Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘trabalho’


Circula no Congresso Nacional projeto de lei que regulamenta a profissão de fotógrafo. De autoria do deputado Fernando Torres (PSD – BA) o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e cidadania da câmara em abril/14 e segue para aprovação no senado. Mais uma profissão caminha para a regulamentação no Brasil, mas afinal, regulamentação é bom para quem?

A constituição brasileira garante o exercício de qualquer profissão a qualquer pessoa, salvo nos casos definidos em lei. É razoável que nossos legisladores coloquem restrições ao exercício de algumas profissões quando houver interesse coletivo em jogo ou risco para a população.  A profissão de médico, por exemplo, é o caso clássico de atividade profissional que coloca em risco a vida humana e, portanto, deve se sujeitar a rigorosas exigências de qualificação. Da mesma forma, os pilotos de avião precisam passar por treinamento e avaliação antes de pegarem no manche. Rigor semelhante não se deve exigir de um decorador de interiores, pois o pior dano que esse profissional pode causar é uma decoração simplesmente horrorosa. E a profissão de fotógrafo? Seria uma dessas atividades que necessitam de controle do estado?

Lambe lambe

O Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional a exigência de diploma em comunicação para o exercício da profissão de jornalista, alegando que a liberdade de expressão é um direito constitucional fundamental que não pode ser limitado pela exigência de curso superior específico para ser exercido. Da mesma forma, o STF considerou inconstitucional a exigência de filiação à Ordem dos Músicos do Brasil para aqueles que quiserem exercer a profissão de músico porque seria uma limitação ao direito constitucional da livre manifestação artística.  Se a profissão de fotógrafo for regulamentada não faço a mínima ideia de como o STF pode vir a julgar uma ação de inconstitucionalidade contra ela, mas me parece que a fotografia tem a ver com liberdade de expressão e de manifestação artística.

Quando uma profissão é regulamentada há interesses em jogo. Em primeiro lugar deveria vir o interesse da sociedade que estaria mais segura e melhor atendida com a regulamentação. Existe o interesse corporativo de instituir reserva de mercado para aumentar os ganhos dos profissionais regulamentados. Temos também o interesse do mercado de não regulamentar para manter os preços baixos. Cabe ao estado conciliar os interesses conflitantes da sociedade e das corporações, o que raramente acontece.

O avanço da tecnologia digital possibilitou a um número maior de pessoas o acesso à prática da fotografia, o que é bom. Esse número maior de pessoas com câmera na mão, por outro lado, produziu uma inflação de fotógrafos no mercado levando a uma concorrência autofágica. Não vale jogar a culpa na tecnologia, pois ela democratiza o acesso à fotografia. Também não adianta implicar com os fotógrafos de fim de semana que só fazem bicos, pois o alcance do trabalho deles fica limitado a situações mais básicas de produção.

Sou formado em engenharia química, o que me coloca na pitoresca condição de ser fiscalizado por dois conselhos profissionais: o de engenharia (CREA) e dos químicos (CRQ). Além disso, sou fotógrafo amador e já ganhei alguns trocados vendendo minhas fotos. Não sei se continuarei ganhando dimdim com fotografia caso a lei do fotógrafo seja aprovada, uma vez que as minhas vendas acontecem via bancos de imagens internacionais. Não pretendo fazer curso de fotografia nem de nível técnico, nem superior. Só sei que continuarei clicando por aí independente da avareza do mercado, das corporações de ofício e de nobres deputados que querem fazer bonito para potenciais eleitores.

Anúncios

Read Full Post »


Esses dias fui conversar com um colega sobre um assunto de serviço e ele me perguntou:

— E aí? O que lhe aflige?

— Nada – respondi.

Imediatamente, várias cabeças se ergueram de trás dos monitores e começaram os comentários:

— Não seja por isso. Posso lhe doar algumas aflições agora mesmo.

— Tenho uma pilha de serviço para dividir com você.

— Está dispensado.

