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Posts Tagged ‘lixo’


O uso de sacolinhas descartáveis para carregar compras é combatido pelos ecologistas por razões simples: elas são feitas de plástico que é uma matéria prima não renovável que aumenta o efeito estufa; podem demorar centenas de anos para se decompor no meio ambiente; são descartáveis e podem ser substituídas em nosso cotidiano por alternativas mais ecológicas. Cidades brasileiras como São Paulo e Belo Horizonte proibiram a distribuição de sacolinhas descartáveis no comércio a partir de 2012, mas os inconformados com a decisão trabalham para reverte-la. Alguns lojistas tentando se adaptar à nova realidade, estão fornecendo gratuitamente caixas de papelão aos clientes. Outros substituíram as sacolas descartáveis pelas chamadas biodegradáveis e estão cobrando dos consumidores pelo produto. O Procon de São Paulo considerou a cobrança pelas sacolas biodegradáveis ilegal afirmando que as descartáveis eram distribuídas gratuitamente e o consumidor teria direito adquirido de continuar recebendo uma alternativa grátis. A confusão envolvendo as sacolinhas é grande e ainda vai levar tempo para chegarmos a uma solução ideal.

Acabar com as sacolas descartáveis é uma meta que deve ser perseguida pela sociedade, mas precisamos considerar o ciclo completo das benditas sacolinhas. Todos sabem que elas têm um segundo uso que é acondicionar o lixo doméstico e se quisermos impedir que as sacolinhas entrem nas casas temos que achar uma solução para a saída do lixo. Vamos comentar algumas alternativas e classificá-las em boas ou más ideias.

É furada

  • Continuar usando sacolas descartáveis. Essa alternativa nem pensar. Temos que olhar para frente e encontrar soluções sustentáveis.
  • Substituir as sacolinhas por caixas de papelão. As caixas de papelão que alguns supermercados estão fornecendo aos clientes poderiam ser recicladas para gerar papel novo.  Se elas forem para a casa das pessoas vamos quebrar uma cadeia de reciclagem consolidada.
  • Substituir as sacolinhas pela versão biodegradável. As sacolas chamadas de biodegradáveis são polêmicas, pois usam matéria prima não renovável e há dúvidas se elas são realmente biodegradáveis.

Boas sacadas para as compras

  • Usar sacolas retornáveis. As ecobags são ideais para compras leves do dia-a-dia.
  • Do carrinho para o porta-malas sem sacolas. Quem vai às compras de carro não precisa de sacolas para movimentar as compras de um lado para o outro.
  • Entrega em engradados retornáveis. O supermercado pode entregar as compras na sua casa sem precisar de sacolas. Dá até para fazer o pedido pela Internet.

Ideias top para movimentar o lixo

  • Preparar o lixo reciclável para coleta. Para garantir a reciclagem o resíduo reciclável deve ser entregue para a coleta limpo e compactado. Limpando o material reciclável ele não vai cheirar mal nem atrair insetos e compactado ele vai ocupar pouco espaço.
  • Usar embalagens para acondicionar o lixo reciclável. Dá para usar as embalagens descartadas no cotidiano para guardar materiais recicláveis evitando o uso de sacolinhas.
  • Lixeiras para despejo direto. Lixeiras reforçadas e fechadas podem receber o lixo diretamente. Se tiverem rodinhas podem ser movimentadas facilmente e basta lavar de vez em quando.
  • Embalagens biodegradáveis para lixo úmido. Para alguns tipos de resíduo é aceitável usar embalagens específicas para lixo desde que sejam produzidas com material realmente biodegradável.

A batalha das sacolinhas ainda vai se estender por um bom tempo porque muitos interesses estão em jogo. A indústria do plástico quer garantir seu mercado, alguns supermercados querem repassar custos para o consumidor e alguns consumidores não querem abandonar velhos hábitos comodistas. Parece que até o momento, o único que não teve seus interesses contemplados foi o meio ambiente.

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Quem poderia imaginar que um aterro sanitário viraria atração turística? O aterro Pulau Semakau em Cingapura conseguiu essa façanha. Foram 13.000 visitas em 2010 e a lista de espera para quem quiser conhece-lo é de até quatro meses. Cingapura é um micro país densamente povoado que fica em uma ilha do sudoeste asiático. Em Cingapura cada metro quadrado é valioso. O aterro foi construído sobre duas pequenas ilhas próximas entre si e seu projeto foi pensado para resolver a questão do resíduo soído usando uma área bastante reduzida. O lixo de Cingapura é levado em barcaças até o aterro depois de ser incinerado, o que reduz seu volume em mais de 90%.

