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Posts Tagged ‘web 2.0’

A oitava praga do Egito


Os meios de comunicação são peça chave para o sucesso de qualquer revolução social, seja ela do tipo fraterna, igualitária e libertária, ou então mero golpe aplicado por oportunistas em longínquas republiquetas esquecidas. No século XX quando um grupo queria tomar o poder pela força se ocupava logo de tomar rádios e estações de TV além de controlar a circulação de jornais. Naquele tempo, os veículos de comunicação eram do tipo 1.0, ou seja, distribuíam informação de forma unidirecional. A seta da comunicação ia da redação para o público. Agora estamos na era da comunicação 2.0 e a comunicação se dá em duas vias. Além do mais, a massa passiva tornou-se agente no processo, trocando informação entre si diretamente e sem intermediação. Já vimos vários movimentos políticos sofrerem influência da Internet, mas provavelmente, a mobilização popular no Egito pela saída do presidente Mubarak é até agora a experiência mais radical envolvendo Internet e participação política.

A Internet teve papel fundamental no movimento popular egípcio e a prova disso está no fato de o governo ter aplicado um apagão de Internet e telefonia celular no país. No mesmo episódio vemos a força e a fragilidade da grande rede. Força para mobilizar e fragilidade para se manter no ar mesmo em um país de grande população e com estrutura complexidade Internet.

O Egito nos dá lições históricas sobre mobilização popular com Internet. A Internet tem força, sim; não é mais um meio secundário com alcance limitado a segmentos específicos da sociedade. A ideia original que motivou os idealizadores da Internet era criar uma rede impossível de silenciar. Os militares que lançaram a ideia da grande rede queriam criar um meio de comunicação capaz de resistir a ataques nucleares. O que vimos no Egito foi uma Internet que pode ser calada com alguns poucos telefonemas. Em nosso sonho ingênuo a Internet representa a voz do povo, mas essa voz ainda precisa de uma tecnologia mais guerrilheira que seja impossível de silenciar.

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Quem é digital não faz certas coisas. Se você quer ganhar um selo digital este ano, evite os sete pecados:

  1. Fazer compras com papel moeda. Digital que se presa paga e recebe com cartão, transferência eletrônica, PayPal ou outro meio digital de pagamento, portanto, não toque em cédulas e moedas.
  2. Ouvir, assistir ou ler em mídia física. Nada de LP, CD, DVD ou bluray; prefira mp3, mpeg, DivX e outros formatos digitais para imagem e vídeo. Jornais, revistas e livros devem ser lidos em computador, smartphone, tablet ou e-book reader.
  3. Usar telefone fixo. O telefone fixo já cumpriu sua missão histórica, agora é a vez de soluções como smartphone, Skype, MSN Messenger, etc.
  4. Comprar em loja física. O cidadão digital encomenda tudo pela Internet. E quando digo tudo é tudo mesmo, incluindo roupas, pizza, flores e automóvel.
  5. Manter dados em computador local. Estamos na era da computação em nuvem. Os dados do homem digital estão em algum lugar não se sabe onde, mas o importante é que estão acessíveis em qualquer  lugar conectado.
  6. Usar tecnologia tradicional que tem equivalente digital. Artefatos como despertador, agenda ou calculadora têm equivalentes informatizados.
  7. Não compartilhar sua privacidade..Cidadão digital está integrado às redes sociais e à Web 2.0 que é colaborativa. O que você faz, você divulga e compartilha.

Ser digital sem cometer pecados é um desafio, mas lembre que os sete pecados tradicionais também são muito difíceis de evitar.

 

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Esta semana muitos internautas foram pegos de surpresa com a notícia do provável mas não confirmado fechamento do site Delicious. Eu sou um usuário desse serviço que considero um ícone da Web 2.0. A ideia do Delicious é bem redonda: você armazena e compartilha seus favoritos na web e assim fica sabendo de outras pessoas com interesses similares, conhece sites bacanas e pode medir a popularidade de seu próprio site. O Delicious é uma rede social dos favoritos que não foi bem explorada peloYahoo! atual proprietário do site. Está certo que há tempos o Delicious não evolui e que precisaria avançar muito até se tornar a solução ideal de gerenciar favoritos. A Internet ainda nos deve um bom serviço de favoritos, mas sinceramente, acredito que essa missão vai ser cumprida mesmo é pelo Google que já dispõe de vários recursos para isso. Infelizmente, não são sociais.

Depois do anúncio do fim do Delicious comecei a pensar em outros sites que tiveram seus dias de glória e que por algum motivo acabaram se perdendo na poeira da estrada digital. Lembra desses?

