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Mudança de endereço

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Após alguns anos na liderança o veterano Fiat Uno Mille foi desbancado pelo Renault Clio, outro velho conhecido produzido no Brasil. A tabela do Inmetro este ano veio com boas novidades. Aumentou bastante o número de veículos etiquetados; de 103 modelos em 2012 para 352 em 2013. Houve uma melhora do desempenho dos veículos; só para exemplificar: o carro mais econômico de 2013 faz 10,1 km/l de etanol contra 9,8 km/ do carro mais econômico de 2012. Outra novidade bacana é que o Inmetro criou uma classificação geral onde os carros não estão divididos em categorias. Dessa forma, é possível comparar carros de portes diferentes. A lista nos mostra que tamanho não é documento. Há carros grandes ganhando de carrinhos pequenos em economia de combustível. Isso prova que a tecnologia pode ter mais influência na economia do carro que a cilindrada do motor. Vamos aos melhores resultados:

Novo Clio Expression 2013

Consumo combinado com Etanol (álcool)

  1. Renault Clio Authentique/Expression 1.0
    10,10 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  2. Fiat Uno Mille Fire Economy1.0
    9,80 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  3. Nissan March 1.0
    9,65 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  4. Fiat Novo Uno Economy Evo 1.4
    9,55 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  5. Renault Clio Authentique/Expression 1.0 com Ar condicionado
    9,35 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  6. Fiat Mille Way Economy 1.0
    9,15 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: B
    Classificação geral: A
  7. VW Gol Ecomotion 1.0
    9,10 km/l
    Classificação na categoria: B
    Classificação geral: A
  8. Nissan March 1.0 com ar condicionado
    9,05 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: B
    Classificação geral: A
    VW Novo Gol 1.0 Bluemotion technology
    9,05 km/l
    Compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: B
    VW Novo Voyage 1.0 Bluemotion technology
    9,05 km/l
    Médio
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: B
  9. Kia Picanto 1.0
    9,00 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: C
    Classificação geral: B
    Ford Fiesta Hatch 1.6
    9,00 km/l
    Compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: B
  10. VW Polo Bluemotion
    8,95 km/l
    Compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: B

Consumo combinado com gasolina

  1. Ford Fusion Hybrid 2.0
    16,85 km/l
    Grande
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  2. Renault Clio Authentique/Expression 1.0
    15,05 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  3. Toyota Prius 1.8
    15,00 km/l
    Médio
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  4. Fiat Uno Mille Fire Economy1.0
    14,15 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  5. Fiat Novo Uno Economy Evo 1.4
    13,85 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  6. Nissan March 1.0
    13,80 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
    Smart Fortwo 1.0
    13,80 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  7. Renault Clio Authentique/Expression 1.0 com Ar condicionado
    13,70 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
    Smart Fortwo 1.0 turbo
    13,70 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  8. Nissan March 1.0 com ar condicionado
    13,40 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: B
    Classificação geral: A
    Fiat Novo Vivace Evo 1.4
    13,40 km/l
    Sub-compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: A
  9. VW Novo Gol 1.0 Bluemotion technology
    13,35 km/l
    Compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: B
    VW Novo Voyage 1.0 Bluemotion technology
    13,35 km/l
    Médio
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: B
    Renault Sandero Authentique 1.0
    13,35 km/l
    Compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: B
    Renault Logan 1.0
    13,35 km/l
    Médio
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: B
  10. Peugeot 207 HB Blue Lion 1.4
    13,30 km/l
    Compacto
    Classificação na categoria: A
    Classificação geral: B

O consumo combinado que usamos aqui é a média entre o consumo urbano e o rodoviário. Como a maioria dos carros circula em ambiente misto, ora no trânsito urbano, ora em vias expressas, acreditamos que o consumo combinado dá uma melhor ideia da economia do carro.

Reparem nas curiosidades que a lista nos revela:

  • Carros veteranos podem ser mais econômicos do que modelos novos com proposta ecológica.
  • Carros grandes podem vencer modelos pequenos graças a uma tecnologia mais avançada.
  • A classificação na categoria precisa ser avaliada em conjunto com a classificação geral que coloca todos os modelos na mesma tabela.

Veja a planilha completa no site do CONPET.

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Ter carro próprio não é bom negócio. Quem já fez as contas na ponta do lápis sabe que a comodidade de manter um carro na garagem custa bem mais do que o valor do carro. Vamos fazer umas contas de padeiro para comprovar.

