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Posts Tagged ‘e-book’


Para quem pensava que a chegada dos tablets ao mercado causaria grandes danos na venda de e-book readers, aí estão as pesquisas. O Pew Research Center divulgou que em seis meses dobrou o número de americanos proprietários de  leitores digitais, passando de 6 para 12% dos adultos. O desempenho dos e-books readers está melhor do que o dos tablets. O número de proprietários de tablets no EUA passou no mesmo período de 5 para 8% dos adultos.

Havia dúvidas se e-book readers como o Kindle da Amazon e o Nook da Barnes and Nobles seriam atropelados pelos tablets, mas as pesquisas indicam que isso não vai acontecer por enquanto. Existem diferenças importantes entre os dois tipos de aparelho. Os leitores digitais têm menos funções do que os tablets, pois seu foco é a leitura. Em compensação são mais baratos, precisam de menos recargas de bateria e geralmente usam tecnologia de tinta eletrônica que é mais apropriada à leitura permitindo inclusive boa visualização ao sol. Os tablets, do seu lado, têm o apelo de serem mais versáteis, são computadores e a leitura é apenas uma de suas funções.

Sinceramente, não importa quem vai vencer essa batalha: e-book readers ou tablets. O importante é que aparelhos destinados à leitura continuem vendendo bem, afinal, tanto faz se uma obra é lida no Kindle, no iPad ou na milenar forma impressa também conhecida como livro. Interessa é que seja lida. A mente é o melhor lugar para os melhores textos.

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Para quem pensava que esse tal de e-book não ia dar em nada a notícia é que estão surgindo os primeiros autores milionários do ramo. Talvez o melhor exemplo da geração dos escritores digitais nativos seja Amanda Hocking, jovem americana (26 anos) que cansou de procurar um editor disposto a publicar seus romances “paranormais” na forma impressa. Desiludida com as portas fechadas das editoras tradicionais ela optou pela publicação independente de suas obras na Internet em formato e-book. Em pouco tempo ultrapassou a marca de um milhão de exemplares vendidos. Agora que a autora caiu no gosto do público jovem com suas histórias povoadas por vampiros, feiticeiras e outros entes sobrenaturais as portas se abriram e ela fechou contrato milionário com uma editora americana.

O exemplo de Amanda é um caso isolado, obviamente. Ficar milionário vendendo e-books independentes é para poucos. A maioria dos autores não vai sair da condição de duro intelectualizado, mas o consolo é que na época do livro impresso a vida do escritor era ainda mais complicada. A publicação digital permite edições independentes a baixo custo e ninguém mais pode se lamentar que não conseguiu publicar seu livro. Fazer sucesso, porém, é outra história. Quem sabe pegando umas dicas com Amanda Hocking ou Paulo Coelho que também mantém boas relações com as mídias digitais.

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Navegando pelo Flickr encontrei por acaso a imagem abaixo que me colocou para pensar em um aspecto da revolução digital até então despercebido por mim. O que vai acontecer com as bibliotecas tradicionais nos próximos anos? A Amazon, maior livraria digital do mundo divulgou que passou a vender mais livros em formato digital (e-books) do que na tradicional versão impressa. Grandes grupos de comunicação estão anunciando assinaturas digitais para ler seus periódicos em tablets como o iPad. A revolução digital não é algo distante que ocorre isoladamente em frentes avançadas. Ela está acontecendo em nível local. Aqui onde moro o jornal O Estado do Paraná interrompeu sua circulação impressa de décadas e passou a oferecer apenas a versão digital. As coisas estão mudando no mundo das letras e, em breve, chegará a vez de as bibliotecas passarem por transformações radicais.

Eu já fui um rato de biblioteca. Circulei muito pelos corredores da Biblioteca Pública do Paraná e das bibliotecas da UFPR. Na minha formação, a biblioteca era um santuário, local onde residia  o conhecimento. Essa vida de traça começou a mudar quando comprei o primeiro micro, um 386 DX. Lentamente, minhas idas à biblioteca foram rareando por conta de várias circunstâncias, mas credito à Informática a responsabilidade maior por minha carteirinha da biblioteca estar esquecida na gaveta. Não vou mais ler jornais e revistas no terceiro andar da BBP, nem garimpar obras literárias na biblioteca da reitoria da UFPr. Acredito que esses locais tão importantes para minha formação continuarão cumprindo papel importante por um bom tempo, mas será que sobreviverão à era digital?

