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Posts Tagged ‘casa ecológica’


As pessoas conscientes querem reduzir o seu impacto ambiental e sabem que para alcançar essa meta precisam consumir menos água, eletricidade e combustível, além de gerar menos lixo e esgoto. Alguns perguntam: quanto dá para reduzir nosso impacto se adotarmos boas práticas no dia a dia, mas sem levar uma vida de faquir indiano? Vamos fazer uns cálculos simples para mostrar que dá para cortar seu impacto ambiental pela metade na vida doméstica com pouco investimento e sem ter que usar turbante. Vamos fazer as contas considerando uma família de quatro pessoas que mora em casa e tem padrão médio de consumo.

Água

O consumo de água tratada em uma residência média brasileira fica em torno de 20 m3/mês. Se forem adotadas boas práticas de economia e reuso o consumo cai bastante. Estamos falando de ideias simples como fechar as torneiras, reduzir o tempo de banho e lavar as calçadas com a água que sobra da máquina de lavar. Se além disso, for instalado um sistema de captação de água de chuva na residência o consumo de água tratada pode cair pela metade. Nessa condição ideal passaríamos a ter uma economia mensal de 2500 l/mês de água tratada por pessoa.

Esgoto

A geração de água residual, também conhecida como efluente líquido ou simplesmente esgoto, é proporcional à entrada de água tratada na casa. Uma parte da água que entra pode ser reusada para fins que não geram esgoto como, por exemplo, a irrigação do jardim. A água de chuva captada pode ser usada para lavar roupa e com a água que sai do tanque ainda dá para lavar o carro. Combinando a redução de consumo com o reuso a produção de esgoto também pode ficar próxima da metade do que é gerado em uma casa convencional. A redução seria de 2500 l/mês de esgoto por pessoa.

Eletricidade

A casa média consome mais de 200 kWh de energia elétrica por mês. Para reduzir a conta de energia o melhor é começar com uma mudança de hábitos: apagar a luz ao sair do ambiente, desligar a TV quando não estiver na sala, etc. Depois disso, vem a substituição dos equipamentos de tecnologia obsoleta e alto consumo como as lâmpadas incandescentes e a geladeira velha. A terceira etapa envolve trocar a tecnologia de alguns sistemas da casa. A água do banho, por exemplo, pode ser aquecida com energia solar em vez da elétrica. Quem quiser ir além pode instalar um sistema de energia fotovoltaica para produzir sua própria eletricidade a partir da luz solar. Combinando essas soluções dá para alcançar uma economia de aproximadamente 25 kWh por mês por pessoa.

Gás

Reduzir o consumo de gás de cozinha é desejável pois se trata de combustível fóssil não renovável. Infelizmente não é tão simples cortar o gasto com GLP quanto diminuir o consumo de outros recursos da casa. Quem vive em meio urbano é bem dependente dessa fonte de energia fóssil, porém várias iniciativas podem ser tomadas para economizá-lo. A primeira é deixar de usar o gás para aquecimento de água. Tanto a água do banho como a utilizada na cozinha pode ser aquecida com um sistema solar. O forno a gás pode ser substituído pelo microondas ou pelo forno elétrico. Quem tiver condições pode substituir parte do gás por biomassa usando o tradicional forno e fogão a lenha. Em condições ideais a redução do consumo de gás pode cair pela metade. Economia de 2,5 kg/mês de GLP por pessoa.

Lixo

A família média brasileira gera cerca de 120 kg de resíduo sólido por mês. Fazendo a triagem desse resíduo dá para reduzir bastante a quantidade que vai para o aterro sanitário. Uma parte do resíduo é formada pelo resíduo orgânico que pode passar por compostagem em casa e gerar adubo. Outra parte é formada por materiais de reciclagem promissora como plástico, metal, vidro e papel. Resíduos especiais podem ser encaminhados para a reciclagem especializada como os eletrônicos e produtos tóxicos. O que sobra como material não reciclável é menos de um terço da massa total. O resultado é um alívio para o sistema de coleta pública de cerca de 20 kg/mês de resíduo sólido por pessoa.

Como se vê a consciência ambiental agora é movida a números. Ecologista moderno anda com calculadora no bolso.

 

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Antes de construir casas ecológicas precisamos demolir alguns mitos sobre esse tipo de construção se quisermos rumar para a sociedade sustentável.

