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Posts Tagged ‘internet’


No último final de semana fomos passear em família no Parque Guartelá (Tibagi, Paraná). Antes da viagem consultei o Google para pegar umas dicas de locais interessantes na região, além de pesquisar hoteis, restaurantes e serviços. Precavido, chequei pela Internet a previsão do tempo no destino. Procurei fotos no Flickr para descobrir lugares fotogênicos em Tibagi. O Google Maps me deu uma mão traçando duas rotas rodoviárias a partir de Curitiba.

Para dar um toque de aventura na viagem fizemos o caminho histórico da Estrada do Cerne. Boa parte do percurso foi em estrada de chão precária serpenteando pelo vale do Rio Ribeira. Nada que assuste nosso carrinho velho que é tipo um Land Rover, só que 1.0. Depois de algumas horas alternando poeira com lama chegamos a Tibagi e eu pude fazer check-in no Foursquare graças a uma rede wi-fi gratuita disponível em uma lanchonete da cidade. A viagem foi uma combinação bem sucedida de precariedades com tecnologia digital.

No final da tarde, olhando o velho rio Tibagi a partir do mirante da cidade comentei com meu filho:

– Em que o Cabeza de Vaca pensou quando viu esta bela paisagem?

– Cabeça de vaca?

– Estou falando do lendário explorador espanhol que andou por essas bandas há quase quatrocentos anos.

– Certamente ele não postou fotos da viagem no Facebook.

Pois é. Aventura mesmo havia no tempo de Álvar Núñez Cabeza de Vaca, que teve o privilégio de apreciar pela primeira vez com olhos europeus aquelas paisagens quase intocadas. Quase, porque antes dele povos pré-colombianos já haviam estabelecido o caminho do Peabiru que liga os Andes ao litoral brasileiro passando pelos campos gerais paranaenses. Para o Cabeza de Vaca viajar era enfrentar o desconhecido em condições adversas e sob grande risco. Hoje, não descobrimos locais novos, apenas confirmamos o que vimos pela Internet, mas vamos dizer o que é: turismo não é necessariamente aventura e vice-versa. O mundo está menor e mais explorado. Para um turismo mais seguro e estruturado, contamos com a bem-vinda era digital. Quem quiser aventura à moda antiga fica uma sugestão: sua viagem pode começar no site do Departamento de Estado americano, na parte que trata de locais não recomendados para viagens.

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No começo, o Facebook era como um mercadinho de bairro, especificamente um mercadinho que atendia a comunidade de alunos de Harvard. Não demorou para o Facebook crescer e se tornar um grande supermercado. Como a lógica das empresas é crescer ao infinito e além, agora o Facebook está dando mais um passo para se transformar no grande hipermercado da informação. Mark Zuckerberg, dono do Facebook, anunciou nos últimos dias grandes novidades no site que é a maior rede social do mundo com mais de 800 milhões de usuários. Em breve, o usuário poderá acessar a nova Timeline e vai poder compartilhar músicas e filmes no Facebook.

O Facebook quer funcionar como o one stop shop do mundo digital. Em um único endereço de Internet, tudo que você precisa: amigos, jogos, filmes, músicas, empresas, etc. Outros já tentaram alcançar essa formidável concentração de poder e, felizmente, não conseguiram. Não gosto dessa ideia de Internet dentro da Internet que o Facebook tenta viabilizar. Concentração destrói a diversidade e na sequência mata a criatividade. Os movimentos de um gigante podem esmagar acidentalmente ou intencionalmente pequenas entidades que circulam em torno dele. A Microsoft cansou de fazer o que o Facebook está fazendo agora. Bastava alguma pequena empresa fazer sucesso para que o gigante passasse a fornecer o mesmo serviço como um recurso integrado ao seu sistema operacional. O compactador de arquivos Winzip é um exemplo de software que fez muito sucesso, mas que perdeu força depois que a Microsoft passou a ofertar o Windows com um programa de compactação de arquivos incorporado.

O Facebook quer que as pessoas joguem, vejam fotos, ouçam música e assistam filmes sem sair do Facebook. Tudo bem, eu também gostaria de fazer todas as compras em um só local, mas já percebi que isso é impossível e indesejável. Em um hipermercado é possível encontrar quase tudo que preciso, mas para o pão quentinho, nada como ir até à padaria do seu Manoel. Vamos deixar as especialidades para os especialistas.

