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Posts Tagged ‘aquecimento global’


O meteorologista Anthony Watts coloca em dúvida a precisão das estimativas do aquecimento global. Segundo ele, as medições estão superestimadas e aponta motivos como o fato de que três quartos das estações de medição climática que coletavam dados de temperatura no passado já foram desativados o que dificulta a comparação com temperaturas atuais. Para complicar, boa parte das estações de hoje estão localizadas em áreas com micro clima muito alterado pelo homem. O pesquisador cita o exemplo de uma estação localizada dentro de um estacionamento de concreto na cidade de Tucson, Arizona. No passado havia mais estações localizadas em áreas rurais, em altitudes elevadas e em altas latitudes, o que contrasta com as estações climáticas urbanas de hoje. O meio urbano sabidamente pode criar bolsões de calor por conta do excesso de asfalto e concreto e pela carência de áreas verdes.

Independente de Watts estar certo podemos tirar algumas tristes conclusões de seu relatório Surface Temperature Records: Policy Driven Deception? A primeira é que o aquecimento global pode estar super dimensionado, mas existe. A segunda é que pesquisadores competentes estão consumindo energias tentando desacreditar uns aos outros quando podiam estar unidos em favor do meio ambiente.

A terceira conclusão é sobre aquecimento local. Mesmo que não houvesse aquecimento global, que ele fosse apenas uma ilusão de ótica causada por variações de micro clima as pessoas conscientes continuariam preocupadas porque o aquecimento local também é um problema ambiental sério que implica em perda de qualidade de vida e indica degradação ambiental. Quando converso com os mais velhos sobre o clima de minha cidade, eles sempre dizem que no passado Curitiba era mais fria e havia mais geadas. Acredito que eles estão certos e que não se trata de opinião induzida pela mídia, mas nessas horas eu sempre digo que há cinquenta anos Curitiba tinha menos asfalto, menos concreto e muito mais áreas verdes.

O aquecimento local é uma desgraça ambiental tanto quanto o aquecimento global, pois o planeta hoje está repleto de imensas manchas urbanas onde o clima local sofreu transformações drásticas. O aquecimento local é causado pela ocupação desordenada do solo, pelo desmatamento e por outras ações humanas. A maioria das pessoas vive no meio urbano. Se elas percebem que o clima está ficando mais quente onde vivem, pouco importa se o aquecimento é global ou local. O que importa é que temos que reduzir todas as formas de aquecimento causadas pela ação humana.

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Não estou afirmando que 2010 inaugura a década da sustentabilidade. Este é na verdade o meu desejo de ano novo, mas não é um sonho desvairado. Há razões para crer que esta década trará as maiores conquistas ambientais da História.

2009 não terminou bem para a causa ambiental. A conferência sobre mudanças climáticas de Copenhague, COP-15, ficou sem resultados significativos, apesar da grande mobilização da opinião pública em torno do encontro. 2010 promete ser melhor, pelo menos aqui no Brasil. A lei brasileira de mudanças climáticas foi sancionada em 29/12/2009 e oficializa a meta brasileira anunciada na COP15. O objetivo dela é promover uma redução de no mínimo 36,1% na emissão brasileira de gases do efeito estufa até 2020. Não é a lei dos sonhos dos ambientalistas, pois não penaliza quem a descumprir e é vaga sobre as medidas que serão adotadas para o atingimento da meta. Paciência, assim caminha a humanidade. De qualquer forma, é uma meta ambiciosa para um intervalo de tempo tão curto. O pulo do gato da lei está no combate ao desmatamento. O maior volume de emissões de CO2 no Brasil está ligado à queima de matas nativas. Combatendo o desmatamento, baixamos drasticamente nossas emissões. Simples, não é mesmo? A meta do Ministério do Meio Ambiente é reduzir o desmatamento em 80% até 2020, mas para isso teremos que resolver alguns probleminhas econômicos. O principal deles é reduzir a pressão pela expansão da fronteira agrícola. Como fazer isso? Com tecnologia e camisinhas. A melhor tecnologia agrícola permitiria criar muito mais gado por hectare de pasto do que conseguimos hoje. A produtividade média de nossas pastagens é uma vergonha se considerarmos as melhores práticas disponíveis na pecuária moderna.

Outro fato de valor simbólico para a causa ambiental é a presença de uma candidata ambientalista à presidência do Brasil bem colocada nas pesquisas. Ah, sim, as camisinhas ajudarão no controle da natalidade, outro fator de pressão sobre nossa agricultura.