  • Cadê? O primeiro grande sites de busca brasileiros. Os webmasters tinham que cadastrar seus sites manualmente. Cadê o Cadê? Ainda existe, mas foi incorporado ao Yahoo!
  • Zipmail. O primeiro webmail gratuito brasileiro. Continua no ar adminstrado pelo UOL.
  • Geocities. Um dos maiores sites da Internet na virada do milênio, fazia hospedagem gratuita de sites. Foi comprado a peso de ouro pelo Yahoo! que o descontinuou em 2009.
  • Alta Vista. Antes do Google, o Alta Vista já assombrava os internautas com seu poder de encontrar tudo que existia na Internet. Mais uma empresa adquirida pelo Yahoo! que será fechada em breve.
  • ICQ. O primeiro serviço de mensagens instantâneas era de Israel e no início do terceiro milênio ninguém apostava que ele seria atropelado pelo MSN Windows Messenger.
  • Webring. Uma grande ideia da Internet. Se você tinha um site incluía ele em um anel do Webring. Os internautas circulavam pelos sites do anel e dessa forma conheciam outros sites similares.

A Internet é dinâmica e cruel e o Yahoo! se firma como especialista em comprar sites promissores por quantias astronômicas para depois deixá-los naufragar no mar da Informação.

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ninja

A equipe do Google criou um teste para avaliar se o usuário de GMail é ninja no uso da ferramenta. Os ninjas recebem faixas com cores diferentes de acordo com suas habilidades. Aproveitei a ideia e criei uma série de avaliações para identificar ninjas em tecnologia da informação. Começaremos pela Web 2.0.

Não é fácil definir Web 2.0, mas vamos assumir que ela abrange os sites em que o conteúdo é gerado pelo usuário. Sites de web 2.0 dependem da participação ativa dos internautas para funcionar. Você é um desses internautas participantes que fazem a Web 2.0 acontecer?

Responda as perguntas a seguir e veja se receberia uma faixa ninja? Quando responde sim, você ganha os pontos indicados no final da pergunta.

Faixa branca

  • Postou comentários em blog ou fórum? 1
  • Participou de lista, fórum ou grupo de discussão? 1
  • Divulgou listas de reprodução no YouTube? 1
  • Criou fórum na Internet? 1
  • Indicou links para o Digg? 1
  • Tem lista de favoritos no Delicious? 1
  • Criou lista de músicas na LastFM? 1
  • Postou alguma pergunta no Yahoo Respostas? 1
  • Tem fotolog? 2
  • Tem blog? 2
  • Participa de algum wiki? 2
  • Tem Twitter? 2
  • Publicou fotos no Flickr? 2
  • Respondeu perguntas no Yahoo Respostas? 2

Pontuação mínima: 12

Nas perguntas são citados alguns sites líderes, mas se você utiliza similares, pode responder sim às perguntas. Por exemplo: em vez do Google Docs você utiliza Zoho? Sem problemas.

Some os pontos que ganhou. Se fez 12 pontos ou mais, você é um ninja faixa branca em Web 2.0 e pode passar para a segunda fase.

(mais…)

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seguidores
Eu estava aqui dialogando com meus botões em busca de um motivo para tanta badalação em torno do Twitter. Afinal, porque esse serviço de microblog com posts de 140 caracteres tem crescido explosivamente? Concluimos que o segredo está na possibilidade de seguir e ser seguido sem reciprocidade. Esse recurso de lifestreaming é o que distingue o Twitter de outras redes sociais.
Nas redes sociais estabelecidas como Orkut a relação entre usuários é de mão dupla. Você convida alguém para ser seu amigo e o outro deve aceitar o convite, assim cada um computa um amigo a mais e isso rende prestígio no universo paralelo das redes sociais. No Twitter, o seguido não precisa retribuir a gentileza. Você pode ter muitos seguidores sem precisar seguir ninguém e vice-versa. Graças a essa lógica, algumas celebridades como a apresentadora Oprah Winfrey alcançaram mais de um milhão de seguidores. Embora você possa ler os microblog sem compromisso, o Twitter incentiva seus usuários a seguirem outros usuários. Aí surge aquela vontade de seguir e ser seguido mais e mais.
Redes sociais como Orkut, Plaxo e Live Messenger também entraram na onda de seguir e ser seguido, mas por outro caminho. Nessas redes, cada vez que você faz alguma ação como editar o perfil ou publicar uma foto, seus contatos são alertados. É como eles fossem seus seguidores e vice-versa. O que meus botões não souberam responderam é como o público do Twitter vai se organizar para chegar a um ecossistema equilibrado de seguidores e seguidos. Consigo imaginar três tipos notáveis de twitteiros:
  • Profeta. Tem uma legião de seguidores e segue poucos.
  • Equilibrado. Segue pessoas na mesma proporção em que é seguido.
  • Ovelha. Segue muitos e é seguido por poucos.
Decididamente, já ultrapassamos a era da Web 2.0, a da Internet participativa com conteúdo gerado pelo usuário. Entramos na era da Internet das redes sociais. Seria de se comemorar se tivéssemos alcançado a comunicação franca em que as pessoas se articulam por belas causas, mas o que predomina, infelizmente, é muito marketing pessoal, exibicionismo e uma desesperada vontade de se destacar na multidão mesmo quando não se tem algo a dizer.