Quando pensamos em aterros sanitários logo nos vem à cabeça um local inóspito que só é visitado por corvos e ratos. Na melhor das hipóteses alguns estudantes passam por lá interessados em aprender sobre o ciclo dos resíduos sólidos.  O  Pulau Smeakau foge à regra, pois abriga vegetação e fauna marinha e as pessoas podem circular por lá sem riscos para a saúde.

A solução de Cingapura para seus resíduos sólidos é interessante e inovadora. É sensacional a idéia de transformar o aterro em um local habitado por fauna e flora, além de ser agradável para a presença humana. Tudo estaria perfeito, não fosse o detalhe da incineração integral do lixo.

A queima do resíduo sólido deve ser a última solução a ser adotada, pois envolve instalações caras, custo operacional alto e gera poluição atmosférica. Em Cingapura, as autoridades defendem a incineração alegando que ela gera energia para essa cidade país. Soluções melhores para o tratamento do resíduo sólido, no entanto, envolvem redução, reuso e reciclagem dos resíduos. A compostagem também deve ser considerada. Quiçá um dia seja possível encontrar mundo afora soluções integradas que combinem reciclagem com aterros turísticos.

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Boras na Suécia importa lixo, pois a produção própria não é suficiente para abastecer seus geradores de biogás. A cidade de 64 mil habitantes é modelo em tratamento de resíduos sólidos. Apenas 4% do resíduo gerado na cidade é enviado para o incinerador e é utilizado como fonte de energia térmica. A maior parte do lixo é tratado com a cooperação dos moradores, da Universidade e empresas locais. Uma parte do resíduo é reciclada e outra usada para produção de biogás para abastecer a frota de ônibus, casas e o comércio local.

Em Boras a coleta de lixo é bem diferente daquela que conhecemos. Não existe a coleta pública que passa regularmente na frente da casa e recolhe tudo que estiver na lixeira. Cabe ao morador preparar seus resíduos para a reciclagem e levá-los até os pontos de coleta espalhados pela cidade. Quem quiser comodidade pode contratar o serviço de coleta, mas terá que pagar por isso. A coleta será cobrada pelo volume transportado. O sistema adotado em Boras exige consciência dos cidadãos, mas também pega pelo bolso. Quem gera mais resíduo paga mais. Veja o manual que mostra como separar corretamente o lixo em Boras. Taí uma prova concreta de que o lixo enviado para aterros pode ser reduzido quase a zero e que lixo tem valor econômico.

Boras exporta sua expertise no tratamento de resíduos e mantém convênios com várias cidades pelo mundo, inclusive São Paulo. Enquanto isso, aqui no Brasil ainda lutamos pelo fim dos lixões.

Conheça melhor o programa de gerenciamento de resíduos de Boras.

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A casa ecológica produz pouco resíduo sólido, graças a uma série de boas práticas dos moradores, mas será que é possível reduzir esse resíduo a zero? Provavelmente não no estágio atual da nossa sociedade, a menos que se adote um estilo radical de vida inviável para a maioria das pessoas. Uma volta pelos corredores do supermercado nos mostra que muitos produtos são vendidos em embalagens pouco ecológicas que vão gerar resíduo não reciclável mais adiante. O que fazer então? Passar fome ou viver de uma pequena horta orgânica plantada no quintal? Calma! A dificuldade não deve desanimar o cidadão ecológico, pois se não é possível zerar o resíduo da casa dá para amenizar bastante a situação tratando em casa uma parte dele, garantindo que todo o resíduo reciclável seja efetivamente reciclado e reduzindo ao mínimo o material não reciclável. Vamos fazer algumas contas de padeiro para ver até onde é possível chegar sem esforços hercúleos.

Lixo orgânico. Cerca de 40% em peso do resíduo sólido gerado pela casa é do tipo orgânico. São orgânicos materiais como cascas e folhas de vegetais, pó de café, restos de alimentos, guardanapos de papel, restos de jardinagem e outros itens que se decompõem facilmente. Para esse tipo de resíduo a compostagem doméstica é uma solução simples e viável mesmo em terrenos com área reduzida. A compostagem dá pouco trabalho, alivia a coleta pública e produz adubo para as plantas. Pronto, com a compostagem a casa reduz quase pela metade sua produção de resíduo.

