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Posts Tagged ‘Livro digital’


Ontem fui até a banca de jornal para comprar mais um livro da coleção Folha grandes arquitetos publicada pela Editora Folha. Toda semana vou lá buscar o exemplar que o jornaleiro deixa reservado para mim. Retomei um hábito de consumo de décadas atrás que abandonei aos poucos por razões diversas. Uma delas certamente foi o advento da Internet, minha atual fonte primária de informação. Sou um entusiasta da era digital e dos livros eletrônicos, mas a coleção Folha grandes arquitetos me pareceu irresistível mesmo sendo produzida com árvores mortas. São obras ricamente ilustradas e ver belas fotos impressas com qualidade continua sendo uma experiência superior à visualização em tela. Além disso, a coleção é organizada, bem diagramada e rica em informações relevantes; tem cronologia, biografia, pensamento e análise da obra de arquitetos importantes. Clareza, organização, abrangência e síntese, infelizmente, ainda são virtudes difíceis de encontrar na exuberância fragmentada da Internet.

Não sei quantas pessoas atualmente compram coleções de livros na banca, nem se o número supera o de internautas que recorrem à Internet para tudo. Para mim, comprar livros na banca é um hábito quase perdido que lembra meus tempos de universitário, época em que eu colecionava Os pensadores da Editora Abril, Grandes clássicos da Literatura da Globo e Gigantes do Jazz da Salvat. Não sei se ainda precisamos dessas coleções considerando as possibilidades que a Internet oferece. O fato é que a web ainda fica devendo em soluções que transformem informação fragmentada em conhecimento peneirado, organizado, sintetizado, estruturado e polido. Nosso problema não é mais o acesso à informação, mas colocar ordem e relevância em um mundo transbordante de informação. Fiz algumas pesquisas na Internet com o nome de grandes arquitetos que constam na coleção da Folha. Em nenhum caso encontrei fontes com o nível de organização, síntese e comodidade oferecido pelas obras em mídia celulósica da coleção. É preocupante, pois abdicar do potencial da informação digital seria um retrocesso. O que nos falta é tratamento editorial de alto nível para a gigantesca massa de bits soltos pelo mundo digital. Será que teremos de esperar pela lenta formação de uma nova safra de editores que tenham fluência em mídia digital para unir o melhor dos dois mundos?

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Para quem pensava que esse tal de e-book não ia dar em nada a notícia é que estão surgindo os primeiros autores milionários do ramo. Talvez o melhor exemplo da geração dos escritores digitais nativos seja Amanda Hocking, jovem americana (26 anos) que cansou de procurar um editor disposto a publicar seus romances “paranormais” na forma impressa. Desiludida com as portas fechadas das editoras tradicionais ela optou pela publicação independente de suas obras na Internet em formato e-book. Em pouco tempo ultrapassou a marca de um milhão de exemplares vendidos. Agora que a autora caiu no gosto do público jovem com suas histórias povoadas por vampiros, feiticeiras e outros entes sobrenaturais as portas se abriram e ela fechou contrato milionário com uma editora americana.

O exemplo de Amanda é um caso isolado, obviamente. Ficar milionário vendendo e-books independentes é para poucos. A maioria dos autores não vai sair da condição de duro intelectualizado, mas o consolo é que na época do livro impresso a vida do escritor era ainda mais complicada. A publicação digital permite edições independentes a baixo custo e ninguém mais pode se lamentar que não conseguiu publicar seu livro. Fazer sucesso, porém, é outra história. Quem sabe pegando umas dicas com Amanda Hocking ou Paulo Coelho que também mantém boas relações com as mídias digitais.

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Navegando pelo Flickr encontrei por acaso a imagem abaixo que me colocou para pensar em um aspecto da revolução digital até então despercebido por mim. O que vai acontecer com as bibliotecas tradicionais nos próximos anos? A Amazon, maior livraria digital do mundo divulgou que passou a vender mais livros em formato digital (e-books) do que na tradicional versão impressa. Grandes grupos de comunicação estão anunciando assinaturas digitais para ler seus periódicos em tablets como o iPad. A revolução digital não é algo distante que ocorre isoladamente em frentes avançadas. Ela está acontecendo em nível local. Aqui onde moro o jornal O Estado do Paraná interrompeu sua circulação impressa de décadas e passou a oferecer apenas a versão digital. As coisas estão mudando no mundo das letras e, em breve, chegará a vez de as bibliotecas passarem por transformações radicais.