  • Carro 0 km padrão médio: R$ 40.000,00
  • Desvalorização anual de 10%: R$ 4.000,00
  • Seguro anual: R$ 2.000,00
  • Garagem custo anual: R$ 1.200,00 (alugada ou própria, garagem custa dinheiro).
  • Estacionamento: R$ 1.200,00 ao ano (Pode ficar mais caro para quem cair nas mãos da máfia dos flanelinhas).
  • IPVA e licenciamento: R$ 1.000,00 por ano
  • Manutenção: R$ 1.000,00 ao ano
  • Lavagem semanal: R$ 1.000,00 por ano
  • Ganho financeiro perdido caso os valores acima fossem investidos: R$ 5.000,00

Sem considerar o gasto com combustível um carro médio custa cerca de R$ 16.400,00 por ano além do investimento inicial. Se o carro for comprado com financiamento, a conta fica ainda mais salgada. Trocando em miúdos: ao longo de cinco anos, manter um carro médio equivale a comprar outros dois carros 0 km.

Apesar de os números mostrarem que ter um carro equivale a manter uma segunda família, poucos desistem desse sonho de consumo. A comodidade do transporte de porta a porta continua sendo muito valorizada e poucos são os desprendidos que optam por viver sem carro desde que tenham meios de possuir um. Para quem gosta de quebrar paradigmas, porém, existem alternativas ao carro próprio, igualmente cômodas, mais baratas e mais ecológicas. Um exemplo é o aluguel de carro elétrico que está sendo implantado em Paris.

A prefeitura de Paris criou o Autolib, um programa de locação desburocratizada de carros elétricos. Quem participa do programa pode encontrar os carrinhos em vários bairros da cidade. É chegar, entrar, dirigir e devolver em qualquer outro ponto de permuta do sistema. Sistemas similares existem em outras cidades e é adotado também para aluguel de bicicletas. A novidade parisiense é que os carros são elétricos e podem ser reabastecidos nas tomadas dos pontos de permuta. A ideia substitui o táxi, o aluguel tradicional e até o carro próprio de quem não depende muito dele para se deslocar.

A proposta do carro elétrico alugado é ecológica em dois sentidos. Primeiramente por empregar motores elétricos que são menos agressivos ao meio ambiente do que os movidos a combustível fóssil. Segundo porque se baseiam no compartilhamento de bens de alto custo de produção. Os carros elétricos do modelo parisiense são usados mais intensivamente., ficam menos tempo estacionados. Com isso, o uso de cada carro é otimizado e são produzidas menos unidades. O ganho ambiental é evidente, pois a produção dessas máquinas tem um impacto ambiental alto.

É claro que alugar um carro elétrico ainda é uma alternativa menos ecológica do que pedalar uma bicicleta, mas convenhamos, a bicicleta não atende a todas as necessidades cotidianas. Com ideias alternativas como a do carro elétrico alugado parisiense é que se cria uma nova consciência ecológica. Além de serem mais econômicos e mais ecológicos esses carrinhos rompem com o apego fetichista ao carro próprio. Economize, ecologize, desapegue.

Crédito de imagem: Folha.com

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O Inmetro divulgou a tabela 2011 de consumo de veículos leves e pelo terceiro ano o carro mais econômico do Brasil é o Fiat Uno Mille. O velho Mille continua na frente de modelos mais novos e de proposta ecológica como o Gol Ecomotion e o Polo Bluemotion.  A Honda que aparecia na lista em 2010 não participou do programa em 2011. A Ford, ao contrário, não participou em 2010, mas aderiu ao programa este ano. Os números melhoraram em relação a 2010, sinal que as montadoras estão se empenhando mais na produção de carros econômicos.

Carros mais econômicos com etanol (álcool)

  1. Fiat Uno Mille Fire Economy
    2 e 4 portas
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: A
    9,8 km/l
  2. VW Gol Ecomotion
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: A
    9,1 km/l
  3. Fiat Siena Fire
    Categoria: compacto
    Classificação: A
    9,0 km/l
    VW Bluemotion
    Categoria: compacto
    Classificação: B
    9,0 km/l
    Fiat Uno Mille Way Economy
    2 e 4 portas
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: C
    9,0 km/l
  4. Renault Clio Campus
    3 e 5 portas
    Classificação: sub-compacto
    Categoria: C
    8,9 km/l
    Fiat Novo Uno Vivace Evo
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: B
    8,9 km/l
  5. Fiat Palio Fire Economy
    2 e 4 portas
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: C
    8,8 km/l
  6. Ford Ka
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: C
    8,7 km/l
  7. VW Gol 1.0 L
    Categoria: Compacto
    Classificação: B
    8,5, km/l
    VW Voyage 1.0 L
    Categoria: Médio
    Classificação: B
    8,5, km/l