Talvez o papel histórico das bibliotecas esteja se encerrando antes mesmo de elas terem se integrado ao cotidiano da maioria das pessoas. Talvez a missão de universalizar o hábito da leitura caiba aos tablets, e-book readers ou sabe lá qual engenhoca digital. Quando a leitura digital for dominante, os livros estarão na nuvem computacional, disponíveis em qualquer lugar e teremos que pensar no que fazer com os templos do conhecimento. As bibliotecas vão se tornar museus do livro, espaços culturais, atração turística? Enquanto esse tempo não chega, que tal visitar uma biblioteca?

Veja bibliotecas incríveis no Flickr:

Crédito de imagem:  http://www.flickr.com/photos/mrittenhouse/5740919596/

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O que é um livro? Digamos que é um texto longo, coeso, escrito por um autor, preparado e distribuído por uma editora e vendido em uma livraria. Como estamos em tempos digitais não importa qual mídia suporta o texto; pode ser papel, e-book reader, tablet ou voz gravada. No senso comum, livro é sempre um discurso longo que propicia algumas horas do leitura até ser assimilado. Longo quanto? Pelo menos umas 100 páginas ou 30.000 palavras, algo assim. Enfim, é a extensão e não a qualidade de um texto que o caracteriza como livro. Por razões diversas sempre houve dificuldade para autores publicarem em forma de livro textos de extensão intermediária, aqueles maiores que um artigo longo de revista e menores que um romance curto. A Amazon resolveu acabar com essa discriminação lançando o formato Kindle Single. Um Kindle Single é um texto de extensão média publicado em forma digital compatível com o e-book reader da Amazon. É um formato útil para uma série de propósitos como ensaios, novelas e manifestos, tanto que já foi chamado de panfleto digital. O preço de uma obra publicada no formato single será menor que o de um livro tradicional; na Amazon há obras ofertadas a US$ 0,99. Na cabeça das pessoas está arraigada a ideia de que o preço de um livro deve ser proporcional à sua extensão. Trata-se de uma mentalidade formada na era do livro impresso, afinal, livros com mais páginas consomem mais papel e recursos gráficos. Sinceramente, acredito que um livro, ou um quase-livro, vale pela qualidade de seu conteúdo independente de sua extensão, mas essa é uma outra conversa. A Amazon quer se posicionar em todos os segmentos e, por isso, criou o formato single. Se vai ser um sucesso teremos que aguardar para ver; espero que seja, pois quanto menos barreiras tivermos à circulação de ideias, melhor. Além do mais, o formato single é uma ideia digital e estou curioso para saber se o lado informatizado da indústria do livro vai assumir o controle da inovação do setor.

O Kindle single é um produto para a vida contemporânea escassa em tempo livre para leituras? As pessoas querem obras cada vez mais curtas? Qual o “comprimento” ideal para um livro? Primeiro vamos deixar claro que não falta tempo às pessoas. O dia continua tendo 24 horas e tudo é uma questão de prioridades. Alguns continuam lendo longos romances porque preferem uma convivência mais prolongada com o universo ficcional criado pelo autor. Basta lembrar que sagas como as de Harry Potter e O Senhor dos Aneis ocupam os jovens por longas horas de leitura sem que ninguém reclame pelo tempo gasto. Um livro deve ter o “comprimento” da ideia que veicula e, por isso iniciativas como a do Kindle Single são bem-vindas, afinal precisamos de formatos para todos os tipos de mensagens. Que ninguém fique sem dar seu recado por falta de canal de comunicação.

