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Este ano a disputa para presidente do Brasil está acirrada e, por isso, resolvi fazer um cálculo que traz um pouco de racionalidade à minha escolha. Quem quiser experimentar o cálculo de candidato basta preencher a planilha abaixo com os valores que considerar válidos. A planilha já vem carregada com a minha avaliação pessoal, mas fique a vontade para alterar os números de acordo com sua preferência. Em alguns casos, você deve dar peso ao item avaliado, em outros, você precisa dar nota a cada candidato. Na planilha estão apenas os três candidatos mais bem colocados nas pesquisas até agora, mas pode ser ampliada para os demais.

Faça seu cálculo:  Planilha.

dilma-marina-aecio

A seguir veja as explicações de cada item exemplificadas com a minha pontuação pessoal.

Experiência legislativa

Que peso você dá aos cargos legislativos exercidos pelo candidato?

  • Vereador: 1
  • Deputado estadual: 2
  • Deputado federal: 3
  • Senador: 4

Será considerado apenas o cargo mais alto ocupado pelo candidato. Aécio foi senador por Minas Gerais e Marina, senadora pelo Acre. Dilma não exerceu cargo legislativo.

Experiência executiva

Que peso você dá aos cargos de poder executivo exercidos pelo candidato?

  • Diretor de órgão público ou empresa estatal: 1
  • Secretário municipal ou estadual: 1
  • Ministro de estado: 2
  • Prefeito: 3
  • Governador: 4
  • Presidente: 5

Será contado apenas o cargo mais alto ocupado pelo candidato. Marina foi Ministra do Meio Ambiente, Aécio governou MInas Gerais E Dilma é presidente/presidenta do  Brasil.

Partido

Peso que você dá à troca de partido durante a carreira do candidato: -3

Devem ser excluídas da conta mudanças de partido por razões de consciência, fusão ou extinção e as trocas ocorridas há mais de dez anos.  Aécio está no PSDB desde 1988, Dilma milita no PT desde 2001 e Marina, nos últimos dez anos, passou pelo PT, PV, Rede Sustentabilidade e PSB.

Peso que você dá ao fato do candidato pertencer a um partido orgânico: 3

É difícil definir partido orgânico, mas entendo que seja um partido com perfil ideológico definido, representativo de setores da sociedade, com histórico de lutas e que participa do processo político de forma aguerrida. Marina está no PSB provisoriamente e pode deixa-lo assim que seu grupo conseguir viabilizar a Rede Sustentabilidade.

Peso que você dá ao fato de o candidato pertencer a uma coligação oportunista: -3

Nesse quesito os três candidatos estão nivelados por baixo, em função da prostituição generalizada que rola nas coligações brasileiras.

Barreiras sociais a vencer na política

Que peso você atribui ao fato de o candidato ser:

  • Mulher: 1
  • Negro ou pardo: 2
  • Portador de deficiência: 3

Classe social de origem

Qual o peso você atribui ao fato de o candidato ter origem:

  • Humilde: 2
  • Remediada: 0
  • Abastada: 0

Aécio pertence a uma família mineira abastada, Dilma vem de uma família de classe média alta gaúcha e Marina é de uma família pobre do Acre.

História pessoal

Que importância você dá ao fato de o candidato:

  • Ter feito militância política na juventude: 1
  • Pertencer a uma família de políticos: -1

Dilma militou contra a ditadura na juventude , Marina militou pela causa dos seringueiros do Acre e Aécio lutou pelas Diretas já. Aécio pertence a uma família tradicional de políticos mineiros.

Posicionamento em relação a questões de fundo

Que peso você atribui ao fato de o candidato ser a favor de:

  • União civil de pessoas do mesmo sexo: 1
  • Legalização do aborto: 0
  • Legalização da maconha: 1
  • Pena de morte: -1
  • Redução da maioridade penal: 1

Os três candidatos aprovam a união civil gay. Aécio e Dilma (atualmente) são contra a legalização do aborto. Aécio é a favor da redução da maioridade penal, Dilma segue a linha de seu partido e é contra. Aécio, Dilma e Marina são contra a legalização da maconha. Dilma é contra a pena de morte.

