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Posts Tagged ‘Mídia’


Este post não é sobre a Apple, bem entendido, é sobre a imprensa que cobre tecnologia. Esta semana li uma matéria de um importante meio de comunicação que anunciava a possibilidade do lançamento nos próximos meses do iPhone branco. Fala sério! A possibilidade de lançamento de qualquer coisa nos próximos meses não é notícia. Notícia é o lançamento. Pior ainda se o lançamento provável se resumir a uma nova cor para um produto conhecido.

Infelizmente, boatos fúteis tratados como notícia não são novidade quando se trata da cobertura de tudo que envolve a empresa Apple. Nada contra os produtos fantásticos que ela produz, mas quando a imprensa chega ao nível da veneração incondicional e bovina a realidade começa a se distorcer. Seria uma falta de assunto causada pelo marasmo na indústria digital? Os jornalistas estão apenas reproduzindo o comportamento de consumidores ávidos por qualquer detalhe irrelevante que envolve os produtos Apple?

Uma coisa é certa: a Apple está fazendo escola. Steve Jobs sabe muito bem como pautar a imprensa e outras empresas com menos apelo também aderiram à moda de plantar boatos sobre lançamentos futuros na esperança de gerar uma demanda ainda inexistente. Muitas estão dando tiro no pé ao gerarem expectativa sobre produtos que não são assim um Apple. Ah, saudades do tempo em que você lia sobre um produto na imprensa e podia se dirigir à loja mais próxima para comprá-lo.

Leia a matéria sobre o provável iPhone branco.

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Quem experimenta uma versão para tablet de jornal ou revista há de concordar que se trata de uma proposta nova. Consumir informação em um tablet é outra experiência que se diferencia tanto da versão impressa como dos sites jornalísticos. Versão para tablet na prática por enquanto é a versão para iPad, mas outras vão surgir com certeza. Os tablets com Android estão aí e o Google One Pass promete ser a banca de jornais virtual que vai fazer concorrência direta à loja iTunes da Apple. Será que esse novo formato é a salvação para as empresas de comunicação? O tempo dirá, mas por hora podemos discutir as vantagens de cada formato. Uma coisa é certa: o suporte determina a mídia. A sensação de novidade que se tem ao ler um jornal no iPad vem dos recursos que o aparelho dispõe. A minha impressão pessoal é que o jornal para tablets é uma solução que está no meio do caminho entre o jornal impresso e o site de notícias. Vejamos algumas diferenças e semelhanças:

Assim como o jornal impresso, a versão para iPad tem data e hora de fechamento, ou seja, não faz cobertura em tempo real como a televisão e o site jornalístico. Versão para tablet é periódica, não instantânea.

A diagramação e a navegabilidade da versão para tablets é superior. Navegar em uma edição para iPad é melhor do que percorrer um site de notícias onde tudo é organizado para gerar um fluxo contínuo de informação. Tá certo que um jornal no iPad só vai ficar bonito se houver um designer talentoso cuidando do projeto. A navegação com os dedos é bem mais prática do que controlar a exibição com o mouse ou então ficar dobrando páginas grandes de papel jornal que não tem cores vivas como as exibidas na tela.

A possibilidade de incluir recursos multimídia como áudio, vídeo, slide shows e animações deixa a versão tablet mais completa em relação à versão impressa. Esses recursos são usados há tempos na versão para computador, mas parece que no tablet a experiência é mais agradável por conta da mobilidade e do modo de navegação do aparelho.

Sinceramente, eu vejo as versões digitais como superiores à tradicional impressa, até pelo aspecto ecológico da economia de papel. O difícil é dizer qual versão digital é superior: a edição fechada para tablets ou o fluxo contínuo de notícias dos sites de comunicação. A edição fechada tem uma vantagem fundamental: o editor seleciona, organiza, prioriza e sintetiza a informação. O leitor recebe um dossiê e não uma massa bruta de informação. O portal de notícias oferece a vantagem da urgência, do fluxo contínuo, do instantâneo.

