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Archive for the ‘Política’ Category


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Este ano a disputa para presidente do Brasil está acirrada e, por isso, resolvi fazer um cálculo que traz um pouco de racionalidade à minha escolha. Quem quiser experimentar o cálculo de candidato basta preencher a planilha abaixo com os valores que considerar válidos. A planilha já vem carregada com a minha avaliação pessoal, mas fique a vontade para alterar os números de acordo com sua preferência. Em alguns casos, você deve dar peso ao item avaliado, em outros, você precisa dar nota a cada candidato. Na planilha estão apenas os três candidatos mais bem colocados nas pesquisas até agora, mas pode ser ampliada para os demais.

Faça seu cálculo:  Planilha.

dilma-marina-aecio

A seguir veja as explicações de cada item exemplificadas com a minha pontuação pessoal.

Experiência legislativa

Que peso você dá aos cargos legislativos exercidos pelo candidato?

  • Vereador: 1
  • Deputado estadual: 2
  • Deputado federal: 3
  • Senador: 4

Será considerado apenas o cargo mais alto ocupado pelo candidato. Aécio foi senador por Minas Gerais e Marina, senadora pelo Acre. Dilma não exerceu cargo legislativo.

Experiência executiva

Que peso você dá aos cargos de poder executivo exercidos pelo candidato?

  • Diretor de órgão público ou empresa estatal: 1
  • Secretário municipal ou estadual: 1
  • Ministro de estado: 2
  • Prefeito: 3
  • Governador: 4
  • Presidente: 5

Será contado apenas o cargo mais alto ocupado pelo candidato. Marina foi Ministra do Meio Ambiente, Aécio governou MInas Gerais E Dilma é presidente/presidenta do  Brasil.

Partido

Peso que você dá à troca de partido durante a carreira do candidato: -3

Devem ser excluídas da conta mudanças de partido por razões de consciência, fusão ou extinção e as trocas ocorridas há mais de dez anos.  Aécio está no PSDB desde 1988, Dilma milita no PT desde 2001 e Marina, nos últimos dez anos, passou pelo PT, PV, Rede Sustentabilidade e PSB.

Peso que você dá ao fato do candidato pertencer a um partido orgânico: 3

É difícil definir partido orgânico, mas entendo que seja um partido com perfil ideológico definido, representativo de setores da sociedade, com histórico de lutas e que participa do processo político de forma aguerrida. Marina está no PSB provisoriamente e pode deixa-lo assim que seu grupo conseguir viabilizar a Rede Sustentabilidade.

Peso que você dá ao fato de o candidato pertencer a uma coligação oportunista: -3

Nesse quesito os três candidatos estão nivelados por baixo, em função da prostituição generalizada que rola nas coligações brasileiras.

Barreiras sociais a vencer na política

Que peso você atribui ao fato de o candidato ser:

  • Mulher: 1
  • Negro ou pardo: 2
  • Portador de deficiência: 3

Classe social de origem

Qual o peso você atribui ao fato de o candidato ter origem:

  • Humilde: 2
  • Remediada: 0
  • Abastada: 0

Aécio pertence a uma família mineira abastada, Dilma vem de uma família de classe média alta gaúcha e Marina é de uma família pobre do Acre.

História pessoal

Que importância você dá ao fato de o candidato:

  • Ter feito militância política na juventude: 1
  • Pertencer a uma família de políticos: -1

Dilma militou contra a ditadura na juventude , Marina militou pela causa dos seringueiros do Acre e Aécio lutou pelas Diretas já. Aécio pertence a uma família tradicional de políticos mineiros.

Posicionamento em relação a questões de fundo

Que peso você atribui ao fato de o candidato ser a favor de:

  • União civil de pessoas do mesmo sexo: 1
  • Legalização do aborto: 0
  • Legalização da maconha: 1
  • Pena de morte: -1
  • Redução da maioridade penal: 1

Os três candidatos aprovam a união civil gay. Aécio e Dilma (atualmente) são contra a legalização do aborto. Aécio é a favor da redução da maioridade penal, Dilma segue a linha de seu partido e é contra. Aécio, Dilma e Marina são contra a legalização da maconha. Dilma é contra a pena de morte.