Brincadeiras à parte, no atual mundo trabalho é preocupante a associação íntima que as pessoas imaginam existir entre estresse, excesso de trabalho e eficiência.

É como se existisse uma lei imutável dizendo que o estresse é diretamente proporcional à quantidade de serviço pendente e, pior, exponencialmente proporcional à eficiência do colaborador.

Na Roma antiga diziam que não bastaria à mulher de Cesar ser honesta, ela devia parecer honesta. Com algumas adaptações a velha regra pode ser adotada no mundo do trabalho contemporâneo. “Não basta ser eficiente, você tem que parecer eficiente.” Isso quem me disse foi um antigo gerente em uma dessas avaliações sistemáticas das corporações modernas. E quais seriam os traços aparentes da eficiência? Bem, reclamar do excesso de serviço parece que é um deles, pois caso contrário você corre o risco de passar por folgado e aí logo virá alguém com uma cascata de tarefas para enriquecer o seu ócio criativo. Outra regra certeira é viver estressado, pois isso denota responsabilidade e comprometimento.

Se as pessoas não estivessem tão assoberbadas e estressadas, talvez percebessem que o estresse derruba a produtividade e que pessoas produtivas podem resolver com desenvoltura suas pendências e dessa forma não precisam andar por aí com os nervos desencapados. Não interpretem minhas palavras como auto elogio; na verdade eu também me estresso facilmente, mas com o tempo aprendi que estresse, excesso de trabalho e eficiência são três coisas totalmente independentes.

Read Full Post »


Esta semana a Microsoft anunciou o início em beta de seu serviço Office 365 que é a evolução on-line em nuvem do velho pacote Office que conhecemos bem. O Office 365 será acessível a partir de uma infinidade de dispositivos: computadores conectados, iPhones, Blackberrys, Androids, Windows Phones, etc. O Office 365 vai levar a empresa até onde o funcionário estiver a qualquer hora do dia, em qualquer dia do ano. É a intensificação de uma tendência que começou quando as empresas passaram a entregar smartphones para seus funcionários ficarem conectados ao trabalho em tempo integral.

Além dos aplicativos Word, Excel e PowerPoint esse novo serviço terá integração com email, mensagens instantâneas, disco virtual, construtor de sites, entre outras coisas. A ideia é juntar uma série de produtos da empresa como Office, Hotmail, Messenger, SharePoint, SkyDrive e Exchange em uma grande solução integrada para uso corporativo. Obviamente, o Office 365 vai gerar discussões acaloradas, pois é pago por assinatura e virão as comparações inevitáveis com soluções gratuitas como o Google Docs. Imagino que ao propor uma solução corporativa, a Microsoft tenha pensado em todos os requisitos de segurança envolvidos e dará boas garantias às empresas de que seus preciosos documentos estão seguros na nuvem. Garantia que serviços gratuitos e sem integração talvez não ofereçam. O fato é que o Office 365 pretende ser um ambiente de trabalho colaborativo completo na nuvem.

Independente das disputas ideológicas entre fãs da Microsoft e do código aberto, o que está claro é que ambas as vertentes de desenvolvimento operam para aumentar o estresse no mundo do trabalho, que já está alto. O nome do produto da Microsoft sugere disponibilidade integral todos os dias do ano. Imagino que os funcionários da empresa que contratar o serviço da Microsoft poderão ser chamados de colaboradores 365. Dá até uma saudade do Office nine to five.

Read Full Post »


Faz um bom tempo que eu uso caneca de louça para tomar café no escritório. Como todos sabem, o colaborador moderno é movido a cafeína e essa droga lícita não devia entrar na contabilidade da empresa como despesa e, sim, como investimento, já que melhora a produtividade dos usuários. A maioria, porém, ainda prefere o copo plástico descartável na hora do cafezinho. Quem não adere à xícara costuma alegar que não tem tempo para lavar esse recipiente ecologicamente correto. Pois bem, lá no escritório onde trabalho essa desculpa não vale mais.