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Na semana passada terminou a maior reunião de condomínio do mundo. Os 193 condôminos presentes na COP-15 (Conferência da ONU para Mudanças Climáticas) reuniram-se em Copenhague e como geralmente acontece em reuniões de condomínio predominaram interesses mesquinhos, política rasa e nenhum acordo.

O condomínio Terra continua à espera de reformas urgentes para continuar habitável. Por que não houve consenso se o condomínio dá sinais de colapso? Para começar, as regras da conferência inviabilizam qualquer possibilidade de acordo ao estabelecer que todos os 193 participantes têm que assinar o acordo para ele ser efetivado. De um lado temos grandes poluidores que não querem nenhum tipo de ameaça às suas economias; de outro pequenas ilhas do Pacífico que correm o risco de sumir com a elevação do nível dos oceanos. Entre os condôminos temos também grandes produtores de petróleo que serão reduzidos à insignificância se o mundo parar de queimar ouro negro; além de miseráveis que não tem mínima condição de participar de um esforço global pelo meio ambiente.

Independente do fracasso da Conferência de Copenhague o combate ao aquecimento global de nosso condomínio permanece urgente e teremos que retomar a batalha em reuniões futuras, mesmo que muitas sejam necessárias e não adianta ter ilusão que essa guerra será ganha com poucos disparos. O saldo positivo da Conferência foi a grande mobilização da opinião pública. Embora os resultados tenham ficado muito abaixo das expectativas que as pessoas alimentaram em relação ao encontro o assunto tem que voltar à mesa de negociação porque os termômetros estão subindo.

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usina de álcool

Quando queimamos álcool no motor do carro produzimos CO2 que vai para a atmosfera. Olhando apenas para essa etapa do processo concluiríamos que o álcool aumenta o efeito estufa. Abrindo a lente da nossa análise, porém, vamos ver que o carbono presente no álcool está apenas retornando à atmosfera. Ele foi retirado do ar durante o crescimento da cana que, por fotossíntese, converte CO2 atmosférico em matéria orgânica usada para produzir álcool. Olhando dessa forma, concluiríamos que o ciclo do álcool é fechado e que esse combustível não causa nenhum aumento de efeito estufa, só estamos devolvendo para a atmosfera CO2 que já estava lá alguns meses antes.

Agora, vamos ampliar ainda mais o alcance da nossa investigação, Para produzir o álcool é preciso acionar uma indústria complexa que consome fertilizantes, utiliza máquinas agrícolas, exige transporte de materiais, usa energia intensivamente na usina, etc. Em todas as etapas desse processo, temos débito de carbono, seja na fabricação do fertilizante ou no motor a diesel do caminhão que leva a cana até a usina. Considerando o processo como um todo concluímos que sim, o álcool gera débito de carbono. Seria preciso estudos mais aprofundados para medir em quanto fica esse débito. Alguns especialistas afirmam que para cada tonelada de carbono lançada ao ar por carros a álcool, temos outros 200 kg de carbono emitidos em definitivo pela agroindústria desse produto. A situação se complica bastante se o plantio de cana de alguma forma provocar  o desmatamento de florestas nativas.

O que um ecologista deve fazer então? Lançar-se ao abismo dirigindo seu carro a álcool? Calma. O álcool continua dando de goleada em combustíveis fósseis como gasolina, diesel e gás natural. Esses produtos são lançados integralmente e em definitivo na atmosfera e não são renováveis, além de gerarem débito de carbono alto em sua cadeia produtiva. Com a evolução da tecnologia e da consciência ambiental, o débito de carbono do álcool vai cair. Por isso, em vez de se jogar nas cavas de Varanasi, deixe seu carro a álcool na garagem e utilize-o somente quando for realmente necessário. Sempre que puder, vá de transporte coletivo, de bicicleta, a pé, ou nem vá, resolva pela Internet.

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Tata Nano

Nenhum carro é bom para o meio ambiente. Pronto, agora que já dissemos a verdade superior vamos falar sobre os carros populares como alternativa de baixo impacto ambiental. Ultimamente, o carro popular que está na crista da onda é o Tata Nano que será lançado em breve pela montadora indiana Tata Motors com preços a partir de 2.200 dólares. Do ponto de vista ecológico, porém, o número mais importante desse carro é o seu consumo de gasolina: 20km/litro. Sem dúvida, é um consumo melhor que o da maioria dos carros de outras montadoras. A economia do Tata Nano é suficiente para caracterizá-lo como um carro ecológico? Infelizmente, há mais questões a levar em conta quando o assunto é o impacto ambiental dos carros populares.