Religião do candidato

Caso você considere relevante a religião do candidato atribua um peso à religião dele na sua escolha.

  • Católico: 0
  • Evangélico: 0
  • Sem religião: 0
  • Outra: 0

Aécio é católico, Dilma dá indícios de que não pratica religião e Marina é evangélica da Assembleia de Deus.

Reforma política

Qual peso você atribui ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Fim da reeleição para presidente: 0
  • Financiamento público de campanha: 1
  • Redução do número de vagas para deputados e senadores: 2
  • Voto facultativo: 0

Marina declarou que não quer reeleição para presidente.

Reforma administrativa

Que importância você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Autonomia das agências reguladoras: 2
  • Fim da escolha política dos ministros do Tribunal de contas: 2
  • Redução de cargos em comissão e de ministérios: 2

Dilma dificilmente faria tais mudanças. Aécio declara que a redução de cargos em comissão e ministérios são centrais para seu governo.  Marina também se mostra favorável à reforma administrativa.

Economia

Qual peso você atribui ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Autonomia do Banco Central: 0
  • Privatizar empresas estatais: 2
  • Re-estatizar empresas privatizadas: -5
  • Estatizar empresas privadas: -10

Marina é favorável a um Banco Central autônomo. Aécio e Dilma consideram que a independência deve ser relativa. Aécio é de um partido que fez privatizações; o partido de Dilma privatizou com outros nomes, mas no discurso ela é contra as privatizações.

Educação

Dê peso para o fato de o candidato ser favorável a:

  • Ampliação das vagas em universidades públicas: 0
  • Cotas raciais e sociais para acesso à faculdade: 0
  • Ensino fundamental em tempo integral: 0
  • Ampliação de vagas no ensino técnico: 2

Dilma tem se mostrado favorável a todas essas medidas, exceto o ensino em tempo integral.

Previdência

Que peso você dá ao fato de o candidato ser a favor de:

  • Fim do fator previdenciário: 0
  • Vinculação do valor das aposentadorias ao salário mínimo: 2

Infelizmente, os candidatos não parecem dispostos a dar mais segurança aos aposentados.

Programas sociais

Que peso você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Ampliar programas de distribuição de renda como o bolsa família: 2
  • Aumento real continuado do salário mínimo: 2

Dilma tem uma política clara em favor do bolsa família e ganho real do salário mínimo. Os outros dois candidatos indicam que vão manter esses programas, mas não se sabe se vão amplia-los.

Meio ambiente

Qual o peso que você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Incentivar a agricultura sustentável: 2
  • Incentivar energias renováveis: 2
  • Incentivar a melhoria do transporte público: 2

Nessa área Marina é a candidata verde com posições firmes em defesa do meio ambiente. Aécio não indica que esta seja uma área prioritária para seu governo e Dilma tem um currículo anti-ambientalista, especialmente pelo seus investimentos pesados na área de petróleo.

Relações com setores da sociedade

Dê uma nota para cada candidato considerando sua capacidade de se relacionar bem com setores da sociedade.

  • Agronegócio: Aécio: 2, Dilma: 1, Marina: 0.
  • Empresários: Aécio: 2, Dilma: 1, Marina: 1.
  • Imprensa: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 1.
  • Sindicatos: Aécio: 1, Dilma: 2, Marina: 1.

Governabilidade

Dê uma nota a cada candidato considerando sua capacidade para resolver problemas de governabilidade:

  • Facilidade para formar maioria legislativa. Aécio: 2, Dilma: 2, Marina: 1.
  • Capacidade de conquistar a confiança de investidores: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 1.

Competências pessoais

Dê uma nota para cada candidato no que se refere a competências importantes ao um político.

  • Capacidade gerencial: Aécio: 2, Dima: 1, Marina: 1.
  • Habilidade política: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 2.
  • Oratória: Aécio: 1, Dilma: 0, Marina: 2.
  • Visão estratégica: Aécio: 1, Dilma: 1, Marina: 2.

Eu não dispunha de informações completas sobre a plataforma de cada candidato, até porque eles não são precisos em muitos pontos nos obrigando a prever suas intenções a partir do histórico político de cada um.

