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Este ano a disputa para presidente do Brasil está acirrada e, por isso, resolvi fazer um cálculo que traz um pouco de racionalidade à minha escolha. Quem quiser experimentar o cálculo de candidato basta preencher a planilha abaixo com os valores que considerar válidos. A planilha já vem carregada com a minha avaliação pessoal, mas fique a vontade para alterar os números de acordo com sua preferência. Em alguns casos, você deve dar peso ao item avaliado, em outros, você precisa dar nota a cada candidato. Na planilha estão apenas os três candidatos mais bem colocados nas pesquisas até agora, mas pode ser ampliada para os demais.

Faça seu cálculo:  Planilha.

dilma-marina-aecio

A seguir veja as explicações de cada item exemplificadas com a minha pontuação pessoal.

Experiência legislativa

Que peso você dá aos cargos legislativos exercidos pelo candidato?

  • Vereador: 1
  • Deputado estadual: 2
  • Deputado federal: 3
  • Senador: 4

Será considerado apenas o cargo mais alto ocupado pelo candidato. Aécio foi senador por Minas Gerais e Marina, senadora pelo Acre. Dilma não exerceu cargo legislativo.

Experiência executiva

Que peso você dá aos cargos de poder executivo exercidos pelo candidato?

  • Diretor de órgão público ou empresa estatal: 1
  • Secretário municipal ou estadual: 1
  • Ministro de estado: 2
  • Prefeito: 3
  • Governador: 4
  • Presidente: 5

Será contado apenas o cargo mais alto ocupado pelo candidato. Marina foi Ministra do Meio Ambiente, Aécio governou MInas Gerais E Dilma é presidente/presidenta do  Brasil.

Partido

Peso que você dá à troca de partido durante a carreira do candidato: -3

Devem ser excluídas da conta mudanças de partido por razões de consciência, fusão ou extinção e as trocas ocorridas há mais de dez anos.  Aécio está no PSDB desde 1988, Dilma milita no PT desde 2001 e Marina, nos últimos dez anos, passou pelo PT, PV, Rede Sustentabilidade e PSB.

Peso que você dá ao fato do candidato pertencer a um partido orgânico: 3

É difícil definir partido orgânico, mas entendo que seja um partido com perfil ideológico definido, representativo de setores da sociedade, com histórico de lutas e que participa do processo político de forma aguerrida. Marina está no PSB provisoriamente e pode deixa-lo assim que seu grupo conseguir viabilizar a Rede Sustentabilidade.

Peso que você dá ao fato de o candidato pertencer a uma coligação oportunista: -3

Nesse quesito os três candidatos estão nivelados por baixo, em função da prostituição generalizada que rola nas coligações brasileiras.

Barreiras sociais a vencer na política

Que peso você atribui ao fato de o candidato ser:

  • Mulher: 1
  • Negro ou pardo: 2
  • Portador de deficiência: 3

Classe social de origem

Qual o peso você atribui ao fato de o candidato ter origem:

  • Humilde: 2
  • Remediada: 0
  • Abastada: 0

Aécio pertence a uma família mineira abastada, Dilma vem de uma família de classe média alta gaúcha e Marina é de uma família pobre do Acre.

História pessoal

Que importância você dá ao fato de o candidato:

  • Ter feito militância política na juventude: 1
  • Pertencer a uma família de políticos: -1

Dilma militou contra a ditadura na juventude , Marina militou pela causa dos seringueiros do Acre e Aécio lutou pelas Diretas já. Aécio pertence a uma família tradicional de políticos mineiros.

Posicionamento em relação a questões de fundo

Que peso você atribui ao fato de o candidato ser a favor de:

  • União civil de pessoas do mesmo sexo: 1
  • Legalização do aborto: 0
  • Legalização da maconha: 1
  • Pena de morte: -1
  • Redução da maioridade penal: 1

Os três candidatos aprovam a união civil gay. Aécio e Dilma (atualmente) são contra a legalização do aborto. Aécio é a favor da redução da maioridade penal, Dilma segue a linha de seu partido e é contra. Aécio, Dilma e Marina são contra a legalização da maconha. Dilma é contra a pena de morte.

Religião do candidato

Caso você considere relevante a religião do candidato atribua um peso à religião dele na sua escolha.

  • Católico: 0
  • Evangélico: 0
  • Sem religião: 0
  • Outra: 0

Aécio é católico, Dilma dá indícios de que não pratica religião e Marina é evangélica da Assembleia de Deus.

Reforma política

Qual peso você atribui ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Fim da reeleição para presidente: 0
  • Financiamento público de campanha: 1
  • Redução do número de vagas para deputados e senadores: 2
  • Voto facultativo: 0

Marina declarou que não quer reeleição para presidente.

Reforma administrativa

Que importância você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Autonomia das agências reguladoras: 2
  • Fim da escolha política dos ministros do Tribunal de contas: 2
  • Redução de cargos em comissão e de ministérios: 2

Dilma dificilmente faria tais mudanças. Aécio declara que a redução de cargos em comissão e ministérios são centrais para seu governo.  Marina também se mostra favorável à reforma administrativa.

Economia

Qual peso você atribui ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Autonomia do Banco Central: 0
  • Privatizar empresas estatais: 2
  • Re-estatizar empresas privatizadas: -5
  • Estatizar empresas privadas: -10

Marina é favorável a um Banco Central autônomo. Aécio e Dilma consideram que a independência deve ser relativa. Aécio é de um partido que fez privatizações; o partido de Dilma privatizou com outros nomes, mas no discurso ela é contra as privatizações.

