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Posts Tagged ‘informação’


Redes sociais como Facebook e Twitter apresentam as informações em uma linha do tempo invertida que vai dos itens mais recentes para os mais antigos. Muitas fontes de notícias da Internet também adotam a mesma organização enfileirando as notícias em listas cronológicas inversas. Eu tenho uma resistência a essa forma de organizar informação porque é uma maneira fragmentada de olhar o mundo. Pode ser interessante quando você quer acompanhar passo a passo os desdobramentos de um acontecimento importante, mas na maioria dos casos prefiro o formato dossiê, em que alguém se dá ao trabalho de organizar a informação, sintetizando, resumindo e pondo ordem no caos. Provavelmente, isso tem a ver com minha preferência pela visão de conjunto em vez do detalhe. As reportagens das revistas impressas de atualidades são bom exemplo do uso inteligente do formato dossiê. Reportagens supõe a figura do editor que se encarrega do trabalho pesado de eliminar as redundâncias e as irrelevâncias para produzir um bloco coeso de informação e de preferência que venha interpretada e opinada.

Não sei o que é mais difícil: produzir timelines ou dossiês e para não radicalizar vou admitir que cada formato tem seu valor. A cobertura de uma revolução certamente fica mais dramática em forma de timeline, pois transporta o leitor para a intensidade dos eventos. O dossiê, por outro lado, nos traz uma visão de conjunto mais depurada. Infelizmente, o formato timeline está se difundindo para além do bom senso, talvez em função do imediatismo que rege a Internet. Produzir dossiês requer um trabalho de coleta e síntese da informação que não dá para fazer em tempo real. A maioria não quer esperar e prefere publicar a todo o instante, geralmente se ocupando do momento e poucos se preocupam com a relevãncia do que é publicado. Dossiês são raros na Internet se comparados às timelines. Será que na Internet só vemos as árvores sem ver a floresta?

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A cada dia está mais fácil encontrar exatamente o que você deseja no mar de informação em que navegamos. Quer assistir aquele western antigo que quase ninguém lembra? Gostaria de encontrar fotos bacanas de tampa de bueiro na Internet? Seu interesse é por plantas com poderes curativos mágicos? Não importa o quanto especializados e exóticos são seus gostos e necessidades. A informação está cada vez mais acessível e as redes sociais permitem que pessoas com interesses específicos encontrem seus pares nesse mundão de Deus. Essa facilidade para o consumo de informação segmentada era impensável há algum tempo atrás. Lembro que há poucos anos quem quisesse assistir um filme diferente tinha que aguardar o dia incerto em que ele fosse exibido na cinemateca da cidade ou em algum final de noite na TV. Informações sobre plantas medicinais? Tinha que ir a biblioteca ou à livraria contando que na sua cidade houvesse uma boa biblioteca ou livraria.

Informação abundante e segmentada é tudo de bom, mas há um risco quando o sujeito começa a assimilar apenas aquilo que lhe agrada ou supostamente interessa. Excesso de segmentação pode levar a uma espiral de isolamento. Por um certo tempo optei por me informar sobre atualidades por meio de feeds de notícias da Internet. Escolhi os temas que me interessavam como tecnologia, cultura e meio ambiente. Informação focada direto ao ponto. Essas escolhas melhoraram meu conhecimento sobre os temas que me interessavam mais, mas ao mesmo tempo comecei a ficar alheio de todo o resto. No escritório, os colegas falavam sobre o campeonato brasileiro e eu não sabia sequer com quem meu time tinha jogado na semana. Felizmente, percebi que era preciso prestar um pouco de atenção nos assuntos que pouco me interessam e voltei a assistir telejornais. Essa forma passiva de consumir informação me consome mais tempo e eu tenho que aturar assuntos que me desagradam ou entediam. Tudo bem, é o preço a ser pago para se manter conectado com o mundo, porque o mundo não é só o que você quer ver.