Eu já fui um rato de biblioteca. Circulei muito pelos corredores da Biblioteca Pública do Paraná e das bibliotecas da UFPR. Na minha formação, a biblioteca era um santuário, local onde residia  o conhecimento. Essa vida de traça começou a mudar quando comprei o primeiro micro, um 386 DX. Lentamente, minhas idas à biblioteca foram rareando por conta de várias circunstâncias, mas credito à Informática a responsabilidade maior por minha carteirinha da biblioteca estar esquecida na gaveta. Não vou mais ler jornais e revistas no terceiro andar da BBP, nem garimpar obras literárias na biblioteca da reitoria da UFPr. Acredito que esses locais tão importantes para minha formação continuarão cumprindo papel importante por um bom tempo, mas será que sobreviverão à era digital?

Talvez o papel histórico das bibliotecas esteja se encerrando antes mesmo de elas terem se integrado ao cotidiano da maioria das pessoas. Talvez a missão de universalizar o hábito da leitura caiba aos tablets, e-book readers ou sabe lá qual engenhoca digital. Quando a leitura digital for dominante, os livros estarão na nuvem computacional, disponíveis em qualquer lugar e teremos que pensar no que fazer com os templos do conhecimento. As bibliotecas vão se tornar museus do livro, espaços culturais, atração turística? Enquanto esse tempo não chega, que tal visitar uma biblioteca?

Veja bibliotecas incríveis no Flickr:

Crédito de imagem:  http://www.flickr.com/photos/mrittenhouse/5740919596/

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O que é um livro? Digamos que é um texto longo, coeso, escrito por um autor, preparado e distribuído por uma editora e vendido em uma livraria. Como estamos em tempos digitais não importa qual mídia suporta o texto; pode ser papel, e-book reader, tablet ou voz gravada. No senso comum, livro é sempre um discurso longo que propicia algumas horas do leitura até ser assimilado. Longo quanto? Pelo menos umas 100 páginas ou 30.000 palavras, algo assim. Enfim, é a extensão e não a qualidade de um texto que o caracteriza como livro. Por razões diversas sempre houve dificuldade para autores publicarem em forma de livro textos de extensão intermediária, aqueles maiores que um artigo longo de revista e menores que um romance curto. A Amazon resolveu acabar com essa discriminação lançando o formato Kindle Single. Um Kindle Single é um texto de extensão média publicado em forma digital compatível com o e-book reader da Amazon. É um formato útil para uma série de propósitos como ensaios, novelas e manifestos, tanto que já foi chamado de panfleto digital. O preço de uma obra publicada no formato single será menor que o de um livro tradicional; na Amazon há obras ofertadas a US$ 0,99. Na cabeça das pessoas está arraigada a ideia de que o preço de um livro deve ser proporcional à sua extensão. Trata-se de uma mentalidade formada na era do livro impresso, afinal, livros com mais páginas consomem mais papel e recursos gráficos. Sinceramente, acredito que um livro, ou um quase-livro, vale pela qualidade de seu conteúdo independente de sua extensão, mas essa é uma outra conversa. A Amazon quer se posicionar em todos os segmentos e, por isso, criou o formato single. Se vai ser um sucesso teremos que aguardar para ver; espero que seja, pois quanto menos barreiras tivermos à circulação de ideias, melhor. Além do mais, o formato single é uma ideia digital e estou curioso para saber se o lado informatizado da indústria do livro vai assumir o controle da inovação do setor.

O Kindle single é um produto para a vida contemporânea escassa em tempo livre para leituras? As pessoas querem obras cada vez mais curtas? Qual o “comprimento” ideal para um livro? Primeiro vamos deixar claro que não falta tempo às pessoas. O dia continua tendo 24 horas e tudo é uma questão de prioridades. Alguns continuam lendo longos romances porque preferem uma convivência mais prolongada com o universo ficcional criado pelo autor. Basta lembrar que sagas como as de Harry Potter e O Senhor dos Aneis ocupam os jovens por longas horas de leitura sem que ninguém reclame pelo tempo gasto. Um livro deve ter o “comprimento” da ideia que veicula e, por isso iniciativas como a do Kindle Single são bem-vindas, afinal precisamos de formatos para todos os tipos de mensagens. Que ninguém fique sem dar seu recado por falta de canal de comunicação.

