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Este ano a disputa para presidente do Brasil está acirrada e, por isso, resolvi fazer um cálculo que traz um pouco de racionalidade à minha escolha. Quem quiser experimentar o cálculo de candidato basta preencher a planilha abaixo com os valores que considerar válidos. A planilha já vem carregada com a minha avaliação pessoal, mas fique a vontade para alterar os números de acordo com sua preferência. Em alguns casos, você deve dar peso ao item avaliado, em outros, você precisa dar nota a cada candidato. Na planilha estão apenas os três candidatos mais bem colocados nas pesquisas até agora, mas pode ser ampliada para os demais.

Faça seu cálculo:  Planilha.

dilma-marina-aecio

A seguir veja as explicações de cada item exemplificadas com a minha pontuação pessoal.

Experiência legislativa

Que peso você dá aos cargos legislativos exercidos pelo candidato?

  • Vereador: 1
  • Deputado estadual: 2
  • Deputado federal: 3
  • Senador: 4

Será considerado apenas o cargo mais alto ocupado pelo candidato. Aécio foi senador por Minas Gerais e Marina, senadora pelo Acre. Dilma não exerceu cargo legislativo.

Experiência executiva

Que peso você dá aos cargos de poder executivo exercidos pelo candidato?

  • Diretor de órgão público ou empresa estatal: 1
  • Secretário municipal ou estadual: 1
  • Ministro de estado: 2
  • Prefeito: 3
  • Governador: 4
  • Presidente: 5

Será contado apenas o cargo mais alto ocupado pelo candidato. Marina foi Ministra do Meio Ambiente, Aécio governou MInas Gerais E Dilma é presidente/presidenta do  Brasil.

Partido

Peso que você dá à troca de partido durante a carreira do candidato: -3

Devem ser excluídas da conta mudanças de partido por razões de consciência, fusão ou extinção e as trocas ocorridas há mais de dez anos.  Aécio está no PSDB desde 1988, Dilma milita no PT desde 2001 e Marina, nos últimos dez anos, passou pelo PT, PV, Rede Sustentabilidade e PSB.

Peso que você dá ao fato do candidato pertencer a um partido orgânico: 3

É difícil definir partido orgânico, mas entendo que seja um partido com perfil ideológico definido, representativo de setores da sociedade, com histórico de lutas e que participa do processo político de forma aguerrida. Marina está no PSB provisoriamente e pode deixa-lo assim que seu grupo conseguir viabilizar a Rede Sustentabilidade.

Peso que você dá ao fato de o candidato pertencer a uma coligação oportunista: -3

Nesse quesito os três candidatos estão nivelados por baixo, em função da prostituição generalizada que rola nas coligações brasileiras.

Barreiras sociais a vencer na política

Que peso você atribui ao fato de o candidato ser:

  • Mulher: 1
  • Negro ou pardo: 2
  • Portador de deficiência: 3

Classe social de origem

Qual o peso você atribui ao fato de o candidato ter origem:

  • Humilde: 2
  • Remediada: 0
  • Abastada: 0

Aécio pertence a uma família mineira abastada, Dilma vem de uma família de classe média alta gaúcha e Marina é de uma família pobre do Acre.

História pessoal

Que importância você dá ao fato de o candidato:

  • Ter feito militância política na juventude: 1
  • Pertencer a uma família de políticos: -1

Dilma militou contra a ditadura na juventude , Marina militou pela causa dos seringueiros do Acre e Aécio lutou pelas Diretas já. Aécio pertence a uma família tradicional de políticos mineiros.

Posicionamento em relação a questões de fundo

Que peso você atribui ao fato de o candidato ser a favor de:

  • União civil de pessoas do mesmo sexo: 1
  • Legalização do aborto: 0
  • Legalização da maconha: 1
  • Pena de morte: -1
  • Redução da maioridade penal: 1

Os três candidatos aprovam a união civil gay. Aécio e Dilma (atualmente) são contra a legalização do aborto. Aécio é a favor da redução da maioridade penal, Dilma segue a linha de seu partido e é contra. Aécio, Dilma e Marina são contra a legalização da maconha. Dilma é contra a pena de morte.