Qual modelo vai prevalecer no futuro? Daqui dez anos existirão jornais impressos? Os tablets dominarão? A informação gratuita na Internet vai desaparecer? As grandes bancas virtuais como iTunes e One Pass vão prejudicar as empresas de comunicação? O que sei é que leremos sobre eses assuntos nos jornais do futuro porque o suporte é prata e o conteúdo é ouro.

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Uma das razões para o sucesso da TV é a sua burrice. Não estamos falando do conteúdo, mas dos aspectos tecnológicos dessa mídia. Calma, a tecnologia da TV é fantástica, mas parece plana diante da interatividade que encontramos em computadores conectados à Internet. Simples, unidirecional, contínua, efêmera, passiva, essa é a TV que conhecemos há décadas, mas se você quer deixá-la mais parecida com o que encontra no computador pode lançar mão de algumas alternativas. Ainda não há uma solução matadora para integrar a TV com o mundo digital, o que não impede o telespectador de montar a sua. Vejamos algumas ideias para ter uma TV 2.0.

TV digital. A transmissão digital em alta resolução começou no Brasil há pouco tempo e promete acrescentar interatividade à TV. Por enquanto, isso é mera promessa, o que a TV digital tem a oferecer de melhor até o momento é uma qualidade de imagem superior com resolução mais alta (1080 linhas) e formato widescreen (16:9). Além disso, pode ser acessada em dispositivos pequenos e móveis como os celulares.

Google TV. A primeira Google TV foi lançada pela Sony em 2010 e acrescenta recursos de Internet à TV como um serviço de busca que obviamente é fornecido pelo Google. A proposta da Google TV é unificar a interface dos aparelhos de TV sob a tutela do grande irmão. Integração com a Internet, possibilidade de gravar programas, interface intuitiva, YouTube no televisor. Seria uma TV com um quase computador embutido? Google quer ser o senhor das plataformas.

Apple TV. A pequena caixinha com a logomarca da maçã é um quase computador que interliga a TV com a Internet. Com ela é possível acessar a loja da Apple para baixar conteúdos de TV, além de músicas e filmes. A Apple TV também se integra com provedores de conteúdo como a Netflix (só para americanos). Seria uma locadora virtual, um tipo diferente de TV a cabo? Uma TV sob demanda? Para os brasileiros há limitações as mais variadas, obviamente: pagamento em dólar, programação voltada para os americanos, etc.

Windows Media Center. A versão Premium do Windows vem com esse aplicativo desenvolvido para integrar o computador com a TV. A interface do Windows Media Center é própria para exibição em aparelhos de TV, que nesse caso funcionam como monitor, pois quem comanda o espetáculo é o computador. O Windows Media Center permite gravar programas e organizar todo tipo de mídia. Seu foco é gerenciar as mídias que estão no computador para exibição na TV.

Sintonizadores de TV para computador. Para os computadores de mesa existem as placas de captura e para os notebooks é possível encontrar os sintonizadores compactos que lembram um pen drive e são espetados na conexão usb. Os sintonizadores mais completos capturam sinal de rádio FM, TV analógica tradicional e TV digital em Full HD. Capturando o sinal da TV no computador é possível fazer coisas como gravar programas ou assistir TV enquanto digita um texto.

Controle remoto no smartphone. Usar o celular como controle remoto da TV logo será uma prática banal. Para funcionar, tanto o celular como o televisor precisam dispor de tecnologia como o bluetooth que permita a comunicação entre eles.

Sites das grandes redes. Perdeu seu programa favorito porque não estava em casa na hora da transmissão? Há boas chances de o programa estar disponível no site da emissora. As redes mais estruturadas mantém arquivos de sua programação, tudo bem organizado, classificado, segmentado, livre de propagandas, mas em telinha pequena. Se a emissora não mantém o programa em arquivo, talvez você o encontre no Youtube.

Podemos imaginar um futuro em que a TV vai combinar transmissão pelo ar com o acesso via Internet. Pelo ar viria o tráfego pesado de dados em alta resolução e pela Internet passaria a interatividade. Nesse cenário, poderíamos ter uma TV mais social com aferição instantânea da audiência, comentários e bate-papo entre os telespectadores que poderiam decidir até o final da novela. Pena que essa TV 3.0 ainda vai demorar um pouco a chegar.

