Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘coleta seletiva’


Aos poucos a coleta seletiva de resíduos está se expandindo. Agora é a vez dos remédios vencidos que em São Paulo ao menos já contam com postos de coleta. Quem acompanha a evolução da consciência ambiental há mais tempo como eu lembra que há alguns anos atrás a luta era fazer as pessoas colocarem o lixo na lixeira. Com o tempo, surgiu a coleta seletiva básica que consiste em separar o lixo reciclável do resto não reciclável. Mais tarde, surgiram as quatro lixeiras coloridas para separar plástico, metal, papel e vidro. Depois vieram algumas lixeiras a mais como a marrom para lixo orgânico e a laranja para os perigosos. Mas isso tudo ainda não é suficiente. Existe a coleta de resíduos especiais como baterias, pilhas, óleo comestível, caliça, podas de árvores e lixo hospitalar. Indo por essa linha, os remédios vencidos também devem ser tratados como resíduo especial. O descarte sem critério pode causar problemas de contaminação ambiental, além do risco de serem utilizados indevidamente. O descarte correto do remédio vencido não é só uma questão ambiental, mas de saúde. Em casa, os remédios vencidos são uma ameaça, principalmente às crianças. Jogados no lixo comum podem ser consumidos indevidamente.

As toneladas de remédio vencido descartadas de forma inadequada no Brasil poderiam ser reduzidas a um mínimo se nós reduzíssemos a geração desse tipo de resíduo. No Brasil ainda não vingou a venda fracionada de remédios, ou seja, o consumidor compra exatamente a quantidade que o médico receitou. Em parte, por isso, sobra tanto remédio na casa do brasileiro. Em algumas cidades existem programas de governo para reaproveitamento de sobras de remédios dentro da validade. Se a pessoa tem em casa algum remédio válido sobrando pode levá-lo a um posto de coleta onde o produto será repassado a quem estiver necessitando.

Temos que nos acostumar à ideia da logística reversa. Você leva para casa um produto e mais tarde volta à loja para devolver o resíduo gerado. Um dia essa regra vai valer para todos os produtos que geram resíduo especiais. Dá trabalho administrar os próprios resíduos, mas no caso dos remédios vencidos, o descarte inadequado pode causar efeitos colaterais.

Anúncios

Read Full Post »


Boras na Suécia importa lixo, pois a produção própria não é suficiente para abastecer seus geradores de biogás. A cidade de 64 mil habitantes é modelo em tratamento de resíduos sólidos. Apenas 4% do resíduo gerado na cidade é enviado para o incinerador e é utilizado como fonte de energia térmica. A maior parte do lixo é tratado com a cooperação dos moradores, da Universidade e empresas locais. Uma parte do resíduo é reciclada e outra usada para produção de biogás para abastecer a frota de ônibus, casas e o comércio local.

Em Boras a coleta de lixo é bem diferente daquela que conhecemos. Não existe a coleta pública que passa regularmente na frente da casa e recolhe tudo que estiver na lixeira. Cabe ao morador preparar seus resíduos para a reciclagem e levá-los até os pontos de coleta espalhados pela cidade. Quem quiser comodidade pode contratar o serviço de coleta, mas terá que pagar por isso. A coleta será cobrada pelo volume transportado. O sistema adotado em Boras exige consciência dos cidadãos, mas também pega pelo bolso. Quem gera mais resíduo paga mais. Veja o manual que mostra como separar corretamente o lixo em Boras. Taí uma prova concreta de que o lixo enviado para aterros pode ser reduzido quase a zero e que lixo tem valor econômico.

Boras exporta sua expertise no tratamento de resíduos e mantém convênios com várias cidades pelo mundo, inclusive São Paulo. Enquanto isso, aqui no Brasil ainda lutamos pelo fim dos lixões.

Conheça melhor o programa de gerenciamento de resíduos de Boras.

Read Full Post »


Unidade de triagem e reciclagem do lixo

Londrina é a cidade brasileira com a maior coleta formal de lixo reciclável. Em 2008, a cidade coletou uma média mensal de 3.540 toneladas de lixo reciclável segundo a pesquisa Ciclosoft, ganhando de São Paulo, a segunda colocada e que tem uma população 21 vezes maior.

O sucesso de Londrina nessa área é atribuído à forte parceria entre a prefeitura e os catadores, que em Londrina são chamados de recicladores. Os recicladores são responsáveis pela coleta de casa em casa e levam o material reciclável até locais chamados de bandeiras onde o material é colhido por caminhões da prefeitura e levado para barracões das associações de recicladores. É o poder público trabalhando em parceria com a iniciativa privada. Parece que o modelo dá certo, afinal a taxa per capita de coleta formal em Londrina é de 8,27 kg/mês.

Os bons números de Londrina se distinguem, em parte, porque o modelo adotado por lá integra a coleta formal (do poder público) com a informal (dos recicladores). Em outras cidades pesquisadas, a coleta informal não foi contabilizada junto com a formal. É o caso de Curitiba onde a prefeitura coleta 1.530 t de lixo reciclável ao mês, mas onde os catadores recolhem outras 16.875 t/mês. Somando a coleta informal com a formal, Curitiba retira das ruas 18.405 t/mês de recicláveis. Dessa forma, supera Londrina inclusive em índice per capita (10,2 kg/mês por curitibano).