Religião do candidato

Caso você considere relevante a religião do candidato atribua um peso à religião dele na sua escolha.

  • Católico: 0
  • Evangélico: 0
  • Sem religião: 0
  • Outra: 0

Aécio é católico, Dilma dá indícios de que não pratica religião e Marina é evangélica da Assembleia de Deus.

Reforma política

Qual peso você atribui ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Fim da reeleição para presidente: 0
  • Financiamento público de campanha: 1
  • Redução do número de vagas para deputados e senadores: 2
  • Voto facultativo: 0

Marina declarou que não quer reeleição para presidente.

Reforma administrativa

Que importância você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Autonomia das agências reguladoras: 2
  • Fim da escolha política dos ministros do Tribunal de contas: 2
  • Redução de cargos em comissão e de ministérios: 2

Dilma dificilmente faria tais mudanças. Aécio declara que a redução de cargos em comissão e ministérios são centrais para seu governo.  Marina também se mostra favorável à reforma administrativa.

Economia

Qual peso você atribui ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Autonomia do Banco Central: 0
  • Privatizar empresas estatais: 2
  • Re-estatizar empresas privatizadas: -5
  • Estatizar empresas privadas: -10

Marina é favorável a um Banco Central autônomo. Aécio e Dilma consideram que a independência deve ser relativa. Aécio é de um partido que fez privatizações; o partido de Dilma privatizou com outros nomes, mas no discurso ela é contra as privatizações.

Educação

Dê peso para o fato de o candidato ser favorável a:

  • Ampliação das vagas em universidades públicas: 0
  • Cotas raciais e sociais para acesso à faculdade: 0
  • Ensino fundamental em tempo integral: 0
  • Ampliação de vagas no ensino técnico: 2

Dilma tem se mostrado favorável a todas essas medidas, exceto o ensino em tempo integral.

Previdência

Que peso você dá ao fato de o candidato ser a favor de:

  • Fim do fator previdenciário: 0
  • Vinculação do valor das aposentadorias ao salário mínimo: 2

Infelizmente, os candidatos não parecem dispostos a dar mais segurança aos aposentados.

Programas sociais

Que peso você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Ampliar programas de distribuição de renda como o bolsa família: 2
  • Aumento real continuado do salário mínimo: 2

Dilma tem uma política clara em favor do bolsa família e ganho real do salário mínimo. Os outros dois candidatos indicam que vão manter esses programas, mas não se sabe se vão amplia-los.

Meio ambiente

Qual o peso que você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Incentivar a agricultura sustentável: 2
  • Incentivar energias renováveis: 2
  • Incentivar a melhoria do transporte público: 2

Nessa área Marina é a candidata verde com posições firmes em defesa do meio ambiente. Aécio não indica que esta seja uma área prioritária para seu governo e Dilma tem um currículo anti-ambientalista, especialmente pelo seus investimentos pesados na área de petróleo.

Relações com setores da sociedade

Dê uma nota para cada candidato considerando sua capacidade de se relacionar bem com setores da sociedade.

  • Agronegócio: Aécio: 2, Dilma: 1, Marina: 0.
  • Empresários: Aécio: 2, Dilma: 1, Marina: 1.
  • Imprensa: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 1.
  • Sindicatos: Aécio: 1, Dilma: 2, Marina: 1.

Governabilidade

Dê uma nota a cada candidato considerando sua capacidade para resolver problemas de governabilidade:

  • Facilidade para formar maioria legislativa. Aécio: 2, Dilma: 2, Marina: 1.
  • Capacidade de conquistar a confiança de investidores: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 1.

Competências pessoais

Dê uma nota para cada candidato no que se refere a competências importantes ao um político.

  • Capacidade gerencial: Aécio: 2, Dima: 1, Marina: 1.
  • Habilidade política: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 2.
  • Oratória: Aécio: 1, Dilma: 0, Marina: 2.
  • Visão estratégica: Aécio: 1, Dilma: 1, Marina: 2.