Religião do candidato

Caso você considere relevante a religião do candidato atribua um peso à religião dele na sua escolha.

  • Católico: 0
  • Evangélico: 0
  • Sem religião: 0
  • Outra: 0

Aécio é católico, Dilma dá indícios de que não pratica religião e Marina é evangélica da Assembleia de Deus.

Reforma política

Qual peso você atribui ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Fim da reeleição para presidente: 0
  • Financiamento público de campanha: 1
  • Redução do número de vagas para deputados e senadores: 2
  • Voto facultativo: 0

Marina declarou que não quer reeleição para presidente.

Reforma administrativa

Que importância você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Autonomia das agências reguladoras: 2
  • Fim da escolha política dos ministros do Tribunal de contas: 2
  • Redução de cargos em comissão e de ministérios: 2

Dilma dificilmente faria tais mudanças. Aécio declara que a redução de cargos em comissão e ministérios são centrais para seu governo.  Marina também se mostra favorável à reforma administrativa.

Economia

Qual peso você atribui ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Autonomia do Banco Central: 0
  • Privatizar empresas estatais: 2
  • Re-estatizar empresas privatizadas: -5
  • Estatizar empresas privadas: -10

Marina é favorável a um Banco Central autônomo. Aécio e Dilma consideram que a independência deve ser relativa. Aécio é de um partido que fez privatizações; o partido de Dilma privatizou com outros nomes, mas no discurso ela é contra as privatizações.

Educação

Dê peso para o fato de o candidato ser favorável a:

  • Ampliação das vagas em universidades públicas: 0
  • Cotas raciais e sociais para acesso à faculdade: 0
  • Ensino fundamental em tempo integral: 0
  • Ampliação de vagas no ensino técnico: 2

Dilma tem se mostrado favorável a todas essas medidas, exceto o ensino em tempo integral.

Previdência

Que peso você dá ao fato de o candidato ser a favor de:

  • Fim do fator previdenciário: 0
  • Vinculação do valor das aposentadorias ao salário mínimo: 2

Infelizmente, os candidatos não parecem dispostos a dar mais segurança aos aposentados.

Programas sociais

Que peso você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Ampliar programas de distribuição de renda como o bolsa família: 2
  • Aumento real continuado do salário mínimo: 2

Dilma tem uma política clara em favor do bolsa família e ganho real do salário mínimo. Os outros dois candidatos indicam que vão manter esses programas, mas não se sabe se vão amplia-los.

Meio ambiente

Qual o peso que você dá ao fato de o candidato ser favorável a:

  • Incentivar a agricultura sustentável: 2
  • Incentivar energias renováveis: 2
  • Incentivar a melhoria do transporte público: 2

Nessa área Marina é a candidata verde com posições firmes em defesa do meio ambiente. Aécio não indica que esta seja uma área prioritária para seu governo e Dilma tem um currículo anti-ambientalista, especialmente pelo seus investimentos pesados na área de petróleo.

Relações com setores da sociedade

Dê uma nota para cada candidato considerando sua capacidade de se relacionar bem com setores da sociedade.

  • Agronegócio: Aécio: 2, Dilma: 1, Marina: 0.
  • Empresários: Aécio: 2, Dilma: 1, Marina: 1.
  • Imprensa: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 1.
  • Sindicatos: Aécio: 1, Dilma: 2, Marina: 1.

Governabilidade

Dê uma nota a cada candidato considerando sua capacidade para resolver problemas de governabilidade:

  • Facilidade para formar maioria legislativa. Aécio: 2, Dilma: 2, Marina: 1.
  • Capacidade de conquistar a confiança de investidores: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 1.

Competências pessoais

Dê uma nota para cada candidato no que se refere a competências importantes ao um político.

  • Capacidade gerencial: Aécio: 2, Dima: 1, Marina: 1.
  • Habilidade política: Aécio: 2, Dilma: 0, Marina: 2.
  • Oratória: Aécio: 1, Dilma: 0, Marina: 2.
  • Visão estratégica: Aécio: 1, Dilma: 1, Marina: 2.