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A TV bem que podia ser mais inteligente, não é mesmo? Não estou falando da qualidade da programação, mas de tecnologia. Refiro-me a recursos como interatividade, flexibilidade de horários e opções, integração com redes sociais, enfim, aquelas coisas que os usuários de Informática estão habituados e adoram. Tá bom, alguns vão dizer que esses recursos não podem ser considerados um ganho de inteligência para a velha TV, mas acho que deu para entender do que estou falando. Faz tempo que a Informática assimilou a TV: é possível ver TV no computador, no smartphone ou encontrar programas na Internet, no entanto, a TV ainda tem dificuldade para assimilar a Informática. A comunicação unidirecional que começa na antena de transmissão e termina no caixote zumbidor da sala de estar segue o mesmo padrão há décadas. A TV continua sendo um fluxo ininterrupto de imagens distribuído pelo ar e destinado à assimilação passiva. A tecnologia de TV digital implantada no Brasil há pouco tempo prevê a possibilidade da comunicação bidirecional que deixaria a TV com uma cara de Internet, mas a pergunta que alguns fazem nessa hora é: quem quer TV inteligente?

A Internet é uma mídia ativa: o usuário escolhe, escolhe, escolhe o tempo todo. O uso da Internet é de certa forma parecido com a leitura de um jornal. O leitor pode começar a leitura de trás para frente, pular cadernos, ler duas vezes a mesma notícia, ignorar as propagandas. Trata-se de uma experiência diferente de ver um telejornal que segue uma ordem definida pelo editor e intercalada com comerciais. Internet é ativa, TV, passiva. Estão querendo deixar a TV ativa também. Será que vai dar certo? Pode funcionar desde que a passividade continue sendo o ponto forte dessa mídia. Eu costumo assistir o telejornal enquanto faço minha refeição da noite. Funciona bem e não recomendo a ninguém usar o notebook para ler notícias enquanto faz a refeição, pois o suco pode cair no teclado. Mesmo o mais machão há de concordar que ficar passivo  após um dia de estresse é relaxante. (Estou falando de consumo de mídia, ok?) Têm horas que uma TV bem burrinha é um santo remédio.

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Se você ler este post até o final considere-se um privilegiado, não pela qualidade do conteúdo que vai desfrutar, mas pelo fato de conseguir ler de ponta a ponta um texto relativamente longo para os padrões atuais.

Uma pesquisa conduzida pelo Pew Research Center concluiu que a  proporção de jovens entre 12 e 17 anos que mantém blogs caiu de 28% em 2006 para 14% atualmente.  O mesmo estudo mostra que essa redução da popularidade dos blogs entre adolescentes está associada a um aumento da participação em redes sociais. Faz sentido, pois um recurso compete com outro. Entre o público de mais idade, porém, o uso de blogs manteve-se estável e em alguns casos até aumentou.

O que estamos vendo são movimentos de acomodação onde cada recurso da Internet está rumando para a sua vocação natural.No passado, os blogs eram usados para muitos fins, alguns dos quais poderiam ser melhor atendidos por outras ferramentas que na época estavam apenas decolando como as redes sociais. Podemos comparar a blogosfera a um rio que transbordou e que lentamente volta à sua calha original Essa perda de autores e de público dos blogs não é para ser lamentada. Trata-se de uma depuração bem-vinda que pode ajudar no amadurecimento da mídia.

A comunicação ligeira e imediata se resolve melhor no Orkut ou no Twitter. Assim, os blogueiros podem se focar na sua melhor vocação que é fazer a crônica dos acontecimentos cotidianos. A vocação dos blogs para a crônica os torna uma mídia tipicamente textual e texto tem que ser lido com atenção. Aí começa o problema. Ler não é o forte de boa parte da população. Existem muitos bons leitores hoje em dia, proporcionalmente, muito mais do que em qualquer período anterior da história, mesmo assim, os bons leitores continuam sendo minoria. Vale lembrar que o modo multitarefa de vida dos adolescentes não é favorável à formação de bons leitores e, por extensão, de novos blogueiros. E olhe que estamos falando da leitura de textos relativamente curtos como posts e ignorando textos realmente longos como romances ou densos como ensaios de filosofia.