Eu não dispunha de informações completas sobre a plataforma de cada candidato, até porque eles não são precisos em muitos pontos nos obrigando a prever suas intenções a partir do histórico político de cada um.

O resultado do meu cálculo pessoal me surpreendeu, mas confirma minha tendência a votar em candidatos com perfil social democrata com uma pitada conservadora. Aliás, a disputa deste ano está restrita a três variações de social democracia: uma com tempero de liberalismo econômico, outra com sutilezas de avanços sociais e uma terceira focada em moralidade e avanços ambientais. Ainda não decidi meu voto, mas o método analítico que usei para montar a planilha pode ser útil para fundamentar minha escolha. A racionalidade já me apontou um caminho, mas resta saber o peso que o lado emocional vai ter na minha decisão.

E aqui está o resultado do meu cálculo:

aecio33 pontos

marina 27 pontos

dilma 22 pontos

Crédito de imagens: Folha de S. Paulo.


Sabemos que o Photoshop faz milagres que nenhum cirurgião plástico seria capaz. Esse software remove celulite, empina bumbum e aumenta seios como se fosse mágica. Estamos falando do exemplo clássico da manipulação de imagens, mas a manipulação vai além. Quando abrimos uma embalagem de pizza pronta e encontramos um produto chocho que em nada lembra a foto apetitosa que está na tampa aí temos manipulação a serviço da propaganda enganosa.  O mesmo acontece quando chegamos a um parque aquático e não encontramos aquela água azul e cristalina que vimos no prospecto da agência de turismo. Mais grave ainda é a multiplicação de eleitores em comícios de políticos inescrupulosos. Vamos lembrar que a manipulação de imagens é anterior ao Photoshop; prova disso é a foto abaixo em que Kamenev e Trotsky foram apagados a mando de Stálin na tentativa de reescrever a história russa. Esses casos de alteração indevida podem nos levar à conclusão que toda modificação da imagem original é maligna, mas o fato é que raramente uma foto nasce pronta. Quase todas precisam de algum tratamento, inclusive para deixá-las mais naturais e verdadeiras.

Lenin discursando

Edição, tratamento, manipulação, processamento; não existe um acordo entre os fotógrafos sobre as palavras que deveríamos usar para diferenciar as alterações necessárias e benignas daquelas que levam a uma percepção deturpada da imagem. Neste artigo chamamos de edição as mudanças que melhoram a qualidade da imagem original e por manipulação vamos entender as alterações mal intencionadas. E que fique bem claro: os recursos técnicos que o fotógrafo dispõe para editar ou manipular são exatamente os mesmos, só variam no grau ou na intenção com que são utilizados. O Photoshop está aí para o bem e para o mal.

Para mostrar que a edição é necessária e bem-vinda vamos partir de dez casos corriqueiros de edição mostrando a foto antes e depois:

1. Giro

Precisamos girar a foto para nivelar a linha do horizonte ou para criar linhas de concordância entre a imagem e suas bordas. O giro remove partes da foto original, por isso, fotógrafos ninja capturam a imagem bem nivelada, o que nem sempre é possível, infelizmente.

Ilha do MelIlha do Mel

A foto acima foi girada em 1,5 grau para deixar o horizonte da Ilha do Mel perfeitamente horizontal.

Castelo de Praga

Castelo de Praga

O giro na foto acima alinhou a base das estátuas do portão do Castelo de Praga.

2. Proporção

A maioria das câmeras captura imagens na proporção 2:3, que não é ideal para todas as situações. A proporção da imagem deve ser escolhida em harmonia com o motivo fotografado e com o uso que terá. O recorte pode servir para concentrar a imagem eliminando o supérfluo.  Como essa edição elimina partes da foto é preciso cuidado para não remover itens essenciais ao contexto e cair na manipulação.

Capivara

Capivara

A proporção quadrada (1:1) concentra a imagem da capivara capturada em 2:3.

Parque Barigui Curitiba

Parque Barigui Curitiba

A proporção 16:9 é mais panorâmica e se harmoniza com a horizontalidade da imagem do Parque Barigui em Curitiba.