Esses dias, sentei na mesa e em um gesto automático minha mão foi de encontro à xícara que não estava lá. Depois de uma breve crise de abstinência encontrei-a devidamente lavada na copa. Uma gentileza das garotas do cafezinho. Junto com a minha xícara haviam algumas outras aguardando pelos donos. Agora, diariamente, chego ao trabalho e já passo pela copa para apanhar minha xícara lavada. A ideia pegou porque a cada dia há mais xícaras no balcão da copa. Essa minha nova rotina é um pouco menos ecológica do que a anterior, considerando que eu vivia esquecendo de lavar minha xícara. Mesmo assim, continua sendo mais ecológica do que usar copos descartáveis. Lavar a xícara consome água e detergente, mas o impacto dessa ação é menor do que lançar copos plásticos no ambiente.

São esses pequenos atos de boa vontade como o das minhas colegas da copa que fazem a diferença. Sim, o meio ambiente precisa de grandes ações globais, mas ações macro não vão resolver o problema sem as micro ações cotidianas que só dependem da boa vontade de cada um.

Read Full Post »


home-office

O trabalho em casa é um modelo muito antigo de produção que só na História recente deixou de ser predominante na economia. Meu avô Lourenço, por exemplo, era sapateiro e trabalha em uma oficina que ocupava o cômodo da sua casa voltado para a rua. O meu outro avô, Napoleão, era moleiro. As máquinas do moinho dele ficavam no pavimento inferior de sua casa. No pavimento superior, ficavam a venda e a área residencial da casa. Atualmente, o trabalho em casa é a opção de milhões de autônomos e micro empresários e mesmo grandes empresas adotam esse modelo com uma parte de seus funcionários. Até o presidente dos Estados Unidos trabalha em casa.

O ganho ecológico que salta aos olhos no trabalho em casa é a economia com transporte. Você não precisa enfrentar congestionamentos e queimar combustível para chegar ao serviço. Outro ganho evidente é a economia de infra-estrutura. Voltando ao exemplo do nôno Napoleão: ele usava apenas um telhado para cobrir sua casa e seu moinho.

Na maioria dos casos, a coexistência de trabalho e moradia em um mesmo local é interessante para o meio ambiente. No entanto, quando o assunto é ecologia só o balanço global é que importa. Imagine o caso hipotético da Dona Maria, que construiu um cômodo adicional em sua casa, pois costura para uma indústria de roupas. Diariamente ela vai até a sede da confecção para entregar peças prontas e pegar novos cortes. Nesse caso, a vantagem ficou apenas para a confecção que deixou os gastos por conta da Dona Maria. Pois é. Ambientalismo e trabalho em casa são para quem leva tudo na ponta do lápis.

Este é um post escrito em casa, por isso é mais ecológico que  similares produzidos em grandes redações.

Crédito de imagem: Home Office Snapshots

Read Full Post »


Coffee break

Recentemente, fui a um simpósio em São Paulo e no programa constava o item: cofee break e networking. A maioria deve concordar que o cofee break é uma das partes mais interessantes de todo evento. Primeiro, porque dá um break e depois porque tem coffee, aquela droga negra, quente e forte tão necessária. Mas agora tem o networking. Aquilo que era um momento de descontração para bater papo e relaxar tornou-se uma atividade estruturada e mensurável por métricas especializadas. Fez seu networking? Quantos cartões trocou? Algum contato promissor? Eu nunca fui bom em marketing pessoal e muito menos em networking. Como o nome diz, networking é um tipo de trabalho, um novo item a levar em conta em nossas vidas sobrecarregadas de regras e indicadores de desempenho. Nos bons tempos, a gente fazia contatos simplesmente porque é típico entre nós macacos sem pêlos nos relacionarmos com os pares da mesma espécie. O networking trouxe-nos a profissionalização interesseira do bom e velho bate-papo. Alguém conhece um livro de auto-ajuda com ênfase em networdking? Existem as 101 regras para o networking eficaz? Quem quiser fazer networking comigo, estou à disposição.

Read Full Post »