Reciclável. Plástico, papel, metal e vidro são os resíduos recicláveis tradicionais. Alguns especialistas acham que não é preciso separar o lixo reciclável por tipo. Eles alegam que os trabalhadores da reciclagem terão que fazer a separação correta de qualquer maneira. Pessoalmente, eu considero que separar por tipo é válido porque reduz o trabalho dos recicladores deixando o processo mais econômico. Mais importante, porém, do que separar por tipo é preparar os materiais para garantir a reciclagem. Os recicláveis devem ser encaminhados limpos, secos e compactados para as recicladoras.

Além dos quatro tipos tradicionais a casa gera resíduos especiais como baterias, eletrônicos e lâmpadas fluorescentes. Esses devem ser encaminhados para os pontos de coleta especializados. Encaminhando corretamente os recicláveis cerca de 40% do resíduo doméstico será convertido em matéria-prima para novos produtos.

Não reciclável. Na teoria todo resíduo é reciclável, na prática só dá para reciclar se o processo for economicamente viável. Alguns exemplos: Quando o material reciclável vem misturado com material orgânico geralmente se inviabiliza para a reciclagem porque é difícil higienizá-lo. Outro problema para a reciclagem são os materiais mistos como plástico metalizado e papel parafinado. Existem também os materiais não promissores para a reciclagem como o isopor que, por ser volumoso, encarece o transporte e armazenagem.

Para os materiais não recicláveis a regra é clara: não devem entrar na sua casa. Evite as embalagens de materiais mistos; as bandejas de isopor, objetos de acrílico e economize nos espelhos. Informe-se melhor sobre materiais não recicláveis e sobre alternativas para substituí-los. Com empenho dá para cortar o resíduo não reciclável da casa pela metade. Isso rende um corte de 10% no resíduo total da casa o que é muito considerando que se trata da parte mais problemática do lixo.

Fazendo o dever de casa o cidadão consciente pode reduzir seu lixo em 90%.

  • 40% com compostagem.
  • 40% com reciclagem.
  • 10% com redução no uso de materiais problemáticos.

O destino dos 10% restantes deve ser a coleta pública seguida de tratamento, o que pode reduzir ainda mais o resíduo que será depositado em aterro. Convenhamos que aliviar o problema da prefeitura em 90% é progresso pra mais de metro.

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O blog Care2 relacionou 5 motivos que explicam porque algumas pessoas não participam do esforço coletivo pela reciclagem de resíduos. Essas razões podem ser contestadas, poderíamos dizer que se tratam de desculpas de bêbado, mas seria melhor levá-las em conta se quisermos ampliar a reciclagem de resíduos. Não adianta apenas ignorá-las, até porque fazem sentido em muitos casos. O melhor é deixar os relutantes sem desculpas. Vejamos os cinco motivos:

  • Reciclar não é cômodo. Realmente, participar da reciclagem exige algum esforço. O consumidor que faz sua parte na cadeia da reciclagem precisa prestar atenção no seu lixo; tem que triar, preparar e armazenar o resíduo; deve se informar onde estão os pontos de coleta e se deslocar até eles para entregar seu resíduo. A reciclagem só vai ficar prática no dia em que encontrar um ponto de coleta de resíduos for tão fácil como comprar uma Coca-cola.
  • Não tenho espaço em casa para recicláveis. Para separar os resíduos corretamente, é preciso levar em conta os vários tipos possíveis: orgânico, vidro, plástico, metal, papel, pilhas, lâmpadas, óleo comestível, etc. Fica aí o desafio para os designers: criar uma solução de mobiliário prática para concentrar esses materiais em um espaço compacto e organizado.
  • Se me pagassem, eu reciclaria. A reciclagem é uma indústria rentável que faz inclusão social. É possível remunerar o consumidor pelos seus resíduos, mas é preciso cuidado para não inviabilizar o modelo de negócio ainda frágil dessa indústria. Além do mais, se o consumidor ganhar dinheiro com seus resíduos podemos iniciar uma bola de neve em que as pessoas ficarão propensas a gerar mais resíduos em vez de reduzi-los.
  • Reciclar não faz diferença. A mídia tem preferência por notícia ruim e costuma reservar mais espaço para falar de aquecimento global e desastres ecológicos do que para divulgar casos bem sucedidos de proteção ambiental. É preciso mudar a percepção das pessoas de que a causa ambiental está perdida.
  • Reciclar é difícil. A maioria dass pessoas não tem conhecimentos técnicos para separar seus resíduos. Não é simples saber se um material é reciclável ou não. Essa limitação dificulta deixar a triagem do lixo por conta do consumidor. Descomplicar a reciclagem passa por várias iniciativas como ensinar reciclagem nas escolas e impor regras para que a indústria limite a produção de embalagens complexas.