3. Enquadramento

O recorte pode concentrar a imagem, melhorar a composição, eliminar o supérfluo, realçar a simetria, entre outras vantagens. Fica só o aviso para não descontextualizar a foto senão é manipulação. O ideal ninja, obviamente, é capturar as fotos no melhor enquadramento para não desperdiçar nenhum pixel, só que a realidade é dura.

Catedral de Dresden

Catedral de Dresden

O recorte melhorou a simetria dessa imagem do interior da Catedral de Dresden.

4. Exposição

Controlar a quantidade de luz que entra na câmera é essencial para obter uma boa fotografia.  Uma exposição perfeita não é fácil de conseguir principalmente quando a cena tem áreas com diferentes níveis de luminosidade.  O ajuste da exposição pode deixar a foto mais próxima do que o nosso olho captaria.

Parisi Udvar Parisi Udvar

O ajuste de exposição área por área ajuda a ver melhor os detalhes dessa bela galeria (Parisi Udvar) em Budapeste.

5. Temperatura de cor

As cores da foto são afetadas pela fonte de luz que ilumina o ambiente. Cada fonte de luz tem sua temperatura de cor. Para deixar a foto mais realista, às vezes é preciso ajustar a temperatura, especialmente quando temos fontes de luz com temperaturas diferentes no mesmo ambiente.

Portão de Brandenburgo

Portão de Brandenburgo

Ajustes na temperatura de cor deixaram menos azulada essa foto do Portão de Brandenburgo tirada no final da tarde em Berlim.

6. Correções de equipamento

Aberração cromática é o nome aberrante para um defeito comum nas fotos. São contornos coloridos que aparecem na imagem por causa de imperfeições das lentes. Ocorrem mais com lentes de pouca qualidade, mas também acontecem com lentes caras. Felizmente, é fácil remover os contornos com um bom software de edição. Outras distorções conhecidas podem ser corrigidas em um editor que ajusta o perfil de cada equipamento.

Essa foto tinha uma leve aberração cromática.

7. Ruído

O ruído de sensor aparece quando aumentamos a sensibilidade para conseguir fazer a foto com pouca iluminação. O ruído deixa a foto com textura granulada. Com auxílio de software, em muitos casos, é possível reduzir o ruído sem comprometer a naturalidade da foto.

8. Defeitos

Poeira, gotas d’água, reflexos internos (flare) e marcas de digitais na lente comprometem a qualidade da imagem e uma edição para remover essas imperfeições é aceitável.

mancha de poeira

Poeira na lente.

9. Elementos estranhos

Indo além na remoção de  “imperfeições”, seria aceitável em alguns casos remover elementos estranhos ao contexto da cena e que só levam à distração e ao ruído. Todo o cuidado é pouco nessa hora.

Esquilo

Esquilo

Com bituca e sem bituca de cigarro.

A utilização comercial de fotos exige que a remoção de elementos como logomarcas e placas de automóvel para não ferir direitos comerciais e de privacidade. Fica bem estranho olhar a foto de um prédio e não encontrar a logomarca da empresa que funciona ali e que todo mundo vê quando passa em frente. No entanto, essa prática é comum nos bancos de imagens.

10. Presença

É comum o fotógrafo olhar para a foto na tela e pensar: Mas ao vivo essa cena tinha mais vida! Nessa hora, é possível usar de recursos como brilho, saturação, vibração, claridade, níveis, curva de tons, contraste, etc. para ajustar as cores e a luminosidade da imagem.  Esses recursos, porém, devem ser usados com moderação pois quem persegue a naturalidade não pode cair na tentação diabólica de dourar a realidade.

Parlamento húngaro

Parlamento húngaro

Um pequeno ajuste na curva de tons dá mais vida à foto do parlamento húngaro.

A maioria das técnicas de edição é dispensável se a captura for impecável, logo quem quer passar longe do Photoshop tem que suar para acertar a foto de primeira na hora do clique. Há quem diga que o excesso de cuidado com a produção da foto também compromete sua naturalidade e que um pouco de desfoque ou de reflexos podem dar um charme à foto. Na foto abaixo você removeria o tênis pendurado no tridente de Netuno e o arco íris que se formou na base da fonte?

