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Posts Tagged ‘economia’


Quando vamos ao supermercado, muitas vezes ficamos assustados com o preço de alguns produtos vendidos por kg. É clássico o assombro com o preço do bacalhau de primeira nas vésperas da semana santa, mas poucas são as pessoas que fazem o cálculo do preço por kg de produtos comercializados em apresentações leves como um bombom, por exemplo. Não é possível comparar produtos diferentes com apresentações diferentes e, por isso, em alguns países, além do preço do produto embalado, o cliente deve ser informado do preço por kg, o que é uma forma interessante de avaliar se o que você está pagando considerando uma mesma base de comparação entre os produtos. Veja na tabela a seguir o comparativo entre produtos alimentícios comuns nas gôndolas do supermercado. balança

Produto Apresentação Peso
embalado
(g)
Preço
(R$)
Preço
por kg
(R$)
Açúcar refinado Caravelas Pacote 1000 1,58 1,58
Laranja Pacote 3000 4,98 1,66
Arroz tipo 1 Tio João Pacote 5000 12,98 2,60
Óleo de soja Soya Garrafa 900 ml 837 2,38 2,84
Banana caturra Cacho 1000 3,88 3,88
Feijão carioquinha Caldo Bom Pacote 1000 4,69 4,69
Feijão preto Caldo Bom Pacote 1000 5,48 5,48
Arroz integral Tio João Pacote 500 2,80 5,60
Frango resfriado Peça 1000 5,99 5,99
Feijão preto cozido Wapza Pacote 500 4,60 9,20
Açúcar mascavo Jasmine Pacote 500 6,68 13,36
Açúcar Fit União Sache 75 1,14 15,20
Pipoca de micro-ondas Elma Chips Pacote 80 1,39 17,38
Biscoito integral Club Social Pacote 156 2,98 19,10
Sucrilhos Kellogg’s Pacote 300 6,20 20,67
Azeite extra virgem Carbonell Garrafa 500 ml 460 11,58 25,17
Vinagre balsâmico La Violetera Garrafa 500 ml 500 12,98 25,96
Energético Red Bull Lata 250 6,49 25,96
Chocolate Talento Garoto Unidade 100 2,80 28,00
Manteiga com sal Aviação Lata 200 5,99 29,95
Salgadinho Cheetos Elma Chips Pacote 55 1,68 30,55
Bicoito Bom Gouter Nabisco Pacote 100 3,28 32,80
Chocolate Twix Unidade 45 1,48 32,89
Polenguinho tradicional Polenghi Pacote 34 1,28 37,65
Arroz desidratado Tio João Pacote 175 6,81 38,91
Picanha bovina resfriada Peça 1500 65,18 43,45
Sustagen chocolate Lata 380 16,98 44,68
Salgadinho Baconzitos Elma Chips Pacote 55 2,48 45,09
Palmito inteiro Barriga Verde Vidro 300 13,98 46,60
Doritos queijo Nacho Pacote 55 2,68 48,73
Queijo Parmesão Parmíssimo Pacote 250 12,48 49,92
Sapoti (fruta) Unidade 400 19,99 49,98
Batata Stax Cheddar Elma Chips Tubo 156 7,98 51,15
Bombom Lacta Lancy Unidade 30 1,68 56,00
Cereja Granel 250 14,75 59,00
Bacalhau do Porto Peça 800 63,18 78,98
Confeti Lacta Pacote 25 1,98 79,20
Tictac Menta Ferrero Rocher Frasco 16 1,48 92,50
Bombom Ferrero Rocher Pacote 170 20,48 120,47
Chiclete WinterGreen Mentos Frasco 56 9,98 178,21

Uma conclusão imediata da análise da tabela é que a expressão “a preço de banana” já não faz sentido. A banana não é mais o alimento mais barato do Brasil. Alguns vão dizer que não vale comparar alimentos básicos com produtos gourmet. Realmente, o valor agregado em cada tipo de alimento varia. A conveniência atualmente costuma valer muito e produtos fracionados em quantidades pequenas costumam esconder preços altos pelo kg. Por isso defendo que todo produto deveria ter seu preço por kg declarado na etiqueta do supermercado, pois o bolso do cliente não tem papilas gustativas e decide por critérios mais avaros.

