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Posts Tagged ‘reforma ortográfica’


nippon

O Acordo Ortográfico recomenda o uso dos topônimos estrangeiros vernáculos, ou seja, devemos usar os nomes de locais estrangeiros seguindo o português tradicional. Vou exemplificar: o nome do país dos japoneses é escrito Japão aqui no Brasil, Japan pelos americanos e Nippon pelos japoneses quando eles usam o alfabeto latino. Japão é o topônimo vernáculo para o país dos japoneses e pouca semelhança tem com a forma que os nipônicos usam para se referir à sua terra. Isso acontece porque no português vernáculo era comum fazer adaptações drásticas nos topônimos estrangeiros. München passou a Munique, Milano a Milão, Genève a Genebra e assim por diante. Dá para perceber que a língua portuguesa era dominada pela idéia nacionalista de aportuguesar os nomes estrangeiros. Na atualidade, a tendência é de manter a grafia e pronúncia originais dos nomes, sempre que possível.

A regra do Acordo sobre os topônimos vernáculos não é apenas ortográfica. É também uma regra de escolha lexical, pois sugere o uso de uma palavra em lugar de outra. No caso, sugere a palavra aportuguesada em lugar da forma de origem. O Acordo Ortográfico adotou uma postura de equilíbrio nesse ponto. Manteve um pé na tradição ao recomendar o uso das formas vernáculas e se alinhou com a tendência atual do pensamento multicultural ao permitir a grafia original dos topônimos estrangeiros de formação recente. Afinal a língua não pára de evoluir e na época de Camões não existiam Zimbábue, Sri Lanka ou Mianmar.

Por isso, quando for viajar aos EUA lembre de escrever Nova Iorque enquanto estiver em solo brasileiro. Só use New York quando chegar lá. Quanto a Nova York, esqueça tanto aqui como lá.

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pizza mozzarella

O Acordo Ortográfico prescreve que grafias estrangeiras são aceitas apenas em nomes próprios estrangeiros e suas palavras derivadas. Entenda-se por grafia estrangeira formas de escrever incomuns em nosso idioma como em Shakespeare e shakespeariano. Se lêssemos a palavra Shakespeare segundo a nossa ortografia o resultado seria /xakespeare/ e não /xêykspir/.

Essa regra do Acordo tem um objetivo válido que é manter uma unidade mínima em nossa grafologia. A aplicação da regra, porém, é incerta principalmente no mundo real, que é bem diferente daquele idealizado por alguns gramáticos. Existem várias palavras em nossa ortografia que utilizam grafia estrangeira como em bacon que pronunciamos /bêicõ/ e paella que se fala /paêλa/. Até hoje eu não vi nenhuma cantina onde sirvam pitza de muçarela. Obs.: o Aurélio registra tanto muçarela como mozarela. Fiquem a vontade para escolher o queijo da sua preferência.

Nesses tempos de globalização é arriscado dizer que vamos evitar a entrada de grafias estrangeiras em nosso idioma. O problema maior, nesse caso, fica por conta das letras K, Y e W que contam como grafia estrangeira mas estão presentes em nossa língua em palavras como karaokê, software e yakisoba. Essa reflexão até que me deu a idéia para o nome de um dicionário digital: Dicionário Uébe.

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x-salada

Todo mundo conhece aquele sanduíche que leva hambúrguer, salada (alface e tomate), maionese e queijo (cheese). A maioria das lanchonetes anuncia o produto como x-salada e outras, em menor número, como cheese-salada. O x-salada é um item da culinária fast food vendido aos milhões nas lanchonetes do Brasil, mas a sua ortografia ainda não foi fixada nos dicionários nem no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. A análise desse caso pitoresco renderia uma monografia a um desocupado, mas para os propósitos deste post bastam algumas perguntas sem resposta.

Por que x-salada não está no dicionário se hambúrguer e misto-quente estão? Se servir de consolo, bauru e beirute também não foram dicionarizados. Que estranhos desígnios fazem com que um sanduíche popular esteja no dicionário e outro não? É porque essas palavras nasceram como nomes fantasia, dirão uns. Nem todas as palavras são palavras para dicionário dirão outros. É preciso ter paciência, vão lembrar os mais zen.

Qual é a grafia correta para x-salada (cheese-salada)? Muita gente faz piada com o x dizendo que só o usa quem não sabe escrever cheese, mas aqui vai um lembrete: o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa é contrário ao uso de grafias estrangeiras nas palavras nacionais. Assim, cheese não é uma grafia portuguesa válida, pelo menos nos rigores do Acordo.

Como escrever o nome desse calórico sanduíche, então? Já não bastava a implicância dos nutricionistas e dos anti-americanos contra o cheese-salada e agora também a dos letrados. Que tal, escrevermos xis-salada ou tchis-salada? Pensando bem, temos que levar em conta as novas regras para o hífen. Será que o correto é xissalada ou chissalada? Nossa, essa reflexão toda me deu fome. Acho que vou ali na esquina pedir um x-bacon, ou seria xisbeicom?