Fonte de Netuno, Berlim.

Além do mais, o compromisso com o realismo é uma linha de pensamento entre outras. Funciona bem em foto jornalismo e para proteger o consumidor contra propaganda enganosa, mas será que a revista Playboy deveria mostrar a celulite das modelos? Talvez os leitores prefiram ser enganados a encarar um choque de realidade.


Por que preciso estudar tudo isso? Acredito que você, caro leitor, já fez essa pergunta para si mesmo várias vezes quando estava na condição de estudante. Talvez, teve que respondê-la, quando no papel de pai e se, por ventura, batalhou como professor deve ter sido alvejado por ela inúmeras vezes. Já me deparei com essa pergunta fundamental da pedagogia enquanto estudante, pai e professor e gostaria de ter uma resposta fulminante engatilhada debaixo da língua, mas quanto mais básica a pergunta, mais difícil fundamentá-la.

Colocando em outros termos: O que o cidadão precisa conhecer para se considerar formado para a vida? Não estamos falando de conhecimentos específicos da carreira profissional, mas da matéria geral que é útil a todos independente da profissão que escolhemos. Alguns dizem que a escola nos prepara mal e não supre o mínimo necessário de conhecimento que necessitamos para o cotidiano. Outros acham que principalmente no Ensino Médio os alunos são bombardeados com excesso de conteúdo e que muito do que é despejado na cabeça dos jovens não vai ter utilidade para a vida. Quem está certo? Provavelmente, ambas as correntes. A escola não ensina tudo que precisamos, em parte por ensinar mal, em parte por não adotar um currículo abrangente. Em algumas áreas, porém, o currículo se aprofunda demais onde bastaria apenas a visão geral.

O pensador de Rodin

Até aqui falamos de currículo escolar, mas não vamos jogar a responsabilidade toda para a escola. A formação integral acontece em muitos lugares começando em casa, passando pela escola e se estendendo indefinidamente no trabalho e onde mais cada um quiser se aprimorar. O brasileiro precisa passar cerca de 10.000 horas de sua vida na escola para concluir o ensino fundamental e médio. Para a maioria, esse será o maior investimento que vai fazer na vida para formar competências essenciais.  Nos cursos de graduação dedica-se algum tempo para complementar da formação geral. Somem-se a isso cursos livres e o tempo gasto no aprendizado informal que não precisa de escola para acontecer. Provavelmente, nosso investimento em formação genérica ultrapassa 15.000 horas durante a vida, o que equivaleria a mais de sete anos de estudos em período integral. É bem mais do que investimos em formação específica para a carreira. O que fazer com todo esse tempo de formação? Como usá-lo sabiamente? O currículo nas escolas está em contínua transformação e. Infelizmente, costuma preparar o jovem para necessidades do presente, ou pior: para competências obsoletas, quando deveria prover as necessidades futuras. De qualquer forma, sempre podemos tentar uma aproximação do que seria uma formação ideal mínima.