Carros mais econômicos com gasolina

  1. Fiat Uno Mille Fire Economy
    2 e 4 portas
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: A
    14,2 km/l
  2. Kia Picanto EX3 LX3
    Câmbio manual
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: B
    13,6 km/l
  3. Fiat Palio Fire Economy
    2 e 4 portas
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: C
    13,5 km/l
  4. Fiat Novo Uno Vivace Evo
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: B
    13,4 km/l
    Kia Picanto EX3 LX3
    Câmbio automático
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: B
    13,4 km/l
  5. VW Gol Ecomotion
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: A
    13,1 km/l
    Fiat Siena Fire
    Categoria: compacto
    Classificação: A
    13,1 km/l
  6. Renault Clio Campus
    3 e 5 portas
    Classificação: sub-compacto
    Categoria: C
    13,0 km/l
  7. VW Bluemotion
    Categoria: compacto
    Classificação: B
    12,9 km/l
    Fiat Uno Mille Way Economy
    2 e 4 portas
    Categoria: sub-compacto
    Classificação: C
    12,9 km/l

O programa de etiquetagem veicular do governo federal ainda está devendo alguns avanços aos consumidores. A etiquetagem bem que podia se tornar obrigatória para todos os modelos em circulação. Além disso, seria melhor adotar uma categoria única para carros de passeio sem considerar o porte do carro, afinal, o perfil de uso de um sub-compacto e de um carro grande é basicamente o mesmo. A forma como o Inmetro agrupa os modelos em categorias prejudica vários veículos econômicos. Basta olhar a tabela acima que percebemos essa distorção, pois entre os dez carros mais econômicos predominam veículos classificação B e C.  Em nossa tabela consideramos o consumo médio combinado que tira a média entre o desempenho urbano e rodoviário, afinal a maioria dos carros roda tanto na cidade como na estrada.

Para mais detalhes, consulte a planilha completa ou visite o site do Conpet.

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A tabela 2010 do Inmetro que classifica carros segundo o seu consumo de combustível traz 67 modelos avaliados. O número dobrou em relação ao ano anterior o que é bom porque demonstra uma maior adesão das montadoras ao programa de etiquetagem veicular. O consumidor ganha, pois pode pesquisar o consumo do carro antes de comprá-lo. Esperamos que um dia o programa se estenda a todos os carros vendidos no Brasil. Como este é um blog ambiental, vamos à lista dos 10 carros de passeio que tem o menor consumo médio de etanol.

Consumo médio com etanol

  1. Fiat Mille Fire Economy
    9,4 km/l
    Categoria: sub compacto
    Classificação: A
  2. Fiat Mille Way Economy
    9,0 km/l
    Categoria: sub compacto
    Classificação: B
    Volkswagen Polo BlueMotion
    9,0 km/l
    Categoria: compacto
    Classificação: A
  3. Volkswagen Gol 1.0 L
    8,5 km/l
    Categoria: Compacto
    Classificação: A
    Volkswagen Voyage 1.0 L
    8,5 km/l
    Categoria: Médio
    Classificação: B
    Honda Civic LXS
    8,5 km/l
    Categoria: Grande
    Classificação: A
  4. Honda City LX/EX/EXL
    8,3 km/l
    Categoria: Médio
    Classificação: B
    Volkswagen Gol 1.6 L Power
    8,3 km/l
    Categoria: Compacto
    Classificação: B
    Volkswagen Gol i Motion
    8,3 km/l
    Categoria: Compacto
    Classificação: B
    Volkswagen Voyage 1.6 L Trend Comfortline/i Motion
    8,3 km/l
    Categoria: Médio
    Classificação: C

Veja também os carros mais econômicos abastecidos com gasolina.

Consumo médio com gasolina

  1. Kia Picanto EX3/LX3 câmbio manual
    13,6 km/l
  2. Fiat Mille Fire Economy
    13,5 km/l
  3. Kia Picanto EX3/LX3 câmbio automático
    13,4 km/l
  4. Renault Clio Campus
    13,0 km/l
  5. Fiat Mille Way Economy
    12,9 km/l
    Volkswagen Polo BlueMotion
    12,9 km/l
  6. Volkswagen Gol 1.0 L
    12,5 km/l
    Volkswagen Voyage 1.0 L
    12,5 km/l
    Honda City LX/EX/EXL
    12,5 km/l
    Renault Logaqn Authentique
    12,5 km/l
    Renault Sandero Authentique
    12,5 km/l

O desempenho médio foi calculado pela média entre consumo urbano e rodoviário. As listas mostram alguns resultados interessantes:

