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Posts Tagged ‘Comportamento’


Pois é, foram-se os bons tempos da invasão de praias. Quem é jovem há mais tempo como eu se lembra da canção:

… Mistura sua laia
Ou foge da raia
Sai da tocaia
Pula na baia
Agora nós vamos invadir sua praia …

Nós vamos invadir sua praia – Ultraje a Rigor

Agora a onda é o rolezinho, tipo de evento organizado pelas redes sociais em que jovens marcam uma ida em massa a shoppings centers. Se fosse uma coisa chique o rolezinho seria chamado de flash mob, mas o que está incomodando algumas pessoas é o fato de os rolezinhos serem praticados por jovens de periferia que gostam de uma algazarra e de vestir roupas de grife.

Fique claro que até o momento rolezinho não é um evento de índole socialista que elegeu os shoppings como local de protesto contra o consumismo capitalista. Tá certo, que já têm oportunistas ideológicos na área querendo pegar carona na repercussão dos rolezinhos na mídia, mas a consciência política dos “ativistas” do rolezinho ainda é escassa infelizmente. Por outro lado, está aumentando exponencialmente a indignação dos defensores da higiene social climatizada dos shoppings centers. Que horror ser incomodado no momento sagrado de lazer consumista por funkeiros da periferia, né gente?

Policiais reprimem rolezinho

A polícia já foi convocada para reprimir os rolezinhos. Dizem que shopping é propriedade particular que não pode ser invadida por qualquer um. Mas se é particular, porque a polícia tem que dar cobertura? Como contribuinte fico incomodado de ver a polícia gastando recursos na repressão de rolezinhos. Qual seria o delito praticado durante os eventos para a polícia comparecer de cassetete em punho?

Algumas pessoas veem os rolezinhos como um confronto entre elite e periferia, mas o fato é que eles acontecem em shoppings que no dia a dia são frequentados pelos próprios garotos e pessoas de condição social similar.  Será que nenhum lojista de shopping percebeu que os garotos do rolezinho são consumidores que adoram shopping a ponto de marcar encontros nesses caixotes refrigerados do consumo? Lojista que hostiliza rolezinho está expulsando seus clientes atuais ou futuros para longe da lojinha.

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Quando vamos ao supermercado, muitas vezes ficamos assustados com o preço de alguns produtos vendidos por kg. É clássico o assombro com o preço do bacalhau de primeira nas vésperas da semana santa, mas poucas são as pessoas que fazem o cálculo do preço por kg de produtos comercializados em apresentações leves como um bombom, por exemplo. Não é possível comparar produtos diferentes com apresentações diferentes e, por isso, em alguns países, além do preço do produto embalado, o cliente deve ser informado do preço por kg, o que é uma forma interessante de avaliar se o que você está pagando considerando uma mesma base de comparação entre os produtos. Veja na tabela a seguir o comparativo entre produtos alimentícios comuns nas gôndolas do supermercado. balança