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Selo KYW

A regra do Acordo Ortográfico para uso das letras K, Y e W terá efeito muito reduzido sobre a ortografia real. O Acordo Ortográfico limita o uso das letras K, Y e W a três casos:

  • Antropônimos e suas palavras derivadas como Kant/kantiano, Darwin/ darwinista ou Taylor/taylorismo).
  • Topônimos e suas palavras derivadas como Kwait/kwaitiano ou Malawi/malawiano.
  • Símbolos científicos, unidades de medida e siglas internacionais como kg (quilograma), kW (kilowatt), Y (ítrio) ou KLM.

Trata-se da mesma regra encontrada no Formulário Ortográfico de 1943 e revela uma resistência contra a incorporação de grafias estrangeiras ao nosso vocabulário. Se acatada, essa regrinha xenófoba cria um problema para a entrada de novas palavras no nosso idioma. Não é novidade para ninguém que atualmente assimilamos muitas palavras do inglês, rico em palavras com K, Y e W. Se o Acordo for levado à risca teremos que abandonar a grafia consagrada e dicionarizada de palavras como software, know-how ou playground. O que fazer então? Aportuguesar a grafia de todos os estrangeirismos assimilados pelo idioma? Quem vai aportuguesá-los? O mais provável, porém, é que as restrições ao uso das letras K, Y e W sejam ignoradas sem nenhuma cerimônia pela sociedade brasileira. A saia justa vai ficar para a ABL (Academia Brasileira de Letras). Cabe à ABL publicar o Vocabulário Ortográfico que serve de referência para nossa ortografia. A ABL poderia, por exemplo, fixar copirraite como grafia oficial de copyright, mas não o fez até hoje. A Academia Brasileira de Letras não parece disposta a ir contra as formas socialmente consagradas, nem tampouco a contrariar a norma. Não abona copirraite pelo uso irrelevante, nem copyright porque emprega Y. O resultado é um Vocabulário Ortográfico defasado com a realidade da língua. Como a língua não pára, a fixação da grafia de estrangeirismos com K, Y ou W ficará a cargo de agentes mais dinâmicos como editoras, grandes jornais e lexicógrafos.

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Selo do Acordo Ortográfico

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entra em vigor no Brasil em 1º de janeiro de 2009. Na primeira fase da implantação que dura três anos os textos poderão ser escritos tanto na ortografia nova como na anterior. A partir de 2012 a ortografia nova será obrigatória em documentos do governo, material didático para o ensino regular, concursos públicos e vestibulares.

Imagino que nos três anos de transição haverá muita confusão, pois os leitores não vão saber se o texto que lêem está de acordo com a reforma ou não. Por isso, deveria existir um selo de conformidade para textos que seguem a ortografia nova. Eu pretendo seguir a reforma a partir de 2009 e vou colocar o selo acima nos meus textos que estiverem na nova ortografia. Não entendo porque a ABL ou o Ministério da Cultura não criaram um selo oficial para esses casos. Êta que essa reforma ainda vai dar o que falar.

Em tempo: este post está na ortografia antiga. O selo mostrado acima é apenas ilustrativo, mas a partir de amanhã (01/01/2009) o selo vai colar.

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A cada reforma ortográfica mexemos um pouco nas regras de acentuação. Com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa vão desaparecer alguns acentos. Por exemplo: o acento que diferencia para preposição de pára verbo vai cair. Infelizmente, nem todos os acentos diferenciais serão decepados. Não sei por que cargas d’água o acento de pôr verbo continua a diferenciar de por preposição. Seria tão simples e elegante extinguir o acento diferencial de vez, mas nossos letrados adoram exceções. Imagino os protestos veementes deles se alguém propusesse a regra definitiva e redentora: acabam todos os acentos da ortografia portuguesa. Os ingleses nunca usaram acentos e são felizes. Somente um número irrelevante de frases poderia gerar ambigüidade pela falta de acentos como em: Vi um cágado na beira do rio.

Para consolo dos inconformados com as tortuosas regras ortográficas da nossa língua lembro da nossa única regra de acentuação que não tem exceções: todas as palavras proparoxítonas são acentuadas. Por isso, para alívio geral, cágado continua com acento no a. No primeiro a.

Crédito da imagem: Petrobrás (www.petrobras.com.br)

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O parlamento português ratificou ontem o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 e estipulou o prazo de seis anos para a adoção da nova ortografia em terras lusas. Raios! 24 anos para implantar uma reforma ortográfica! Com o aval dos portugueses, a reforma vai deslanchar no Brasil. Dá uma canseira pensar no trabalho e nas despesas que nos esperam. Primeiro, entender e assimilar a reforma. Depois, a revisão das textos que estão nas estantes, na Internet, nas placas, nos rótulos, etc. Os professores terão que se reciclar, alunos terão que estudar mais. Tudo isso para quê? Para unificar a ortografia da língua portuguesa no mundo, ora. Vá lá, isso é importante, mas ainda não será dessa vez que ficará mais fácil escrever corretamente. As novas regras não simplificam nossa vida em nada nadica. Se no futuro alguém voltar com a idéia de reforma ortográfica espero que terceirizem o projeto e contratem uma empresa para pô-lo em prática. Reforma ortográfica é um assunto que envolve muito dinheiro para ficar na mão de acadêmicos e letrados.

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