  • O carro mais econômico do Brasil não é um lançamento repleto de inovações tecnológicas. É o velho Fiat Mille, um modelo antigo, de design ultrapassado, barato e comprado principalmente por empresas.
  • Não é preciso ter motor 1.0 para ser econômico. Temos motores maiores na lista, o que indica que a tecnologia é mais importante que a cilindrada do motor.
  • Tamanho não é documento. O Honda Civic entra na categoria GRANDE do Inmetro, mas figura na lista dos dez mais econômicos.
  • A classificação do Inmetro nem sempre é uma boa referência. Vários carros na lista dos 10 mais não estão na classificação A.
  • O Kia Picanto, carro mais econômico do Brasil com gasolina não é flex. É uma indicação de que os motores mono combustível são mais eficientes do que os motores bi, pois são tunados para um combustível específico.
  • Os resultados mudaram para pior se comparados à tabela 2009, embora os resultados de 2010 parecem mais realistas. O Inmetro mudou a metodologia de testes para uma condição mais conservadora.

Para mais detalhes, acesse os arquivos:

Planilha completa (carros de passeio).

Tabelas oficiais do Inmetro.

Veja também o post deste blog sobre os carros mais econômicos de 2009.

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O que é melhor para o meio ambiente: usar os bens duráveis até não dar mais ou enviá-los para a reciclagem assim que se tornarem obsoletos? Ecologista que se preza anda com uma calculadora no bolso. Só assim, é possível responder a perguntas como essa que sempre aparecem em nosso dia a dia. Para decidir corretamente a hora de trocar um bem durável obsoleto é preciso manter-se afastado dos extremos. Em um deles está o consumismo e no outro a avareza. Como diria Aristóteles, a virtude está no meio.

Um bom exemplo de aparelho que fica obsoleto em tempo recorde é o telefone celular. Em parte, isso se deve ao dinamismo da indústria que tem criado aparelhos cada vez mais sofisticados a cada ano. Nem dá para comparar os tijolões cinzentos da década de 1990 com os estilosos smartphones de hoje, mas essa evolução não justifica a troca acelerada dos aparelhos. As pesquisas mostram que, em média, o consumidor troca de celular a cada 18 meses. O troca-troca de aparelhos resulta de uma combinação desbalanceada entre evolução acelerada e consumismo.

Vamos agora para o extremo oposto da escala: os automóveis. O carro é um bem de alta liquidez, ou seja, facilmente pode ser negociado e convertido em dinheiro. Em função disso, os automóveis vão passando de mão em mão e permanecem em circulação por muito tempo desde que saem da concessionária, tempo demais, para dizer a verdade. Eles só vão para o ferro velho quando já estão em avançado estado de decomposição. Carros velhos têm péssimo rendimento energético e chegam a consumir o dobro do que um modelo novo com melhor tecnologia. Isso vale inclusive para raridades bem conservadas. Se a frota de automóveis não se alterasse, cada vez que uma lata velha saisse de circulação, um carro novo deveria sair da fábrica. Essa substituição consome recursos materiais e energéticos, mas é justificada pela economia de combustível e de manutenção.

Em resumo: na visão ecológica os bens duráveis devem ser substituídos por versões mais modernas sempre que isso trouxer economia de recursos ambientais. A substituição de bens ambientalmente incorretos será um dos motores da economia nas próximas décadas. O foco dessa substituição em massa vai se fixar em bens que consomem muita energia como carros, aparelhos de ar condicionado, geladeiras, etc. Até imagino as propagandas anunciando programas de governo: Dinheiro por sua lata velha!

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No início da semana, assistindo o Jornal Nacional, vi duas matérias sobre automóveis que me fizeram pensar. Não que as matérias tivessem informação fora do comum, mas pelo fato de serem apresentadas na mesma edição do tele jornal, separadas por um intervalo de alguns minutos.

Na primeira matéria, falava-se do problema do excesso de carros nos centros urbanos. Imagens de congestionamentos, fumaça preta saindo dos escapes, um transeunte de olhos vermelhos falou sobre a péssima qualidade do ar, bla bla bla.

Na segunda matéria, exibida alguns minutos depois, o assunto era o recorde na produção nacional de veículos. Felizes empresários do setor deram depoimentos sobre os excelentes resultados da indústria automotiva, a criação de empregos foi enaltecida, os ganhos com exportação foram lembrados, os benefícios para a vasta cadeia produtiva do setor foi valorizada, bla bla bla.