Eu não dispunha de informações completas sobre a plataforma de cada candidato, até porque eles não são precisos em muitos pontos nos obrigando a prever suas intenções a partir do histórico político de cada um.

O resultado do meu cálculo pessoal me surpreendeu, mas confirma minha tendência a votar em candidatos com perfil social democrata com uma pitada conservadora. Aliás, a disputa deste ano está restrita a três variações de social democracia: uma com tempero de liberalismo econômico, outra com sutilezas de avanços sociais e uma terceira focada em moralidade e avanços ambientais. Ainda não decidi meu voto, mas o método analítico que usei para montar a planilha pode ser útil para fundamentar minha escolha. A racionalidade já me apontou um caminho, mas resta saber o peso que o lado emocional vai ter na minha decisão.

E aqui está o resultado do meu cálculo:

aecio33 pontos

marina 27 pontos

dilma 22 pontos

Crédito de imagens: Folha de S. Paulo.

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Quatro seriam o suficiente: um partido de extrema esquerda, outro de extrema direita e dois de extremo centro para se alternarem no poder. Brincadeiras à parte, será que precisamos de 33 partidos? Com certeza vários desses partidos poderiam evaporar subitamente que ninguém perceberia; são partidos sem plataforma que não representam nenhum segmento social. Existem porque a legislação permite e estão aí para alguém levar vantagem. Mas existe jeito de garantir que apenas partidos orgânicos possam se formar? Provavelmente, não. Em um mundo perfeito, porém, só existiria um partido para cada necessidade, tais como:

partidos

Extremo centro. Em democracias maduras normalmente existem dois partidos de centro que se alternam no poder, um de perfil levemente conservador e outro ligeiramente liberal. No Brasil, o PT e o PSDB estão nessa categoria embora eu não saiba dizer qual deles é o reacionário e qual o progressista.

Extrema esquerda. No Brasil existem vários partidos nanicos que se dizem de esquerda. Três deles (PPS, PCdoB e PCB) reivindicam a herança do ancestral Partido Comunista fundado em 1922. Além desses três temos o PSTU, PCO e PSOL que também levantam a bandeira socialista e que tem um perfil mais aguerrido do que os acomodados herdeiros do Partidão. De qualquer maneira é muito partido de esquerda para uma mesma causa. Até aí normal, porque a esquerda sempre teve uma tendência à fragmentação e eles só se unem quando é para reclamar do imperialismo americano.

Extrema direita.  Aqui no Brasil ninguém quer o rótulo de partido de direita. É preciso olhar por trás do discurso para encontrar os partidos com perfil direitista. E o que é um direitista? É um esquerdista que defende a iniciativa privada. O DEM, não sei porque, sempre é citado quando fala-se de partidos de direita.

Ambiental. Temos um partido verde no nome (PV) que luta pela causa ambientalista. Além dele, temos o PEN (Partido Ecológico Nacional) e a Rede Sustentabilidade (que ainda não conseguiu registro no TSE) ambos com proposta ligadas à questão ambiental.

Religiosos. Alguns partidos brasileiros defendem causas supostamente ligadas à religião. O PSC é cristão no nome e o PRB tem fortes ligações com a Igreja Universal.

Fora esses “campos ideológicos” principais que outro segmento social brasileiro precisaria estar representado por partido? Os anarquistas não precisam de partido para viver, bem lembrado. Em resumo, fica a sugestão para uma reforma partidária composta por apenas 6 partidos que seriam:

  • PA Partido Ambiental
  • PC Partido Cristão
  • PD Partido de Direita
  • PE Partido de Esquerda
  • PLC Partido Liberal de Centro
  • PTC Partido Tradicional de Centro

A mesma reforma proibiria o PALU (Partido de Aluguel), PnDnEnC (Partido nem de direita nem de esquerda nem de Centro) e o PFU (Partido do Fulano).

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Quando os protestos de junho tomaram as ruas pedindo a redução no preço das passagens de ônibus muita gente se perguntou como seria possível baixar a tarifa? Prefeitos alertaram que havia risco de faltar dinheiro para áreas como saúde e educação caso tivessem que financiar o transporte público. Apressados concluíram que o transporte é subsidiado na maioria das cidades e não haveria matemática capaz de baixar o preço das passagens. Pois é, mas o preço baixou e o mundo não acabou. Poderia baixar mais?