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Para comemorar seus 10 anos de governo do Brasil o partido da atual presidenta lançou uma cartilha onde exalta suas conquistas e faz comparações com a administração anterior. Obviamente, a cartilha prova que a administração atual é muuuuuuito melhor do que a antecessora. Concordo que o Brasil está melhor hoje do que há dez anos, mas não sei se credito esse avanço à administração recente ou a uma evolução natural da nossa sociedade da qual todos participam. Temos que levar em conta que o trabalho e as lutas de uma geração servem de base para a prosperidade de quem vem na sequência. Da mesma forma, não podemos ser ingênuos a ponto de pensar que o desenvolvimento de um pais é linear, sempre para melhor. Há períodos de estagnação e de decadência que se alternam com períodos de prosperidade. É por isso que prefiro fazer comparações considerando intervalos de tempo maiores.

Que país é esse?

Vivemos um momento de pleno emprego no país e isso é perceptível no meu cotidiano. Na empresa onde trabalho os funcionários novos geralmente são universitários que conquistam um emprego de nível superior bem antes da conclusão do curso. Há uma carência de mão de obra qualificada no país, situação bem diferente da que enfrentei há quase três décadas quando concluí meu curso universitário. Comecei minha vida profissional em um período que ficou conhecido como década perdida. No começo da década de 1980 governava o país um presidente general que pediu para ser esquecido, a inflação galopava e o FMI ditava as regras da política econômica no país. Na sequência, tivemos um presidente mexicano do Maranhão que lançou planos econômicos um atrás do outro, sempre causando grandes prejuízos para os desprevenidos como eu. A autoestima do brasileiro naqueles tempos estava mais por baixo do que barriga de jacaré. Para quem quiser recordar o astral da época recomendo duas músicas que sintetizam o sentimento do período: Inútil do Ultraje a Rigor e Que país é esse? da Legião Urbana.

A gente não sabemos
Escolher presidente
A gente não sabemos
Tomar conta da gente
A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
Que nóis é indigente…

Inútil – Ultraje a Rigor

No final da década de 80, o presidente bigodudo, que até hoje protagoniza a política nacional, deixou para o sucessor um legado de inflação, dívidas e escândalos, mas vamos reconhecer que ele sepultou boa parte do legado autoritário do regime militar anterior. Seu sucessor, o presidente caçador de marajás também abusou dos planos econômicos de choque que me deram bons prejuízos. Esse presidente galã se mostrou um corrupto voraz que escandalizou até a classe política. Em sua curta passagem pelo Planalto não conseguiu debelar a inflação, mas abriu nosso mercado para o mundo, o que acabou oxigenando a economia. Seu sucessor de breve atuação era um ranzinza saudosista que gostava de fuscas, mas deu uma bola dentro ao criar uma nova moeda: o real. Sua política econômica debelou a inflação galopante.

O sucessor do presidente de topete foi um intelectual com gosto pelo poder que usou um receituário econômico liberal e conseguiu a proeza em termos de Brasil de cumprir dois mandatos presidenciais por eleição direta. No governo do tucano muitas pressões da década perdida desapareceram: inflação baixou, a dívida caiu e a economia andou nos eixos apesar de algumas crises e felizmente o período dos pacotes econômicos de choque já havia passado.

No terceiro milênio assumiu o presidente operário que governou em bonança econômica. Não se sabe se esse período de estabilidade aconteceu por conta da competência do operário, se pelo fato de ter recebido a casa em ordem ou se ele surfou na onda da economia internacional que ia de vento em popa. Prefiro acreditar que foi pela soma dos fatores. O presidente operário adotou medidas que melhoraram a renda das camadas menos favorecidas da sociedade e isso criou um novo mercado para o país, que a essa altura já se sentia bem com a alcunha de país emergente.

A quem cabe o mérito pela boa fase que o Brasil atravessa? Em primeiro lugar à população que acorda cedo todo dia e vai trabalhar independente da inflação, do FMI dos escândalos ou da crise internacional. Outra coisa é certa: a prosperidade não se constrói de um ano para outro; ela é o fruto do trabalho de gerações e ninguém pode dizer que a construiu sozinha do zero.

Quando vivemos um bom momento, sempre é bom olhar para trás e depois para o futuro. O bom momento de hoje teve origem nos sacrifícios do passado. Sem se deixar levar pela euforia vamos nos manter atentos porque amanhã os ventos podem ser outros. Ainda somos inútil? Somos emergentes, muita humildade nessa hora.

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?