  • Matemática. Começando pela aritmética, passando pela álgebra, trigonometria e geometria, os conhecimentos matemáticos devem abranger também probabilidade, estatística, cálculo numérico e é desejável que alcancem os fundamentos do cálculo diferencial e integral.
  • Linguagem. Dominar o uso da língua pátria e duas línguas estrangeiras é a meta. Em nossa realidade o inglês e o espanhol se destacam como possíveis segunda e terceira língua. Para isso, são importantes noções de linguística, estudo dos gêneros textuais com destaque para a alta literatura e, é claro, muitas atividades de leitura, interpretação e de expressão oral e escrita.
  • Ciências naturais. A biologia nos traz conhecimentos sobre os seres vivos e sobre nosso corpo, nos leva a entender a genética, a evolução e a dinâmica do meio ambiente. A física nos dá uma interpretação matemática sobre ondas, eletricidade, mecânica, termologia e relatividade. Pela química conhecemos a estrutura da matéria, suas reações e os compostos orgânicos e inorgânicos, além da radioatividade.
  • Ciências da terra. Conhecer nosso planeta, sua geografia física, econômica e humana; entender o clima e o tempo, interpretar mapas, conhecer o que está na terra, água e céu por meio de áreas como geologia, hidrologia e astronomia.
  • Ciências humanas. Conhecer a História do mundo, de seu país, das artes, das ciências e do cotidiano; entender as correntes de pensamento da filosofia e os fundamentos das principais religiões; saber analisar os fatos em perspectiva sociológica e antropológica; dominar os fundamentos da economia para entender a dinâmica do mercado; entender pela pedagogia como se aprende para poder ensinar; saber de Política como ciência; compreender o comportamento das pessoas pela Psicologia; esses são alguns desafios das ciências humanas.
  • Saúde. Entender sobre doenças para preveni-las; conhecer sobre esportes e atividades físicas para melhor praticá-las; conhecer sobre alimentos para uma melhor nutrição; tudo isso é necessário para cuidar da saúde.
  • Arte. Conhecer as características de cada manifestação artística, sua história e suas escolas para melhor apreciá-las ou para praticar a que tiver afinidade. Estamos falando de Arquitetura, Artes decorativas, Cinema, Dança, Design, Escultura, Fotografia, Música, Pintura, Teatro r Televisão.
  • Administração. Conhecimento sobre administração não é só para empresários. Todos precisam cuidar de suas finanças pessoais, da carreira, de negócios e contabilidade pessoais e, por vezes, gerenciar pessoas.
  • Direito. Precisamos sabe de nossos direitos de consumidor, civis, criminais e constitucionais.
  • Informática. Cada vez mais presente em nossas vidas, precisamos da Informática em nível de usuário para dominar os sistemas operacionais, os programas de produtividade, ter noções de linguagens de programação e de funcionamento de redes.
  • Tecnologias. Em um mundo regulado pela tecnologia é importante ter noções sobre as que nos rodeiam, seja em casa, no escritório ou na rua. Dessa forma, podemos nos virar na hora em que o carro dá uma pane, formatar o computador, trocar a resistência do chuveiro ou consertar a torneira que fica pingando.
  • Artes práticas. Essas artes costumam ser marcadas por questões de gênero, mas seria bom se todos, homens e mulheres, soubessem preparar um almoço, cuidar da casa e do jardim, atender vítimas em primeiros socorros, além de saber jogar xadrez, dançar uma valsa, escolher a roupa certa para cada ocasião e ter ideia do que fazer caso se perca na selva.

A lista de conhecimentos e habilidades é longa, bem mais do que previa o ideal humanista do período do Renascimento que almejava a formação integral do homem. Resta saber se alguém consegue atender a todas essas exigências da vida moderna. Tudo bem, ideal é para ser buscado, o que não significa que será alcançado.


Já faz anos que algumas linhas de ônibus curitibanas não têm cobrador. São linhas de menor movimento que operam com micro ônibus. Até a semana passada o pagamento da passagem nessas linhas podia ser feito em dinheiro diretamente ao motorista, mas a justiça do trabalho deu ganho de causa ao sindicato da categoria e os motoristas não vão mais atuar como cobradores. Em vez de trazer de volta os cobradores a prefeitura decidiu que a partir de agora o acesso a esses ônibus deve ser feito apenas com cartão transporte. Todos os micro ônibus já são equipados com leitor de cartões e os curitibanos estão acostumados com o sistema, mas terão que se adaptar a essa restrição de comodidade. Quem quiser usar o transporte terá que providenciar um cartão e carrega-lo com créditos antecipadamente.