Mesmo com toda a evolução tecnológica parece existir uma lei básica sobre motores que todo motorista conhece: motor mais potente consume mais combustível. Além disso, motores potentes são mais caros, logo eles não são usados em carros populares. Seguindo essa lógica, carros populares sempre vão consumir menos combustível do que carros top de linha. Não se trata de uma lei da física, mas de uma constatação prática. Nem precisa dizer que essa baixa potência deixa o carro popular bastante ‘impopular’ entre os consumidores, que gostariam de fazer de 0 a 100km/h em 3 segundos, mas o numerário não permite.

Barato e econômico. Restringindo a análise a esses dois itens, um carro popular é melhor para o meio ambiente, sem dúvida. O problema, porém, é macroeconômico. Toda vez que uma montadora coloca no mercado um carro mais barato do que os da concorrência cria-se condições para que uma parcela maior da população compre carro. Ninguém contesta o direito das pessoas com menor renda terem um nível de conforto similar ao das mais afortunadas. A lógica ambiental, todavia, é implacável: Mais carros na rua significa mais emissões de carbono que nos leva a mais aquecimento global. Os carros populares não substituem as banheiras de alto consumo que circulam por aí, pois elas são compradas por outra classe social. O carro popular simplesmente aumenta a frota, sem tirar de circulação as caminhonetes de cabine dupla. Cedo ou tarde teremos que superar essa questão do carro popular x carro de luxo em favor da ideia do carro de baixo impacto ambiental. Esse novo carro terá o baixo consumo de um carro popular e avanços tecnológicos de um carro de luxo. Sobrre o preço não posso afirmar nada. Espero que seja bem baratinho.

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Batmovel

O estado americano da Califórnia tem fama de estar na vanguarda da legislação ambiental. Parabéns ao exterminador de emissões e governador Arnold Schwarzenegger. Recentemente, porém, os legisladores californianos lançaram uma proposta no mínimo polêmica. A assembléia da Califórnia pode aprovar uma lei que impõe limite mínimo para a refletividade da pintura dos carros. Explicando: os carros vão ter que refletir a luz solar com eficiência para evitar que fiquem muito aquecidos quando expostos ao sol. Dessa forma, o veículo economiza no ar condicionado, consome menos combustível e lança menos carbono na atmosfera. Essa lei pode inviabilizar a fabricação de carros pretos que absorvem mais os raios solares do que as cores claras.

Leis que reduzem a poluição são sempre bem-vindas, mas é preciso tomar cuidado para não colocar o foco na ferradura, quando o problema é com o cavalo. Se as celebridades californianas saírem todas pela Sunset Boulevard de carro branco, vamos ter um ínfimo ganho ambiental, já que o problema está no carrão potente com seu ar condicionado ultra refrescante e não na cor preta da lataria. Uma lei como essa pode gerar o efeito oposto ao desejado. O cidadão que pintar o seu carro de branco pode ficar relaxado achando que zerou o seu problema ambiental. Aprovada a lei, os donos de automóvel terão que se adequar a ela, haverá muita discussão e gasto de energia à toa, já que no final o ganho será pífio. O que os californianos conscientes sabem é que para reduzir a emissão de carbono a melhor solução é deixar o carro na garagem e sair por aí pedalando uma magrela, pegando o metrô ou resolvendo a parada pela Internet. O problema é que os americanos criaram a civilização do automóvel. Para eles, o carro é praticamente uma extensão de seus corpos. Hollywood poderia ajudar a mudar essa cultura. Que tal se no próximo filme do Batman, o batmóvel fosse branco?

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“Não devastem a Amazônia, vocês têm o cerrado para destruir”. Esse é o recado do governo aos pecuaristas que estão queimando a Amazônia. Diante da pressão internacional, nosso governo tenta proteger o bioma amazônico às custas do sacrifício do cerrado. A partir dessa solução sinistra, cria-se uma discussão surreal: afinal, essa fazenda pertence ao bioma amazônico ou ao cerrado? O fazendeiro diz: “Eu acho que é do cerrado e por isso posso tocar fogo nela”. O funcionário do governo contesta: “sua fazenda está dentro da área legal da Amazônia e pouco importa o tipo de árvore que tem lá.”

Nossa consciência ecológica ainda é tão raquítica que classificamos os biomas em duas categorias: os dignos de preocupação e os inúteis. No mesmo noticiário em que eu ouvi essa discussão lamentável sobre onde começa a Amazônia e onde termina o cerrado, um biólogo falou ao repórter sobre sua preocupação com a extinção de várias espécies de insetos e de outros bichos poucos comentados como as minhocas. Pobre biólogo preocupado com animaizinhos inúteis e asquerosos. Não sabe você que só merece atenção nesse mundo aquilo que for do agrado ou do interesse de uma espécie específica: o macaco de poucos pêlos e duvidosa inteligência.

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