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O negócio dos livros digitais não para de crescer. Agora é o Google que aterrissou com tudo nesse mercado ao lançar a Google eBookstore. A proposta de Google se diferencia em relação a de outros gigantes como Amazon e Apple. Veja alguns destaques do modelo adotado pelo Grande Irmão.

Estante na nuvem. Seus livros ficam armazenados nos servidores do Google e podem ser acessados de qualquer dispositivo conectado: computador, celular ou e-book reader. Quando você estiver sem conexão como durante uma viagem de avião sua leitura está garantida porque o dispositivo de leitura que você usa pode manter cópia da maioria dos textos e assim que a conexão se restabelecer ocorre a sincronização automática de dados com a nuvem. Bem-vinda ideia de levar a sua estante para onde você for.

Múltiplos formatos e dispositivos. O modelo da Google eBookstore é independente de formato ou de dispositivo de leitura. Você poderá ler seus livros em formato PDF ou ePub. Poderá lê-las no iPad, no Nook ou no smartphone com Android. É uma proposta bem mais aberta do que as da Amazon e Apple que amarram o leitor a seus formatos e aparelhos.

Grande acervo de obras de domínio público. O Google mantém há anos um convênio com grandes bibliotecas que tem por objetivo digitalizar obras esgotadas, raras e de domínio público. Esse trabalho monumental reune mais de 3 milhões de títulos e permite que na sua casa você leia gratuitamente uma edição de Os Lusíadas do século XVIII antes disponível só para os poucos que fossem visitar a seção de obras raras de bibliotecas europeias.

A Google eBookstore traz novas possibilidades para quem gosta de ler e deve agitar o mercado do livro digital que já está aquecido. A oferta de livros em português ainda é limitada, mas certamente vai melhorar com o tempo. Existe o temor de uma concentração de poder nas mãos de uns poucos gigantes, a exemplo do que já acontece com o ITunes da Apple no mercado de música digital. O tempo dirá se essa concentração é prejudicial à produção cultural, embora eu creia que a organização econômica do negócio não impede que livros continuem sendo escritos e lidos.

Para o leitor, fica o desafio do desprendimento. O que você precisa? Um livro nas mãos ou seu texto disponível em qualquer lugar?

Crétido te imagem: Google Books

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O rito de passagem da publicação


Vamos separar duas coisas distintas que nos dias de hoje cada vez menos acontecem juntas: divulgação e reconhecimento. Uma coisa é fazer uma obra chegar aos quatro cantos do país, outra é ser reconhecido como autor de talento.

No passado divulgação e reconhecimento costumavam andar juntos. Quando um autor era publicado por uma editora como a José Olympio significava que as duas coisas, divulgação e reconhecimento, estavam acontecendo ao mesmo tempo. A obra teria lugar nas estantes das boas livrarias e o simples fato de ser autor da JOE, valia mais como reconhecimento do que qualquer prêmio literário ou resenha positiva do crítico mais ranzinza.

A regra da publicação por uma editora de prestígio como parâmetro de reconhecimento do autor continua sólida. Uma obra lançada por uma editora renomada é notícia, tem noite de autógrafos, gera matéria na mídia. É um autêntico rito de passagem. Através de toda esta movimentação é que o autor consegue se posicionar no universo da produção cultural e é por ela que o leitor se informa sobre as obras de qualidade. Lembremos que reconhecimento é um dos poucos estímulos com que o autor conta para manter o ânimo de produzir.

Bem, estamos em uma era de sites, de livros eletrônicos,  de produção de livros barata e sob demanda, de comércio eletrônico, etc.. Em outras palavras, se o autor quiser, pode divulgar seu trabalho a baixo custo e com total independência. Estamos bem próximos de resolver os problemas logísticos da divulgação da obra. Mas como fica nesta nova realidade a questão do reconhecimento, pois, o autor de qualidade precisa ser reconhecido e o leitor precisa saber quem são os autores de qualidade. Que parâmetros teremos no futuro para avaliar a qualidade da informação que nos chega em enxurrada por inúmeros canais?