Faixa exclusiva de ônibus
Depois dos protestos, a prefeitura de São Paulo levou adiante uma iniciativa importante que é aumentar a quantidade de faixas exclusivas para ônibus na cidade. Com essa política que não requer investimento a velocidade média dos ônibus paulistas passou de 13 para 21 km/h nos horários de pico. A população que anda de ônibus está economizando tempo para se deslocar e agora poderá consumi-lo com atividades mais interessantes. Mais de 90% dos paulistanos aprovaram a medida mesmo contando com o efeito colateral de complicar a vida de quem usa automóvel. Além dessas vantagens, a criação de faixas exclusivas para ônibus em São Paulo gerou um resultado que talvez poucos perceberam. Agora com a mesma frota e com a mesma mão de obra seria possível ampliar em 50% as viagens na capital paulista. É uma redução brutal de custos que obviamente não será repassada à população na forma de passagem mais barata. Tudo bem, vamos supor que com essa iniciativa a prefeitura acumula gordura para segurar o preço da passagem por um bom tempo. Se eu fosse político não seria louco de subir o preço das passagens neste ano e muito menos em 2014, ano de Copa e de eleições.
O exemplo de São Paulo é inspirador e espero que seja seguido por outras cidades. Aqui em Curitiba temos ruas exclusivas para ônibus há quase quarenta anos, além de outras iniciativas de sucesso que desafogam o transporte público com baixo investimento. Terminais de ônibus, estações tubo, ônibus biarticulados, linhas diretas, sistema integrado, são outras ideias que podem ser postas em prática pelo Brasil afora para melhorar o transporte reduzindo custos.
Apesar de Curitiba ser referência nacional em transporte público, não quer dizer que andar de ônibus aqui é uma experiência agradável. Nosso sistema está saturado mesmo com todas as otimizações boladas pelos urbanistas. Baixar o preço da passagem por aqui é um mais complicado, pois muitas boas sacadas já foram postas em prática e o sistema está maduro. No início desse ano a passagem subiu de R$ 2,60 para R$ 2,85 lembrando que o sistema é integrado e com uma passagem é possível cruzar a cidade. A prefeitura diz que o custo real da passagem seria R$3,05 e que financia parte desse custo em parceria com o governo estadual. Por conta dos protestos de junho, o prefeito baixou a passagem para R$ 2,70 e o mundo não acabou. Quem faz por menos? O Tribunal de Contas Estadual que analisou as contas do sistema e sugere que o preço da passagem poderia recuar até R$ 2,25.
A primeira coisa a fazer, portanto, antes de cogitar aumento em transporte público é botar ordem na casa. Em um sistema mal gerido e sem nenhuma otimização é possível melhorar o transporte e baixar seu custo com iniciativas simples como as faixas exclusivas. Uma boa equipe de urbanistas pode melhorar radicalmente o transporte público com investimento modesto desde que haja vontade politica. Feitas as otimizações necessárias aí chega a hora de abrir a caixa preta dos contratos com as concessionárias. A população tem direito de saber quais são os custos reais do transporte e cobrar contratos mais favoráveis ao passageiro. Na sequência, vem a redução de impostos. Transporte público é serviço de primeira necessidade, se tem IPI zero para o carro novo é justo que o transporte público também receba isenção de impostos. Por último, temos as iniciativas que atacam o problema em outras frentes. Por exemplo: por que as pessoas têm que percorrer longas distâncias diariamente para cumprir o trajeto casa-trabalho-casa? Não seria mais razoável que morassem próximo do local de trabalho? Para isso acontecer é preciso políticas públicas que gerem emprego próximo de onde o trabalhador mora e habitação a preço honesto próximo de onde o trabalho está.
Sim é possível melhorar muito o transporte público com redução de tarifa. Quem dá menos?

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A reforma política ideal teria apenas dois artigos:

  • Artigo 1º – Todo político fica obrigado a ter vergonha na cara.
  • Artigo 2º.- Revogam-se as disposições em contrário.

