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Posts Tagged ‘Quem precisa?’


As estatísticas mostram que nos Estados Unidos 25% das residências não tem mais telefone fixo. Nessas casas, a comunicação é feita por outros meios, principalmente por telefone celular. A parcela da população que está abandonando o telefone fixo cresce em ritmo forte, tanto nos EUA como no Brasil. Com a chegada de novas tecnologias de comunicação, mais avançadas e com mais recursos, o velho telefone fixo corre risco de acabar no museu. Nesse mundo repleto de celulares, Skype e Messenger quem precisa de telefone fixo? Eu, que não uso celular, certamente preciso, mas não é pela necessidade de fazer ligações. Vou explicar:

A sobrevida do telefone fixo está garantida enquanto vigorarem certas artimanhas de mercado. No Brasil, ainda predomina a venda casada de telefone fixo com serviços de banda larga. Lá em casa, por exemplo, temos uma assinatura de telefone fixo para dispor da conexão de Internet por ADSL. Além disso, pago um provedor de acesso para fazer aquela tal da autenticação de usuário exigida por lei. Em outras palavras: assino três serviços: telefone fixo + conexão ADSL + provedor de acesso. Dos três, eu só precisaria da conexão à Internet. Minha segunda opção que seria a conexão de Internet via TV a cabo ainda não chegou na minha rua. De qualquer forma, se um dia ela chegar, eu terei que fazer outro tipo de compra casada, pois a operadora de TV a cabo só oferece conexão de Internet a quem assinar um pacote de TV.

O argumento social em favor do telefone fixo também já caiu por terra. Embora as tarifas do telefone fixo sejam mais baixas que as do celular, o custo da assinatura e as exigências de cadastro o deixam inacessível a muitas famílias. Além do mais, essas pessoas de menor renda são atendidas pelos celulares pré-pagos. O celular pré-pago é menos burocrático e, em muitos casos, fica mais barato que a alternativa fixa. Algumas pessoas veem o telefone fixo como um aparelho da família, enquanto que o celular seria um artefato individual, mas muitas famílias compartilham o mesmo celular, o que deixa o seu uso muito parecido com o do aparelho fixo.

Chegará o dia em que a imensa infraestrutura da telefonia fixa será usada apenas para trafegar dados de Internet. Nesse dia, minha conta mensal de conexão cairá pela metade e o aparelho telefônico permanecerá na estante apenas para efeitos decorativos e sentimentais. Se algum neto me perguntar para que servia tal engenhoca direi que dava para falar com quem estava longe, mas que não tinha vídeo, nem holograma 3D, nem cheiro.

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Esta semana resolvi fazer um teste tira-teima: Criei uma lista de 32 músicas que gostaria de ouvir e que pode ser conferida no final deste post. Em seguida, sai procurando as 32 pela Internet com as restrições de ouvir apenas música grátis, legalizada e sem baixar arquivos. Quando digo grátis estou desconsiderando a necessidade de ter um computador conectado à Internet.

Assim, que comecei, logo vieram as surpresas. A primeira foi descobrir que o Google é de pouca utilidade nesse tipo de pesquisa. O Grande Irmão prioriza o Youtube e não me apontou boas dicas. Talvez, as rádios devessem ficar mais amigáveis  aos buscadores da rede. A segunda surpresa foi a facilidade para encontrar todas músicas. Resolvi tudo em três sites.  Na Rádio UOL, não é preciso se cadastrar para ouvir, mas usuários registrados podem salvar suas playlists. No Terra Sonora, pedem para fazer um cadastro gratuito para até 20h/mês de música, é possível salvar playlists e o site tem bastante recursos. O You Tube tem de tudo um pouco, mas a qualidade é bem variada e não se sabe  se o vídeo é oficial ou pirata.