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O negócio dos livros digitais não para de crescer. Agora é o Google que aterrissou com tudo nesse mercado ao lançar a Google eBookstore. A proposta de Google se diferencia em relação a de outros gigantes como Amazon e Apple. Veja alguns destaques do modelo adotado pelo Grande Irmão.

Estante na nuvem. Seus livros ficam armazenados nos servidores do Google e podem ser acessados de qualquer dispositivo conectado: computador, celular ou e-book reader. Quando você estiver sem conexão como durante uma viagem de avião sua leitura está garantida porque o dispositivo de leitura que você usa pode manter cópia da maioria dos textos e assim que a conexão se restabelecer ocorre a sincronização automática de dados com a nuvem. Bem-vinda ideia de levar a sua estante para onde você for.

Múltiplos formatos e dispositivos. O modelo da Google eBookstore é independente de formato ou de dispositivo de leitura. Você poderá ler seus livros em formato PDF ou ePub. Poderá lê-las no iPad, no Nook ou no smartphone com Android. É uma proposta bem mais aberta do que as da Amazon e Apple que amarram o leitor a seus formatos e aparelhos.

Grande acervo de obras de domínio público. O Google mantém há anos um convênio com grandes bibliotecas que tem por objetivo digitalizar obras esgotadas, raras e de domínio público. Esse trabalho monumental reune mais de 3 milhões de títulos e permite que na sua casa você leia gratuitamente uma edição de Os Lusíadas do século XVIII antes disponível só para os poucos que fossem visitar a seção de obras raras de bibliotecas europeias.

A Google eBookstore traz novas possibilidades para quem gosta de ler e deve agitar o mercado do livro digital que já está aquecido. A oferta de livros em português ainda é limitada, mas certamente vai melhorar com o tempo. Existe o temor de uma concentração de poder nas mãos de uns poucos gigantes, a exemplo do que já acontece com o ITunes da Apple no mercado de música digital. O tempo dirá se essa concentração é prejudicial à produção cultural, embora eu creia que a organização econômica do negócio não impede que livros continuem sendo escritos e lidos.

Para o leitor, fica o desafio do desprendimento. O que você precisa? Um livro nas mãos ou seu texto disponível em qualquer lugar?

Crétido te imagem: Google Books

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A literatura é a mesma desde Homero. Calma lá. Antes de iniciar o apedrejamento permitam-me esclarecer e no final vocês verão que a maioria das celeumas começam por meras divergências semânticas.

Para chegar onde quero começarei falando da linguagem dos índios: Será possível fazer poesia na língua dos ianomanis, que vivem lá na Amazônia, em estado de relativo isolamento, imersos numa cultura supostamente primitiva? Como expressar as angústias de um poeta do final do milênio em ianomani, se na realidade deles não existe asfalto, web, poluição, papel ou globalização e por conseguinte não existe vocabulário para expressar tais coisas. A língua dos ianomanis seria muito primitiva para nossa sofisticada poesia cosmopolita?

Bem, um dos grandes avanços da antropologia no século XX foi a constatação que não existem culturas primitivas. Se por um lado os ianomanis não têm nosso conhecimento científico e tecnológico, os elementos da sua cultura, tais como: cosmogonia, costumes, etiqueta, economia, religiosidade e linguagem formam um todo organizado e rico, totalmente adequado à realidade que os cerca e comparável em complexidade a qualquer rica sociedade européia. Nesta linha de pensamento, a língua dos ianomanis é adequada para a comunicação entre homens e não fica devendo muito, exceto pelo vocabulário associado ao avanço do conhecimento, a qualquer outro idioma de civilização avançada. E poesia, entre outras coisas, é comunicação. Sim, talvez a poesia seja possível em ianomani.

Agora, já municiados, voltemos à Literatura. É lamentável, mas muita gente que atua no meio literário ainda não absorveu as conclusões dos nossos vizinhos antropólogos e crê que tanto a linguagem como a arte são aspectos da cultura sujeito a evolução de qualidade, complexidade e adequação. Para estas pessoas existe um avanço linear, um progresso literário ao longo do tempo. Esta idéia da evolução literária, quando levada ao extremo nos faz concluir que a literatura de hoje é melhor que a de cem anos atrás. Talvez alguns desses arautos do progresso literário considerem Homero ridículo porque fala de deuses e mitos que nunca existiram. Imagine o quanto riem estes positivistas da Literatura quando se debruçam sobre A Divina Comédia de Dante.