Deixar a reciclagem mais prática e fácil é importante, mas enquanto isso não acontece não vale ficar dando desculpa esfarrapada.

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Se você tem consciência ambiental, smartphone e mora nos Estados Unidos a dica é o aplicativo My recycle list. Funciona no iPhone e em celulares com Android. O programinha permite encontrar pontos de coleta em território americano para os mais diversos resíduos como baterias, eletro-eletrônicos, produtos tóxicos, remédios vencidos ou podas de jardinagem. Se o celular tiver GPS dá para encontrar os pontos mais próximos do usuário.


Para quem não mora nos Estados Unidos e não tem smartphone restam algumas reflexões. Os americanos estão entre os povos que mais geram resíduos no mundo e como o problema ambiental ignora fronteiras é bom saber que eles contam com uma logística avançada para reciclagem das montanhas de resíduos que produzem. A existência do aplicativo My recycle list faz sentido porque lá existe uma rede de coleta com mais de 120.000 pontos espalhados pelo país. Os locais cadastrados no aplicativo incluem possibilidades de reciclagem, reuso e doação.

Quando teremos algo parecido no Brasil? Primeiramente, espero que nunca alcancemos os índices de consumo dos Estados Unidos, assim teremos menos resíduos para tratar. Depois precisamos estruturar nossa rede de coleta de resíduos. Apenas algumas poucas cidades brasileiras tem estrutura de coleta para resíduos especiais como lâmpadas fluorescentes, pesticidas ou solventes. Acredito que a nova lei de resíduos sólidos vai impulsionar a formação dessa rede. Quando isso acontecer, poderemos nos dedicar a cuidar da reciclagem com auxílio de smatphones estilosos. Só não sei se usarei um iPhone ou em um Android. Qual será o mais ecológico?

Crédito de imagem: My Recycle List

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Não é o fim do lixo, mas pelo menos na lei federal dos resíduos sólidos não se usa mais a palavra lixo. Sancionada em 02/08/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos contém inúmeros avanços em sintonia com o novo pensamento ambiental. Mudanças culturais vêm acompanhadas de mudanças no vocabulário e isso é visível na nova lei que vai trazer novas expressões para o nosso cotidiano.

Lixo, não. Resíduo sólido. A palavra lixo embute uma visão ultrapassada de civilização. Segundo o Aurélio, lixo é “tudo o que não presta e se joga fora“. Lixo é uma coisa que não serve para nada, que precisa ser despachada o mais rápido possível para longe dos nossos olhos e narizes. Na natureza, felizmente, vigoram as leis da conservação da energia e da matéria. O que chamamos de lixo não vai desaparecer em um passe de mágica depois de ser lançado por aí, vai se transformar e a nossa parte é trabalhar para que se transforme em novos bens e não em problemas ambientais. Ao substituir a palavra lixo pela expressão resíduo sólido, a nova lei estabelece um novo paradigma. Resíduo sólido é algo que pode ser reusado, reciclado, tratado. Resíduo sólido é algo complexo que tem valor econômico e todas as pessoas que participam do seu ciclo de vida são responsáveis por ele. Estamos falando das empresas, do poder público e do consumidor.

Logística reversa. Outra expressão que a nova lei apresenta é logística reversa. As empresas passam a ser responsáveis pela coleta das embalagens e produtos que produziram depois que esses bens chegarem ao fim de seu ciclo de vida útil. Na prática, o que vai acontecer são situações como esta: O cliente compra uma geladeira, a transportadora entrega a geladeira na casa do cliente e leva de volta a embalagem para ser reusada ou reciclada pelo fabricante. Outro exemplo: O cliente compra um celular e quando esse aparelho estragar ou ficar obsoleto, o dono será responsável por levá-lo até uma loja onde deve encontrar uma caixa de coleta para esse tipo de resíduo. O lojista deve entregar os aparelhos descartados para o fabricante que deve reciclar os resíduos segundo as melhores práticas disponíveis. A logística reversa se aplica especialmente a bens como: embalagens de agrotóxicos, pneus, lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias e óleos lubrificantes.

Outras expressões de cunho ambientalista estão presentes na nova lei: coleta multi-seletiva; ciclo de vida de produto; destinação final; fluxo de resíduos sólidos; resíduos urbano, industrial, rural, de serviços de saúde, especiais; plano de gestão integrada de resíduos sólidos.

Torço para que a nova lei não fique apenas no âmbito das palavras e  tomara que a palavra lixão se torne uma expressão em desuso, citada nos livros de História como uma tragédia ambiental e social do passado.

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