Quando um autor publica um site com sua obra ele se desvia do circuito editora, noite de autógrafos, resenhas na mídia, etc.. Sim, porque a resenha de sites ainda é incipiente. Aqueles parâmetros tradicionais de reconhecimento estão derretendo. Numa visão simplista poderíamos dizer que se o autor publicou em site então sua obra não era aquelas coisas. Mas nós temos Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Frederico Barbosa, Régis Bonvicino, Ferreira Gullar e vários outros, bem reconhecidos e com seus sites no ar.

Quando o sujeito que gosta de poesia vai a uma livraria média, encontra uns vinte ou trinta títulos para escolher, todos de autores que já passaram por vários crivos de qualidade. Quando o mesmo leitor faz uma busca com a palavra poesia na Internet recebe aquela avalanche de sites pela frente e tem que fazer a via crucis se quiser encontrar algo bom.

Aí está o desafio desta nova era da informação democratizada. Ela passa ao largo dos tradicionais filtros de qualidade do complexo ecossistema da cultura. Alguns desses mecanismos deveriam ser mantidos ou novos deviam ser criados para que seja possível o reconhecimento do autor, caso contrário chegará o dia em que nossas antenas só captarão ruído de fundo.

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Edições esgotadas nunca mais


Se me perguntarem o que é melhor: livro de papel ou livro eletrônico, fico com os dois. Não porque me faça falta o doce contato sinestésico com a textura macia do sempre amigo livro. Da mesma forma não me considero um geek que adere a toda novidade tecnológica na primeira hora. Para que desejar o fim de uma ou outra mídia se ambas nos servem tão bem? A única coisa que lamento é que o livro eletrônico ainda engatinhe e vários problemas que ele resolveria ainda estão pendentes. Um desses problemas é o das edições esgotadas. Sugiro um teste aos leitores.

Logo abaixo há uma lista de vinte poetas brasileiros contemporâneos representativos que garimpei no site Jornal de Poesia. Não vou discutir a relevância da lista, mas  o que me parece evidente é que são 20 poetas de fato representativos. Escolhi uma lista de poetas para o teste dada a tradicional dificuldade de encontrar livros de poesia nas estantes das livrarias. Agora faça de conta que você é um interessado na poesia brasileira contemporânea que acaba de desembarcar no país. Você gostaria de conhecer os cinco livros mais importantes de cada poeta citado na lista. Ao todo você quer encontrar 100 livros. Faça uma busca pelas livrarias da sua cidade e veja o que encontra. Depois, tente outras táticas: vá às bibliotecas ao seu alcance, consulte as livrarias da Internet, contate diretamente as editoras ou percorra os sebos. Perceba que você vai se tornar praticamente um arqueólogo cultural. Será que no final da busca você conseguirá ultrapassar a marca de 50 livros? Eu fiz o teste numa das melhores livrarias aqui de Curitiba e encontrei 19 livros. Ressalvo que tamanho sucesso ocorreu porque dois autores da lista estavam presentes com livros de obra reunida. Se estivéssemos em plena era do e-book, que não se esgota, provavelmente eu não teria essa decepção além do que procurar na Internet é mais prático que peregrinar por livrarias, bibliotecas e editoras.

1º – Ferreira Gullar – 70 votos
2º – Ivan Junqueira – 56 votos
3º – Manoel de Barros – 56 votos
4º – Adélia Prado – 51 votos
5º – José Paulo Paes – 41 votos
6º – Haroldo de Campos – 41 votos
7º – Armando Freitas Filho – 40 votos
8º – Carlos Nejar – 40 votos
9º – Marly de Oliveira – 39 votos
10º – Augusto de Campos – 37 votos
11º – Affonso Romano de Sant’Anna – 37 votos
12º – Moacyr Felix – 37 votos
13º – Francisco Alvim – 36 votos
14º – Ruy Espinheira Filho – 36 votos
15º – Adriano Espínola – 35 votos
16º – Alexei Bueno – 33 votos
17º – Sebastião Uchoa Leite – 32 votos
18º – Lêdo Ivo – 30 votos
19º – Carlito Azevedo – 29 votos
20º – Bruno Tolentino – 28 votos

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