Produto Apresentação Peso
embalado
(g)
Preço
(R$)
Preço
por kg
(R$)
Açúcar refinado Caravelas Pacote 1000 1,58 1,58
Laranja Pacote 3000 4,98 1,66
Arroz tipo 1 Tio João Pacote 5000 12,98 2,60
Óleo de soja Soya Garrafa 900 ml 837 2,38 2,84
Banana caturra Cacho 1000 3,88 3,88
Feijão carioquinha Caldo Bom Pacote 1000 4,69 4,69
Feijão preto Caldo Bom Pacote 1000 5,48 5,48
Arroz integral Tio João Pacote 500 2,80 5,60
Frango resfriado Peça 1000 5,99 5,99
Feijão preto cozido Wapza Pacote 500 4,60 9,20
Açúcar mascavo Jasmine Pacote 500 6,68 13,36
Açúcar Fit União Sache 75 1,14 15,20
Pipoca de micro-ondas Elma Chips Pacote 80 1,39 17,38
Biscoito integral Club Social Pacote 156 2,98 19,10
Sucrilhos Kellogg’s Pacote 300 6,20 20,67
Azeite extra virgem Carbonell Garrafa 500 ml 460 11,58 25,17
Vinagre balsâmico La Violetera Garrafa 500 ml 500 12,98 25,96
Energético Red Bull Lata 250 6,49 25,96
Chocolate Talento Garoto Unidade 100 2,80 28,00
Manteiga com sal Aviação Lata 200 5,99 29,95
Salgadinho Cheetos Elma Chips Pacote 55 1,68 30,55
Bicoito Bom Gouter Nabisco Pacote 100 3,28 32,80
Chocolate Twix Unidade 45 1,48 32,89
Polenguinho tradicional Polenghi Pacote 34 1,28 37,65
Arroz desidratado Tio João Pacote 175 6,81 38,91
Picanha bovina resfriada Peça 1500 65,18 43,45
Sustagen chocolate Lata 380 16,98 44,68
Salgadinho Baconzitos Elma Chips Pacote 55 2,48 45,09
Palmito inteiro Barriga Verde Vidro 300 13,98 46,60
Doritos queijo Nacho Pacote 55 2,68 48,73
Queijo Parmesão Parmíssimo Pacote 250 12,48 49,92
Sapoti (fruta) Unidade 400 19,99 49,98
Batata Stax Cheddar Elma Chips Tubo 156 7,98 51,15
Bombom Lacta Lancy Unidade 30 1,68 56,00
Cereja Granel 250 14,75 59,00
Bacalhau do Porto Peça 800 63,18 78,98
Confeti Lacta Pacote 25 1,98 79,20
Tictac Menta Ferrero Rocher Frasco 16 1,48 92,50
Bombom Ferrero Rocher Pacote 170 20,48 120,47
Chiclete WinterGreen Mentos Frasco 56 9,98 178,21

Uma conclusão imediata da análise da tabela é que a expressão “a preço de banana” já não faz sentido. A banana não é mais o alimento mais barato do Brasil. Alguns vão dizer que não vale comparar alimentos básicos com produtos gourmet. Realmente, o valor agregado em cada tipo de alimento varia. A conveniência atualmente costuma valer muito e produtos fracionados em quantidades pequenas costumam esconder preços altos pelo kg. Por isso defendo que todo produto deveria ter seu preço por kg declarado na etiqueta do supermercado, pois o bolso do cliente não tem papilas gustativas e decide por critérios mais avaros.

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Segundo o ditado popular os opostos se atraem. Esse mito se baseia na falsa ideia de que as pessoas buscam no outro aquilo que lhes falta. Vamos admitir que a sabedoria popular se aplica a alguns casos de oposição complementar, aquela em que os comportamentos ficam em lados opostos da escala, mas se completam harmoniosamente. Para ser franco, não consigo imaginar muitos casos de oposição complementar; talvez seja o caso da relação entre o autoritário e o submisso ou entre o tagarela com o bom ouvinte. O que predomina, todavia, no mundo das relações são as oposições conflituosas como a do sonhador x prático, do místico x materialista, do ingênuo x malicioso ou do metódico x improvisador.

cargas-elétricas

Analisando em maior profundidade, porém, veremos que mesmo comportamentos opostos conflituosos podem conviver de forma produtiva desde que os envolvidos não estejam muito afastados na escala de oposição. Deixem-me explicar partindo da relação entre uma pessoa organizada com outra bagunçada. Imaginem uma escala da organização que vai de 0 a 5. Os extremos da escala podem ser considerados patológicos. Pessoas extremamente bagunçadas (nível zero) podem ter problemas de convívio social, assim como aquelas que perseguem a organização de forma obsessiva (nível 5). Duas pessoas que estejam nos extremos opostos dessa escala vão entrar em choque, pois a distância entre elas na escala é muito grande. A matemática da compatibilidade consiste em tirar a diferença entre os números que definem cada pessoa. Um organizado nível 5 não conseguirá conviver com um bagunçado nível zero, pois existe um grau de separação de 5 pontos entre ambos. Distâncias pequenas de um ou dois pontos na escala de oposição podem ser produtivas. É o caso do convívio entre um sonhador moderado e um prático moderado em que um pode influenciar o outro sem que ninguém se sinta ultrajado.

