2009

A equipe do Google criou um teste para avaliar se o usuário de GMail é ninja no uso da ferramenta. Os ninjas recebem faixas com cores diferentes de acordo com suas habilidades. Aproveitei a ideia e criei uma série de avaliações para identificar ninjas em tecnologia da informação. Começaremos pela Web 2.0.
Não é fácil definir Web 2.0, mas vamos assumir que ela abrange os sites em que o conteúdo é gerado pelo usuário. Sites de web 2.0 dependem da participação ativa dos internautas para funcionar. Você é um desses internautas participantes que fazem a Web 2.0 acontecer?
Responda as perguntas a seguir e veja se receberia uma faixa ninja? Quando responde sim, você ganha os pontos indicados no final da pergunta.
Faixa branca
- Postou comentários em blog ou fórum? 1
- Participou de lista, fórum ou grupo de discussão? 1
- Divulgou listas de reprodução no YouTube? 1
- Criou fórum na Internet? 1
- Indicou links para o Digg? 1
- Tem lista de favoritos no Delicious? 1
- Criou lista de músicas na LastFM? 1
- Postou alguma pergunta no Yahoo Respostas? 1
- Tem fotolog? 2
- Tem blog? 2
- Participa de algum wiki? 2
- Tem Twitter? 2
- Publicou fotos no Flickr? 2
- Respondeu perguntas no Yahoo Respostas? 2
Pontuação mínima: 12
Nas perguntas são citados alguns sites líderes, mas se você utiliza similares, pode responder sim às perguntas. Por exemplo: em vez do Google Docs você utiliza Zoho? Sem problemas.
Some os pontos que ganhou. Se fez 12 pontos ou mais, você é um ninja faixa branca em Web 2.0 e pode passar para a segunda fase.
Wikia Green: um wiki economicamente sustentável
Sábado, 13/12/2008

Wikia Green é um wiki especializado em sustentabilidade ambiental. Por enquanto, só está disponível em inglês, mas é uma fonte de referência interessante para quem se preocupa com a questão ambiental. Outra coisa que chama a atenção no Wikia Green são as propagandas, Trata-se de um Wiki que se preocupa também com a sustentabilidade econômica. Wikia é o serviço gratuito de hospedagem (wiki farm) que fornece a infraestrutura para o Wikia Green. A inclusão de propagandas nos wikis hospedados no Wikia é emblemática e aponta o rumo para a produção de conteúdos virtuais. Os primeiros wikis não tinham um modelo de negócio. Foram criados graças às iniciativas idealistas de programadores e conteudistas. Esses wikis cresceram rapidamente e apesar do ceticismo dos conservadores estão se tornando em fontes confiáveis de informação. Com esse amadurecimento veio à tona a questão da sustentabilidade econômica, afinal, o idealismo dos pioneiros não dá conta de manter um serviço mainstream. Aí é que entra a sacada do Google que consegue colocar propagandas focadas em qualquer página da Internet. Em resumo: quem quiser ganhar dinheiro produzindo conteúdo virtual terá que abrir espaço aos reclames do patrocinador. Dá certo? Não é um caminho fácil, mas vamos lembrar que esse modelo sustenta o rádio e a TV há décadas.
Blogs servem para alguma coisa?
Sábado, 05/04/2008
Não pergunto que benefício os blogs trazem para os blogueiros. Para a sociedade essa é uma questão irrelevante. Interessa-me a serventia que os blogs possam ter para sua majestade o leitor. Antes de responder, vamos esclarecer uma coisa: ficam de fora dessa conversa os blogs inexpressivos como aqueles muito exibicionistas, os que foram criados para zoar ou os que não passam de uma tentativa desesperada de comunicação com o mundo da parte de quem não tem nada a dizer. Notaram que estou incluindo o meu próprio blog no grupo daqueles que podem apresentar alguma relevância, certo? Pois então vamos raciocinar.
Na Era de Gutemberg havia uma aldeia de 1.000 habitantes onde todos liam as obras que 10 habitantes escritores publicavam. Nessa aldeia, havia muitas pessoas com vontade de se tornar escritores, mas por causa dos custos altos somente 10 conseguiam furar a barreira imposta pelo modelo e publicavam suas obras. Graças a um mecanismo natural de regulação, as obras eram publicadas em quantidade proporcional à capacidade de leitura dos habitantes.