Não sei se a equipe do Jornal Nacional na correria da redação se deu conta do contraste entre as duas matérias que falam sobre o mesmo assunto: veículos motorizados. A primeira matéria, pessimista e sombria, conclama o telespectador a tomar consciência sobre o problema da motorização excessiva da sociedade. A segunda matéria joga areia na primeira, pois enaltece a produção de automóveis e todos seus benefícios econômicos.

Esse exemplo tirado do Jornal Nacional ilustra bem a ambiguidade em que vivemos nesse período de transição da sociedade desenvolvimentista para uma futura sociedade sustentável. Eu tenho carro e reconheço o direito de cada pessoa comprar o seu também, só que carro é um bem para ser usado com critério e terá que ficar mais na garagem do que na rua. Na sociedade sustentável os recordes comemorados são os de redução no consumo de recursos e de melhoria na qualidade de vida sem agressão ao ambiente. Não dá para viver no século XXI com os valores da época do presidente JK que trouxe a indústria automobilística para o Brasil. Aposto que o saudoso presidente Juscelino, um homem de visão, se estivesse vivo, estaria apoiando a construção de uma sociedade sustentável.

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carro flex

Em um mundo ecologicamente perfeito não haveria carros flex. Pensando bem, nesse mundo não haveria automóveis, mas vamos manter o pé na realidade e entender os prós e contras do carro flex. No Brasil, flex é o carro bicombustível que roda com álcool hidratado, com a gasolina nacional (que tem 25% de álcool) ou com a mistura em qualquer proporção desses dois combustíveis. Álcool e gasolina têm propriedades diferentes e cada um precisa de uma regulagem própria do motor para alcançar o melhor rendimento. Os carros flex fazem algumas regulagens automaticamente para se adaptar à mistura presente no tanque. A diferença mais importante em termos de regulagem, porém, é a taxa de compressão. Ela deve ser mais alta para o álcool, mas os carros flex não têm regulagem dinâmica da taxa de compressão do motor. Em vez disso, usam uma taxa intermediária fixa. A conseqüência é que o motor flex não fica na regulagem ideal nem para álcool, nem para gasolina e rende menos do que carros com motores mono combustível equivalentes. Só para exemplificar: a Saveiro total flex 1.6 faz 8,7 km/l com álcool. A Saveiro 1.6 a álcool de 1986 fazia 10,67 km/l. Parece piada, mas no Brasil tem carro velho rendendo mais do que carro novo cheio de tecnologia.

Se o carro monocombustível é melhor em consumo e potência, por que os carros flex, vendidos desde 2003, fazem tanto sucesso? Quando o consumidor adquire um carro flex está pensando em duas coisas: abastecer sempre com álcool e ficar calçado caso haja um rebuliço no mercado e o álcool fique muito caro ou venha a faltar nas bombas. O motorista quer usar apenas álcool em seu carro flex, pois acha que vai economizar uma boa grana. Na maioria dos casos a economia acontece mesmo, mas não dá para ter certeza antes de fazer as contas. Nem sempre a diferença de preço entre álcool e gasolina está favorável. Além disso, é preciso considerar que um carro monocombustível renderia bem mais. Em alguns momentos, abastecer um flex com álcool sai mais caro do que abastecer um carro a gasolina equivalente, mas o consumidor nem percebe porque o cálculo é enjoado de fazer. Enfim, os brasileiros querem sempre abastecer com o combustível mais barato. Lei de Gerson. A indústria automobilística tem interesse no carro flex porque dessa forma oferece duas opções ao consumidor e investe em apenas um projeto. O país sai prejudicado, pois o consumo geral de combustíveis poderia cair mais de 10% caso a frota fosse apenas de carros mono combustíveis eficientes.

Os carros flex se justificam em um país que está diversificando a sua matriz energética e ainda não conseguiu montar uma cadeia produtiva estável para seus combustíveis. Nos EUA, por exemplo, dos 170.000 postos existentes, em torno de 2.000 apenas oferecem álcool combustível. Lá, os carros flex fazem sentido, não para o consumidor economizar dinheiro, mas simplesmente para que consiga abastecer o carro. Nossa realidade é outra. Estamos evoluídos na questão dos bio combustíveis, produzimos mais álcool do que gasolina. Nossa aposta no álcool começou há mais de trinta anos. Aqui, combustível alternativo é a gasolina, o álcool está disponível em quase todos os postos e a indústria desse combustível é sólida. O mercado oscila, é verdade, mas será que nós que produzimos petróleo e álcool, precisamos do carro flex para regular os preços? Eu, que já tive vários carros 100% a álcool e nunca fiquei na mão mesmo nas manhãs frias de Curitiba, gostaria de vê-los novamente a venda. São mais econômicos, mais ecológicos, mais brasileiros.

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