Casas? Para começar, a casa ecológica não precisa ser uma casa. Pode ser um apartamento, talvez um loft, um sobrado, ou quem sabe, um flat. Não é o tipo da construção que garante selo verde a uma moradia e, sim, seu baixo impacto ambiental. Casa ecológica é a moradia com consumo de recursos bem mais baixo do que uma construção convencional. Mais baixo quanto? Não existe legislação para definir qual habitação pode receber o rótulo de “casa ecológica”, mas o bom senso recomenda que o consumo de recursos da casa realmente ecológica seja no máximo a metade do que se verifica em uma casa convencional. Isso quer dizer que a casa ecológica consome metade da água potável gasta em uma casa comum e dissipa no máximo metade da energia tragada pelas habitações convencionais. A regra do corte pela metade parece razoável para o estado da arte atual, mas temos que considerar que o conceito de casa ecológica está em constante evolução. O tempo passa, a tecnologia avança e daqui alguns anos o impacto ambiental das residências pode ficar abaixo do que conseguimos hoje com a adoção de novas práticas e tecnologias.

Mansões? Uma mansão nunca será ecológica. Mansões têm área construída muito além do que é necessário para uma vida confortável e digna. Mansões consomem muita matéria prima, muita energia, muita água, muita eletricidade. Ser ecológico é ser econômico, desprendido e frugal. A casa ecológica não é compatível com ostentação.

Chácaras? Não é preciso morar no campo rodeado de verde para ter uma habitação ecológica. Quem mora em apartamento também pode ter um impacto ambiental pequeno desde que adote boas práticas no dia a dia. Morar na chácara não garante impacto ambiental baixo e quem tem o privilégio de viver em uma bela chácara carrega uma responsabilidade maior em relação ao meio ambiente. Um chacareiro sem consciência pode causar mais danos ao meio ambiente do que um almofadinha da cidade.

Como antigamente? A casa ecológica não é parecida com a casa da vovó. Em alguns aspectos até podemos encontrar semelhanças entre a casa ecológica e a de nossos antepassados, pois nossos avós tinham alguns hábitos de vida simples que combinam com o pensamento ecológico. Por outro lado, a casa ecológica requer tecnologia para reduzir seu impacto ambiental. A casa ecológica é tecnológica e não nostálgica.

Mais caras? Por ter sistemas mais complexos e utilizar materiais que muitas vezes não são produzidos em larga escala a casa ecológica pode ficar mais caras em alguns aspectos. Se fizermos a conta na ponta do lápis, porém, a casa ecológica costuma ficar mais barata do que uma convencional no longo prazo. Tudo depende de um projeto caprichado e de uma administração bem conduzida.

Talvez um dia todas as casas sejam ecológicas e com o tempo fiquem progressivamente mais ecológicas. Se não for assim as gerações futuras talvez voltem a morar em árvores.

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Quando falamos de casa ecológica temos que considerar também outros tipos de moradia como apartamentos, lofts e condomínios. Todos esses tipos de construção podem ser chamados ecológicos desde que tenham em comum o baixo impacto ambiental. Para simplificar, aqui vamos levar em conta apenas a casa uni familiar construída em condições ideais que permitam a instalação dos sistemas mais promissores para a redução do impacto ambiental.

Uma casa ecológica é mais complexa do que uma casa convencional similar, pois tem mais sistemas que se integram entre si exigindo tecnologia mais avançada tanto para instalá-los como para mantê-los. Certamente, a casa ecológica é mais tecnológica do que a convencional. Vejamos os principais sistemas de uma casa ecológica modelo.

Água

A casa convencional conta apenas com o sistema de água potável que atende a todas as necessidades domésticas, inclusive aquelas que não precisam de água com nível potável de pureza. Na casa ecológica deve existir um sistema de aproveitamento de água pluvial, que serve para vários usos como irrigação e lavagem. Além disso, a casa ecológica pode contar com um sistema de água reaproveitada que permite o segundo uso da água antes de enviá-la para os sistemas de tratamento de efluente líquido. Resumindo: na casa ecológica há três sistemas de água:

Potável + pluvial + reaproveitada.