Se, por outro lado, dermos ouvidos aos grandes antropólogos do século XX, como Malinowski e Levi Strauss, talvez cheguemos à conclusão que a grande Literatura não piora nem melhora com o tempo. Ela será sempre a resposta mais adequada para a realidade de uma época, pois, a arte é um daqueles elementos da cultura cuja complexidade, qualidade e adequação independem do desenvolvimento histórico, embora seja essencial mente histórica. O mesmo é válido para a linguagem. Não existe língua superior, nem língua primitiva. Certa vez, .um conhecido meu disse-me que a poesia brasileira não era difundida mundialmente como a de língua inglesa, porque o problema está na língua em si, que não tem a sonoridade adequada ao fazer poético. Tive que me segurar para não recorrer à boa e velha ignorância, tão útil nestas horas. Em outra ocasião, tive o desprazer de ler que a filosofia só era possível em alemão. Absurdos como estes citados proliferam por aí, mas todos tem uma raiz comum: a crença na superioridade de uma cultura sobre outra e na idéia da evolução de elementos culturais, que na verdade apenas mudam para se adequarem a uma realidade dada.

É neste sentido que para mim a literatura nunca evolui. A melhor literatura do século XX se ombreia com a melhor literatura da Grécia antiga. Felizmente é assim.

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Edições esgotadas nunca mais


Se me perguntarem o que é melhor: livro de papel ou livro eletrônico, fico com os dois. Não porque me faça falta o doce contato sinestésico com a textura macia do sempre amigo livro. Da mesma forma não me considero um geek que adere a toda novidade tecnológica na primeira hora. Para que desejar o fim de uma ou outra mídia se ambas nos servem tão bem? A única coisa que lamento é que o livro eletrônico ainda engatinhe e vários problemas que ele resolveria ainda estão pendentes. Um desses problemas é o das edições esgotadas. Sugiro um teste aos leitores.

Logo abaixo há uma lista de vinte poetas brasileiros contemporâneos representativos que garimpei no site Jornal de Poesia. Não vou discutir a relevância da lista, mas  o que me parece evidente é que são 20 poetas de fato representativos. Escolhi uma lista de poetas para o teste dada a tradicional dificuldade de encontrar livros de poesia nas estantes das livrarias. Agora faça de conta que você é um interessado na poesia brasileira contemporânea que acaba de desembarcar no país. Você gostaria de conhecer os cinco livros mais importantes de cada poeta citado na lista. Ao todo você quer encontrar 100 livros. Faça uma busca pelas livrarias da sua cidade e veja o que encontra. Depois, tente outras táticas: vá às bibliotecas ao seu alcance, consulte as livrarias da Internet, contate diretamente as editoras ou percorra os sebos. Perceba que você vai se tornar praticamente um arqueólogo cultural. Será que no final da busca você conseguirá ultrapassar a marca de 50 livros? Eu fiz o teste numa das melhores livrarias aqui de Curitiba e encontrei 19 livros. Ressalvo que tamanho sucesso ocorreu porque dois autores da lista estavam presentes com livros de obra reunida. Se estivéssemos em plena era do e-book, que não se esgota, provavelmente eu não teria essa decepção além do que procurar na Internet é mais prático que peregrinar por livrarias, bibliotecas e editoras.

1º – Ferreira Gullar – 70 votos
2º – Ivan Junqueira – 56 votos
3º – Manoel de Barros – 56 votos
4º – Adélia Prado – 51 votos
5º – José Paulo Paes – 41 votos
6º – Haroldo de Campos – 41 votos
7º – Armando Freitas Filho – 40 votos
8º – Carlos Nejar – 40 votos
9º – Marly de Oliveira – 39 votos
10º – Augusto de Campos – 37 votos
11º – Affonso Romano de Sant’Anna – 37 votos
12º – Moacyr Felix – 37 votos
13º – Francisco Alvim – 36 votos
14º – Ruy Espinheira Filho – 36 votos
15º – Adriano Espínola – 35 votos
16º – Alexei Bueno – 33 votos
17º – Sebastião Uchoa Leite – 32 votos
18º – Lêdo Ivo – 30 votos
19º – Carlito Azevedo – 29 votos
20º – Bruno Tolentino – 28 votos

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