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Produzir informação de qualidade não é fácil e custa dinheiro. É o que dizem os representantes dos grandes órgãos de imprensa e eu concordo. Para trazer informações sobre a guerra é preciso colocar um repórter no meio do tiroteio. Para trazer à tona um escândalo de governo é preciso investir em longas e complexas investigações. Para opinar sobre a conjuntura com propriedade é preciso ter uma formação sólida, acesso a fontes, credibilidade, etc. Estamos falando de informação primária, aquela que depois será replicada exaustivamente pelos multiplicadores secundários e terciários. Os produtores de informação primária se queixam que a Internet prejudica o negócio deles, na medida em que a matéria deles rapidamente se espalha de forma capilar pela rede até ficar disponível em qualquer lugar. A replicação da informação a torto e direito desvaloriza esse bem e o transforma em mera commodity, é o que dizem e eu concordo. Vou explicar.

Neste blog, faço comentários sobre notícias que eu não apurei. Leio as notícias como qualquer cidadão na Internet, mas o meu negócio não é a notícia e sim o comentário e, por isso, não me considero um replicador. Costumo dar o crédito às minhas fontes e permito que meu conteúdo seja copiado em outros locais, desde que deem os créditos devidos. Pesquisando na Internet encontro meus textos em vários locais da rede, às vezes creditados, muitas vezes não. Se a replicação acontece comigo que não passo de um micro produtor imagine o que não ocorre com as fontes prestigiadas e tradicionais. Tenho a impressão que a Internet ficaria bem menor e melhor se não houvesse tanta cópia da cópia da cópia.

Chegará um dia em que todo mundo além de consumir, vai produzir informação. Talvez, então, as pessoas vejam a informação sob uma perspectiva diferente, não mais como uma mercadoria indiferenciada disponível a granel, mas como algo que leva uma assinatura.

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Houve um tempo em que você ia ao médico e ele media sua pressão. Depois disso, anunciava uma sentença definitiva:

— É, meu caro, sua pressão está um pouco alterada. Você tem que cortar o sal e fazer mais exercícios.

Agora, antes dar o veredicto, o médico lhe entrega um aparelho que fica em seu braço por 24 horas medindo sua pressão em intervalos curtos e dali sai um gráfico detalhado. Analisando o gráfico você vai perceber que sua pressão sobe e desce sem parar ao longo do dia. Vivemos em um mundo de dados abundantes fornecidos em tempo real onde tudo ficou mais relativo, bem diferente daquela época em que a informação era escassa e disponível somente para privilegiados. Depois de olhar meu gráfico de pressão perguntei ao médico se eu estava com pressão alta. Ele começou a responder com o famoso “Veja bem …” e eu entendi que jamais chegaria a um veredicto graças à abundância de dados que o gráfico propicia. De qualquer forma, a recomendação para reduzir o sal e fazer exercícios continua válida.

No passado, quando eu morava em apartamento, nem prestava atenção na previsão do tempo. Depois, mudei para uma casa e comecei a acompanhar as previsões pelo telejornal porque o jardineiro que baixou em mim começou a se preocupar com as plantinhas do quintal. Mais recentemente, instalei na minha página inicial de Internet um painelzinho (um widget) que fornecia a previsão do tempo em Curitiba. É impressionante como a previsão varia de uma hora para outra. Ontem pela manhã, por exemplo, a previsão era de chuvas leves durante o dia. Enquanto isso, pela janela do escritório eu via um dilúvio despencar do céu. No período da tarde, a previsão já tinha mudado para tempo nublado e pela janela eu via um belo pôr do sol ensolarado. Acredito na seriedade dos meteorologistas, penso que são homens honrados e se não mantêm a palavra sobre suas previsões é porque o clima é caótico e prever o tempo da minha cidade é para bravos. É mais fácil antecipar o comportamento de uma mulher do que dizer se vai chover em Curitiba daqui uma hora.

Hoje, antes de escrever este post, removi o painel de previsão do tempo da minha página inicial. O tempo em Curitiba continuará imprevisível, assim como as previsões, pelo menos enquanto não chegarem os hipercomputadores. Voltarei a me informar pelo telejornal. Basta-me saber uma vez por dia qual é o palpite cientificamente embasado dos meteorologistas. Vou entrar em uma dieta de informação. Chega de informações calóricas. Não preciso acompanhar minuto a minuto tudo o que estão medindo pelo mundo afora. Vou levar mais a sério a distinção entre tempo e clima. Tempo é o momento, clima é o que permanece. Ficarei com os resumos, com as sínteses, com a essência.