Efluente

Na casa convencional, o sistema de esgoto é único, mas na casa ecológica há dois circuitos de águas residuais: o cinza e o negro. O circuito cinza coleta as águas residuais com pouca carga orgânica e que podem ser facilmente tratadas visando o reuso. O circuito negro de águas residuais recebe a carga orgânica mais pesada e envolve um tratamento mais completo para que o efluente final esteja em condições de ser lançado ao ambiente sem riscos. Na casa ecológica, portanto, são dois os sistemas de efluentes:

Circuito cinza + circuito negro.

Aquecimento de água

A água quente usada na casa convencional normalmente é produzida com queima de gás GLP ou com energia elétrica. Na casa ecológica, porém, são usados sistemas adicionais como o aquecimento solar de água. O aquecimento com queima de biomassa como a lenha também deve ser considerado. São três os sistemas de aquecimento:

GLP + solar + biomassa.

Eletricidade

A energia elétrica chega na casa convencional a partir da rede elétrica da concessionária. Na casa ecológica esse sistema pode ser complementado ou substituído por sistemas de geração pelo vento ou pela transformação da energia solar. Podemos ter três sistemas de geração de energia elétrica:

Concessionária + eólica + fotovoltaica.

Resíduos sólidos

Em uma casa convencional costumamos encontrar dois tipos de resíduos sólidos: os recicláveis e os não recicláveis. Na casa ecológica, os resíduos são separados de forma mais completa. Podemos ter um sistema para tratar o material orgânico por compostagem; os resíduos recicláveis são separados e preparados para a reciclagem e os resíduos especiais como óleo, baterias, remédios, eletrônicos, etc. são destinados corretamente. A quantidade de resíduo não reciclável é bem pequena na casa ecológica. Os sistemas são:

Orgânico + recicláveis + especiais + não recicláveis.

Lógico

A casa ecológica é tecnológica e precisa de um sistema de gerenciamento que otimiza o consumo de recursos. Na casa convencional podemos encontrar sistemas de automação, mas eles funcionam desarticulados. O gerenciamento avançado permite que a casa opere com maior eficiência. Lâmpadas não são acesas sem necessidade e quando são acesas têm a intensidade regulada para as necessidades do ambiente. O conforto térmico é garantido pela boa ventilação que é monitorada, a comunicação e o entretenimento também fazem parte do sistema. O sistema lógico da casa ecológica abrange:

Entretenimento + segurança + comunicação + conforto + monitoramento.

Encontrar uma casa ecológica com todos os sistemas citados aqui é difícil, trata-se de um conceito que vai demorar a se incorporar aos padrões de construção. Só não podemos esperar muito para consolidar esses novos paradigmas, pois o planeta está impaciente.

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Imagine uma casa que não gera efluente líquido, o popular esgoto. Em vez de efluente, o único líquido que sai da casa é água com um nível de pureza que não traz riscos para o ambiente nem para a saúde das pessoas. Para realizar essa façanha em uma casa comum é preciso fazer uma série de adaptações e mudanças. Vejamos quais.

Redução do consumo de água. A quantidade de esgoto que sai de uma casa é proporcional à água que entra. Se a casa consome 20 m3 de água tratada por mês, vai gerar aproximadamente 20 m3 de esgoto. A primeira providência, portanto para zerar o esgoto é reduzir o consumo de água. Isso se consegue com boas práticas de consumo e pelo reuso. Usar torneiras econômicas, reduzir o tempo de banho, não usar água potável para lavar pisos são exemplos de ações que reduzem o consumo de água.

Reuso da água. Um exemplo simples de reuso seria utilizar a água descartada pela lavadora de roupas para lavar calçadas e carros. Em uma casa mais equipada seria possível usar a água da lavadora para acionar a descarga do banheiro. A redução do consumo combinado com o reuso da água podem baixar pela metade a produção de esgoto na casa.

Circuitos cinza e negro. Para avançar na redução do esgoto é preciso separá-lo em dois circuitos. O circuito de água cinza recebe água do banho, da pia do banheiro, do tanque e da lavadora. São fontes de água pouco suja que pode ser reusada diretamente ou após um tratamento básico. O circuito negro recebe água contaminada com grande quantidade de material orgânico como a que sai da pia de cozinha e do vaso sanitário. A água do circuito negro apresenta risco sanitário e não deve ser reusada antes de um tratamento completo.