Independente, da forma como a pesquisa apresenta os dados, tanto Londrina como Curitiba têm bons números a mostrar e lições a ensinar para outras cidades brasileiras. Londrina mostra que a parceria com a iniciativa privada nessa área é um bom caminho. Curitiba confirma que os recicladores conseguem coletar muito mais recicláveis do que o poder público. Nos dois casos, a chave do sucesso está na valorização dos recicladores. Iniciativas que trazem dignidade e renda para os recicladores resolvem dois problemas: o social e o ecológico. Toda vizinhança precisa de padaria, farmácia, quitanda e também de um ponto de reciclagem.

Read Full Post »


pamonha doce

Lá em casa, toda semana é a mesma coisa. O alto-falante na rua anuncia:

— É o carro do churro que vai passando, freguesia. Churros fresquinhos.

Em seguida, minha mulher reclama:

— Sempre perto do meio dia. Só para estragar o almoço das crianças.

Semana passada foi diferente. Quem passou foi a kombi do alumínio. O alto-falante avisava a compra de peças de alumínio pelo melhor preço. Vale panela velha, esquadria e trilho de cortina. Quem diria, a indústria da reciclagem está inovando no marketing. Eu sempre achei que o carro dos churros era só poluição sonora, mas agora me obrigo a rever meus conceitos. Pelo bem do meio ambiente vale até a kombi do alumínio, freguesia. Realmente, para a reciclagem acontecer tem que capilarizar a coleta. Seria ótimo se em uma hora dessas passasse lá na frente de casa a kombi do lixo eletrônico. E quem sabe, ainda aparece algum marqueteiro inspirado com uma promoção imperdível: Dona Maria, traga sua panela velha de alumínio e ganhe uma pamonha fresquinha.

Crédito de imagem: Castelinho da pamonha

Read Full Post »


Celulares velhos

Quando você começa a separar o lixo, aos poucos vai entendendo que se trata de uma mistura complexa e que a separação bem feita não é fácil. Alguns tipos de lixo são um desafio para o cidadão consciente que deseja ver todos os seus resíduos indo para o destino ideal. O lixo eletrônico é um exemplo de resíduo que dá dor de cabeça para descartar corretamente.

Não se deve jogar um celular velho no lixo comum, obviamente. O certo é enviá-lo para uma empresa especializada nesse tipo de reciclagem sofisticada. Fabricantes de celular como Nokia e Motorola têm programas de reciclagem para seus aparelhos. O problema é que cada empresa só cuida do seu produto e são poucos os postos de coleta. Lá em casa, por exemplo, havia dois celulares Motorola velhos na gaveta que eu queria mandar para a reciclagem. No site da Motorola fiquei sabendo que existe um posto de coleta em Curitiba na assistência autorizada da empresa, que para mim fica do outro lado da cidade. Tudo bem, eu poderia ir até lá cumprir meu dever cívico de cuidar do meio ambiente, mas além dos aparelhos Motorola, eu tinha dois da Siemens para descartar. Deu para perceber que apesar da louvável iniciativa dessas empresas reciclarem seus próprios aparelhos é preciso melhorar a logística senão a reciclagem do lixo eletrônico não vai decolar. Que bom se tivéssemos pontos de coleta em cada esquina e que cada um deles recolhesse todo tipo de lixo eletrônico.

Antes de desistir, pesquisei na Internet e encontrei uma alternativa. A operadora Claro tem vários pontos de coleta em suas lojas espalhadas pela cidade. Lá, eu posso deixar celulares velhos sem restrição de marca ou de operadora. Uma boa idéia, é Claro! (o merchandising gratuito é reconhecimento pela responsabilidade social da operadora). Resolvi em uma só pernada o descarte desses poluentes gadgets e suas baterias de metal pesado. Meu próximo desafio é dar um jeito no museu de mouses, teclados e placas de computador que estão engavetados lá em casa.

Read Full Post »


A conta da energia elétrica é cobrada com base nos KWh consumidos. A taxa da água é calculada pelos metros cúbicos fornecidos e a do gás encanado, igualmente, pelo volume consumido. Os recursos que entram na sua casa são cobrados pelo que você consome. Então por que a coleta de lixo é cobrada por domicílio e não por quilogramas recolhidos e a de esgoto não é cobrada pelos litros lançados na rede? Talvez, ainda não seja viável fazer isso na sociedade pouco consciente em que vivemos. Concordo que ainda há muita coisa a fazer pelo ambiente antes de chegarmos a esse ponto, mas acredito que virá o dia em que seremos responsáveis pelo resíduo que produzimos. Quando esse dia chegar a lógica será simples: maior impacto ambiental, mais contas a pagar. Se o cidadão pagasse os custos do tratamento de seus resíduos, pensaria mais seriamente em reduzi-los. Esse conceito poderia ser aplicado em toda a cadeia produtiva como, por exemplo, no desenvolvimento de embalagens. A indústria de embalagens deveria pagar antecipadamente ao poder público pela destinação final da embalagem que põe no mercado. Se a embalagem tiver um custo ambiental alto, o pagamento antecipado pode ficar caro e inviabilizar o uso daquele tipo de embalagem. Assim a empresa talvez opte por outra solução de menor impacto. É uma solução baseada na pressão, mas que iria ao calcanhar de quem não está disposto a assumir a paternidade do que gera.

Leia mais sobre meio ambiente no meu site O homem ambiental.

Read Full Post »