O resultado do meu cálculo pessoal me surpreendeu, mas confirma minha tendência a votar em candidatos com perfil social democrata com uma pitada conservadora. Aliás, a disputa deste ano está restrita a três variações de social democracia: uma com tempero de liberalismo econômico, outra com sutilezas de avanços sociais e uma terceira focada em moralidade e avanços ambientais. Ainda não decidi meu voto, mas o método analítico que usei para montar a planilha pode ser útil para fundamentar minha escolha. A racionalidade já me apontou um caminho, mas resta saber o peso que o lado emocional vai ter na minha decisão.

E aqui está o resultado do meu cálculo:

aecio33 pontos

marina 27 pontos

dilma 22 pontos

Crédito de imagens: Folha de S. Paulo.

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Já faz anos que algumas linhas de ônibus curitibanas não têm cobrador. São linhas de menor movimento que operam com micro ônibus. Até a semana passada o pagamento da passagem nessas linhas podia ser feito em dinheiro diretamente ao motorista, mas a justiça do trabalho deu ganho de causa ao sindicato da categoria e os motoristas não vão mais atuar como cobradores. Em vez de trazer de volta os cobradores a prefeitura decidiu que a partir de agora o acesso a esses ônibus deve ser feito apenas com cartão transporte. Todos os micro ônibus já são equipados com leitor de cartões e os curitibanos estão acostumados com o sistema, mas terão que se adaptar a essa restrição de comodidade. Quem quiser usar o transporte terá que providenciar um cartão e carrega-lo com créditos antecipadamente.

cartão transporte Curitiba

As linhas curitibanas de maior tráfego continuam a operar com cobradores, mas eu não vou estranhar se no médio prazo todas as linhas passarem a aceitar apenas cartão. Para isso acontecer será preciso que a população se adapte ao novo sistema e que se amplie a rede de venda de cartões e recarga de créditos. Além disso, seria bom oferecer mais opções ao usuário como cartões avulsos, passes livres por período determinado e máquinas de autoatendimento para compra de créditos. Se formos por este caminho estaremos apenas adotando um modelo consolidado na Europa. Lá não existem cobradores de ônibus nem catracas. Em vez disso, existem máquinas de marcar bilhetes e fiscais que abordam alguns passageiros por amostragem. Quando abordado pelo fiscal o passageiro deve mostrar seu cartão, bilhete, passe ou outra forma de provar que tem direito de estar no transporte, caso contrário vai passar por dissabores consideráveis. Algumas pessoas devem achar a ideia do transporte sem cobradores uma ousadia; sem catracas então, que loucura! A catraca tem a vantagem de dispensar o fiscal, mas talvez seja necessário vigiar as entradas para ver se espertinhos não estão pulando a catraca.

O transporte público sem cobradores ficaria mais barato mesmo considerando que o sistema de cartões informatizados também tem seu custo porque atualmente os dois sistemas operam em paralelo. Todo ônibus com cobrador aceita cartão. No mundo ideal o fim da função de cobrador seria conduzido com o devido cuidado. Uma parte dos cobradores poderia ser aproveitada na rede de vendas de cartões e créditos. Outra maneira de atenuar o impacto do desemprego da categoria seria aplicar o dinheiro economizado com a automatização do sistema na capacitação e recolocação dos funcionários dispensados. No mundo ideal, uma mudança que reduz empregos seria feita em momento de pleno emprego e não em situação de crise econômica.

Eu torço pela melhoria contínua do transporte público e isso também quer dizer baixar o preço da passagem. Apesar dos desafios das mudanças que virão, o transporte coletivo é o futuro.

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Os fotógrafos (inclusive eu) ganharam um novo marco visual curitibano para apontar suas lentes: o viaduto estaiado sobre a Avenida das Torres. Ainda sem nome oficial, o viaduto na Rua Coronel Francisco H. dos Santos está liberado para circulação de veículos e vem causando polêmica. Com 225m de extensão e um mastro de 74 metros de altura, o número que mais impressiona nessa obra é o seu custo: R$ 112 milhões (até agora). É como se cada um dos 1,9 milhão de curitibanos desembolsasse R$ 59,00 para ver a obra concluída. Tudo bem, o viaduto vai encantar os turistas que passarem por baixo dele no trajeto aeroporto-centro ao chegarem à cidade para a Copa, além dos curitibanos da gema (como eu) que poderão postar fotos do arrojado viaduto no Facebook.