Enquanto essa reforma não vem podemos sonhar com algumas coisas mais específica como:

  • Redução das cadeiras do congresso a um terço do número atual. Um senador por estado e um deputado para cada milhão de habitantes. Ah, a redução de funcionários do legislativo deve ser mais radical e limitada a três assessores por parlamentar.
  • Redução do número de ministérios por lei a no máximo 12. Porque doze eram os apóstolos e as teorias administrativas dizem que um executivo não consegue gerenciar diretamente mais do que doze pessoas.
  • CLT para parlamentares, governantes e juízes, ou seja, apenas treze salários por ano, férias de trinta dias, desconto para quem não comparece ao trabalho, demissão por justa causa, etc.

congresso nacional

Ok, parece que essas medidas ainda estão no terreno da utopia, então vamos sugerir reformas compatíveis com nosso estágio atual de evolução social. Que tal reformas como estas:

  • Fim das votações secretas no congresso. Para combater o corporativismo dos parlamentares.
  • Corrupção como crime hediondo. Para complicar a vida dos corruptos.
  • Fim do foro privilegiado. Para que políticos respondam por crimes como cidadão comum.
  • Voto distrital. Para aproximar o parlamentar de seu eleitorado.
  • Fim dos partidos de aluguel. Para fortalecer partidos orgânicos.
  • Financiamento público de campanha. Para evitar o abuso do poder econômico na política.
  • Fim das coligações. Para evitar que políticos inexpressivos cheguem ao poder.
  • Fim das suplências. Para evitar que ilustres desconhecidos ocupem cargos.
  • Limitação das reeleições no legislativo. Para acabar com a perpetuação no poder.

Reforma política é um assunto complexo e árido para a maioria das pessoas. As reformas que estão em discussão no país no momento são todas focadas na moralização da vida pública. Infelizmente, esta é uma bandeira que costuma ser levantada apenas pela classe média e para complicar muitas pessoas politizadas acham que a moralização da política é um assunto menor diante de lutas mais relevantes como a busca da justiça social ou os avanços da economia. Já vi muito militante de esquerda e de direita desdenhar da luta pela moralização da política como se esse fosse assunto para ingênuos, mas é bom lembrar que a moralização teria um forte impacto social e econômico. Moralizar a política equivale a aumentar a eficiência da economia e distribuir renda.

Constituição Brasileira, artigo único: todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara. Capistrano de Abreu

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Aqui no Brasil está tudo certo. Faz tempo que ninguém pergunta: Que país é este? Vamos sediar a Copa, as olimpíadas e, talvez, a Expo Mundial. Temos Bolsa Família, estamos no G20, somos emergentes, temos a primeira presidente mulher e o anterior era um operário de origem humilde. Tudo certo, tudo bem. Corruptos de alto escalão foram condenados no Supremo Tribunal; a inflação não está muito alta; os juros estão mais baixos e temos a matriz energética mais limpa do planeta.

Tudo certo, mas as pessoas querem mais e por incrível que pareça se acostumam com conquistas passadas e passam a querer novas conquistas. Na última sexta-feira passei pelo centro de Curitiba e vi alguns manifestantes protestando contra o aumento nas passagens de ônibus. Tá certo que aumentos de preço fazem parte do cotidiano, mas parece que tem uma tal de caixa preta que impede a população de saber qual é o custo real da passagem. Os manifestantes de Curitiba eram poucos e pacíficos e não foram hostilizados pela polícia, diferente de São Paulo, Rio e Brasília onde os protestos foram de maior intensidade. Na segunda-feira, quando acessei meu Facebook nada se falava sobre a vitória do Brasil na Copa das Confederações, mas havia muitos comentários sobre protestos de rua, queixas sobre gastos absurdos com estádios e falavam que um gigante estava acordando.

protestos

De fato, existe uma insatisfação difusa no ar que não foi captada nem capitalizada pela nossa oposição política inoperante. Enquanto termino este post novos protestos acontecem, maiores e alcançando mais cidades. Dizem que os manifestantes estão vagando por aí sem  liderança, sem causa e que daí só pode sair baderna. O anarquismo no bom sentido, como linha política, prospera na ausência de forças organizadas que representem as insatisfações populares. Em São Paulo, por exemplo, os manifestantes protestaram contra o aumento das passagens de ônibus concedido por um prefeito do PT e levaram porrada da polícia comandada por um governador do PSDB. Na teoria, o próximo presidente virá de um desses partidos. A grande imprensa chamou os manifestantes de arruaceiros  ao mesmo tempo que enaltecia os “arruaceiros” da Turquia que reagem contra lambanças e desmandos do governo local.

