Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘estrangeirismo’


sale (liquidação)

Aqui no Paraná, nosso governador Hugo Chávez dos Pinheirais, digo Roberto Requião, sancionou uma lei antiestrangeirismo nas peças publicitárias que está causando a maior polêmica. A lei foi proposta pelo governo e vigora desde 17/07/2009, seguindo a mesma linha de lei estadual similar, criada em maio de 2009 pelos cariocas. Os publicitários locais estão em pé de guerra porque, segundo eles, a lei gera um custo Paraná para anunciantes nacionais, que terão de adaptar suas peças para veicular em solo paranaense.

A lei diz que termos estrangeiros em peças publicitárias devem ser traduzidos usando letras do mesmo tamanho usado para o estrangeirismo. Pairam dúvidas sobre a extensão da lei. Nomes próprios devem ser traduzidos também? Por exemplo: se uma construtora lançar o Central Park Residence terá que divulgar no anúncio o nome traduzido? Expressões incorporadas ao cotidiano da língua como e-mail ou know-how precisam ser traduzidas? Essas dúvidas ilustram como é complicado modelar a língua por decreto.

Ao propor a lei, o governador Requião devia estar pensando em eliminar aquelas propagandas irritantes que usam expressões como sale, 50% off ou delivery. Tudo bem, eu também fico mordido com elas e imagino que esse tipo de propaganda só agrade a algumas dondocas e dondocos. Mas bem esses são os clientes da loja, dirão os publicitários. E não é com uma penada palaciana que vamos descolonizar a cabeça desse povo, diria a voz da razão.

Não é de hoje que os publicitários e marketeiros recorrem a estrangeirismos para dar um ar de sofisticação aos produtos. Provavelmente, o Central Park Residence vende melhor do que um impensável Residencial Parque Central.Se ainda estivéssemos na esfera de influência francesa, como ocorria há um século, o empreendimento se chamaria Résidence Champs Elysées. Assim caminha a província que imita a metrópole. O governador Requião acredita que essa lei maior da imitação colonial pode ser revogada com uma lei antiestrangeirismo. É uma abordagem, pouco produtiva, mas é uma abordagem. Infelizmente, o fim do estrangeirismo fútil só vai acontecer quando deixarmos de ser colônia, ou quando formos metrópole.

Anúncios

Read Full Post »


cognac conhaque

Os criadores da Reforma Ortográfica deixaram a ABL (Academia Brasileira de Letras) em uma saia justa. Cabe à ABL publicar o Vocabulário Ortográfico, o livro que mostra a grafia oficial das palavras da língua portuguesa no Brasil. O problema é que o Acordo Ortográfico veta as grafias estrangeiras. O que são grafias estrangeiras? Boa pergunta, mas não vamos respondê-la nesse post. Basta sabermos que elas são vetadas no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa). São exemplos de grafia estrangeira: hardware, jingle e pizza. O que fazer se essas palavras circulam por aí e precisam ser escritas? A ABL adotou uma solução engenhosa: no final do VOLP incluiu uma lista de palavras sob o lacônico título palavras estrangeiras. Entende-se que são palavras de uso corrente no país, mas que usam grafia estrangeira. Dessa forma, a ABL se livrou do ridículo que seria não registrar oficialmente a grafia de palavras que estão na boca do povo como bunker, yakisoba ou blog. Ao mesmo tempo, colocou essas palavras em quarentena antes de uma incorporação oficial definitiva ao idioma.

Nós estamos acostumados a uma velocidade alta de transformação social e, por isso, achamos leeeeeeento o processo de incorporação das palavras estrangeiras ao nosso léxico. No entanto, é preciso admitir que o conservadorismo da ABL tem sua razão para ser. Primeiro a palavra tem que se firmar como genuína do idioma; depois ela passa por uma acomodação fonética e, por último, por uma acomodação ortográfica. Esse processo ocorre com todos os estrangeirismos. Basta lembrar como demorou a acomodação de palavras que chegaram ao nosso idioma há mais tempo como as francesas boate (de boite), abajur (de abat-jour) ou conhaque (de cognac). E mesmo depois que a palavra ganha sua grafia nacional, leva um bom tempo até que os nativos passem a adotar a grafia aportuguesada. Você já viu alguém tomando uísque? Whisky é mais chic (ops, chique), não é mesmo?

Read Full Post »