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O primeiro viaduto estaiado curitibano desafoga o trânsito em um ponto bastante congestionado até então, mas ouso pensar que resolver os problemas de trânsito com viadutos e trincheiras é coisa do velho Século XX. Como diria o ex-prefeito de Curitiba e urbanista renomado Jaime Lerner, viadutos apenas ligam um congestionamento a outro. Curitiba é a capital mais motorizada do Brasil. Temos um carro para cada dois habitantes. O desafio é fazer com que esses carros fiquem na garagem e que a população circule a pé, de bicicleta ou de transporte público. O nosso transporte coletivo é uma referência nacional, mas quem o conhece no dia-a-dia sabe que está longe de ser nossa melhor opção para circular.
Agora temos um viaduto estiloso de linhas arrojadas que rende boas fotos e que pode se tornar o mais novo marco visual curitibano. Marcos visuais são bons para o turismo e, pensando bem, boa parte dos marcos visuais pelo mundo afora têm características em comum com o viaduto estaiado: custo astronômico, utilidade duvidosa e manutenção cara. Duvidam? Pensem na Torre Eifel, Estátua da Liberdade, Taj Mahal e nas pirâmides do Egito. No caso do viaduto estaiado ainda temos um agravante: o entorno da obra é de uma aridez provinciana que só gera ruído nas fotos. Gosto de marcos visuais que cumprem uma função social como a Ópera de Sidney ou o Museu Guggenheim de Bilbao e aqui mesmo em Curitiba temos um bom exemplo no Jardim Botânico de Curitiba.
Em vez do viaduto estaiado deveriam ter construído uma obra convencional bem mais barata? Deveriam ter gasto essa dinheirama para expandir a malha de ciclovias para a cidade inteira? O custo da obra poderia ser mais baixo com uma gestão austera do dinheiro público? Como se não bastassem as polêmicas que cruzam o viaduto sem parar, ainda temos um projeto na câmara de vereadores que prevê a concessão do futuro nome da obra à inciativa privada. Fiquem tranquilos ó conservadores curitibanos recatados: não poderão disputar o nome empresas do ramo de fumo e bebidas alcoólicas.

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Recentemente, tirei um tempo para colocar em ordem a minha vida doméstica. Fiz passaporte novo, carteira de identidade nova, permissão internacional para dirigir, atualizei CPF, despachei a caliça e as podas de árvore do nosso terreno e enviei o lixo tóxico doméstico para a reciclagem. Essas tarefas envolveram serviços públicos federais, estaduais e municipais. Contrariando o senso comum, todos foram prestados com eficiência. Para a emissão dos documentos, contei com agendamentos pela Internet e fui atendido no horário com presteza e cortesia. Para os serviços da prefeitura bastou solicitar por telefone a coleta seletiva ou levar o material até um dos locais especificados no site da Prefeitura de Curitiba.

bom atendimento

No mesmo período, tive dissabores com os serviços prestados por empresas privadas:  fui mal atendido no cartório de registro de imóveis, tive dificuldade para receber um pagamento internacional no meu banco, sofri para alterar nosso plano de telefonia e não consegui comprar passagens aéreas pela Internet por causa de erros no sistema.

Será que o mundo está virando de cabeça para baixo? Sou de uma geração que se formou repetindo o mantra: serviço público ruim, serviço privado bom. Talvez o axioma da ineficiência dos serviços públicos ainda faça algum sentido, mas as coisas estão mudando no mundo real. As empresas privadas, em especial aquelas que prestam serviços massificados, estão com índices de qualidade lamentáveis. Basta ver o número de reclamações nos órgãos de defesa do consumidor contra bancos, operadoras de telefonia, planos de saúde, etc. Não estamos falando da capacidade dessas empresas fazerem dinheiro e cortarem custos, mas da sua competência para prestar bons serviços. Por outro lado, na área governamental parece que estão ocorrendo avanços de qualidade. Tá certo que diariamente a imprensa noticia descalabros de mau atendimento ao cidadão, porém é preciso saber separar o joio do trigo. Existem ilhas de excelência no serviço público, da mesma forma que encontramos incompetência galopante na iniciativa privada.