Quanto à questão legal, 24  das músicas estavam na Rádio UOL ou no Terra Sonora, logo a questão de direitos autorais deve estar bem resolvida para 78% da lista. Sete músicas eu localizei no YouTube e aí não boto a mão no fogo pelo respeito aos direitos autorais, embora este seja um problema do YouTube. O internauta não armazena nada consigo e não é obrigado a investigar de onde veio o vídeo.

Em resumo: tirando exceções é possível ouvir música na web gratuitamente, com qualidade, rápido, dentro da lei e sem baixar arquivos. Só é preciso um pouco de desprendimento franciscano para não desejar a posse de um bem que pode ser alcançado a qualquer momento. Pois é, a boa música é como o gorjeio dos pássaros que voam de árvore em árvore: grátis e disponível para todos. Bom para a consciência, ótimo para o bolso. Aproveite enquanto durar.

A lista: (mais…)

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O iPad ainda não está a venda, mas como qualquer lançamento da Apple gera muita notícia as perguntas estão pipocando: Para que serve um iPad? Ele é comparável a produtos existentes?  É um netbook? Vai competir com o Kindle da Amazon? É um iPhone de Itu?

Com os computadores, está acontecendo algo parecido ao que vemos na indústria automobilística. Existem muitas categorias de carros, cada uma delas focada em um uso específico. Existem os carros off-road que são bons em estradas de chão, os sub-compactos que atendem o motorista que roda no tráfego pesado das cidades, os carros esportivos feitos para voar nas pistas, as peruas para carregar a família e por aí vai. Não adianta sonhar que um sub-compacto possa enfrentar um rallye pelos sertões  ou que possa atingir 100km/h em 4 segundos. Não existem carros gerais e, da mesma forma, não existem computadores gerais. Novas categorias de computadores surgem continuamente, cada uma focada em um uso. Arrisco dizer que o iPad vai estabelecer uma dessas novas categorias de computador e que sua vocação é para meu segundo computador que levo onde eu for. A Apple tem a força para estabelecer padrões e o iPad pode popularizar a tecnologia tablet que não é tão recente, mas estava precisando de um impulso para se popularizar.

Quem precisa de iPad? Quem prefere gadgets estilosos, quem quer levar o computador na bolsa, não digita muito, gosta de música, fotos e vídeos ou quer mobilidade no acesso à Internet. Como o iPad não é um computador geral não o considere se você depende de multitarefa, se digita muito, precisa de tela grande, usa softwares não suportados no sistema operacional da Apple ou precisa de potência de processamento.

iPad é bom para ler livros? Bem, a tecnologia de sua tela é mesma dos notebooks e netbooks, ou seja, usa iluminação traseira e para exibir imagens consome energia. O iPad não usa a tecnologia de tinta eletrônica do Kindle que pode ser lido sob o sol e só consome energia na troca de páginas. Talvez, para as pessoas da geração digital essa diferença não seja um problema, afinal, elas estão acostumadas a ler o dia inteiro na tela. Para os puristas, no entanto, só a tecnologia de tinta eletrônica permite uma experiência de leitura  similar à de um livro de papel.

Agora, vamos ao aspecto ecológico. Não sei se o iPad vai ser produzido nas melhores práticas da tecnologia verde, mas uma coisa é certa: trata-se de um dispositivo de baixo consumo de energia, o que é ponto positivo para o iPad. Por outro lado, computadores focados em usos específicos podem estimular o consumismo. Vou explicar: quem tem um bom computador em casa pode querer um iPad para usar na rua mesmo que raramente ponha o pé para fora de casa. Se você adora os estilosos produtos da Apple lembre que estilo é ter só o que você usa.