Tratamento de água cinza. O tratamento da água cinza é simples, graças à pouca quantidade de impurezas. Quem dispõe de área de terreno pode construir uma lagoa de clarificação com plantas aquáticas que absorvem as impurezas da água. Além de prática, a solução é ornamental. Quem mora na cidade pode recorrer a um sistema de tratamento enterrado. Depois de tratada, a água cinza pode ser usada em irrigação de jardim, lavagem de carros, na descarga do banheiro, etc. Só não dá para bebe-la, pois não tem grau potável.

Tratamento de água negra. A água negra apresenta alta quantidade de matéria orgânica. Normalmente, a remoção desse material é feita pela ação de microrganismos decompositores. O tratamento pode ser do tipo aeróbico que gera gás CO2 ou anaeróbico que gera gás metano. Existem vários tipos de estações de tratamento automatizadas no mercado que purificam a água negra a ponto de deixá-la boa para ser descartada sem causar danos ambientais e sanitários.

Viabilidade. Se a casa conta com rede de coleta e fica em uma cidade com estação de tratamento de efluentes a preocupação do cidadão é menor. Basta adotar boas práticas de redução do esgoto doméstico. Infelizmente, essa não é a realidade de boa parte das residências brasileiras. Em locais onde não há coleta nem tratamento o quadro muda. Cuidar do próprio esgoto é uma questão de consciência, mas talvez não seja viável tratá-lo por conta própria em casas com terreno pequeno. A ideia se torna viável, entretanto, para condomínios comerciais, residenciais e para empresas. Em muitas cidades brasileiras, o tratamento próprio é obrigatório para pessoas jurídicas.

Ecologista que se preza presta atenção nas suas águas, na que entra e na que sai da casa. O ideal é receber água limpa e devolve-la limpa para o ambiente. Uma troca justa.

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Que tal uma casa que não precisa da energia elétrica da rua? A ideia da casa ecológica que gera sua própria energia ainda é um projeto difícil de colocar em prática, mas não impossível. Com a tecnologia disponível no comércio já se consegue criar casas autônomas em energia elétrica. O custo é alto, mas tende a cair à medida que a indústria da energia limpa for se estruturando melhor.

Reduzir. O que é preciso fazer para deixar a casa autônoma em energia elétrica? Primeiro, reduzir o consumo ao mínimo com uma série de medidas. Uma casa de padrão médio com quatro moradores consome cerca de 300 KWh por mês. Os itens que mais pesam nessa conta são o aquecimento de água (chuveiro e torneira elétrica), a refrigeração (geladeira e freezer) e a iluminação. Vamos lembrar que uma casa ecológica tem boa ventilação e, por isso, dispensa ar condicionado. Água quente pode ser obtida com um sistema de aquecimento solar ou com energia de biomassa (lareira, fogão a lenha) ou pela combinação das duas fontes; aquecimento a gás na casa ecológica não pode. Na refrigeração dá para economizar energia usando eletrodomésticos eficientes e com capacidade adequada às necessidades da casa; nada de geladeiras gigantes, velhas e ineficientes. Em iluminação se economiza usando apenas lâmpadas eficientes como as fluorescentes compactas. Iniciativas como essas podem reduzir o consumo da casa para menos de 200 KWh por mês.

Sistema. Depois que o gasto de energia for enxugado deve-se pensar em um sistema limpo de geração para a casa. O uso de paineis fotovoltaicos é uma opção preferencial e a turbina eólica também pode ser considerada. O sucesso do projeto depende da ajuda de São Pedro que precisa contribuir com um mínimo de sol e vento. Felizmente, no Brasil essas duas dádivas da natureza são fartas. Um bom exemplo de projeto de casa autônoma pode ser encontrado no site do Cresesbe que mantém uma casa autônoma para fins de pesquisa e divulgação. O custo de um sistema que garanta 200 KWh por mês é alto; pode ultrapassar R$ 20.000,00, dinheiro que será recuperado com economia na conta de luz, mas se o dono da casa tiver cabeça de investidor vai concluir que gerar a própria energia ainda não é um investimento com retorno matador.

Os itens mais caros na geração própria são os paineis fotovoltaicos que representam cerca de dois terços do investimento. Os outros itens são baterias, controlador de carga que evita o carregamento excessivo das baterias, inversor que transforma a corrente contínua em baixa tensão das baterias em corrente alternada usada pelos eletrodomésticos. Para aproveitar melhor o investimento nos paineis o ideal é instalá-los em um rastreador que funciona como o girassol que persegue o sol e move os paineis ao longo do dia para deixá-los sempre voltados para o sol.