Imagino que a melhoria da qualidade nos serviços públicos tenha a ver com uma mudança de filosofia na administração pública.  A substituição do estado burocrático pelo estado gerencial começa a se tornar visível. Em vez de apego a processos, a orientação por resultados. Concursos públicos concorridos ajudam a melhorar a qualidade dos serviços. Os mecanismos de fiscalização que a sociedade dispõe, a vigilância da imprensa, uma legislação que defende o cidadão, tudo isso impacta na qualidade dos serviços prestados pelo estado. Não vou creditar os avanços a este ou aquele governo, pois mudanças dessa envergadura acontecem ao longo de várias administrações. Da mesma forma, não acredito que a eficiência seja uma questão ideológica. Chegará o dia em que o serviço público brasileiro terá fama de maior eficiência do que a iniciativa privada? Melhor se os setores entrassem em uma disputa cerrada pelo troféu de eficiência máxima. Ganharíamos todos.

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Pode ser preconceito meu, mas quando vejo um livro com a expressão biografia autorizada meu cérebro lê biografia chapa-branca. Sim, existem biografias autorizadas boas, porém as não autorizadas têm uma palavrinha a mais que no meu imaginário faz muita diferença em termos de credibilidade, pois passa a ideia de independência. No Brasil, infelizmente, toda biografia em livro precisa ser autorizada. Quem publica a biografia sem a autorização do biografado ou de seus herdeiros corre o risco de ter a obra recolhida por ordem judicial, independente de ser boa, ruim, reveladora ou caluniosa. Foi o caso do livro Roberto Carlos em detalhes do jornalista Paulo Cesar de Araújo que é fã do Rei e consumiu anos de trabalho para escrever a obra. Casos como esse contrastam com a realidade de outros países onde as biografias não dependem de consentimento do biografado.

biografia não autorizada

Circula pelo congresso brasileiro projeto de lei do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) que muda nossa legislação para permitir as biografias não autorizadas. O projeto têm defensores e inimigos organizados.  Um grupo de artistas da música (Procure Saber) está à frente do lobby contra a aprovação da lei. Fiquei intrigado com o fato de músicos combaterem as biografias não autorizadas, já que elas seriam mais devastadoras para políticos corruptos, por exemplo. Deve ter muita raposa da política rindo à toa ao ver celebridades da música defendendo uma lei favorável aos interesses de biografáveis ficha suja.

Nessa polêmica está em jogo o interesse dos biógrafos e dos biografados, mas vamos lembrar do interesse maior da sociedade. Biografias de personalidades são peças de valor jornalístico e histórico e deveriam ser contadas com rigor e independência. Um artista pode temer que detalhes de sua vida pessoal sejam expostos gratuitamente, mas a mesma lei que os protege do sensacionalismo impede o trabalho de pessoas interessadas em revelar fatos históricos obscuros que precisam vir à tona. A lei que protege o Caetano Veloso da bisbilhotagem em sua vida pessoal impede biógrafos de escreverem sobre o Delegado Fleury de nefasta memória pela suas atividades durante a ditadura militar.
As pessoas que defendem as biografias autorizadas (chapa-branca) invocam o direito à privacidade que, infelizmente, colide com o direito à liberdade de expressão. Qual deve prevalecer? Há como conciliar os dois? Parece-me que a biografia obrigatoriamente autorizada é sempre uma afronta à liberdade de expressão e que apenas uma parte das biografias invade gratuitamente a privacidade do biografado. De qualquer forma, não é fácil dizer quando o privado é relevante ao entendimento do fato público. Informações como orientação sexual, uso de drogas, tiques, deficiências, religião e conflitos domésticos pertencem à esfera pessoal, mas podem ser importantes à compreensão da dimensão pública do biografado.
Para complicar mais a situação certos biografados tratam sua história como um produto que lhes pertence e querem participação nas receitas que suas biografias possam render.  O bom senso mostra que poucas biografias são rentáveis; a maioria delas é inviável financeiramente, pois vendem pouco e consomem muitos recursos dos biógrafos em termos de tempo, pesquisa, viagens, entrevistas, etc. No caso das poucas biografias rentáveis, é entendimento em outros países que o direito autoral cabe ao biógrafo e não ao biografado. Remunerar o biografado é para lá de polêmico. Imagine se um escritor resolver contar a história de algum criminoso notório e ficar obrigado por lei a fazer depósito na conta do sinistro biografado.
No meio dessa disputa mesquinha em torno de vaidades e interesses comerciais se eleva o exemplo do jornalista Mario Magalhães que escreveu Marighella o guerrilheiro que incendiou o mundo, biografia premiada do controverso militante de esquerda brasileiro. Magalhães consumiu dez anos e muitos recursos próprios na criação do livro, não pediu autorização aos herdeiros de Marighella e publicou o livro sem expectativa de retorno financeiro. A família de Marighella, num ato de grandeza, deixou a obra livre para circular e trazer luz sobre importantes fatos da nossa História.  Enquanto isso, a biografia de Roberto Carlos corre solta em forma digital pela Internet, atormentando o sono do Rei, mas sem render um centavo ao seu biógrafo. Em um mundo ideal ficaria por conta dos leitores o julgamento final das personalidades e dos biógrafos.