cartão transporte Curitiba

As linhas curitibanas de maior tráfego continuam a operar com cobradores, mas eu não vou estranhar se no médio prazo todas as linhas passarem a aceitar apenas cartão. Para isso acontecer será preciso que a população se adapte ao novo sistema e que se amplie a rede de venda de cartões e recarga de créditos. Além disso, seria bom oferecer mais opções ao usuário como cartões avulsos, passes livres por período determinado e máquinas de autoatendimento para compra de créditos. Se formos por este caminho estaremos apenas adotando um modelo consolidado na Europa. Lá não existem cobradores de ônibus nem catracas. Em vez disso, existem máquinas de marcar bilhetes e fiscais que abordam alguns passageiros por amostragem. Quando abordado pelo fiscal o passageiro deve mostrar seu cartão, bilhete, passe ou outra forma de provar que tem direito de estar no transporte, caso contrário vai passar por dissabores consideráveis. Algumas pessoas devem achar a ideia do transporte sem cobradores uma ousadia; sem catracas então, que loucura! A catraca tem a vantagem de dispensar o fiscal, mas talvez seja necessário vigiar as entradas para ver se espertinhos não estão pulando a catraca.

O transporte público sem cobradores ficaria mais barato mesmo considerando que o sistema de cartões informatizados também tem seu custo porque atualmente os dois sistemas operam em paralelo. Todo ônibus com cobrador aceita cartão. No mundo ideal o fim da função de cobrador seria conduzido com o devido cuidado. Uma parte dos cobradores poderia ser aproveitada na rede de vendas de cartões e créditos. Outra maneira de atenuar o impacto do desemprego da categoria seria aplicar o dinheiro economizado com a automatização do sistema na capacitação e recolocação dos funcionários dispensados. No mundo ideal, uma mudança que reduz empregos seria feita em momento de pleno emprego e não em situação de crise econômica.

Eu torço pela melhoria contínua do transporte público e isso também quer dizer baixar o preço da passagem. Apesar dos desafios das mudanças que virão, o transporte coletivo é o futuro.


Quem já assistiu ao filme A invenção de Hugo Cabret deve lembrar que o personagem principal tem um talento especial para restaurar e consertar engenhocas sofisticadas e, graças a isso, mantêm em perfeito funcionamento os relógios da estação ferroviária de Paris. Atualmente, vivemos rodeados por computadores e smartphones e os mais jovens nem sabem que dar corda no relógio é a ação de pressionar uma mola para que ela acumule energia e mantenha o mecanismo em operação. Com tanta hora disponível, muitos devem achar desnecessário manter relógios públicos em perfeito funcionamento. Mesmo assim, quando olhamos para o relógio da catedral ou de algum prédio histórico esperamos encontrar a hora correta exibida nele. Poucos levam em conta as dificuldades para manter o tic tac daquele relógio, talvez centenário, e construído com tecnologia perdida no tempo.

Há algum tempo atrás uma reportagem da RPC (Rede Paranaense de Comunicação) chamou minha atenção para a situação precária dos relógios públicos de Curitiba. Segundo o repórter poucos funcionavam bem e turistas atentos podiam perceber essa impontualidade. Passada a Copa do Mundo resolvi conferir pessoalmente se os relógios curitibanos estão batendo bem. Meu objetivo era verificar se ganhamos relógios pontuais como legado da Copa 2014. Fiz uma caminhada pelo centro da cidade e fotografei dez relógios bem conhecidos pelos curitibanos. Seis marcavam a hora certa, salvo pequenas diferenças com a hora do meu celular. Outros quatro estavam fora de combate. Confira pelas fotos.

Batendo bem

Catedral Metropolitana

Catedral Metropolitana

Relógio das flores

Relógio das flores

Relógio da Praça Osório

Relógio da Praça Osório

Relógio do Paço Municipal

Relógio do Paço Municipal

Relógio da Rua 24 horas

Relógio da Rua 24 horas

Relógio da Igreja de Bom Jesus

Relógio da Igreja de Bom Jesus

Fora de combate

Relógio da Igreja da Ordem

Relógio da Igreja da Ordem

Relógio da Secretaria de Cultura

Relógio da Secretaria de Cultura

Relógio digital da Rua das Flores

Relógio digital da Rua das Flores

Relógio da Santa Casa

Relógio da Santa Casa

Diante dos problemas mais urgentes da nossa realidade social parece devaneio ficar checando a hora de relógios velhos, entretanto essas máquinas de contar o tempo estragadas têm algo a nos dizer. O pouco zelo dos curitibanos com seus relógios públicos contrasta com a pontualidade europeia. No velho continente relógio público com defeito é exceção; lá a regra é marcar a hora certa. Tudo bem que eles inventaram os relógios e ganham muito dinheiro com turismo, mas penso que esses relógios contam histórias e além de marcar a hora também indicam a preocupação de uma cidade com seu patrimônio cultural e histórico.