Infelizmente, não há forma segura de medir a distância entre comportamentos opostos das pessoas para avaliar se elas são compatíveis entre si ou se as diferenças entre ambas podem ser interessantes para o desenvolvimento pessoal de ambas. Não há matemática suficiente para a quantidade de comportamentos opostos que as pessoas podem apresentar. Ingenuidade, porém, é desprezar a matemática e achar que os opostos sempre se atraem.

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Esses dias eu acompanhava notícias sobre o lançamento de produtos Microsoft e percebi uma certa adesão ao estilo maçã de ser entre os homens das janelas. Os apresentadores usavam roupas descoladas e informais que passavam um ar casual e descontraído. Um novo estilo para combinar com os blocos de cores vibrantes do Windows 8 que substituem as janelas cinzentas. Novos tempos que contrastam com o estilo do chefão Steve Balmer e suas camisas sociais azuis ou do mega chefão Bill Gates e seus óculos de aros dourados. Bem, esse não é um post sobre o mundo fashion da tecnologia, mas sobre estilos de criar produtos e gerir negócios.
Lançamento do surface
Steve Jobs fazia suas apresentações de produto de calça jeans e barba por fazer. Esse estilo casual o deixava mais jovem, menos careta, mais artista, menos engenheiro, mais descolado, menos técnico. O estilo Steve Jobs de ser que se confunde com o estilo Apple tem feito escola. A marca Apple está associada ao design elegante, a produtos conceiutalmente redondos, além de inovação, usabilidade e ousadia. Tudo bem, há muitas restrições aos produtos Apple: são caros; não tem o alcance e a compatibilidade do Windows e na porta da Apple Store tem um leão de chácara que barra a entrada de aplicativos suspeitos como uma tal da Playboy que não pode mostrar corpos femininos desnudos nas telas da Apple.Os produtos Apple não se prestam a serviço pesado e as políticas da empresa seguem um puritanismo de shopping center que faria mia tia carola dar risada. Mesmo assim, a imagem da Apple é sedutora, jovial, casual e cada vez mais pessoas tentam imitá-la.
A indústria do futuro será conduzida por designers que desbancarão os engenheiros? É provável que sim. Os executivos do futuro vão usar cada vez mais calças jeans e muitos vão aderir ao budismo em vez de ir à missa todo domingo de manhã. O ambiente corporativo ficará menos estressante? Parece certo que os sargentões estão com os dias contados, logo teremos menos controle nas empresas, mas se o estilo Jobs for seguido à risca haverá uma cobrança insana por resultados.
Steve Balmer e Bill Gates

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Quando cheguei ao escritório pela manhã, logo ouvi as conversas sobre uma tal de Black Friday. Na minha caixa de correio não demoraram a pipocar ofertas imperdíveis. Sim, agora temos Black Friday, um novo evento indutor de consumo que entra para o calendário de mega compras do comércio. Vejamos os principais:

  • JAN – Saldões de janeiro. Consumidores passam a madrugada na calçada esperando a abertura das lojas para disputar como puderem os produtos.
  • ABR – Páscoa. Obrigatório consumir chocolate na forma de ovos e fazer penitência comendo uma deliciosa bacalhoada na sexta-feira santa.
  • MAI – Dia das mães. Mesmo quem não tem mais mãezinha precisa comprar para os filhos que vão presentear a esposa.
  • JUN – Dia dos namorados. Agradar namorado(a) é fundamental e os casados obviamente são eternos namorados. Quem está avulso que arrume um rolo para passar a noite feliz.
  • AGO – Dia dos pais. Embora os pais não costumem fazer campanha pró-presentes eles também merecem sua lembrancinha.
  • OUT – Dia das crianças. Quem vai recusar um presentinho para os pimpolhos?
  • NOV – Black Friday. Vamos aproveitar a renovação dos estoques gente!
  • DEZ – Natal. Coroando a orgia do consumo, todo mundo tem que dar presente para todo mundo.