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Observe a imagem acima e tente encontrar alguém que destoa do conjunto. Trata-se de um concurso para modelos promovido pelo site inglês Next. O candidato fora dos padrões topmodelísticos emplacou sua candidatura à final do concurso usando técnicas de manipulação de opinião pública; montou uma rede de contatos para que seu perfil recebesse votação maciça, independentemente de seu potencial de belezura. O candidato azarão queria fazer uma brincadeira e provar que é possível furar a fila. Não é a primeira vez que isso acontece na Internet e, pensando bem, esse tipo de distorção é manjada também no mundo analógico.

Quem frequentou as festas juninas de antigamente lembra dos concursos de sinhazinha. Para ganhar o título de sinhazinha da festa a garota tinha que se vestir a caráter com um belo vestido, mostrar simpatia e vender bilhetes de rifa da festa. Na maioria dos casos, a vencedora era a garota com o pai mais rico, que arrematava todos os bilhetes. Um outro exemplo de manipulação social digital: Quando o Google começou a rankear as páginas da Internet utilizava um método baseado na relevância por citação. Google contava a quantidade de links que apontavam para a página. Quanto mais referências externas, mais relevante seria a página. Esse modelo era inspirado na biblioteconomia que recorre às citações de uma obra em outras obras para definir sua importância. A regra diz que quanto mais citada a obra, mais importante ela é. O modelo parece consistente, mas é sujeito à manipulação. Os desenvolvedores de sites logo perceberam que poderiam “construir” links externos para melhorar sua relevância no Google. No mundo acadêmico, também existem as citações entre “amigos”. Funciona assim: o doutor A cita o doutor B que cita o doutor C que cita o doutor A. É um sistema circular de citações cruzadas.

Manipulação de popularidade e relevância existe desde o início dos tempos, mas parece que a Internet é mais permeável a esse tipo de prática cinzenta. A fraude do concurso Make me the next model mostra de forma bem humorada as possibilidades de distorção que a grande rede permite. Não estamos falando apenas de casos folclóricos, mas de manipulação verdadeira onde grupos econômicos e políticos tentam conduzir a manada internética para o curral que lhes convêm.

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Não é de hoje que os chineses resistem à influência estrangeira. Há mais de dois mil anos eles construíram a Muralha da China e agora, nos tempos da Internet mantêm a tradição de preferir soluções locais às alternativas globalizantes. Rede social na China é Renren em vez de Facebook; o Twitter deles é Weibo; mensagens instantâneas eles trocam com o QQ e não com o MSN Live. O YouTube chinês é YouKu e buscas eles fazem no Baidu. Tá certo que existe a mão forte do governo por trás dessa internet chinesa. O governo comunista bloqueia ou complica a vida de sites estrangeiros no país, para exercer um controle rígido sobre a informação que circula por lá. Dessa forma, as empresas de Internet local prosperam atendendo a um público próximo de 500 milhões de internautas chineses. O homem mais rico da China segundo a Forbes é Robin Li, proprietário do Baidu.

Coincidência ou não, os líderes mundiais da Internet que não conseguem se impor na China são empresas americanas como Google, Facebook, Twitter e Microsoft. O governo chinês, nesse caso, está matando dois coelhos com uma só cacetada. Impondo bloqueio às empresas americanas de Internet eles censuram a sua rede local e ao mesmo tempo fortalecem as empresas nacionais. Considerando que a China emerge como segunda potência mundial e se candidata à primeira posição em poucos anos é até natural imaginar que eles não querem nem precisam ser dependentes de empresas americanas em um setor estratégico como a Internet. Lamentável censura política, dirão alguns; jogo econômico sujo dirão outros. O fato é que a China está disposta a se tornar a maior potência mundial. Resta saber quanto tempo vai levar para as empresas chinesas de Internet ultrapassarem as fronteiras do país com disposição para roubar posições americanas e fome de conquistar o mundo.

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A oitava praga do Egito


Os meios de comunicação são peça chave para o sucesso de qualquer revolução social, seja ela do tipo fraterna, igualitária e libertária, ou então mero golpe aplicado por oportunistas em longínquas republiquetas esquecidas. No século XX quando um grupo queria tomar o poder pela força se ocupava logo de tomar rádios e estações de TV além de controlar a circulação de jornais. Naquele tempo, os veículos de comunicação eram do tipo 1.0, ou seja, distribuíam informação de forma unidirecional. A seta da comunicação ia da redação para o público. Agora estamos na era da comunicação 2.0 e a comunicação se dá em duas vias. Além do mais, a massa passiva tornou-se agente no processo, trocando informação entre si diretamente e sem intermediação. Já vimos vários movimentos políticos sofrerem influência da Internet, mas provavelmente, a mobilização popular no Egito pela saída do presidente Mubarak é até agora a experiência mais radical envolvendo Internet e participação política.