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Vamos começar com a pergunta anterior: Para que serve o blu-ray? Infelizmente, os discos do raio azul ainda não têm boa parte das utilidades do seu antecessor, o DVD. No Brasil, até agora, os discos blu-ray servem para assistir filmes em alta definição (1080 linhas) e para jogar alguns games de terceira geração. A oferta de filmes nesse formato ainda é limitada e só é possível vê-los nas estantes das locadoras maiores ou em lojas da Internet. O tocador de blu-ray ainda é caro, mas pesquisando é possível encontrá-lo a preços abaixo de R$ 700,00. Alguns computadores top de linha vêm com leitor para esse tipo de disco e o console de videogame Playstation 3 também toca blu-ray. O lamentável é a pouca oferta de modelos de home theater com leitor de blu-ray. Vamos ser francos: se a ideia do blu-ray é atingir a melhor experiência ao assistir um filme, não adianta ter apenas o tocador se não der para ligá-lo a uma TV full HD e a um home theater de qualidade.

O consumidor consciente com preocupações ambientais reserva algumas críticas ao blu-ray. A primeira é o sucateamento programado das mídias. Há poucos anos atrás vimos o fim da fita VHS e agora é o DVD que está com os dias contados. Nada contra a evolução tecnológica, mas o problema é que a cada novidade que surge o consumidor é levado a renovar seus aparelhos e coleções muito antes do fim da vida útil desses bens. Outro problema que não é só do blu-ray é a falta de soluções integradas. Quem fizer uma compra completa de computador, console de videogame, tocador de blu-ray e TV full HD, pode ficar com três tocadores de blu-ray em casa. No mundo tecnológico ideal um tocador de blu-ray poderia servir vários aparelhos.

Quem precisa de blu-ray? Todo mundo, principalmente pessoas como eu que adoram cinema. Pena que ainda não chegou o dia da melhor compra.

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carro flex

Em um mundo ecologicamente perfeito não haveria carros flex. Pensando bem, nesse mundo não haveria automóveis, mas vamos manter o pé na realidade e entender os prós e contras do carro flex. No Brasil, flex é o carro bicombustível que roda com álcool hidratado, com a gasolina nacional (que tem 25% de álcool) ou com a mistura em qualquer proporção desses dois combustíveis. Álcool e gasolina têm propriedades diferentes e cada um precisa de uma regulagem própria do motor para alcançar o melhor rendimento. Os carros flex fazem algumas regulagens automaticamente para se adaptar à mistura presente no tanque. A diferença mais importante em termos de regulagem, porém, é a taxa de compressão. Ela deve ser mais alta para o álcool, mas os carros flex não têm regulagem dinâmica da taxa de compressão do motor. Em vez disso, usam uma taxa intermediária fixa. A conseqüência é que o motor flex não fica na regulagem ideal nem para álcool, nem para gasolina e rende menos do que carros com motores mono combustível equivalentes. Só para exemplificar: a Saveiro total flex 1.6 faz 8,7 km/l com álcool. A Saveiro 1.6 a álcool de 1986 fazia 10,67 km/l. Parece piada, mas no Brasil tem carro velho rendendo mais do que carro novo cheio de tecnologia.

Se o carro monocombustível é melhor em consumo e potência, por que os carros flex, vendidos desde 2003, fazem tanto sucesso? Quando o consumidor adquire um carro flex está pensando em duas coisas: abastecer sempre com álcool e ficar calçado caso haja um rebuliço no mercado e o álcool fique muito caro ou venha a faltar nas bombas. O motorista quer usar apenas álcool em seu carro flex, pois acha que vai economizar uma boa grana. Na maioria dos casos a economia acontece mesmo, mas não dá para ter certeza antes de fazer as contas. Nem sempre a diferença de preço entre álcool e gasolina está favorável. Além disso, é preciso considerar que um carro monocombustível renderia bem mais. Em alguns momentos, abastecer um flex com álcool sai mais caro do que abastecer um carro a gasolina equivalente, mas o consumidor nem percebe porque o cálculo é enjoado de fazer. Enfim, os brasileiros querem sempre abastecer com o combustível mais barato. Lei de Gerson. A indústria automobilística tem interesse no carro flex porque dessa forma oferece duas opções ao consumidor e investe em apenas um projeto. O país sai prejudicado, pois o consumo geral de combustíveis poderia cair mais de 10% caso a frota fosse apenas de carros mono combustíveis eficientes.