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tartarugas

Esses dias, eu estava sentado à mesa fazendo o lanche da noite; a TV estava sintonizada no telejornal; minha mulher contava algo que não lembro e meu filho me perguntou se o exercício de matemática estava correto. Nisso, deu uma notícia importante na TV, mas não consegui pegar porque minha mulher perguntava se eu tinha escutado o que ela disse e meu filho reclamava que o gabarito da questão não batia com a resposta que eu dei para o exercício. Por essa e por outras é que digo: não basta ser multitarefa, tem que dar conta do recado, o que não é o meu caso. Faço bem feito quando faço uma coisa de cada vez.

Pessoas multitarefa, as que fazem várias coisas ao mesmo tempo, existem desde o tempo das cavernas, mas foi com a chegada da tecnologia digital que o modo multitarefa de ser começou a receber mais atenção e estudos acadêmicos. Os nativos digitais, ou seja, os jovens que nasceram imersos na tecnologia da informação, sempre são descritos como pessoas multitarefa, principalmente, quando se trata do uso de recursos eletrônicos. Eles escutam música, usam o computador, falam ao telefone e fazem lição, tudo ao mesmo tempo. Com todo esse bombardeio de estímulos, era de se esperar que essa garotada tivesse habilidades desenvolvidas para gerenciar informação. Por gerenciar entenda-se a capacidade de assimilar, priorizar e reter. A geração digital está exposta a um volume de informação maior do que as gerações anteriores. Além disso, o estilo multitarefa que predomina em suas vidas deveria deixá-los por condicionamento mais hábeis para gerenciar dados simultâneos. Um estudo feito na Universidade de Stanford, porém, mostra o contrário.

Os pesquisadores de Stanford fizeram testes com dois grupos de jovens: um deles de pessoas caracterizadas como multitarefas ligth e outro, de multifarefas intensivos. Esses jovens foram submetidos a testes em que tinham que absorver, filtrar e reter informação. Os multitarefa pesados tiveram desempenho pior do que os mulitarefas leves. O estudo constata fatos, não os explica. Talvez, pessoas que não gerenciam bem a informação tenham propensão a ser mais multitarefas por conta de sua dispersão. Enquanto isso, pessoas que gerenciam melhor a informação talvez bloqueiem voluntariamente o excesso de estímulos para mantê-los dentro de limites administráveis.

Eu, migrante digital, não sou um multitasker eficiente e não sei se quero me tornar um. Não é de hoje que conto o número de janelas abertas no computador. O Windows Starter Edition que só permite abrir três janelas simultaneamente estaria de bom tamanho para mim. Parto do princípio que cuidar de uma tartaruga é simples, cuidar de três tartarugas é relativamente simples. Cuidar de um bando de tartarugas safadas é um sério problema.

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livros antigos

O que dura mais: um livro de papel ou um e-book? Essa é uma pergunta que só o tempo vai responder. Nós já conhecemos o potencial do livro convencional para durar mais de cem anos. Quanto ao livro digital, há muitas dúvidas sobre a sua longevidade. Estranho, não é mesmo? O e-book é composto de bits o que o deixa imune a traças, umidade e mordidas do cachorro. Mas pense bem: imagine que você compra um Kindle 2, o badalado e-book reader da Amazon. Em seguida, você monta uma biblioteca digital de 1500 livros, todos comprados na loja virtual da Amazon, obviamente. Essa bela coleção digital vai durar tanto quanto uma biblioteca convencional? Para isso, acontecer, o seu Kindle precisa durar algumas décadas, ou então, será preciso trocá-lo por outro aparelho similar e compatível que venha a ser produzido no futuro. Se você trocar de leitor, terá que transferir os dados do aparelho antigo para o novo, o que só será possível se a Amazon existir como empresa daqui algumas décadas. Os e-books que você comprou são protegidos por um sistema antipirataria que só a Amazon destrava. É bem provável que a Informática evolua dramaticamente nas próximas décadas e, talvez, seus e-books tenham que passar por várias conversões de formato nesse período. Repare que essas dificuldades levantadas aqui são hipotéticas e rabugentas, mas os especialistas em gerenciamento da informação estão bem preocupados com a conservação da informação digital a longo prazo. A moral da história é que o trabalho de cuidar de seus e-books ao longo do tempo pode ser maior do que o esforço para proteger uma estante convencional contra traças, umidade, sol ou roubos. Para ser franco, preservar qualquer coisa contra a ação do tempo é uma tarefa inglória. Percebo isso quando olho no espelho.

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