Educação

Dê peso para o fato de o candidato ser favorável a:

  • Ampliação das vagas em universidades públicas: 0
  • Cotas raciais e sociais para acesso à faculdade: 0
  • Ensino fundamental em tempo integral: 0
  • Ampliação de vagas no ensino técnico: 2

Dilma tem se mostrado favorável a todas essas medidas, exceto o ensino em tempo integral.

Previdência

Que peso você dá ao fato de o candidato ser a favor de:

  • Fim do fator previdenciário: 0
  • Vinculação do valor das aposentadorias ao salário mínimo: 2

Infelizmente, os candidatos não parecem dispostos a dar mais segurança aos aposentados.

Programas sociais

Que peso você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Ampliar programas de distribuição de renda como o bolsa família: 2
  • Aumento real continuado do salário mínimo: 2

Dilma tem uma política clara em favor do bolsa família e ganho real do salário mínimo. Os outros dois candidatos indicam que vão manter esses programas, mas não se sabe se vão amplia-los.

Meio ambiente

Qual o peso que você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Incentivar a agricultura sustentável: 2
  • Incentivar energias renováveis: 2
  • Incentivar a melhoria do transporte público: 2

Nessa área Marina é a candidata verde com posições firmes em defesa do meio ambiente. Aécio não indica que esta seja uma área prioritária para seu governo e Dilma tem um currículo anti-ambientalista, especialmente pelo seus investimentos pesados na área de petróleo.

Relações com setores da sociedade

Dê uma nota para cada candidato considerando sua capacidade de se relacionar bem com setores da sociedade.

  • Agronegócio: Aécio: 2, Dilma: 1, Marina: 0.
  • Empresários: Aécio: 2, Dilma: 1, Marina: 1.
  • Imprensa: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 1.
  • Sindicatos: Aécio: 1, Dilma: 2, Marina: 1.

Governabilidade

Dê uma nota a cada candidato considerando sua capacidade para resolver problemas de governabilidade:

  • Facilidade para formar maioria legislativa. Aécio: 2, Dilma: 2, Marina: 1.
  • Capacidade de conquistar a confiança de investidores: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 1.

Competências pessoais

Dê uma nota para cada candidato no que se refere a competências importantes ao um político.

  • Capacidade gerencial: Aécio: 2, Dima: 1, Marina: 1.
  • Habilidade política: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 2.
  • Oratória: Aécio: 1, Dilma: 0, Marina: 2.
  • Visão estratégica: Aécio: 1, Dilma: 1, Marina: 2.

Eu não dispunha de informações completas sobre a plataforma de cada candidato, até porque eles não são precisos em muitos pontos nos obrigando a prever suas intenções a partir do histórico político de cada um.

O resultado do meu cálculo pessoal me surpreendeu, mas confirma minha tendência a votar em candidatos com perfil social democrata com uma pitada conservadora. Aliás, a disputa deste ano está restrita a três variações de social democracia: uma com tempero de liberalismo econômico, outra com sutilezas de avanços sociais e uma terceira focada em moralidade e avanços ambientais. Ainda não decidi meu voto, mas o método analítico que usei para montar a planilha pode ser útil para fundamentar minha escolha. A racionalidade já me apontou um caminho, mas resta saber o peso que o lado emocional vai ter na minha decisão.

E aqui está o resultado do meu cálculo:

aecio33 pontos

marina 27 pontos

dilma 22 pontos

Crédito de imagens: Folha de S. Paulo.

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No início de 2013 os curitibanos foram surpreendidos com uma obra pública para lá de estilosa. A revitalização em andamento da Rua Bispo Dom José previa a pavimentação de 5.000 metros de calçada com pranchas de granito. Localizada no bairro nobre do Batel, a calçada de granito deixou indignados muitos curitibanos entre os quais me incluo. Curitiba é mal servida de calçadas. Em muitas ruas elas são precárias, esburacadas e irregulares. Em outras, sequer existe calçada e, por isso, surpreende a decisão da administração do ex-prefeito Luciano Ducci de pavimentar uma rua com granito, revestimento nobre e caro. O novo prefeito Gustavo Fruet interveio e decidiu manter o granito apenas nos 1.000 metros já instalados. Nos demais 4.000 metros da obra serão utilizados lajotas de concreto (paver), o mesmo pavimento usado nos demais bairros da cidade.

paver

No bairro Butiatuvinha onde moro, não fomos contemplados com calçadas de granito. Lá, cabe ao proprietário custear a calçada na frente de sua casa seguindo os padrões estabelecidos pela prefeitura. Recentemente, muitas calçadas do meu bairro foram refeitas para se adequar à nova diretriz municipal que exige uma taxa mínima de infiltração da água pluvial. Concordo com as regras adotadas no meu bairro e, por isso, fiquei indignado com as calçadas de granito do Batel.

Alguns defensores das calçadas chiques de granito apresentaram argumentos para defendê-las: “elas vão atrair turistas”; “os moradores do Batel pagam mais impostos do que os que moram na periferia”; “é uma experiência que pode servir de modelo para outros bairros”. Sinceramente, esses motivos são fraquinhos e parecem mais desculpas para justificar uma farra de gastos de final de mandato.

Uma boa calçada deve ser ampla, antiderrapante e sem desníveis para facilitar a circulação de idosos e cadeirantes; deve ser permeável para facilitar a infiltração de água de chuva; barata para economizar dinheiro público e, por último, deve causar um bom efeito paisagístico. A calçada com placas de granito é impermeável, escorregadia quando molhada e custa mais do que o dobro do que outras boas soluções. Curitiba que já passou pela época do petit pavé pode dar bons exemplos de urbanismo sustentável, mas não vai ser com calçadas de granito.

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