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Quatro seriam o suficiente: um partido de extrema esquerda, outro de extrema direita e dois de extremo centro para se alternarem no poder. Brincadeiras à parte, será que precisamos de 33 partidos? Com certeza vários desses partidos poderiam evaporar subitamente que ninguém perceberia; são partidos sem plataforma que não representam nenhum segmento social. Existem porque a legislação permite e estão aí para alguém levar vantagem. Mas existe jeito de garantir que apenas partidos orgânicos possam se formar? Provavelmente, não. Em um mundo perfeito, porém, só existiria um partido para cada necessidade, tais como:

partidos

Extremo centro. Em democracias maduras normalmente existem dois partidos de centro que se alternam no poder, um de perfil levemente conservador e outro ligeiramente liberal. No Brasil, o PT e o PSDB estão nessa categoria embora eu não saiba dizer qual deles é o reacionário e qual o progressista.

Extrema esquerda. No Brasil existem vários partidos nanicos que se dizem de esquerda. Três deles (PPS, PCdoB e PCB) reivindicam a herança do ancestral Partido Comunista fundado em 1922. Além desses três temos o PSTU, PCO e PSOL que também levantam a bandeira socialista e que tem um perfil mais aguerrido do que os acomodados herdeiros do Partidão. De qualquer maneira é muito partido de esquerda para uma mesma causa. Até aí normal, porque a esquerda sempre teve uma tendência à fragmentação e eles só se unem quando é para reclamar do imperialismo americano.

Extrema direita.  Aqui no Brasil ninguém quer o rótulo de partido de direita. É preciso olhar por trás do discurso para encontrar os partidos com perfil direitista. E o que é um direitista? É um esquerdista que defende a iniciativa privada. O DEM, não sei porque, sempre é citado quando fala-se de partidos de direita.

Ambiental. Temos um partido verde no nome (PV) que luta pela causa ambientalista. Além dele, temos o PEN (Partido Ecológico Nacional) e a Rede Sustentabilidade (que ainda não conseguiu registro no TSE) ambos com proposta ligadas à questão ambiental.

Religiosos. Alguns partidos brasileiros defendem causas supostamente ligadas à religião. O PSC é cristão no nome e o PRB tem fortes ligações com a Igreja Universal.

Fora esses “campos ideológicos” principais que outro segmento social brasileiro precisaria estar representado por partido? Os anarquistas não precisam de partido para viver, bem lembrado. Em resumo, fica a sugestão para uma reforma partidária composta por apenas 6 partidos que seriam:

  • PA Partido Ambiental
  • PC Partido Cristão
  • PD Partido de Direita
  • PE Partido de Esquerda
  • PLC Partido Liberal de Centro
  • PTC Partido Tradicional de Centro

A mesma reforma proibiria o PALU (Partido de Aluguel), PnDnEnC (Partido nem de direita nem de esquerda nem de Centro) e o PFU (Partido do Fulano).