Alguns meses ainda aguardam pelo seu evento catalisador de consumo, mas a criatividade dos marqueteiros há de fechar as lacunas, certamente. Não vamos esquecer de outros eventos de menor porte como o dia da secretária ou da sogra que atingem públicos específicos. Imagine o cidadão que levar a sério o calendário de compras do comércio e que tenha mãe, pai, esposa, filhos, amigos do peito, além de secretária e sogra. Lembrando que essa comunidade de presenteados também faz aniversário, o afortunado consumidor terá que fazer pelo menos 30 compras por ano.

A Sexta feira negra é um evento do comércio americano, mas essa não é a primeira vez que adotamos uma prática made in USA, portando, let’s go shopping

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Todo mundo consegue dar um exemplo de música brega, mas explicar o que é esse tipo de música não é tarefa simples. Para começar, brega não é um gênero musical, embora, seja costume associá-lo com ritmos populares como o sertanejo, o axé e, obviamente, o bolero, gênero oficial do corno. Esses dias eu estava com meu lado brega aflorado e comecei a fuçar no YouTube em busca dos clássicos dessa injustiçada modalidade musical. Nada como o tempo para nos dar uma perspectiva mais equilibrada; montei a minha playlist do fino do brega (confira no final deste post) e cheguei à conclusão que os rótulos precisam ser periodicamente revistos, melhor ainda se nunca fossem usados. Playlist montada, a pergunta continuava a martelar minhas têmporas: o que é o brega e por que insistimos em usar esse rótulo pejorativo?

Você esteve ao meu lado
E roubou a minha paz
Hoje me serve de exemplo
Vou fugir enquanto é tempo
Você é doida demais

Você é doida demais – Lindomar Castilho

Antes de responder, vamos fazer outra pergunta: Brega para quem? A origem do termo remonta à década de 1960, época em que certas músicas eram rotuladas de cafonas por segmentos da classe média. O termo brega surgiu na Bahia e originalmente designava um tipo de música tocado nas zonas de meretrício. Brega, então, era a música romântica de apelo popular que embalava as noitadas boêmias dos desiludidos no amor. Com o tempo, o termo passou a ser aplicado pela classe média e pelos críticos a todo tipo de música que reunisse características como:

  • Melodrama. O derramamento sentimental, os exageros caricatos e lacrimejantes seriam indícios de breguice.
  • Linguagem simplificada. A mensagem rapidamente assimilável, as rimas simples, o vocabulário básico e sem criatividade seriam indicativos do brega.
  • Estrutura pobre. Melodias fáceis, arranjos pouco inspirados, ausência de ousadias formais; coisas do brega.
  • Ingenuidade. Visões de mundo de pouco alcance, lugares comuns, desconhecimento das explicações abrangentes seriam breguices.
  • Ausência de atitude. Falta de comprometimento com causas genuínas, alienação, escapismo: marcas bregas.

Isoladamente, nenhuma dessas características define o brega, até porque é possível encontrá-las também em músicas respeitáveis. De qualquer forma foi com argumentos desse tipo que segmentos com escolaridade crescente de uma classe média em formação começaram a impor um novo padrão de qualidade na música. Nada contra essa busca incessante da qualidade não fosse o abismo social criado: de um lado os bregas e suas canções melosas e do outro a bossa nova, o tropicalismo, a música engajada, o rock e outros gêneros mais elevados. Infelizmente, os novos filtros da qualidade foram aplicados de forma indiscriminada prejudicando muitos que não mereciam ser lançados na vala comum da mediocridade. Além disso, nas entrelinhas desse novo manual de qualidade se alojaram alguns preconceitos implícitos. Era como se frequentar a universidade fosse pré-requisito para fazer boa música, como se certas cores ideológicas fossem ingredientes fundamentais da qualidade; como se algumas atitudes e temas fossem vetados por conta de um moralismo carola.

Sorria meu bem, sorria
Da infelicidade que você procurou
Sorria meu bem, sorria
Você hoje chora
Por alguém que nunca lhe amou.