A Internet teve papel fundamental no movimento popular egípcio e a prova disso está no fato de o governo ter aplicado um apagão de Internet e telefonia celular no país. No mesmo episódio vemos a força e a fragilidade da grande rede. Força para mobilizar e fragilidade para se manter no ar mesmo em um país de grande população e com estrutura complexidade Internet.

O Egito nos dá lições históricas sobre mobilização popular com Internet. A Internet tem força, sim; não é mais um meio secundário com alcance limitado a segmentos específicos da sociedade. A ideia original que motivou os idealizadores da Internet era criar uma rede impossível de silenciar. Os militares que lançaram a ideia da grande rede queriam criar um meio de comunicação capaz de resistir a ataques nucleares. O que vimos no Egito foi uma Internet que pode ser calada com alguns poucos telefonemas. Em nosso sonho ingênuo a Internet representa a voz do povo, mas essa voz ainda precisa de uma tecnologia mais guerrilheira que seja impossível de silenciar.

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Quem é digital não faz certas coisas. Se você quer ganhar um selo digital este ano, evite os sete pecados:

  1. Fazer compras com papel moeda. Digital que se presa paga e recebe com cartão, transferência eletrônica, PayPal ou outro meio digital de pagamento, portanto, não toque em cédulas e moedas.
  2. Ouvir, assistir ou ler em mídia física. Nada de LP, CD, DVD ou bluray; prefira mp3, mpeg, DivX e outros formatos digitais para imagem e vídeo. Jornais, revistas e livros devem ser lidos em computador, smartphone, tablet ou e-book reader.
  3. Usar telefone fixo. O telefone fixo já cumpriu sua missão histórica, agora é a vez de soluções como smartphone, Skype, MSN Messenger, etc.
  4. Comprar em loja física. O cidadão digital encomenda tudo pela Internet. E quando digo tudo é tudo mesmo, incluindo roupas, pizza, flores e automóvel.
  5. Manter dados em computador local. Estamos na era da computação em nuvem. Os dados do homem digital estão em algum lugar não se sabe onde, mas o importante é que estão acessíveis em qualquer  lugar conectado.
  6. Usar tecnologia tradicional que tem equivalente digital. Artefatos como despertador, agenda ou calculadora têm equivalentes informatizados.
  7. Não compartilhar sua privacidade..Cidadão digital está integrado às redes sociais e à Web 2.0 que é colaborativa. O que você faz, você divulga e compartilha.

Ser digital sem cometer pecados é um desafio, mas lembre que os sete pecados tradicionais também são muito difíceis de evitar.

 

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Como medir o sucesso de um site


Se você se perguntar qual é o site ou serviço de Internet que mais usa pode ter grandes dificuldades para responder. Eu me propus a responder a questão e não tive sucesso. Primeiro olhei a lista de endereços que o navegador exibe toda vez que inicio a digitação de um endereço. Ali estão os endereços que mais acesso ordenados do mais para o menos. Infelizmente, ali não dá para saber quanto tempo permaneci no site ou se gostei do que vi. Consultei meu histórico de navegação, mas lá não é possível saber que atenção foi dada a cada página. Olhei a minha lista de favoritos, mas o fato de um site estar ali não quer dizer que seja acessado. A pergunta correta talvez nem seja qual site é mais usado e sim, qual site é mais útil para mim? A qual dedico mais tempo? Qual admiro mais?

No início da Internet, medir o sucesso de um site era simples. Bastava contar quantas páginas HTML eram servidas porque naquele tempo de web 1.0 a experiência do usuário se limitava a receber páginas estáticas. Atualmente, os sites devem ser avaliados por métodos diferentes dependendo da natureza do serviço que prestam. Existem, portanto, várias maneiras de medir sua adesão a um site:

  • Quantas páginas acessa?
  • Quantas visitas faz ao site?
  • Quantas atividades realiza no site como publicar um post, fazer comentário, subir uma foto, etc.
  • Qual a atenção que dá ao site em termos de tempo?
  • Qual a experiência que o site proporciona? É útil, divertido, prático, enriquecedor?

Há sites que visitamos muito, mas não damos valor. Outros, elogiamos porque é politicamente correto, mas nem vamos lá. Alguns visitamos com gosto, mas não contamos para ninguém. Pois é, sucesso é muito relativo, exceto para as pessoas focadas e objetivas que tem uma definição simples para o assunto: sucesso é lucro.

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