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Quando os protestos de junho tomaram as ruas pedindo a redução no preço das passagens de ônibus muita gente se perguntou como seria possível baixar a tarifa? Prefeitos alertaram que havia risco de faltar dinheiro para áreas como saúde e educação caso tivessem que financiar o transporte público. Apressados concluíram que o transporte é subsidiado na maioria das cidades e não haveria matemática capaz de baixar o preço das passagens. Pois é, mas o preço baixou e o mundo não acabou. Poderia baixar mais?

Faixa exclusiva de ônibus
Depois dos protestos, a prefeitura de São Paulo levou adiante uma iniciativa importante que é aumentar a quantidade de faixas exclusivas para ônibus na cidade. Com essa política que não requer investimento a velocidade média dos ônibus paulistas passou de 13 para 21 km/h nos horários de pico. A população que anda de ônibus está economizando tempo para se deslocar e agora poderá consumi-lo com atividades mais interessantes. Mais de 90% dos paulistanos aprovaram a medida mesmo contando com o efeito colateral de complicar a vida de quem usa automóvel. Além dessas vantagens, a criação de faixas exclusivas para ônibus em São Paulo gerou um resultado que talvez poucos perceberam. Agora com a mesma frota e com a mesma mão de obra seria possível ampliar em 50% as viagens na capital paulista. É uma redução brutal de custos que obviamente não será repassada à população na forma de passagem mais barata. Tudo bem, vamos supor que com essa iniciativa a prefeitura acumula gordura para segurar o preço da passagem por um bom tempo. Se eu fosse político não seria louco de subir o preço das passagens neste ano e muito menos em 2014, ano de Copa e de eleições.
O exemplo de São Paulo é inspirador e espero que seja seguido por outras cidades. Aqui em Curitiba temos ruas exclusivas para ônibus há quase quarenta anos, além de outras iniciativas de sucesso que desafogam o transporte público com baixo investimento. Terminais de ônibus, estações tubo, ônibus biarticulados, linhas diretas, sistema integrado, são outras ideias que podem ser postas em prática pelo Brasil afora para melhorar o transporte reduzindo custos.
Apesar de Curitiba ser referência nacional em transporte público, não quer dizer que andar de ônibus aqui é uma experiência agradável. Nosso sistema está saturado mesmo com todas as otimizações boladas pelos urbanistas. Baixar o preço da passagem por aqui é um mais complicado, pois muitas boas sacadas já foram postas em prática e o sistema está maduro. No início desse ano a passagem subiu de R$ 2,60 para R$ 2,85 lembrando que o sistema é integrado e com uma passagem é possível cruzar a cidade. A prefeitura diz que o custo real da passagem seria R$3,05 e que financia parte desse custo em parceria com o governo estadual. Por conta dos protestos de junho, o prefeito baixou a passagem para R$ 2,70 e o mundo não acabou. Quem faz por menos? O Tribunal de Contas Estadual que analisou as contas do sistema e sugere que o preço da passagem poderia recuar até R$ 2,25.
A primeira coisa a fazer, portanto, antes de cogitar aumento em transporte público é botar ordem na casa. Em um sistema mal gerido e sem nenhuma otimização é possível melhorar o transporte e baixar seu custo com iniciativas simples como as faixas exclusivas. Uma boa equipe de urbanistas pode melhorar radicalmente o transporte público com investimento modesto desde que haja vontade politica. Feitas as otimizações necessárias aí chega a hora de abrir a caixa preta dos contratos com as concessionárias. A população tem direito de saber quais são os custos reais do transporte e cobrar contratos mais favoráveis ao passageiro. Na sequência, vem a redução de impostos. Transporte público é serviço de primeira necessidade, se tem IPI zero para o carro novo é justo que o transporte público também receba isenção de impostos. Por último, temos as iniciativas que atacam o problema em outras frentes. Por exemplo: por que as pessoas têm que percorrer longas distâncias diariamente para cumprir o trajeto casa-trabalho-casa? Não seria mais razoável que morassem próximo do local de trabalho? Para isso acontecer é preciso políticas públicas que gerem emprego próximo de onde o trabalhador mora e habitação a preço honesto próximo de onde o trabalho está.
Sim é possível melhorar muito o transporte público com redução de tarifa. Quem dá menos?

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