Com a chegada da Internet, os custos caíram, as facilidades aumentaram e agora qualquer habitante pode publicar suas obras se quiser. A aldeia passou a ter 100 escritores. No entanto, a capacidade de leitura dos habitantes continuou a mesma porque, além de ler, eles trabalham, saem passear, etc. A Internet expandiu a oferta, não a demanda.
Essa expansão na oferta de textos, em si, não significa nada. Para interpretar o valor da mudança na pequena aldeia vou invocar duas entidades que se alternam em minha cabeça: otimístio e pessimístio.
Pessimístio: aumentar o volume de texto em circulação não representa ganho para a sociedade. Os dez autores de antes eram os melhores e, por isso, eram publicados. Os 90 autores que entraram no circuito não passaram pelos filtros do sistema anterior. Na melhor das hipóteses são divulgadores. Com sua entrada no circuito esses autores apenas drenam a atenção do leitor gerando uma sobrecarga de informação para quem poderia se manter focado em autores top.
Otimístio: a pequena aldeia tem bem mais de dez autores qualificados para publicar seus textos. A demanda restrita impõe um funil muito estreito aos potenciais escritores, deixando inéditos autores de quilate respeitável.
Quem teria razão? Otimístio ou pessimístio? Quem sabe invocando a opinião de Equilibradium.
Wikipedia livre, mas com responsabilidade
Quinta-feira, 07/06/2007
Em apenas cinco anos de existência a Wikipedia tornou-se um fenômeno cultural. Acredito que, em parte, o sucesso desse projeto deve-se ao fato de os grandes buscadores darem destaque aos verbetes da Wikipedia. Com isso, o número de visitas aumentou e, conseqüentemente, o número de artigos publicados também, pois uma coisa puxa a outra.
A idéia de uma enciclopédia livre é formidável. Com tanta gente competente nesse mundo, não se justifica mais deixar a divulgação do conhecimento a cargo de um grupo restrito de notáveis. A Wikipedia abriu espaço para que pessoas competentes possam escrever sobre os assuntos que dominam. No entanto, nem tudo são rosas. O fato de ser livre se constitui no ponto forte da Wikipedia e, ao mesmo tempo, em seu calcanhar de Aquiles. Já começam a se tornar visíveis os problemas que o projeto traz implícitos em sua proposta. Com o seu crescimento exponencial, a Wikipedia começa a sofrer com as conseqüências de seu gigantismo.
Eu utilizo a Wikipedia com freqüência como fonte de informação. Não tenho encontrado problemas de qualidade quando a informação procurada é objetiva como a biografia básica de um autor conhecido. Mas quando se trata de conhecimento mais especializado, que requer um domínio maior de conceitos e muita clareza na exposição, confesso que a Wikipedia deixa a desejar. Há pouco tempo consultei a Wikipedia em português para conhecer o que ela trazia sobre Lingüística, uma área em que tenho opinião formada. Para minha decepção, os verbetes que consultei eram, de modo geral, incompletos, imprecisos e bastante confusos. Talvez essa deficiência vá sendo eliminada gradativamente. Talvez eu devesse parar de criticar e devesse arregaçar as mangas, tentando melhorar um pouco os textos naquilo em que eu acho que poderia dar alguma contribuição.
A impressão que tenho é que a Wikipedia está se transformando em um grande repositório de conhecimento e é preciso fazer o que for possível para que ela caminhe na direção da qualidade. E para isso acontecer será necessário associar liberdade com responsabilidade. De alguma maneira, é preciso garantir que a informação de qualidade prevaleça sobre a medíocre e que a imparcialidade prevaleça sobre o radicalismo. Algumas medidas podem ajudar nesse sentido como, por exemplo, eliminar a contribuição anônima. Todos podem editar a Wikipedia desde que se identifiquem de algum modo. Outra forma de melhorar a qualidade é a criação de conselhos editoriais que abonariam alterações em verbetes consolidados. É claro que a imposição de qualquer limite à operação da Wikipedia pode parecer censura, autoritarismo, engessamento, etc., mas a liberdade absoluta é uma abstração. A melhor liberdade é aquela que se exerce com responsabilidade.