Sorria, sorria – Evaldo Braga

Revisitando os clássicos do brega percebemos injustiças que nos dias de hoje seriam analisadas com olhos mais piedosos. Não coube ao Agnaldo Timóteo lançar a primeira música brasileira que falava sobre relações homossexuais? Qual o problema de Fernando Moraes confessar seu amor por uma cadeirante? Quer mais autenticidade que a do Odair José ao prometer que tiraria a namorada da zona? E o Sidney Magal que cantava rebolando não era um vanguardista de costumes?

Sabemos dos defeitos amplamente divulgados da música brega, mas algumas coisas me intrigam nos clássicos dessa modalidade. Não são eles que têm o poder satânico de penetrar em nossa cabeça a ponto de ficamos o dia inteiro repetindo aqueles refrãos hipnóticos? Já reparou que naquelas festas de empresa, nos casamentos onde se reúnem as gerações são os clássicos bregas que fazem todos tirar a bunda da cadeira e se esbaldar no salão como se fosse a última noite dos tempos? Talvez hajam qualidades mal avaliadas no fino do brega. Poucas, pouquíssimas músicas conseguem a façanha de resistir à prova do tempo. Se algumas músicas brega entram nesse grupo seleto é porque devem ter algum encanto que rabugice nenhuma de crítico consegue embaçar.

A dor do amor é com outro amor
Que a gente cura.
Vim curar a dor deste mal de amor
Na boate azul.

Boate azul – Joaquim e Manoel

O brega está em constante evolução. O fuscão preto está sendo ultrapassado pelo Camaro amarelo em uma sucessão interminável de novos hits. Algum dia a música brega vai desaparecer? No futuro, quando todos tiverem escolaridade elevada e gostos refinados teremos apenas música chique? Espero que não. Esse mundo ficaria muito chato.

O Ministério da Cultura adverte: Aprecie o brega com moderação. Em caso de uso contínuo um crítico deverá ser consultado.

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Neste 31 de outubro, ao abrir meu Facebook, encontrei várias postagens comemorando o dia das Bruxas e outras tantas falando do dia do Saci. Para mim, essas duas “tradições” são novidade, afinal não me lembro de nenhuma delas na minha infância. Tá certo que a minha infância já se perdeu na poeira do tempo, mas tradições são coisas que vem de um passado remoto, não é mesmo?

O Halloween, conhecido aqui no Brasil como Dia das Bruxas, é uma tradição de países de língua inglesa e não sei por que cargas d’água está se popularizando cada vez mais aqui no Brasil. Seria por causa da existência de muitas bruxas por aqui? Eu mesmo não acredito nelas, mas conheço algumas. Já o dia do Saci foi instituído pela lei federal 2702 de 2003 justamente para fazer um contraponto ao dia das Bruxas. O que devemos comemorar, afinal, no dia 31 de outubro?

Não sou simpático ao Halloween em terras tupiniquins, afinal, estamos importando uma celebração que não tem nada a ver com nossa cultura. Ou tem? Se levarmos em conta que somos fortemente influenciados pela cultura americana muita coisa se explica. O Halloween tem apelo antropológico. Seria uma festa em que se brinca com a morte para exorcizá-la. Não por acaso, o Dia das Bruxas é comemorado antes de Finados. O Dia das bruxas tem raízes na cultura europeia. Já a lenda do saci é mais brasileira; o saci é uma entidade traquina nem sempre boazinha, mas acreditem o danadinho também remonta a lendas europeias. O gorro vermelho do saci remete à figura lendária do trasgo português, que por sua vez se conecta aos duendes europeus.

A comemoração do Halloween é voltada para as crianças e tem crescido nas escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental. Isso incomoda bastante os nacionalistas que contra atacam de saci. Será que as bruxinhas do Halloween serão substituídas por sacis traquinas? Quem não gosta de nem uma das duas comemorações pode acusar o Halloween de neopaganismo e a lenda do Saci de crendice popular. Talvez, o saci e seus companheiros nacionais como o caipora, a mula sem cabeça e a cuca vençam a batalha contra as bruxas e suas vassouras do hemisfério norte. Se isso acontecer, é bem provável que algum defensor das políticas corretas comece a implicar com o cachimbo do saci. Onde já se viu uma criança fumar.

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