Que país é esse? – Legião urbana

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Não precisa desligar o computador agora. Pode ler este post com calma, mas pense em quanto tempo você mantém seu computador ligado diariamente. Em dias úteis, eu passo mais de dez horas por dia diante de um computador. Ele é minha ferramenta de trabalho e de lazer e o consumo de energia com esse uso intenso não pode ser ignorado. Adotando as melhores práticas dá para reduzir muito o consumo do computador; pena que poucos prestem atenção a esta questão a começar pela indústria que raramente divulga o consumo de seus aparelhos ou mostra preocupação em torná-los mais eficientes. Consultando as tabelas do Energy Star encontramos diferenças enormes de eficiência energética entre aparelhos  Um computador pode consumir o triplo do que outro de configuração similar. Os usuários também não prestam muita atenção no consumo de seus computadores como se fosse algo desprezível. Já vi gente sair de férias deixando o computador ligado no escritório. Para ser mais convincente no que estou dizendo, vamos às dicas e aos números.

Desligar ou manter ligado direto? Os técnicos não chegam a um acordo se é melhor desligar o computador no final do expediente ou deixá-lo ligado direto. Uns dizem que o liga desliga reduz a vida útil do equipamento, outros que o funcionamento contínuo também prejudica a máquina. Nosso foco neste post, entretanto, é a questão ambiental e a regra é clara: quanto menos energia o computador consumir, melhor para o meio ambiente, por isso prefira desligar o aparelho sempre que deixar de usá-lo por períodos mais longos.

Suspender, hibernar, desligar? O modo suspender, também conhecido como stand-by, em espera, sleep ou dormir é uma boa maneira de economizar energia quando o computador ficar sem uso por períodos curtos. Em um computador bem projetado o modo suspenso consome menos de 10% da energia utilizada em uso normal e basta um toque para a máquina voltar ao trabalho. A hibernação é uma forma de desligar o computador que restaura a área de trabalho exatamente como foi deixada antes da hibernação. Em termos de consumo de energia, hibernar equivale a desligar. Hibernação ou desligamento são recomendados sempre que o computador ficar sem uso por períodos mais longos.

Monitor. O monitor é o periférico que consome mais energia e quanto maior a área da tela maior será o consumo. Telas pequenas como as dos netbooks e tablets são mais econômicas. A tecnologia do monitor também conta. Monitores de tubo (CRT) são os que mais consomem energia. os de LCD são econômicos e os de LED ganham disparado em economia. Desligar o monitor quando não estiver usando também é uma opção de economia.

Desktop, nobebook, netbook ou tablet? Os computadores de mesa (desktop) são vilões do consumo, podem gastar cinco vezes mais do que um aparelho pequeno como os netbooks ou tablets. É bom pensar em qual é a sua real necessidade. Talvez um aparelho pequeno resolva seu problema.

Proteção de tela, papel de parede preto? A proteção de tela não economiza energia, mas a tela preta consome menos energia do que a branca. O Google oferece uma versão black de sua página inicial para os internautas mais ecológicos.

Veja na tabela o comparativo entre vários cenários de uso do computador.

Cenário de uso Consumo mensal (KWh)
Computador desktop e 2 monitores 19” ligados 24h sem suspensão. 129
Computador desktop, 1 monitor 19” com suspensão no final do expediente. 41
Computador desktop, 1 monitor 19”, suspensão em períodos curtos e hibernação no final do expediente. 37
Notebook 14” ligado 24 horas sem suspensão. 29
Notebook 14” com suspensão no final do expediente. 14
Notebook 14” com suspensão em períodos curtos e desligamento no final do expediente. 12
Netbook 10” com suspensão em períodos curtos e desligamento no final do expediente. 6

Até aqui falamos das vantagens técnicas de desligar mais o computador, mas que tal desligá-lo para fazer uma caminhada no parque? Taí uma forma de ajudar o meio ambiente e desfrutar a natureza.

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home-office

O trabalho em casa é um modelo muito antigo de produção que só na História recente deixou de ser predominante na economia. Meu avô Lourenço, por exemplo, era sapateiro e trabalha em uma oficina que ocupava o cômodo da sua casa voltado para a rua. O meu outro avô, Napoleão, era moleiro. As máquinas do moinho dele ficavam no pavimento inferior de sua casa. No pavimento superior, ficavam a venda e a área residencial da casa. Atualmente, o trabalho em casa é a opção de milhões de autônomos e micro empresários e mesmo grandes empresas adotam esse modelo com uma parte de seus funcionários. Até o presidente dos Estados Unidos trabalha em casa.

O ganho ecológico que salta aos olhos no trabalho em casa é a economia com transporte. Você não precisa enfrentar congestionamentos e queimar combustível para chegar ao serviço. Outro ganho evidente é a economia de infra-estrutura. Voltando ao exemplo do nôno Napoleão: ele usava apenas um telhado para cobrir sua casa e seu moinho.