Qual blogueiro vai alcançar quem não gosta de ler? Quem não gosta de ler vai se tornar blogueiro? É melhor assumir de cara a condição de que blogs são para quem gosta de ler e de escrever, sem ligar para aqueles comentários cansativos de que ler é chato. Bem, este post está chegando ao fim e você, caro leitor, continua lendo, prova de que caiu no truque de que lancei mão para retê-lo até a última linha ou, talvez, porque a leitura tenha sido produtiva. Além disso, sua atenção não se dispersou pelo caminho, logo você é um privilegiado.

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José Saramago

Com o advento dos blogs, as pessoas estão escrevendo mais, embora pior. Quem diz isso é o Prêmio Nobel de Literatura José Saramago, ele mesmo blogueiro. Depois de ler essa declaração forte do Saramago fui direto ao blog dele conferir se a opinião se aplicava aos posts que ele mesmo produz. Que nada! O blog desse polemicista de 86 anos é muito ativo e a qualidade dos textos, impecável. Saramago nos esclarece: a facilidade com que se produz um blog leva mais pessoas a escrever, embora muitos não se preocupem em publicar textos burilados. Ele, Saramago, trata seus posts com o mesmo rigor de seus romances. Eis um bom exemplo para se refletir sobre esse gênero novo de escrita em que a instantaneidade e a urgência às vezes são confundidas com improviso e afobação.

Quem disse que blog é para escrever nas coxas o que dá na telha? Quem escreve pensando em prestar um serviço, ou seja, quem escreve para o outro e não só para si, tem que considerar que a mídia blog é rápida, mas nada impede que o texto seja elegante, coeso, conciso, denso, criativo, etc. Nada contra os blogs catárticos que o blogueiro usa como diário público, mas o meu estilo favorito de blog é aquele que tem algo a dizer e quando diz, o faz com estilo. Vivemos uma sobrecarga de informação sem precedentes na História e a atenção do leitor é um espaço a cada dia mais disputado. Quer receber atenção? Então blogue mais e melhor.

Matéria da Folha online sobre as declarações de Saramago.

Blog do Saramago

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Comunicação

Os meios de comunicação podem ser usados para fins produtivos ou para o besteirol. Geralmente, o besteirol ganha disparado em uso e é distribuído por igual em todas as mídias, por isso, não faz sentido discriminar nenhuma delas alegando que não oferece conteúdo de qualidade. Em todas as mídias encontramos conteúdo bom boiando no mar do besteirol.

O ministro Hélio Costa, das Comunicações, passou a impressão de que tem uma ideia diferente sobre o assunto. Em fala recente para profissionais do setor de comunicações, o ministro disse que seria melhor se os jovens “despendurassem” da Internet para ver um pouco de TV e ouvir rádio. Será que o ministro considera fútil o uso que os jovens fazem da Internet e crê que eles poderiam melhorar sua formação assistindo TV e ouvindo rádio?

O ministro Hélio Costa, 69 anos, foi radialista e repórter da Rede Globo. Sua geração e seu passado profissional explicam, em parte, o valor que ele dá à TV e ao rádio para a educação dos jovens. Como ministro, porém, seria melhor ele se mantivesse neutro em relação aos meios de comunicação que estão sob sua responsabilidade. A Internet é uma nova mídia, nem melhor, nem pior do que suas antecessoras. Realmente, seria melhor se os jovens deixassem de bisbilhotar futilidades no Orkut para assistir a um documentário da Discovery Channel ou, quem sabe, se informar sobre os projetos que estão em andamento no Congresso Nacional ouvindo A Voz do Brasil. Os jovens, por outro lado, poderiam dar um conselho à geração do ministro Hélio Costa: parem de assistir ao programa do Faustão e vão fazer uma visita virtual ao Museu do Louvre ou saber das notícias internacionais em primeira mão. Convenhamos, um pouco de besteirol é importante também, tanto para os jovens como para os maduros, mas sem excessos, senão sou obrigado a concordar com o ministro que o melhor é “despendurar”.

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