Clicks regulamentados


Circula no Congresso Nacional projeto de lei que regulamenta a profissão de fotógrafo. De autoria do deputado Fernando Torres (PSD – BA) o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e cidadania da câmara em abril/14 e segue para aprovação no senado. Mais uma profissão caminha para a regulamentação no Brasil, mas afinal, regulamentação é bom para quem?

A constituição brasileira garante o exercício de qualquer profissão a qualquer pessoa, salvo nos casos definidos em lei. É razoável que nossos legisladores coloquem restrições ao exercício de algumas profissões quando houver interesse coletivo em jogo ou risco para a população.  A profissão de médico, por exemplo, é o caso clássico de atividade profissional que coloca em risco a vida humana e, portanto, deve se sujeitar a rigorosas exigências de qualificação. Da mesma forma, os pilotos de avião precisam passar por treinamento e avaliação antes de pegarem no manche. Rigor semelhante não se deve exigir de um decorador de interiores, pois o pior dano que esse profissional pode causar é uma decoração simplesmente horrorosa. E a profissão de fotógrafo? Seria uma dessas atividades que necessitam de controle do estado?

Lambe lambe

O Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional a exigência de diploma em comunicação para o exercício da profissão de jornalista, alegando que a liberdade de expressão é um direito constitucional fundamental que não pode ser limitado pela exigência de curso superior específico para ser exercido. Da mesma forma, o STF considerou inconstitucional a exigência de filiação à Ordem dos Músicos do Brasil para aqueles que quiserem exercer a profissão de músico porque seria uma limitação ao direito constitucional da livre manifestação artística.  Se a profissão de fotógrafo for regulamentada não faço a mínima ideia de como o STF pode vir a julgar uma ação de inconstitucionalidade contra ela, mas me parece que a fotografia tem a ver com liberdade de expressão e de manifestação artística.

Quando uma profissão é regulamentada há interesses em jogo. Em primeiro lugar deveria vir o interesse da sociedade que estaria mais segura e melhor atendida com a regulamentação. Existe o interesse corporativo de instituir reserva de mercado para aumentar os ganhos dos profissionais regulamentados. Temos também o interesse do mercado de não regulamentar para manter os preços baixos. Cabe ao estado conciliar os interesses conflitantes da sociedade e das corporações, o que raramente acontece.

O avanço da tecnologia digital possibilitou a um número maior de pessoas o acesso à prática da fotografia, o que é bom. Esse número maior de pessoas com câmera na mão, por outro lado, produziu uma inflação de fotógrafos no mercado levando a uma concorrência autofágica. Não vale jogar a culpa na tecnologia, pois ela democratiza o acesso à fotografia. Também não adianta implicar com os fotógrafos de fim de semana que só fazem bicos, pois o alcance do trabalho deles fica limitado a situações mais básicas de produção.

Sou formado em engenharia química, o que me coloca na pitoresca condição de ser fiscalizado por dois conselhos profissionais: o de engenharia (CREA) e dos químicos (CRQ). Além disso, sou fotógrafo amador e já ganhei alguns trocados vendendo minhas fotos. Não sei se continuarei ganhando dimdim com fotografia caso a lei do fotógrafo seja aprovada, uma vez que as minhas vendas acontecem via bancos de imagens internacionais. Não pretendo fazer curso de fotografia nem de nível técnico, nem superior. Só sei que continuarei clicando por aí independente da avareza do mercado, das corporações de ofício e de nobres deputados que querem fazer bonito para potenciais eleitores.

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