Não sei até onde os movimentos populares podem ir sem articulação, mas o fato é que eles rejeitam a tutela das organizações tradicionais. Sim, existe uma insatisfação latente no ar onde tudo se mistura. Além de insatisfeitos, os brasileiros estão mal representados. No governo e fora dele.

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Vou dar um pitaco na polêmica do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) mesmo correndo risco de garantir mais votos para ele nas eleições de 2014. No meu Facebook recebo diariamente mensagens questionando se o deputado Feliciano representa alguém como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal. Certamente o deputado representa alguns setores fundamentalistas da nossa sociedade e seu maior objetivo na Comissão de Direitos Humanos é paralisá-la, meta que ele está cumprindo com galhardia. Se nenhum avanço for observado na questão dos direitos humanos e de minorias no mandato do deputado Feliciano ele vai se apresentar ao seu eleitorado como vitorioso por ter freado o avanço de setores “amaldiçoados”.

A Câmara Federal é uma casa de mandatos proporcionais, ou seja, os deputados representam setores da sociedade que não precisam ser maioria. Sabendo disso, o deputado Feliciano adota uma política de confronto e polarização, se apresentando como defensor dos bons costumes e levando algumas pessoas a crer que quem está contra ele está contra os evangélicos. Vários adversários do deputado mordem a isca lançada por ele e adotam um fundamentalismo às avessas se referindo a ele como Pastor Feliciano. Ora, não faz sentido eu sair por ai dizendo: “a lésbica fulana”, da mesma forma, não me parece boa ideia colar no deputado o adjetivo pastor, como se isso explicasse muita coisa sobre seu caráter. Estão apenas asfaltando o caminho para a reeleição do nobre deputado.

Marcos Feliciano

Quem está realmente incomodado com a presença do deputado Feliciano na Comissão de Direitos Humanos deveria questionar como ele chegou lá. O bom senso diz que ele não tem perfil para a coisa. Por que então uma raposa estaria a  cuidar do galinheiro? A Comissão de Direitos Humanos foi comandada no passado durante várias gestões por deputados de “esquerda”, principalmente petistas.Será que esses deputados militantes arrojados dos direitos humanos e que hoje apoiam o governo consideram a Comissão uma bananeira que já deu cacho? Os candidatos naturais à presidência da Comissão de Direitos humanos preferiram abdicar da candidatura por conta de interesses políticos maiores? Direitos humanos e de minorias são assunto resolvido no Brasil e não haveria problema em deixar a comissão sob o comando de um fundamentalista conservador? Tudo bem, ele representa setores da sociedade que têm interesse em certas questões encaminhadas pela comissão, que têm um projeto ambicioso de poder e que cobram espaço político. Muito cuidado, porque se o Feliciano cair, o sucessor talvez venha da mesma facção. Essa é a câmara que temos para o momento: um homofóbico na comissão de direitos de minorias e o maior produtor de soja do Brasil presidindo a Comissão de Meio Ambiente. Quem já foi combativo nessas áreas agora se ocupa de garantir a presidência em 2014.  Enquanto isso, na Comissão de Constituição e Justiça temos dois condenados pelo mensalão.

fora feliciano

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Para comemorar seus 10 anos de governo do Brasil o partido da atual presidenta lançou uma cartilha onde exalta suas conquistas e faz comparações com a administração anterior. Obviamente, a cartilha prova que a administração atual é muuuuuuito melhor do que a antecessora. Concordo que o Brasil está melhor hoje do que há dez anos, mas não sei se credito esse avanço à administração recente ou a uma evolução natural da nossa sociedade da qual todos participam. Temos que levar em conta que o trabalho e as lutas de uma geração servem de base para a prosperidade de quem vem na sequência. Da mesma forma, não podemos ser ingênuos a ponto de pensar que o desenvolvimento de um pais é linear, sempre para melhor. Há períodos de estagnação e de decadência que se alternam com períodos de prosperidade. É por isso que prefiro fazer comparações considerando intervalos de tempo maiores.