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wikia_green

Wikia Green é um wiki especializado em sustentabilidade ambiental. Por enquanto, só está disponível em inglês, mas é uma fonte de referência interessante para quem se preocupa com a questão ambiental. Outra coisa que chama a atenção no Wikia Green são as propagandas, Trata-se de um Wiki que se preocupa também com a sustentabilidade econômica. Wikia é o serviço gratuito de hospedagem (wiki farm) que fornece a infraestrutura para o Wikia Green. A inclusão de propagandas nos wikis hospedados no Wikia é emblemática e aponta o rumo para a produção de conteúdos virtuais. Os primeiros wikis não tinham um modelo de negócio. Foram criados graças às iniciativas idealistas de programadores e conteudistas. Esses wikis cresceram rapidamente e apesar do ceticismo dos conservadores estão se tornando em fontes confiáveis de informação. Com esse amadurecimento veio à tona a questão da sustentabilidade econômica, afinal, o idealismo dos pioneiros não dá conta de manter um serviço mainstream. Aí é que entra a sacada do Google que consegue colocar propagandas focadas em qualquer página da Internet. Em resumo: quem quiser ganhar dinheiro produzindo conteúdo virtual terá que abrir espaço aos reclames do patrocinador. Dá certo? Não é um caminho fácil, mas vamos lembrar que esse modelo sustenta o rádio e a TV há décadas.

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Não pergunto que benefício os blogs trazem para os blogueiros. Para a sociedade essa é uma questão irrelevante. Interessa-me a serventia que os blogs possam ter para sua majestade o leitor. Antes de responder, vamos esclarecer uma coisa: ficam de fora dessa conversa os blogs inexpressivos como aqueles muito exibicionistas, os que foram criados para zoar ou os que não passam de uma tentativa desesperada de comunicação com o mundo da parte de quem não tem nada a dizer. Notaram que estou incluindo o meu próprio blog no grupo daqueles que podem apresentar alguma relevância, certo? Pois então vamos raciocinar.

Na Era de Gutemberg havia uma aldeia de 1.000 habitantes onde todos liam as obras que 10 habitantes escritores publicavam. Nessa aldeia, havia muitas pessoas com vontade de se tornar escritores, mas por causa dos custos altos somente 10 conseguiam furar a barreira imposta pelo modelo e publicavam suas obras. Graças a um mecanismo natural de regulação, as obras eram publicadas em quantidade proporcional à capacidade de leitura dos habitantes.

Com a chegada da Internet, os custos caíram, as facilidades aumentaram e agora qualquer habitante pode publicar suas obras se quiser. A aldeia passou a ter 100 escritores. No entanto, a capacidade de leitura dos habitantes continuou a mesma porque, além de ler, eles trabalham, saem passear, etc. A Internet expandiu a oferta, não a demanda.

Essa expansão na oferta de textos, em si, não significa nada. Para interpretar o valor da mudança na pequena aldeia vou invocar duas entidades que se alternam em minha cabeça: otimístio e pessimístio.

Pessimístio: aumentar o volume de texto em circulação não representa ganho para a sociedade. Os dez autores de antes eram os melhores e, por isso, eram publicados. Os 90 autores que entraram no circuito não passaram pelos filtros do sistema anterior. Na melhor das hipóteses são divulgadores. Com sua entrada no circuito esses autores apenas drenam a atenção do leitor gerando uma sobrecarga de informação para quem poderia se manter focado em autores top.

Otimístio: a pequena aldeia tem bem mais de dez autores qualificados para publicar seus textos. A demanda restrita impõe um funil muito estreito aos potenciais escritores, deixando inéditos autores de quilate respeitável.

Quem teria razão? Otimístio ou pessimístio? Quem sabe invocando a opinião de Equilibradium.

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