Na maioria dos casos, a coexistência de trabalho e moradia em um mesmo local é interessante para o meio ambiente. No entanto, quando o assunto é ecologia só o balanço global é que importa. Imagine o caso hipotético da Dona Maria, que construiu um cômodo adicional em sua casa, pois costura para uma indústria de roupas. Diariamente ela vai até a sede da confecção para entregar peças prontas e pegar novos cortes. Nesse caso, a vantagem ficou apenas para a confecção que deixou os gastos por conta da Dona Maria. Pois é. Ambientalismo e trabalho em casa são para quem leva tudo na ponta do lápis.

Este é um post escrito em casa, por isso é mais ecológico que  similares produzidos em grandes redações.

Crédito de imagem: Home Office Snapshots

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Índice Dow Jones

Quando uma crise econômica se instala o consumo de energia e de matérias primas diminui, o comércio vende menos, as pessoas viajam menos e reduzem o seu padrão de consumo. Todas essas mudanças são ótimas para o meio ambiente, certo? Quase certo. Em se tratando de meio ambiente, o que importa é o balanço global. Durante crises econômicas as prioridades mudam e as questões ambientais perdem relevância diante de problemas considerados mais urgentes como a manutenção do emprego e recuperação do faturamento das empresas. Durante as crises da economia fica mais difícil implantar práticas novas favoráveis ao meio ambiente e os governos hesitam em adotar restrições ambientais ao funcionamento da economia. Em tempos de crise, as pessoas costumam fazer vistas grossas aos impactos ambientais porque o crescimento econômico é o valor maior de nossa sociedade.

A essência do ambientalismo está em reduzir o nosso impacto ambiental e a essência da economia tem sido a busca do crescimento ao infinito e além. Essa contradição só será superada no dia em que nosso paradigma for o do crescimento sustentável.

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Freeconomics

Chris Anderson, editor da revista Wired e autor de A cauda longa, está concluindo sua nova obra: Free. Nesse novo livro ele trata da tendência particularmente forte no mundo digital de oferecer produtos e serviços gratuitamente. Leia um trecho do livro (em inglês).

Bem, não é tudo grátis. Por exemplo: um site de jogos multiplayer dá acesso básico grátis, mas cobra pela conta premium. Ou então: a operadora dá o celular de brinde, mas cobra uma assinatura salgada. A mesma operadora mantém um provedor gratuito de Internet para usuários de conexão discada para que o cliente use mais o telefone. Essa tática não é nova. Chris Anderson cita o exemplo de King Gillette que distribuía aparelhos de barbear gratuitamente, pois o negócio do senhor Gillette era vender lâminas descartáveis. Traficantes de drogas também distribuem seu produto gratuitamente a clientes potenciais pensando numa fidelização futura.

Talvez eu seja o último neo-liberal (do bem, viu?), pois nunca vi com bons olhos as táticas maliciosas da economia free. Elas criam uma distorção em nossas mentes sobre o real valor das coisas. Não acredito em serviços grátis. Sei que pago a conta da TV aberta toda vez que abro uma Coca-Cola e que a escola pública e gratuita é paga com impostos. Mas a cultura da gratuidade faz sucesso na Internet. O Google é amado por legiões porque é free, ao contrário da Microsoft que é vista como Grande Satã porque cobra por licenças de uso. Alguém paga pelos serviços do Google: são os compradores de produtos anunciados pelo AdWords. O ecossistema da Internet está muito vinculado à gratuidade dos serviços e as novas gerações vão ficar viciadas nessa ilusão, assim como a TV aberta se estabeleceu em um modelo de negócio grátis no lado consumidor. Infelizmente, poucos percebem as estratégias marotas da gratuidade. Nem relógio trabalha de graça e a questão é simples: grátis para quem?

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Cofres porquinhoÉ chato desmistificar velhas tradições, mas não resisti ao impulso de falar mal dos cofres porquinho. Eles são ícones arraigados no inconsciente coletivo e tidos como poderoso instrumento de educação financeira das crianças. Mas vejam bem:  o princípio básico do cofre porquinho é que para pegar o dinheiro que fica lá dentro você tem que quebrar o porquinho. É um bem descartável que não combina com a filosofia do reuso. Quando colocamos moedas no porquinho, nós as tiramos de circulação por um longo período. Se todo mundo usasse cofre porquinho, a Casa da Moeda teria que multiplicar sua produção por dez ou mais. Produzir moedas custa dinheiro, às vezes mais do que o valor impresso nelas. Prefiro ensinar aos meus filhos que pessoas econômicas usam bens reutilizáveis e que moeda foi feita para circular de mão em mão.

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