Que país é esse?

Vivemos um momento de pleno emprego no país e isso é perceptível no meu cotidiano. Na empresa onde trabalho os funcionários novos geralmente são universitários que conquistam um emprego de nível superior bem antes da conclusão do curso. Há uma carência de mão de obra qualificada no país, situação bem diferente da que enfrentei há quase três décadas quando concluí meu curso universitário. Comecei minha vida profissional em um período que ficou conhecido como década perdida. No começo da década de 1980 governava o país um presidente general que pediu para ser esquecido, a inflação galopava e o FMI ditava as regras da política econômica no país. Na sequência, tivemos um presidente mexicano do Maranhão que lançou planos econômicos um atrás do outro, sempre causando grandes prejuízos para os desprevenidos como eu. A autoestima do brasileiro naqueles tempos estava mais por baixo do que barriga de jacaré. Para quem quiser recordar o astral da época recomendo duas músicas que sintetizam o sentimento do período: Inútil do Ultraje a Rigor e Que país é esse? da Legião Urbana.

A gente não sabemos
Escolher presidente
A gente não sabemos
Tomar conta da gente
A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
Que nóis é indigente…

Inútil – Ultraje a Rigor

No final da década de 80, o presidente bigodudo, que até hoje protagoniza a política nacional, deixou para o sucessor um legado de inflação, dívidas e escândalos, mas vamos reconhecer que ele sepultou boa parte do legado autoritário do regime militar anterior. Seu sucessor, o presidente caçador de marajás também abusou dos planos econômicos de choque que me deram bons prejuízos. Esse presidente galã se mostrou um corrupto voraz que escandalizou até a classe política. Em sua curta passagem pelo Planalto não conseguiu debelar a inflação, mas abriu nosso mercado para o mundo, o que acabou oxigenando a economia. Seu sucessor de breve atuação era um ranzinza saudosista que gostava de fuscas, mas deu uma bola dentro ao criar uma nova moeda: o real. Sua política econômica debelou a inflação galopante.

O sucessor do presidente de topete foi um intelectual com gosto pelo poder que usou um receituário econômico liberal e conseguiu a proeza em termos de Brasil de cumprir dois mandatos presidenciais por eleição direta. No governo do tucano muitas pressões da década perdida desapareceram: inflação baixou, a dívida caiu e a economia andou nos eixos apesar de algumas crises e felizmente o período dos pacotes econômicos de choque já havia passado.

No terceiro milênio assumiu o presidente operário que governou em bonança econômica. Não se sabe se esse período de estabilidade aconteceu por conta da competência do operário, se pelo fato de ter recebido a casa em ordem ou se ele surfou na onda da economia internacional que ia de vento em popa. Prefiro acreditar que foi pela soma dos fatores. O presidente operário adotou medidas que melhoraram a renda das camadas menos favorecidas da sociedade e isso criou um novo mercado para o país, que a essa altura já se sentia bem com a alcunha de país emergente.

A quem cabe o mérito pela boa fase que o Brasil atravessa? Em primeiro lugar à população que acorda cedo todo dia e vai trabalhar independente da inflação, do FMI dos escândalos ou da crise internacional. Outra coisa é certa: a prosperidade não se constrói de um ano para outro; ela é o fruto do trabalho de gerações e ninguém pode dizer que a construiu sozinha do zero.

Quando vivemos um bom momento, sempre é bom olhar para trás e depois para o futuro. O bom momento de hoje teve origem nos sacrifícios do passado. Sem se deixar levar pela euforia vamos nos manter atentos porque amanhã os ventos podem ser outros. Ainda somos inútil? Somos emergentes, muita humildade nessa hora.

Nas favelas, no Senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?

Que país é esse? – Legião urbana

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