Limitações. Uma casa autônoma tem limitações em relação ao modelo tradicional que usa a eletricidade da rua. As baterias acumulam energia para dias sem sol, mas em certas regiões ocorrem períodos com muitos dias seguidos de céu nublado. Na casa autônoma devem ser evitados os equipamentos de alta potência que consomem muita energia em curtos períodos, pois a descarga rápida prejudica as baterias. Diante dessas inconveniências o ideal seria combinar a geração própria com o fornecimento externo. Em dias de sol à vontade a geração doméstica resolve o problema com sobra. Quando São Pedro não ajudar, o abastecimento externo complementa a carga. Equipamentos de consumo contínuo e moderado podem ficar ligados à rede solar e os de potência alta podem usar energia da rede pública.

Os futurólogos otimistas preveem que a casa do futuro poderá vender energia para a concessionária nos momentos em que estiver com produção excedente como em períodos de seca. É a geração de energia em grid que vai se viabilizar com o auxílio de sistemas computadorizados de gerenciamento. Mas para chegar ao ponto de vender energia elétrica no futuro é preciso começar no presente.

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A captação de água da chuva para consumo residencial está começando a se popularizar, no entanto, a maioria dos projetos tem por objetivo substituir apenas parcialmente a água fornecida pela concessionária. Ainda são raras propostas mais radicais como a de viver apenas com água da chuva. A ideia pode parecer estranha para quem imagina a água como um líquido farto que brota daquele cano que vem da rua. Quem vive no sítio sabe que a água também pode vir do fundo da terra ou da mina ao pé da serra. Em meio urbano, porém, a chuva é a opção próxima menos poluída que o cidadão dispõe para atender as necessidades da casa ecológica.

Captação. É possível abastecer uma casa apenas com água de chuva desde que São Pedro ajude e várias providências sejam tomadas pelos moradores. Vamos fazer algumas contas de padeiro: a Unesco estima que o consumo mínimo de água gira em torno de 110 litros por pessoa por dia, mas vamos considerar uma cota mais folgada de 200 litros/pessoa/dia, logo, uma casa com 4 pessoas consumiria 24.000 litros por mês. Se a casa contar com um bom projeto de reuso o consumo pode cair pela metade, afinal é possível lavar pisos, regar plantas e dar descarga com água reutilizada. Nessas condições, a família precisa captar 12.000 litros de chuva por mês. Vamos imaginar que a média de chuva na região fica em torno de 100 mm por mês, um valor normal para muitas regiões brasileiras. Para esse nível de precipitação, a casa teria que contar com uma área de coleta de 120 m2, valor compatível com a área de telhado das residências de classe média.

Tratamento. Depois de coletar a água da chuva será preciso armazená-la e tratá-la. Quanto mais uniforme for a distribuição das chuvas, menor pode ser a cisterna, mas é preciso encontrar um meio termo entre segurança contra falta de água e custo da armazenagem. De qualquer maneira, será difícil fugir de um estoque mínimo de 4.000 litros, distribuído entre cisterna e caixas elevadas. Água da chuva na teoria é puríssima, mas a poluição das cidades e a sujeira dos telhados exigem um tratamento básico para deixá-la em condições de uso residencial. Se a ideia for substituir integralmente o consumo de água da rua, então uma parte da água pluvial terá que passar por tratamento adicional que a torne potável. Esses tratamentos podem ser feitos de várias formas. Uma solução típica envolve o descarte do primeiro fluxo de água, peneiramento, filtragem com areia e carvão e desinfecção final com hipoclorito. Um problema de quem trata a própria água em casa está na necessidade de acompanhar a qualidade e o bom funcionamento do fluxo. Isso toma tempo e requer algum conhecimento técnico, mas como é pelo bem do meio ambiente, vale o esforço, né?