Os carros flex se justificam em um país que está diversificando a sua matriz energética e ainda não conseguiu montar uma cadeia produtiva estável para seus combustíveis. Nos EUA, por exemplo, dos 170.000 postos existentes, em torno de 2.000 apenas oferecem álcool combustível. Lá, os carros flex fazem sentido, não para o consumidor economizar dinheiro, mas simplesmente para que consiga abastecer o carro. Nossa realidade é outra. Estamos evoluídos na questão dos bio combustíveis, produzimos mais álcool do que gasolina. Nossa aposta no álcool começou há mais de trinta anos. Aqui, combustível alternativo é a gasolina, o álcool está disponível em quase todos os postos e a indústria desse combustível é sólida. O mercado oscila, é verdade, mas será que nós que produzimos petróleo e álcool, precisamos do carro flex para regular os preços? Eu, que já tive vários carros 100% a álcool e nunca fiquei na mão mesmo nas manhãs frias de Curitiba, gostaria de vê-los novamente a venda. São mais econômicos, mais ecológicos, mais brasileiros.

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smartphones

O smartphone é um aparelho de muitos recursos. Ouvi dizer que dá até para fazer ligações telefônicas com ele. Com tantas funções, parece idiotice perguntar quem precisa desse aparelho, mas vamos levar em conta que praticamente todas as funcionalidades disponíveis em smartphones são encontradas em outros dispositivos. Além disso, a experiência que os smarts propiciam costuma ser inferior à que encontramos em aparelhos dedicados. Vejamos alguns exemplos:

  • Ligações e SMS. O smartphone faz ligações e envia torpedos como qualquer celular comum e baratinho.
  • Acesso à Internet. O smart acessa a Internet, embora de forma mais limitada do que um computador.
  • TV digital. Pode-se assistir TV digital com ele, embora a experiência não se compare com a de ver o programa em TV full HD tela grande.
  • GPS. O smart pode funcionar como GPS e se integra a serviços on-line como o Google Maps. Não é o ideal para se embrenhar no mato ou para singrar os sete mares, mas para exploradores da selva urbana, ele dá conta do recado.
  • Tocador e organizador de mídia. O smartphone é bom para organizar imagens, áudio e vídeo, embora não tenha tanto espaço de armazenagem como um media center, nem a potência de som de um home teather ou a área de tela de uma TV wide screen.
  • Jogos. Há muitos jogos legais para smartphone. Obviamente, não detonam como os jogos para consoles de terceira geração.
  • Lanterna. Pode-se até usá-lo como lanterna, embora, eu não aconselhe a ninguém explorar uma caverna com smartphone.

Você, caro leitor, já deve ter percebido onde quero chegar. O smartphone é um aparelho multifuncional que oferece soluções reduzidas para quem prioriza a mobilidade. Ele não substitui plenamente os aparelhos dedicados fixos, mas quebra o galho de quem está sempre com o pé na rua. Quem vai da casa para o escritório e volta pelo mesmo caminho, vive feliz sem smartphone, a não ser que o desejo de possuir esse sonho de consumo seja avassalador.

Sou entusiasta dos aparelhos multifuncionais porque eles são ecológicos, economizam recursos. O problema é que a sociedade consumista estimula as pessoas a terem vários aparelhos multifuncionais que se sobrepõem sem que elas deixem de adquirir também os mono função. No passado, as pessoas tinham um telefone fixo no escritório e outro em casa. Daí veio o celular, que não substituiu o fixo. A família típica agora continua com o fixo e mantém mais quatro celulares, um para cada membro. O smartphone, na maioria dos casos, não substitui o notebook, nem a TV digital, nem o home teather. Se um dia eu encontrar alguém que viva apenas com seu smartphone e nada mais, vou aplaudir esse cidadão descolado, desprendido e móvel.

P.S.: não tenho smartphone.

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