Potabilidade. A água da chuva é destilada e muito pura enquanto se forma lá no céu, mas fica impregnada de algumas impurezas no caminho que percorre até chegar na caixa d’água. Para garantir a potabilidade da água da chuva é preciso filtrá-la e desinfetá-la. Alguns especialistas vão dizer que mesmo tratada a água de chuva não é ideal para beber, pois não é fluoretada e não contém os sais minerais presentes na água das companhias de saneamento. Realmente, será preciso compensar essa carência de outras formas. A água fluoretada previne a cárie dentária, mas existem outras maneiras de cuidar dos dentes e um dentista pode dar dicas a respeito. Para quem é exigente com o paladar e com as qualidades nutricionais da água que bebe, existe a opção do galão retornável de água mineral. A água mineral engarrafada é um pouco menos ecológico, mas que pode simplificar a vida dos ecológicos moradores.

Usar a água da chuva para consumo familiar é uma prática antiga que remonta ao tempo dos castelos medievais. Pois é, mais uma vez fica demonstrado que a atitude ecológica costuma ser uma volta ao passado.

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Viver em uma casa ecológica é o sonho de muita gente, mas o que define a casa ecológica? A condição essencial é que ela gere um impacto ambiental bem menor do que as casas “normais”. Quanto menor? É difícil dizer, pois não existe padrão para esse cálculo. Na minha escala pessoal eu diria que uma redução de pelo menos um terço seria o mínimo aceitável. Ecologistas mais aguerridos, porém, sonham mais alto e acreditam que uma casa pode alcançar níveis muito baixos de impacto ambiental chegando em alguns quesitos ao impacto zero. Uma das formas de reduzir o dano ambiental de uma moradia é torna-la autônoma em vários aspectos como veremos a seguir:

Água. Captar água da chuva para substituir parte do consumo de água da rede pública é uma prática que está se popularizando. O passo além seria dispensar totalmente a água da concessionária. Viver apenas com água de chuva é possível desde que haja algumas condições favoráveis como uma boa área de telhado para coletar a água e a ajuda de São Pedro para fornecer chuvas bem distribuídas. A água de chuva pode se tornar potável se passar por um tratamento básico para purificá-la e desinfetá-la. Um dos gargalos desse modelo é a cisterna para armazenar a água pluvial. Se for muito grande, o custo fica inviável, se for muito pequena, não dá conta dos períodos mais secos

Energia elétrica. Gerar energia elétrica a partir da luz solar com células fotovoltaicas ainda é uma prática pouco comum. O que dizer então de gerar toda a energia elétrica da casa tendo o sol como única fonte? A casa precisaria de muitas adaptações para esse desafio. Primeiro, seria preciso reduzir o consumo. Água quente, por exemplo, pode ser obtida por aquecimento solar e não com uso de resistências elétricas; aparelhos elétricos devem ser os mais econômicos e os hábitos devem mudar para economizar esse tipo de energia.

Energia para veículos Ecologista que se preza usa transporte coletivo, mas existem opções de transporte pessoal menos prejudiciais ao meio ambiente. Se a casa produz sua energia elétrica porque não poderia abastecer veículos elétricos? A motocicleta elétrica tem consumo baixo e carregar suas baterias com células fotovoltaicas pode ser viável na casa ecológica.

Efluente. A casa ecológica gera menos efluente (água usada) do que uma casa normal graças ao reuso e às boas práticas dos moradores. Se essa casa não está interligada uma rede pública com tratamento é possível tratar o efluente nos limites da residência. O efluente tratado pode ser usado na própria casa para fins como irrigação.

Resíduo sólido orgânico. A compostagem é uma solução simples que gera adubo e pode ser feita mesmo em casas com área reduzida de terreno.

Resíduo sólido reciclável. Plástico, metal, vidro e papel, além de outros tipos de resíduo reciclável podem ser encaminhados para a reciclagem na casa ecológica. Basta um pouco de boa vontade dos moradores para separar e preparar o resíduo.

Resíduo sólido não reciclável. Mesmo em uma casa onde os moradores seguem boas práticas ecológica é difícil zerar o resíduo não reciclável, mas é possível reduzi-lo a um mínimo desde que sejam adotadas algumas medidas nem sempre simples e cômodas.

Energia para queima. O gás de cozinha é um item de consumo difícil de eliminar na casa moderna. Podemos reduzir seu uso substituindo o aquecedor de água a gás pelo aquecimento solar ou trocando o forno a gás pelo micro-ondas, mas nas tarefas diárias da cozinha não é todo mundo que pode adotar o fogão a lenha.

Nos próximos posts vou detalhar melhor a ideia da casa autônoma. Que bom se pudesse postar os textos no blog usando energia elétrica feita em casa.

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